Arquivo de junho, 2009

Emissões

22/06/09

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ásia poderá emitir 40% do CO2 do planeta até 2030

Região também se destaca como a área mais vulnerável às mudanças decorrentes do aquecimento global
AP e Reuters
MANILA, Filipinas – A parcela de emissão mundial de CO2 de responsabilidade da Ásia pode aumentar para mais de 40% até 2030, tornando-a o maior motor da mudança climática do mundo, alertaram especialistas nesta terça-feira, 16.

O continente mais populoso do mundo, com economias que crescem rapidamente como a China e a Índia, já é responsável por um terço das emissões globais de gases estufa, disse Haruhiko Kuroda, do Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB), em conferência em Manila.

Sua parcela de emissões pelo uso de energia triplicou nos últimos 30 anos, disse.

A Ásia também se destaca como a área mais vulnerável às mudanças decorrentes do aquecimento global. Além da falta de água potável, as colheitas da região central e do sul podem diminuir cerca de 30% até 2050 e cidades costeiras (incluindo Bangcoc, Jacarta, Manila, Mumbai e Xangai) poderão ter inundações, disse o ADB.

Ainda neste século, pessoas vivendo na costa de Bangladesh, Maldivas e Tuvalu podem ser forçadas a fugir devido ao aumento no nível dos mares.

“A mudança climática tem essa característica de exacerbar o estresse existente na região … que é afligida pela pobreza e pela falta de infraestrutura”, disse Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental da ONU sobre a Mudança Climática.

Cientistas já recomendaram que os países ricos reduzam as emissões entre 25% e 40% até 2020 para evitar os piores efeitos do aquecimento.

Eles dizem que o aquecimento levará a secas, enchentes, aumento do nível dos mares e tempestades.

Kuroda disse que é imperativo que se aumente os esforços para colocar a região em um caminho de menor crescimento nas emissões de carbono.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em um vídeo para a conferência, pediu que os países asiáticos ajudem o mundo a atingir um novo acordo climático em Copenhague, Dinamarca, em dezembro. Ban disse que quer ver um acordo “ambicioso, abrangente e justo.”

Desastres naturais

O mundo está caminhando “como sonâmbulo” em direção a desastres naturais evitáveis cujos efeitos poderiam ser significativamente reduzidos com um aumento modesto nos gastos com redução de riscos, disse na terça-feira John Holmes, subsecretário-geral de assuntos humanitários da ONU.

“As tendências em desastres, especialmente os causados pelas mudanças climáticas, são uma preocupação enorme”, afirmou Holmes em entrevista coletiva.

Ele falou no início da Plataforma Global para a Redução de Riscos de Desastres, que ao longo de quatro dias reúne mais de 1.800 participantes de 169 governos e cerca de 140 organizações internacionais e não-governamentais.

Holmes disse que os esforços de redução de riscos melhoraram desde o tsunami de 2004 no Oceano Índico, que matou 250 mil pessoas, mas que é preciso fazer muito mais.

Ele espera que a Plataforma Global concorde em gastar 3 bilhões de dólares por ano com a redução de riscos de desastres. Esse valor representa cerca de 10 por cento dos 8 bilhões de dólares gastos anualmente com ajuda após desastres, mais 1 por cento do orçamento de assistência ao desenvolvimento, de 239 bilhões de dólares.

A título de comparação, disse Holmes, os desastres em 2008 causaram 200 bilhões de dólares em prejuízos. O custo de dois anos antes foi um quarto disso, e a tendência evidente é de aumento.

“Os desastres mais prejudiciais em países em desenvolvimento podem dar a impressão de causar menos danos porque os bens danificados custam menos, mas os danos reais em termos de vidas e subsistência são muito maiores”, disse Holmes.

Cerca de 90 por cento dos desastres estão ligados ao clima, segundo o funcionário da ONU, observando que os ciclones no Brasil em 2004 e Omã em 2007 foram de intensidade nunca antes vista nessas regiões.

Os terremotos maciços em Sichuan, China, no ano passado e outro na Itália este ano evidenciaram a necessidade de padrões mais rígidos de construção e a importância de implementar esses padrões.

As prioridades na reunião da Plataforma Global incluem planos para proteger escolas e hospitais contra desastres, reforçar os sistemas de aviso antecipado, reduzir os assentamentos humanos em áreas de risco e restaurar e proteger os ecossistemas.

A maioria das dez maiores “megacidades” mundiais, com 25-35 milhões de habitantes, fica em áreas costeiras perigosas ou zonas de risco de terremotos. Quase 1 bilhão de pessoas vivem em “assentamentos informais” ou favelas urbanas, e esse número cresce em 25 milhões de pessoas por ano, à medida que a urbanização expõe mais pessoas ao risco de desastres, disse Holmes.

Leia na fonte


terça-feira, 16 de junho de 2009

Aeroportos europeus prometem cortar a zero emissão de CO2

PETE HARRISON – REUTERS
BRUXELAS – Trinta e um aeroportos europeus, incluindo o Charles de Gaulle, em Paris, lançaram nesta terça-feira um programa conjunto para cortar suas emissões de C02 a zero, informou o órgão aeroportuário ACI Europe.

Contudo, o projeto não estabeleceu um prazo para os aeroportos neutralizarem suas emissões de carbono. Segundo a proposta, a meta será alcançada com a redução das emissões do transporte de solo, um aumento das energias renováveis e a redução do consumo de eletricidade nos seus edifícios.

O plano cobre cerca de 26 por cento do tráfego aéreo de passageiros na Europa e inclui alguns dos maiores aeroportos do continente, incluindo Frankfurt, Atenas, Dublin, o Schirpol, em Amsterdã, o Malpensa, em Milão, e o Orly, em Paris.

Entretanto, o aeroporto de Heathrow, em Londres, cuja proprietária BBA está enfrentando um colapso parcial, não assinou o acordo.

O diretor geral da ACI Europe, Olivier Jankovec, disse à Reuters que os diversos membros do grupo não acharam prático estabelecer um prazo para os aeroportos alcançarem a meta de neutralizar as emissão de carbono.

“Se estivéssemos olhando para uma data, nunca teríamos um acordo”, afirmou Jankovec à Reuters. “Mas estamos engajando nossos membros no assunto.”

A ACI Europe previu uma queda de oito por cento no tráfego de passageiros em 2009, um declínio de 16 por cento nos fretes e perdas financeiras entre alguns de seus membros.

“O fato de estarmos fazendo isso em meio às piores condições comerciais diz tudo sobre o quão sérios somos sobre aceitar o desafio da mudança climática”, afirmou Yiannis Paraschis, chefe executivo do Aeroporto Internacional de Atenas.

Cortar o consumo de energia se tornou uma prioridade na Europa, que pretende levar o mundo em direção a um acordo global para combater as mudanças climáticas em uma reunião da ONU em Copenhague, em dezembro.

As operações aeroportuárias representam cerca de 5 por cento das emissões de carbono na aviação, o que representa dois por cento das emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa, de acordo com o grupo, que representa 440 aeroportos europeus.

Leia na fonte


segunda-feira, 15 de junho de 2009

Cientista premiado pede que países extraiam CO2 emitido

Criador da expressão ‘aquecimento golobal’, Wallace S. Broecker advertiu que fenômeno terá efeitos ‘enormes’
EFE
MADRI – esquisador americano Wallace S. Broecker, que criou a expressão “aquecimento global” em 1975, acredita que, para lutar contra este fenômeno, além da necessidade de redução das emissões dos países desenvolvidos, eles deverão também extrair o dióxido de carbono (CO2) que já emitiram na atmosfera.

Broecker, ganhador da primeira edição do Prêmio Fronteiras do Conhecimento, da Fundação BBVA , na categoria de Mudanças Climáticas, afirmou que o que acontecerá dentro de 100 ou 200 anos será uma “surpresa”.

O cientista advertiu que as mudanças climáticas terão consequências “enormes” em todo o planeta, já que mudarão a paisagem, as espécies vegetais migrarão para zonas mais frias ou se extinguirão, e as regiões áridas ficarão ainda mais secas.

No entanto, o que não deve mudar, segundo este investigador, é a dependência mundial em combustíveis fósseis, já que as energias renováveis não serão consagradas totalmente nos próximos 50 anos, o que significa que as emissões de CO2 continuarão aumentando.

O cientista considerou que a maior parte dos críticos das teorias de mudanças climáticas “não são pessoas de alto nível” e que os líderes políticos “não sabem nada de física”.
Sobre seu país, os EUA, Broecker disse que houve “um bufão durante muitos anos no poder”, em alusão ao ex-presidente George Bush.

Atualmente, o cientista investiga as mudanças no padrão global de chuvas com o aumento da temperatura do planeta, especialmente nas zonas áridas.

Leia na fonte

Mudanças climáticas

22/06/09

Relatório oficial reconhece que EUA já sofrem efeitos das mudanças climáticas

Publicada em 15/06/2009
O Globo

WASHINGTON – Historicamente os maiores emissores do mundo de gases responsáveis pelo efeito estufa, os EUA já sofrem as consequências do aquecimento global em seu próprio território. No relatório do Programa de Pesquisa sobre o Clima Global a ser divulgado hoje em Washington, cientistas pedem medidas urgentes contra o aquecimento global. Segundo especialistas, o governo americano não pode mais esperar para agir. É preciso começar agora para minimizar o impacto. O relatório é o primeiro documento oficial a reconhecer os efeitos do aquecimento global no país. Será apresentado por John Holdren, chefe do Escritório da Casa Branca para Política Científica e Tecnológica, e Jane Lubchenco, chefe da Administração Americana de Atmosfera e Oceanos.

As revelações do relatório prometem facilitar os planos do governo de Barack Obama de estabelecer limites para as emissões de dióxido de carbono de usinas a carvão e veículos que usam combustível fóssil.

Um projeto sobre o tema está em tramitação no Congresso e já foi aprovado por um comitê no último dia 22 de maio. Ele tem previsão de ir à votação em plenário em agosto. Democratas querem que esse projeto se torne lei ainda este ano, mas a perspectiva no Senado não é clara.

Embora o relatório ainda não tenha sido apresentado, acredita-se que seja semelhante a uma versão preliminar parcialmente revelada em janeiro. Entre as principais conclusões do documento estão a de que a mudança climática já afeta a água, a energia, os transportes, a agricultura, os ecossistemas e a saúde, de forma diferente em cada região. E o problema tende a piorar.

População corre maior risco de infecções

Os dados apontam que a agricultura é o setor com maior capacidade de se adaptar às mudanças. Porém, o aumento da temperatura, de pragas, de doenças e alterações extremas no clima serão um desafio à produção de grãos e à criação de animais.

Também a ameaça à saúde humana vai aumentar, devido aos problemas decorrentes do estresse térmico, a doenças transmitidas pelas água, à pior qualidade do ar e a infecções transmitidas por insetos e roedores.

Além disso, o relatório alerta para a elevação do nível do mar e mais episódios de tempestades em regiões da costa americana, com maior chance de erosão e inundações, especialmente no Golfo do México, em ilhas do Pacífico e em parte do Alasca. O sistema de energia e a infra-estrutura de transporte em cidades costeiras serão gravemente atingidas, segundo o relatório.

A Casa Branca espera que progressos na legislação americana possam ajudar nos esforços internacionais de formar um novo pacto para frear as alterações climáticas. E isso seria consolidado num encontro mundial em Copenhague, em dezembro.

Leia na fonte

 

?

segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Copenhague – sonhos e realidades

José Goldemberg
Copenhague, a capital da Dinamarca, próspero país no norte da Europa, vai sediar no fim deste ano a 15ª reunião dos países signatários da Convenção do Clima, adotada no Rio de Janeiro em 1992 (Rio-92), na qual os governos dos países participantes (mais de 180) se comprometeram a reduzir as emissões de gases responsáveis pelo aquecimento global.

Afora a retórica, contudo, nenhum país assumiu em 1992 compromissos concretos de reduzir tais emissões, o que só foi feito cinco anos depois, em 1997, no Japão, onde foi adotado o Protocolo de Kyoto. Foi nessa ocasião que as esperanças e os sonhos gerados em 1992 começaram a se chocar com a realidade. Os países industrializados aceitaram reduzir modestamente suas emissões nos 15 anos seguintes (até 2012), mas os demais (incluindo China, Índia e Brasil) não aceitaram nenhuma limitação, usando argumentos de natureza política.

O principal é o de que os países industrializados foram os grandes emissores no passado e, portanto, têm responsabilidade histórica pelo que está acontecendo, cabendo a eles resolver o problema. Esse argumento se origina na concepção terceiro-mundista, comum em muitos países em desenvolvimento, que culpa as potências coloniais pelos problemas que enfrentam. Essa visão leva às reivindicações por “compensações” pelos males do passado e a propor, por exemplo, que os espanhóis paguem pela destruição da civilização asteca. No Brasil vemos isso frequentemente na discussão sobre cotas para afrodescendentes nas universidades públicas.

É ela que alimenta a ideia de que os países em desenvolvimento só tomarão as medidas necessárias para reduzir suas emissões se os países ricos lhes transferirem as tecnologias e os recursos necessários para tal, apesar de emitirem tanto quanto os países industrializados; além disso, suas emissões estão crescendo mais rapidamente. Consequência disso é que os EUA – o maior emissor mundial – não ratificaram o Protocolo de Kyoto; a União Europeia (UE) é o único bloco de nações engajado até agora seriamente em reduzir suas emissões. Estima-se que seria necessário transferir US$ 100 bilhões por ano. No presente, apenas pouco mais de U$ 1 bilhão por ano está sendo transferido, o que mostra quão irrealista é a posição dos países em desenvolvimento de esperar que os países industrializados paguem pelos custos da redução das emissões.

A conferência que se realizará em Copenhague tem por objetivo reformular o Protocolo de Kyoto e, eventualmente, substituí-lo por outro que conte com a adesão dos EUA e um engajamento real dos países em desenvolvimento. O que se pode esperar realisticamente dela?

Em primeiro lugar, a UE já decidiu tornar suas metas mais rigorosas e pretende reduzir suas emissões em 20% abaixo do nível de 1990, usando o método já em operação de permitir a troca de emissões entre empresas. Esse método encoraja avanços tecnológicos e as empresas mais eficientes podem vender certificados de emissão às menos eficientes. O mercado europeu de emissões já atingiu o nível de dezenas de bilhões de dólares por ano. Em segundo lugar, os EUA estão próximos de adotar um sistema de metas e troca de emissões, propondo-se a reduzi-las em 17% abaixo do nível de 2005. O que se espera como resultado é uma grande expansão do mercado de emissões europeu para um mercado transatlântico que incluirá o Canadá e o México.

Essas medidas concretas para a redução de emissões esvaziarão o argumento dos países em desenvolvimento de que, se reduzirem as suas, vão facilitar a vida dos países industrializados, que continuarão a emitir. Provavelmente, tais medidas levarão a China a abandonar a recusa de aceitar limitações às suas emissões e participar, assim, do grande mercado de emissões que se está delineando. Se isso ocorrer, o que se espera dos demais países em desenvolvimento?

De acordo com o “mapa do caminho” adotado em Bali, na 13ª reunião dos países signatários da Convenção do Clima, os países em desenvolvimento comprometeram-se a adotar “ações de mitigação apropriadas, em nível nacional”, que são voluntárias, mas sujeitas a verificação. Exemplo dessas ações voluntárias é a anunciada pelo Brasil, na 14ª reunião da Convenção, em Poznan, de que reduziria o desmatamento da Amazônia em 30% até 2013 e outros 40% até 2017.

Que outras ações podem ser tomadas? A exemplo do que fez a UE, as ações (ou metas) podem ser setoriais, isto é, atingir certas indústrias mais do que outras. A lei em discussão no Congresso americano tem as mesmas previsões.

Sendo realista, o Brasil poderia começar a pensar seriamente em adotar o mesmo procedimento, o que poderia ampliar muito os recursos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que se tornou extremamente burocrático e movimenta recursos muito menores do que as transações que existem no mercado europeu. Por exemplo, a produção atual de etanol da cana-de-açúcar, que evita o lançamento de cerca de 40 milhões de toneladas de CO2 por ano na atmosfera, não se qualifica hoje para o MDL, mas poderia ser objeto de transações no mercado europeu (e provavelmente nos EUA); essa quantidade de carbono tem um valor de mercado de cerca de US$ 1 bilhão. Outra ação seria a comercialização de créditos de carbono resultantes do desmatamento evitado, que não pode depender apenas de filantropia internacional, como é o caso atualmente. De novo, aqui, um mecanismo de mercado que mantenha o carbono na floresta poderia gerar um grande fluxo de recursos para o País.

Há condições de se alcançar um acordo em Copenhague, mas é necessário menos ideologia e mais realismo nas negociações em curso.

Lei pioneira aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo, por proposta do prefeito Gilberto Kassab, vai mais longe ainda, fixando uma meta para a redução das emissões de carbono até 2012.

José Goldemberg é professor da Universidade de São Paulo

Leia na fonte

Tecnologias verdes

15/06/09

Atentas ao novo mercado, empresas desenvolvem tecnologias verdes

14/06/2009
O Estado de S. Paulo
Renato Cruz, Porto Alegre

Brasil, apesar de investir pouco em P&D, é referência mundial em algumas áreas, como a dos carros flex

O centro da Pirelli em Santo André, no ABC paulista, desenvolve os pneus para as montadoras atendidas pela empresa no continente, incluindo os Estados Unidos. “Testamos mais de 30 mil pneus por ano”, diz Roberto Falkenstein, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da companhia. “O mercado nunca esteve tão atento à sustentabilidade. Isso mudou totalmente o trabalho de P&D.”

Segundo o executivo, que participou da 9ª Conferência da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), encerrada na quarta-feira, em Porto Alegre, o pneu é responsável por 20% do gasto de combustível do veículo. “Desenvolvemos um pneu verde, com menor resistência à rolagem, que permite a economia de 5% de combustível na estrada, quando o carro está a 100, 110 quilômetros por hora”, informa ele.

O diretor da Pirelli aponta que hoje, em média, os veículos geram 160 gramas de dióxido de carbono por quilômetro rodado. A União Europeia tem como meta chegar a 120 gramas até 2015.
As regras de preservação do ambiente criadas pelos países acabam se tornando, na prática, barreiras técnicas à importação. Preocupado com isso, o Ministério do Desenvolvimento resolveu transformar sua Secretaria de Tecnologia Industrial em Secretaria de Inovação Tecnológica, tendo como um dos focos a sustentabilidade.

“Nos próximos 10 anos, a estratégia de competitividade das empresas depende da superação dessas barreiras”, afirma Marcos Vinícius de Souza, assessor da secretaria. “É uma questão de sobrevivência de negócios.” Segundo ele, uma das primeiras medidas com esse foco é a criação do Cartão BNDES para a Inovação, que deve ser anunciado até o fim deste mês, voltado principalmente para a pequena e média empresas. “As empresas não podem mais reclamar de falta de capital para a inovação.” O financiamento terá juros de 1% ao mês, em até 48 parcelas prefixadas.

O Brasil ainda tem muito a avançar nos investimentos em inovação. Os Estados Unidos e a Alemanha investem perto de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) na área. No Japão, esse número ultrapassa os 3%. Em 2006, o último dado disponível, o Brasil investiu perto de 1%. Os investimentos da China estão próximos de 1,5%.

REFERÊNCIA
Apesar do montante pequeno, o Brasil é referência mundial em algumas áreas. Está no País um dos centros de competência mundial da Bosch. Neste ano, foi lançado o Polo E-Flex, com motor bicombustível que consegue dar a partida com álcool mesmo a temperaturas baixas. O projeto foi liderado pela Bosch do Brasil.
“No ano passado, ganhamos o prêmio mundial de inovação da Bosch”, conta Bruno Bragazza, gerente de Inovação Tecnológica da empresa. “Foi a primeira vez que o prêmio saiu para uma equipe de fora da Alemanha.” O projeto gerou seis pedidos de patentes no Brasil.

O empresário belga Gunter Pauli, diretor da Fundação Zero Emissions Research & Initiatives (Zeri), aponta que existem muitas oportunidades de negócios na sustentabilidade. “Com inovação massiva e novos modelos de negócio, é possível investir menos, gerar mais receita e, ao mesmo tempo, criar capital social”, diz Pauli.

Um dos exemplos citados por Pauli é o uso da energia gerada pela fala humana para abastecer telefones celulares, projeto em andamento no centro de pesquisas Fraunhofer, na Alemanha.

*O repórter viajou a convite da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei)

FRASE

Gunter Pauli
Diretor da Fundação Zeri

“Com inovação massiva e novos modelos de negócio, é possível investir menos, gerar mais receita e, ao mesmo tempo, criar capital social”.

Leia na fonte

Mudanças climáticas

15/06/09

Sábado, 13 de Junho de 2009

Conferência de Bonn termina com sinal promissor dos EUA

Pela proposta, países industrializados devem reduzir em 80% suas emissões até 2050

EFE
A conferência sobre mudanças climáticas de Bonn, preparatória da Cúpula de Copenhague que fixará um acordo pós-Kyoto, foi encerrada ontem com sinais promissores, depois que os Estados Unidos apresentaram de surpresa uma proposta para a redução de gases poluentes.

A delegação americana, país que não ratificou o Protocolo de Kyoto, propôs um plano concreto de redução a longo prazo das emissões, que inclui objetivos fixos para os países industrializados e pede também uma contribuição clara das nações em desenvolvimento.

A proposta, ainda em fase de esboço até seu desenvolvimento completo durante a Cúpula de Copenhague, em dezembro, prevê como objetivo a redução de 80% até 2050 para os industrializados. Os países em desenvolvimento, em troca, também devem contribuir para a redução, mas sem estabelecimento de metas. A formulação está longe ainda dos pontos defendidos pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, mas a apresentação de um plano foi recebida pelo seu secretário-geral, o holandês Yvo de Boer, como um sinal de esperança para a reunião da capital dinamarquesa.

De Boer havia recriminado as primeiras sessões em Bonn, que começaram na semana passada com a participação de mais de 4 mil especialistas e foi marcada pela falta de ambição por parte dos países industrializados e emergentes. Até agora, os objetivos defendidos pelos cerca de 30 países industrializados presentes em Bonn, entre eles praticamente toda a União Europeia, partem de uma redução das emissões entre 17% a 26% até 2020.

No entanto, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU defende a necessidade de reduzir as emissões entre 25% e 40% em comparação com os níveis de 1990, como um esforço mínimo para evitar danos maiores ao planeta.

Esses objetivos de redução fazem parte das negociações prévias à Cúpula de Copenhague, concentradas em sessões preparatórias feitas em Bonn e tendo como meta elaborar um acordo para substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2012. De Boer chegou a lamentar a falta de propostas apresentadas até agora, o que, segundo ele, torna ainda mais lentas as negociações.

Anteontem, houve a formulação do Japão, que se limitou a anunciar uma redução de emissões em cerca de 15% em 2020 com respeito aos níveis de 2005. Organizações não governamentais também apresentaram uma proposta de redução de dióxido de carbono.

Leia na fonte



terça-feira, 9 de junho de 2009, 17:11

China diz estar comprometida com sucesso de acordo climático

País deu resposta positiva à visita de dois dias a Pequim do enviado do presidente Barack Obama para o clima

AP
PEQUIM – A China afirmou nesta terça-feira, 9, estar comprometida em fazer da reunião de Copenhague contra o aquecimento global deste ano um sucesso, emitindo uma nota positiva ao final da visita de dois dias a Pequim do enviado do presidente Barack Obama para o clima.

O ministro das Relações Exteriores, Qin Gang, deu poucos detalhes e reafirmou a insistência da China nas “responsabilidades comuns mas diferenciadas” sob as quais os países desenvolvidos como os Estados Unidos arcariam com a maior parte da responsabilidade pela redução nas emissões de gases estufa.

No entanto, Qin relatou as conversas entre o enviado de Obama, Todd Stern, e as autoridades chinesas, incluindo o vice-primeiro-ministro, Li Keqiang, como construtivas, possivelmente indicando um momento positivo para um acordo entre as duas nações.

Os dois lados concordaram em “pressionar na reunião de Copenhagen por resultados positivos”, disse Qin.
Até o momento, autoridades norte-americanas falharam em chegar a um consenso com a China para a redução das emissões de carbono. O país rejeitou as propostas dos Estados Unidos e da Austrália para a redução de seus níveis de emissão, negando também as demandas por diminuições em países em desenvolvimento, chamando-as de “pouco realistas”.

Stern não fez nenhum comentário público durante a visita, embora o Secretário Assistente de Energia dos EUA, David Sandalow, tenha dito na segunda-feira, 8, que as conversas foram “frutíferas e produtivas”, enquanto apontou que ainda há pontos a serem superados na agenda climática.

“A China pode e vai precisar fazer muito mais se o mundo vai ter qualquer esperança de conter o aquecimento global”, afirmou.

Leia na fonte