22/07/2009 – 10h57
Combustíveis de algas ganham força nos Estados Unidos
DAVID VALENZUELA
DA Efe, em Nova York
A elaboração de combustíveis a partir de algas é uma tendência que começa a ganhar força nos Estados Unidos, onde uma pequena empresa tornou realidade um projeto que a Exxon Mobil, a maior empresa do ramo petrolífero no país, só começa a estudar agora.
A PetroAlgae é uma das pioneiras nos EUA na obtenção de combustíveis por meio do cultivo de algas, assim como de outros organismos. Essa e outras empresas receberam de braços abertos o anúncio da poderosa Exxon Mobil de que vai estudar como produzir esse tipo de material.
21.set.07/Efe

Combustível a partir de algas é tendência que começa a ganhar força nos Estados Unidos
“Estamos entusiasmados com o passo dado pela Exxon, porque traz mais atenção ao setor e ao que nós fazemos”, disse o porta-voz da PetroAlgae, Andrew Beck, durante um evento mundial sobre tecnologia em Nova York durante o qual apostou no uso desses combustíveis “não no futuro, mas no presente”.
A Exxon Mobil anunciou na semana passada que investirá US$ 600 milhões em estudos sobre como produzir biocombustíveis a partir de algas, tarefa que encarregou ao pai do genoma humano, o cientista americano Craig Venter. A companhia espera resultados para daqui a seis anos.
Sediada na Flórida, a PetroAlgae trabalhou desde sua fundação em 2006 em um sistema de biorreatores e cultivo em tanques abertos de algas e outros organismos que fazem fotossíntese, como diatomáceas, plantas angiospermas e cianobactérias. Deles, a empresa obtém um óleo com estrutura similar à dos combustíveis de uso comum.
“Nós não temos que esperar nada. Estamos prontos, porque demonstramos que nosso sistema produz combustível de algas que pode ser utilizado atualmente”, assegurou Beck ao falar sobre a viabilidade do projeto da PetroAlgae, companhia cujo valor de mercado é de US$ 800 milhões.
Quando foi divulgado que a Exxon Mobil entraria assim no negócio dos combustíveis renováveis, seus diretores alertaram para o possível fracasso da experiência, assim como que sua maior preocupação era conseguir um produto viável economicamente, algo que PetroAlgae garante ter conseguido “com uma carta na manga”.
“Nosso sistema produz biocombustível e, além disso, obtém uma fonte proteica ideal para a alimentação de seres humanos e de gado”, explicou o porta-voz da companhia, cujo sistema foi criado para que, a partir dos resíduos vegetais das algas e outros microorganismos, resulte uma rica proteína sólida de origem vegetal.
Segundo Beck, a PetroAlgae projetou “um sistema único” que está à venda por meio de licenças e é economicamente rentável “desde o primeiro dia”, graças ao fato de que óleo obtido pode ser tratado “em qualquer refinaria atual e ser fornecido nos mesmos postos de gasolina usados hoje em dia”.
“Além disso, há o negócio alimentício, com as proteínas. Atualmente estamos em conversas para poder utilizá-las em criações de gado”, explicou Beck, observando que o processo é “90% ecológico”.
A água utilizada é reciclada em quase sua totalidade e os organismos cultivados, dos quais se obtém o óleo, consomem o dobro de seu peso em dióxido de carbono.
“O segredo está em abandonar os grandes cultivos e se concentrar no que chamamos de microcultivos”, explicou Beck, ao assegurar que o sistema da companhia pode ser instalado “em terreno não cultivável, não consome água em excesso e usa sempre organismos nativos, próprios dos terrenos nos quais se situa”.
Além disso, Beck afirmou que, ao contrário do que ocorre com as plantações de cana-de-açúcar, milho ou soja voltadas para a fabricação de etanol, o sistema das algas “não rouba terras dedicadas aos alimentos, uma das maiores preocupações atuais”.
Em abril deste ano, a PetroAlgae fechou seu primeiro contrato de licenciamento de seu sistema fora dos Estados Unidos, com um acordo na China, onde instalará dez de suas unidades de produção de biocombustível no final de 2009.
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Reestruturação garante lucro da Brasil Ecodiesel no 2º trimestre
Por Patrick Cruz, de São Paulo
21/07/2009
A Brasil Ecodiesel, que hoje realiza teleconferência para apresentação de seus resultados no segundo trimestre, já dá como concluído seu processo de reestruturação, iniciado em meados de 2008 – ou, ao menos, a parte mais delicada dele. Agora, espera o término dos trâmites do último aumento de capital que faz parte do processo para saber como ficará exatamente a nova composição do controle da empresa.
“Saímos de uma fase muito difícil para outra, um pouco mais promissora”, disse Eduardo de Come, diretor financeiro e de relações com investidores da Brasil Ecodiesel. “Depois de um ano e meio, conseguimos recompor o capital de giro, que era um dos nossos principais problemas. Estávamos em um ciclo vicioso, com a imagem desgastada no mercado. Agora, uma etapa [da reestruturação] foi concluída”.

A companhia encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 21,7 milhões, um contraste com a perda de R$ 83,9 milhões do mesmo período de 2008 e de R$ 27,4 milhões dos primeiros três meses deste ano. O diretor reitera que, embora seja um número a ser celebrado, o ganho foi mais “contábil”. Apenas a extinção de um contrato com a geradora de energia Enguia Gen, que mantinha uma parte da capacidade de produção à disposição da empresa, caso houvesse demanda, eliminou um passivo de R$ 36 milhões. Houve, assim, contribuição de fatores extraordinários para o lucro registrado no trimestre.
Ainda que reconheça que há chão a ser percorrido para retomar o espaço perdido, a empresa já considera o desempenho do mês de junho como referência para seus próximos passos. “Foi nosso melhor mês nos últimos dois anos. Foi quando conseguimos os recursos para recompor o capital de giro”, diz Come.
A receita líquida da Brasil Ecodiesel no trimestre foi de R$ 52,1 milhões – apenas em junho, somou R$ 38,3 milhões. No segundo trimestre do ano passado, a receita líquida da companhia havia sido de R$ 44,9 milhões – em junho, de R$ 11,5 milhões.
Entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano, o endividamento total da empresa, após aumento de capital que incluiu conversão de dívida em ações, caiu de R$ 298 milhões para R$ 229,5 milhões. Um outro aumento de capital, ainda em curso, será de um mínimo de R$ 118 milhões e máximo de R$ 408 milhões.
Ontem, a Brasil Ecodiesel informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que havia prorrogado em dez dias o prazo para subscrição dessa nova operação, que agora ocorrerá até 7 de agosto. “Como ainda há prazo para as sobras [de subscrição], acreditamos que a operação será concluída por volta de 25 de agosto”, diz.
Desse novo aumento de capital, R$ 12 milhões serão de dinheiro “novo” e R$ 106 milhões de conversão de dívida. Com isso, o endividamento ficará em pouco mais de R$ 120 milhões. Desse montante, R$ 44,5 milhões serão de débitos de curto prazo e R$ 78,6 milhões de longo prazo.
Também do resultado do aumento de capital dependerá a real composição do controle da empresa, que se diluiu ao longo do processo de reestruturação. “Não há mais um ‘bloco de controle’. Nenhum acionista terá fatia maior que 30%”, afirma o diretor. Atualmente, a Eco Green tem fatia de 10,80%, a Zartman Services, de 9,1%, e a Bonsucex, de 8,51%. Nelson José Côrtes da Silveira, o antigo controlador, tem atualmente fatia de 5%.
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