AQUECIMENTO GLOBAL

01/07/2009

Conferência da ONU sobre clima discutirá adaptações ao aquecimento global

da Efe, em Genebra

A 3ª Conferência Mundial Sobre o Clima das Nações Unidas terá como objetivo identificar e definir os mecanismos de adaptação ao fenômeno do aquecimento global, anunciou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) na terça-feira (31).

Em entrevista coletiva o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, explicou que não se deve somente tentar mitigar as mudanças climáticas, mas também aplicar as medidas necessárias para atenuá-la.

Tim Wimborne -22.jun.09/Reuters

Chaminé emite fumaça em Sydney, Austrália; objetivo de encontro é identificar os mecanismos de adaptação ao aquecimento global

“Temos que desenvolver ferramentas de adaptação que nos permitam prever as mudanças e prevenir processos climáticos que nos afetam negativamente”, afirmou Jarraud.

A conferência será realizada em Genebra, do dia 31 de agosto ao dia 4 de setembro. Também será a terceira de sua categoria, depois das de 1979 e 1990.

A primeira conferência estabeleceu o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) –premiado em 2007 com Nobel da Paz por sua constatação sobre o aquecimento global– e a segunda resultou na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, a Rio-92.

Os organizadores da conferência querem criar um “marco global de serviços climáticos”, uma ampla rede de troca de informação que sirva a todo o mundo e seja aplicável em todas as regiões do planeta.
“Precisamos não só obter a informação, mas também poder e saber transmiti-la ao povo que a necessita, aos políticos que deverão tomar decisões e às sociedades que deverão se adaptar”, indicou Jarraud.

Dividida

A conferência será dividirá em duas partes: uma reunião dedicada ao debates de analistas, centradas no potencial que os serviços climáticos podem oferecer e nas necessidades das comunidades de usuários, e um encontro de alto nível, durante o qual se prevê que os políticos tomem medidas em relação à adaptação ao clima.

A segunda reunião será inaugurada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e posteriormente dois de seus enviados especiais o representarão: o ex-presidente chileno Ricardo Lagos e a antiga primeira-ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland.

A 3ª Conferência Mundial sobre o Clima será “um passo e uma ajuda determinante” para a Cúpula de Copenhague de dezembro, segundo Jarraud.

O prazo do Protocolo de Kyoto termina em 2012. A comunidade internacional deve renová-lo anteriormente e, por isso, os membros da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC) se reunirão em Copenhague para negociar.
“A Conferência de Genebra servirá para esclarecer os temas que devem ser tratados em Copenhague. Os políticos já terão em suas mãos todas as informações necessárias, relativas à adaptação, porque elas serão discutidas e estipuladas com antecipação”, disse o secretário-geral da OMM.

Por enquanto, a lista de altos líderes que confirmaram presença na conferência é muito pequena, mas os organizadores esperam que ela aumente com a aproximação da data de realização.

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Sábado, 27 de Junho de 2009

Brown propõe US$ 100 bi/ano para combater aquecimento

Jamil Chade

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, propôs a criação de um fundo alimentado pelos países ricos de US$ 100 bilhões por ano para financiar as nações em desenvolvimento na luta contra as mudanças climáticas. O pacote faria parte do acordo que se negocia até o final do ano para determinar novos limites às emissões de CO2. Brown ainda quer reduzir em 50% o ritmo de desmatamento das florestas tropicais até 2020 e parar por completo a perda de cobertura florestal até 2030.

Em dezembro, 190 governos precisarão chegar a um entendimento sobre como lidar com as mudanças climáticas com o fim do Protocolo de Kyoto a partir de 2012. Um dos pontos mais polêmicos tem sido a contribuição dos países ricos à redução das emissões pelos emergentes.

A Europa havia feito uma proposta de acordo climático no início do ano. Mas deixou os emergentes irritados ao retirar da proposta o valor da ajuda que os ricos dariam aos países pobres. Pressionada diante de sua pior recessão em 60 anos, os europeus só queriam falar em valores quando soubessem o que os emergentes fariam para cortar suas emissões.

A proposta é feita a duas semana de uma reunião entre as 17 maiores economias do mundo. “É só uma gota. Mas pelo menos alguém falou algo sobre números, finalmente”, disse o especialista Pradipto Ghosh, membro do comitê criado pelo governo indiano para tratar de mudanças climáticas.

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