Reunião do G-8

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Reunião do G-8 cria bases para acordo sobre clima, diz Obama

Principais potências concordam que temperatura global não deve aumentar mais de dois graus Celsius

Reuters e Efe
L’AQUILA - O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta sexta-feira, 10, que o acordo obtido pelos países mais industrializados do mundo (G-8), e pelos emergentes (G-5) sobre as mudanças climáticas deve impulsionar um tratado mais amplo na reunião da ONU em Copenhague, na Dinamarca em dezembro.
As principais potências concordaram durante a reunião de L’Áquila, na Itália, que a temperatura global não deve aumentar mais de dois graus Celsius até 2050. Os países industrializados se comprometeram com uma redução 50% das emissões globais de CO2 até 2050, da qual seriam responsáveis por 80%. Os países emergentes se negam a estipular metas.

Obama fez à comunidade internacional um apelo na colaboração para combater a mudança climática e a proliferação nuclear, ao assegurar que esses perigos “ameaçam a paz e a prosperidade de cada país”. Segundo o presidente americano, apesar dos progressos obtidos na reunião, ainda há muito a fazer.

“Não concordamos com tudo, mas mostramos que unidos podemos ter progressos”, disse Obama. “Os problemas globais mais graves não podem ser resolvidos apenas por um país”.

O acordo

O texto não chega a definir metas para a redução dos gases do efeito estufa - apenas objetivos, termo diferente para a diplomacia, pois não são mandatórios - e ressalta conflitos entre países desenvolvidos e emergentes no debate do tema.

Uma fonte da diplomacia brasileira insistiu que a ausência de metas quantitativas não ofusca o objetivo dos líderes do MEF de definir um “rumo político” para as discussões em andamento no âmbito da Convenção do Clima. Por ser um documento assinado por chefes de Estado, afirmou, a declaração tende a dar uma linha clara para o acordo sobre mudança climática, que deve ser concluído na Conferência do Clima das Nações Unidas, em dezembro.

Os países emergentes concordaram sobre a necessidade de suas políticas de desenvolvimento serem acompanhadas de ações de controle das emissões e da incorporação de novas tecnologias, para impedir a repetição da tradicional curva de crescimento econômico com aumento das emissões. Trata-se de uma “meta camuflada”, uma vez que essas ações serão contabilizadas - e cobradas.

Em sua declaração sobre mudança climática e ambiente, o G-8 insistiu que os países em desenvolvimento também devem assumir uma meta quantitativa - corte de 20% nas emissões. A declaração do G-5 (Brasil, China, Índia, México e África do Sul), por sua vez, bateu na tecla da necessidade de metas ambiciosas para os países desenvolvidos e de maior empenho deles para o financiamento de iniciativas dos emergentes e pobres.

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Sexta-Feira, 10 de Julho de 2009

Maiores economias concordam com meta de 2°C de aquecimento

Não houve acordo em relação a como o objetivo será alcançado; ONU diz que políticas ainda não são suficientes

Denise Chrispim Marin, ENVIADA ESPECIAL, ÁQUILA
As 17 maiores economias do mundo concordaram ontem, em uma reunião na Itália, que o aquecimento global não deve passar dos 2°C em relação à temperatura pré-Revolução Industrial. Contudo, divergiram em relação a como essa meta será alcançada.
Ainda assim, o gesto significou a adoção de um critério científico e pragmático, que era rejeitado por vários países, segundo o ministro Luiz Alberto Figueiredo Machado, principal negociador brasileiro do tema. Sua expressão, na prática, estaria na definição da meta global de corte de 50% nas emissões até 2050, com o compromisso de os países desenvolvidos de assumir 80% da redução.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, alguns países do G-8 resistiram a essa meta. Com isso, alguns países em desenvolvimento impediram o consenso sobre o corte global de 50% nas emissões. Essas aproximações terão de se dar nos próximos cinco meses, até a próxima Conferência do Clima, em Copenhague.

Apesar da falta de consenso, a reunião marca uma reviravolta no debate porque os americanos, que durante a administração George W. Bush negavam qualquer avanço, tornam-se agora líderes da questão. Barack Obama foi o porta-voz da reunião. “Os Estados Unidos algumas vezes deixaram de assumir sua responsabilidade. Esses dias acabaram”, disse Obama, que defendeu que a reunião foi um avanço. “Não é tarefa simples para 17 líderes deixar as diferenças de lado em um assunto como mudanças climáticas.”

Já o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, criticou a proposta do G-8. “As políticas que foram declaradas até agora não são suficientes”, afirmou. “Precisamos trabalhar de acordo com a ciência. É político e moralmente imperativo e uma responsabilidade histórica dos líderes com o futuro da humanidade.” A ciência diz que os 2°C são um limite a ser perseguido, mas não são garantia de segurança. Mesmo com esse aquecimento eventos climáticos extremos, como secas e chuvas, podem se tornar mais frequentes.

ACORDO

O Brasil quer compromissos mais suaves para as economias emergentes e pobres, sem metas quantitativas. Quer apenas ter o objetivo de adotar políticas de desenvolvimento que não gerem mais emissões de gás carbônico.

Brasil e EUA tentarão alcançar uma posição comum para a Conferência do Clima. A proposta de afinar as posições partiu de Obama, que se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reservadamente. A dificuldade de conciliação dos dois países no tema, entretanto, emergiu de Obama. Segundo ele, assumir compromissos mais ambiciosos pode trazer um impacto brutal sobre a indústria americana, provocar a transferência de investimentos produtivos para a China e gerar um grave problema social.

Lula argumentou que políticas públicas que geram cidadania significam elevação das emissões de gases-estufa. O brasileiro agregou seu temor de que, nas negociações de Copenhague, a queda de braço entre desenvolvidos e emergentes acabe no aumento da responsabilidade das economias desenvolvimento. Ele disse que não pretende ver as nações mais ricas “escorregarem” em seus compromissos e, como compensação, oferecerem aportes a fundos para financiar controle de emissões por países em desenvolvimento.

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