Greenbuilding
Construtora Teitelbaum foca no conceito de prédio “verde”
Sérgio Bueno, de Porto Alegre
20/07/2009
Animado com o desempenho das vendas desde o primeiro empreendimento do gênero, lançado em março de 2007, o escritório de engenharia Joal Teitelbaum decidiu especializar-se na construção de prédios “verdes”, planejados para reduzir o consumo de água e energia e a emissão de dióxido de carbono, para utilizar matérias-primas certificadas e recicláveis e também para evitar o desperdício no canteiro de obras. A empresa lançou agora o terceiro prédio residencial desse tipo em Porto Alegre, alcançando um total de 79 apartamentos e investimentos de R$ 31 milhões no novo segmento.
Segundo o diretor-presidente, Joal Teitelbaum, o escritório opera com construções a preço de custo para grupos fechados de condôminos, além de gerenciamento de obras corporativas e consultoria. Desde 2007 a empresa é filiada ao Conselho da Construção Verde dos Estados Unidos, certificadora que atesta a utilização de métodos sustentáveis na edificação e utilização de empreendimentos imobiliários. “É uma questão de princípios”, diz o empresário, que considera a sustentabilidade ambiental e econômica como um dos fundamentos da gestão focada na qualidade.
Os prédios verdes também se revelaram um bom negócio para a empresa, que desde 1961 já construiu cerca de 500 mil metros quadrados na cidade. De acordo com o diretor de qualidade, Cláudio Teitelbaum, a velocidade de vendas dos novos produtos é pelo menos 40% maior do que a das unidades convencionais. O custo da construção sobe cerca de 3%, mas o consumo de água cai 30% e o de energia, 40%, sendo três quartos disso por conta da menor necessidade de uso de condicionadores de ar devido aos sistemas de isolamento térmico.
No caso do último lançamento, um prédio que deve ser entregue no fim de 2011 com 12 apartamentos a partir de 334 metros quadrados de área privativa em zona nobre de Porto Alegre e preços unitários de R$ 1,3 milhão a R$ 2,1 milhões, a economia estimada com energia elétrica chega a R$ 1 milhão em 20 anos, explica Joal. “Em 25 anos, que é o tempo necessário até a primeira grande reforma, dá para economizar 10% do custo total da obra”, calcula o empresário. A taxa de condomínio mensal, estimada em R$ 1,5 mil por unidade, também é cerca de 30% inferior à média da região.
O novo edifício terá sistemas de reutilização da água da chuva, de chuveiros, lavatórios e drenos dos condicionadores de ar, irrigação automatizada dos jardins, aquecimento solar, isolamento térmico e acústico e automação predial, entre outros recursos. Pelo menos 70% dos materiais são adquiridos de fornecedores a até 800 quilômetros da obra para reduzir o impacto ambiental do transporte e a maior parte é formada por produtos naturais, recicláveis ou biodegradáveis. A argamassa é adquirida pronta, mas quando é preciso a areia é comprada de empresas fiscalizadas pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).
Remunerada mediante cobrança de taxa de administração das obras, a empresa deve aumentar o faturamento em 40% neste ano sobre 2008, quando o crescimento já havia sido de 38%, informou Cláudio, sem revelar valores. Os prédios verdes também dão bons retornos para investidores, com valorizações superiores a 30% sobre o preço de custo depois de concluídos, acrescenta o diretor comercial Jader Teitelbaum. Segundo ele, o escritório já está desenvolvendo o projeto de um novo edifício residencial no segmento, com investimento previsto de R$ 15 milhões e 48 apartamentos, além de um prédio comercial com 28 salas, ambos em Porto Alegre.
