Arquivo de julho, 2009

ENERGIAS RENOVÁVEIS

20/07/09

Eólicas terão incentivo fiscal e mais facilidade para importar

Daniel Rittner, de Brasília
17/07/2009

Investidores nacionais e estrangeiros demonstraram forte interesse no primeiro leilão voltado exclusivamente a usinas eólicas, previsto para 25 de novembro. Eles apresentaram 441 projetos, que totalizam 13.341 megawatts (MW), ao Ministério de Minas e Energia. O ministro Edison Lobão lembrou que essa potência corresponde a quase uma usina de Itaipu ou a quatro vezes a hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira. Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Ceará concentram 79% dos empreendimentos.

Lobão anunciou que as novas usinas eólicas serão enquadradas no Reidi, um regime especial de incentivo tributário, e terão normas mais flexíveis para importação de equipamentos. “Vamos fazer um relaxamento”, disse o ministro. Foi liberada a compra no exterior de aerogeradores com potência nominal igual ou superior a 1,5 MW. Hoje, as turbinas em funcionamento no país raramente ultrapassam 1 MW.

Apesar do número de projetos habilitados a participar do leilão, o governo contratará apenas uma parte dos empreendimentos, como energia de reserva. Por estratégia, Lobão se esquivou de dar pistas sobre a potência a ser contratada, que poderá ser menos da metade do total ofertado.

O ministro evitou também sinalizar o preço que espera para os futuros contratos. Mencionou apenas que, enquanto as eólicas geram energia a preço médio de R$ 270/MWh, o valor está entre US$ 50 e US$ 90 nos EUA. “A nossa energia eólica ainda é cara.”

Hoje, o Brasil tem somente 386 MW de usinas eólicas na matriz elétrica. Até o fim de 2010, com os projetos em andamento, serão 1.423 MW. “É um começo, mas um começo que consideramos muito razoável”, afirmou Lobão, apesar de reconhecer que isso representa pouco mais de 1% de toda a eletricidade gerada no país. É um volume pequeno, principalmente diante do potencial já mapeado, de 140 mil MW, equivalente a dez hidrelétricas de Itaipu. Os EUA têm 25 mil MW de energia eólica e pretendem chegar a 200 mil MW, como forma de combater o aquecimento global.

O ministro lembrou que há uma tendência mundial de aumento da capacidade de produção dos aerogeradores. Atualmente existem turbinas cujas pás chegam a ter diâmetro equivalente ao de um Boeing 747 e a gerar até 10 MW. É por causa dessa modernização que Lobão acredita haver uma tendência de aumento da energia eólica também no país, apesar do preço ainda superior ao de hidrelétricas.

Para o ministro, o Brasil não corre risco de novos racionamentos, por estar contratando energia de reserva e ter ampliado a interligação do sistema. Na quarta-feira, o Tribunal de Contas da União apontou que o apagão de 2001 custou ao país R$ 45 bilhões e a maior parte da conta coube aos consumidores.

Lobão informou ainda que discute com o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente a flexibilização das normas que exigem a compensação, por meio de plantio de árvores, de pelo menos um terço das emissões de gases-estufa produzidos por usinas movidas a carvão ou óleo combustível. “As exigências são extremamente pesadas. Não podemos comprometer a segurança energética”, disse.

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quarta-feira, 15 de julho de 2009

EUA e China anunciam centro de pesquisa de energias limpas

Dependentes de petróleo externo, países buscam desenvolver alternativas para nova matriz energética

Associated Press

 

Reuters

Locke (à esquerda) cumprimenta ministro chinês

PEQUIM - Os Estados Unidos e a China, os países que mais poluem no mundo, anunciaram nesta quarta-feira, 15, planos para um centro de pesquisa conjunto para o desenvolvimento de energia limpa. Após a eleição de Barack Obama, os EUA passaram a defender a redução de 50% da emissão de gases causadores do efeito estufa até 2050, mas a China e outras nações emergentes, como o Brasil, se recusam a adotar metas contra o aquecimento global.

Com financiamento inicial de US$ 15 milhões e sedes nos dois países, o foco do centro é o desenvolvimento de energia limpa para construção de veículos e edifícios. “Podemos conseguir mais trabalhando juntos do que separados”, disse o secretário de Energia dos EUA, Steve Chu, após um encontro com o ministro chinês de Ciência e Tecnologia, Wan Gang, em Pequim.

Na comitiva americana estava também o secretário do Comércio, Gary Locke, que pressionou por investimentos privados em energia solar, eólica e biocombustíveis. Os EUA defendem que a China evite adotar barreiras comerciais contra projetos de energia limpa. “Precisamos impulsionar investidores chineses e americanos para criarem alternativas energéticas sem barreiras comerciais artificiais.”, disse Locke.

Obama vê o investimento em energia limpa como uma alternativa para tirar os EUA da crise. Seu pacote de estímulo destina bilhões de dólares para pesquisa energética. Seu objetivo é reduzir a dependência de petróleo.

A China, que também depende de petróleo externo, também tem interesse em desenvolver novas formas de energia, mas evita se comprometer com metas de emissão e culpa os países ricos pelo aquecimento global.

Locke e Chu, que são de ascendência chinesa, defenderam o regime de metas de emissão. ” Daqui a cinquenta anos, não queremos que a comunidade internacional culpe a China pelo caos climático”, disse Locke. O secretário de Energia acrescentou que, se nada for feito, a quantidade de carbono emitida pela China nos próximos 30 anos, será igual à lançada na atmosfera pelos EUA em toda sua história. “Estamos juntos nisso e temos que resolver o problema juntos”.

Membros do governo chinês, por sua vez, se opõem a legislação ambiental americana aprovada recentemente pela Câmara que taxa produtos de países que não limitam suas emissões. “A implementação desta política prejudica o interesse dos países emergentes”, disse o ministro do Comércio chinês, Yao Jian.

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terça-feira, 14 de julho de 2009

Empresas europeias planejam megausina solar no Saara

O projeto Desertec prevê a construção de uma rede integrada capaz de fornecer 15% da energia da Europa.

- Um consórcio de empresas de multinacionais ” que reúne gigantes como Siemens, RWE, E.On e Deutsche Bank, entre outros ” assinou nesta terça-feira uma carta de intenções para criar o maior projeto de energia solar do planeta: a Iniciativa Industrial Desertec.

O projeto prevê a construção de uma rede de usinas de produção de energia totalmente limpa no Deserto do Saara, no norte da África, e de redes transmissão de energia, capaz de fornecer pelo menos 15% da eletricidade consumida na Europa, além de dois terços da necessidade do norte africano e do Oriente Médio.

O Desertec foi orçado em US$ 577 bilhões e prevê a instalação de uma tecnologia solar de última geração, que utiliza espelhos para concentrar a luz do sol sobre torres de energia que produzem vapor, que por sua vez movimentam turbinas que produzem eletricidade.

O calor excedente produzido durante o dia pode ser armazenado em tanques especiais para manter a usina em funcionamento durante a noite ou em dias nublados.

A ideia de se aproveitar o sol do Saara vinha amadurecendo há décadas, mas só agora o avanço das tecnologias, tanto solar quanto de transmissão de eletricidade, teria viabilizado o investimento.

Mediterrâneo

A água necessária para criar o vapor que movimenta as turbinas sairia do Mar Mediterrâneo, que dessalinizada ” com sal derretido sendo usado nas baterias para estocar calor “, poderia ainda ser reaproveitada em regiões desérticas.

Especialistas sugerem ainda que a sombra dos espelhos poderia ser usada para plantação de espécies que normalmente não sobreviveriam ao intenso calor do deserto.

Essa tecnologia, chamada Concentrando Energia Solar (CSP, na sigla em inglês) já é usada em usinas solares nos Estados Unidos e na Espanha.

A ideia, que surgiu na Alemanha, vem sendo defendida com vigor pelo próprio governo alemão e pela Comissão Europeia, embora ainda existam dúvidas sobre como os problemas políticos de um projeto verdadeiramente internacional como este seriam equacionados.

“O conceito de energia renovável está associado também ao de independência energética. Então, me pergunto por que deveríamos depender novamente de outros para o nosso fornecimento”, disse à BBC o especialista alemão Wolfgang Palz, presidente europeu do Conselho Mundial de Energias Renováveis.

Outros acusam a iniciativa europeia de representar um suposto “colonialismo energético” ” crítica prontamente rebatida por um dos diretores da Desertec, Michael Straub.

“Da nossa rede de 60 cientistas e especialistas em energias renováveis, a metade é da África e do Oriente Médio. A outra metade é de europeus”, afirmou Straub, acrescentando que representantes dos países envolvidos participaram do projeto desde o início. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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SELO VERDE

20/07/09

Wal-Mart lança projeto de selo “verde” para produtos

Miguel Bustillo, The Wall Street Journal
16/07/2009

O grupo de varejo Wal-Mart está para lançar um programa de etiquetas com classificação ambiental que pode redefinir a concepção e a fabricação de produtos vendidos ao redor do mundo - ou se transformar numa grande perda de tempo.

Hoje, a maior varejista do mundo informará aos fornecedores que eles terão de calcular e informar todos os custos ambientais da fabricação de seus produtos, de modo que ela possa transformar os dados em um índice que os consumidores lerão nas etiquetas de preços, de camisetas a televisores.

Antes considerado um vilão ambiental, o Wal-Mart informou que a iniciativa, a ser desenvolvida ao longo de vários anos, fixará metas rígidas de redução do consumo de energia, corte do desperdício e lançamento de produtos sustentáveis. Alguns de seus esforços já tiveram amplo impacto - desde a venda de mais de 100 milhões de lâmpadas fluorescentes, de menor consumo, até a criação de detergentes de roupas concentrados, que usam embalagens menores e menos água.

Vai levar anos para que os consumidores vejam os primeiros selos. A empresa estimou que isso possa levar cinco anos ou mais, embora especialistas externos envolvidos no projeto tenham dito que ele pode começar talvez já em 2011. Não se sabe como as etiquetas serão ou o que tentarão exatamente ilustrar.

O impacto mais imediato da iniciativa será sentido por seus 100.000 fornecedores, que mais uma vez arcarão com os custos das exigências ambientais da empresa, numa época em que muitos deles enfrentam dificuldades econômicas. O grupo Wal-Mart informou ser prematuro estimar o custo para os fornecedores. A fabricante de roupas esportivas Patagônia, uma das pioneiras na redução da pegada de carbono de seus produtos, informou que seus esforços têm custado caro, mas não quis fornecer números.

A varejista insiste que não haverá exceções. Perguntado sobre o tipo de relacionamento que o Wal-Mart terá com os fornecedores que não apresentarem os dados requeridos, o vice-superintendente de sustentabilidade da empresa, Matt Kistler, disse, sem rodeios: “Provavelmente não teremos nenhum.”

Outros esforços pioneiros para levar informação ambiental aos consumidores geraram controvérsia e especialistas do setor reclamaram que a “eco-retórica” foi de muito pouco uso prático.

Len Sauers, vice-presidente mundial de sustentabilidade da fabricante de bens de consumo americana Procter & Gamble, disse que as etiquetas precisam ser cientificamente precisas e, ainda assim, compreensíveis para os consumidores. Ele disse que esforços similares na Europa “têm sido muito difíceis, porque não foram de fato oferecidas informações que façam sentido para o consumidor”.

Executivos do Wal-Mart disseram que planejam desenvolver etiquetas que sejam facilmente entendidas pelos consumidores. “Eu imagino o dia em que o cliente olhará para um produto, virará uma etiqueta e saberá que grau de sustentabilidade ele realmente tem”, disse John Fleming, diretor de mercadorias do Wal-Mart. “Seria como ler a tabela de nutrientes e calorias de hoje. Mas é preciso adotar um pouco de padronização.”

Pessoas a par dos planos da empresa disseram que o Wal-Mart pretende se antecipar a uma potencial regulamentação ambiental por parte do governo dos Estados Unidos - regras relacionadas a gases do efeito estufa já estão surgindo no Reino Unido e no Japão - e criar um padrão em seus próprios termos que a indústria varejista possa adotar para informar o índice “verde” dos bens que vendem.

O Wal-Mart nega estar tentando antecipar-se à regulamentação. Fleming, que é um dos líderes do esforço, disse que queria melhorar a qualidade dos produtos oferecidos pela empresa, cujo faturamento somou US$ 401,2 bilhões no ano passado.

O diretor-presidente do Wal-Mart, Mike Duke, lança formalmente o projeto hoje, em discurso a empregados e fornecedores. O executivo reivindicará “um novo padrão para o varejo no século XXI” e pedirá que os mais de 100.000 fornecedores mundiais da empresa deem informações sobre uso de água e emissões de dióxido de carbono até outubro. Um questionário de 15 itens pede informações sobre desperdício, uso de recursos e envolvimento da comunidade.

A meta da empresa é criar o que chama de índice amplo de sustentabilidade, que medirá o impacto ambiental de cada produto vendido pelo Wal-Mart. Por exemplo, quanto cada um deles contribui para o aquecimento global, se é feito com químicos tóxicos e se contém madeira cortada de forma que reduz as reservas naturais.
O índice classificará os produtos não apenas em função dos custos de produção, mas também pelo impacto deles durante seus ciclos de vida. O pessoal de compras da empresa será julgado, em parte, pela capacidade de melhorar, ao longo do tempo, a classificação dos produtos que adquire dos fornecedores.

A informação estará disponível a todos, inclusive varejistas rivais, na esperança de que isso ajude a estabelecer um padrão. Embora os assessores do Wal-Mart vislumbrem fiscalizações a locais e análise de produtos para determinar o que eles contêm, eles dizem que a transparência é o que, de fato, impedirá potenciais fraudes dos fornecedores.

(Colaborou Ann Zimmerman)

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SUSTENTABILIDADE E NEGÓCIOS

20/07/09

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Reino Unido diz que mercado verde crescerá um terço até 2015

País aposta no desenvolvimento de produtos e serviços ‘low carbon’ para superar a pior recessão em 50 anos

Reuters

LONDRES - O mercado global para produtos e serviços com baixo uso de carbono, conhecidos como “low carbon”, pode crescer um terço nos próximos seis anos e se expandir mais rapidamente se um acordo sobre mudanças climáticas for alcançado em Copenhagen, disse o governo do Reino Unido nesta quarta-feira, 15.

O volume negociado pelo setor poderia crescer para 4,3 bilhões de libras (US$ 7,047 bilhões) em 2015, comparado com 3 bilhões de libras em 2007/08, se houver estímulo de países que procuram formas de reduzir a emissão do gás que provoca o efeito estufa.

A Inglaterra dirá nesta quarta-feira, 15, como planeja cortar suas emissões e enfrentar a mudança global, após o encontro do G-8 na Itália ter estabelecido a meta de cortar 80% das emissões até 2050. Com o país em sua pior recessão nos últimos 50 anos e uma eleição a menos de um ano, o governo trabalhista tem olhado com bons olhos a ideia de divulgar os benefícios do setor verde.

“Não há um futuro ‘high carbon’”, afirmou o secretário de comércio Peter Mandelson. “Mas se a transição para ‘low carbon’ é inevitável, o que não é inevitável é nós aproveitarmos a transição como uma chance para criar novos empregos e indústrias no Reino Unido”, disse.

O setor britânico ‘low carbon’ será um dos poucos da economia que crescerá durante e após a recessão, segundo documentos do governo. Ele deverá crescer mais de 4% ao ano até 2014/15. O número de pessoas empregadas no setor no Reino Unido poderia crescer para mais de 1 milhão em 2015, comparados com os atuais 880 mil.

A proposta do Reino Unido para cortar suas emissões deve prever a ampliação do programa nucelar e também maior uso de fontes de energia renováveis como eólica, solar e de marés. Sob as metas da União Europeia, o país deverá extrair 15% de sua energia de fontes renováveis em 2020, comparado com apenas 1,3% em 2005.

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14/07/2009

Ambiente vai liderar emprego nos EUA até 2016, diz relatório

da Efe, em Washington

Os trabalhos relacionados ao ambiente e o setor de saúde serão os que concentrarão os novos empregos gerados pela economia dos Estados Unidos na próxima década, segundo um relatório publicado nesta terça-feira (14), pela Casa Branca.

O desemprego nos EUA já está em 9,5% –6,5 milhões de postos de trabalho foram perdidos desde o início da recessão– e espera-se que em dois meses alcance dois dígitos.

Antônio Gaudério -23.out.04/Folha Imagem

Engenheiro observa floresta amazônica; estudo da Casa Branca diz que empregos ambientais liderarão panorama nos EUA até 2016

A crise econômica levou o governo Barack Obama a promover, entre outras medidas, um plano de investimento e gastos públicos avaliado em US$ 787 bilhões para reativar a economia e gerar novos empregos.
Com o relatório intitulado “Preparando os trabalhadores de hoje para os trabalhos de amanhã”, o governo analisa as capacidades que os empregados necessitarão para poder ter acesso a essas vagas e, assim, adequar os sistemas educacionais.

No âmbito de saúde, o texto não faz referência apenas a médicos e enfermeiras, mas a especialistas em gestão de informação de saúde e técnicos de laboratório, dentro do plano de reforma que se propõe a fazer.
Desde que chegou ao governo, Obama procura regular um sistema de assistência de saúde que, apesar de ser o mais custoso do mundo, deixa fora mais de 47 milhões de pessoas que não têm seguro médico.

Outro dos eixos da recuperação econômica proposto por Obama é o investimento na melhora do ambiente e a promoção de energias renováveis que permitam ao país reduzir sua dependência econômica.
A partir daí se abre uma oportunidade para engenheiros ambientais, cientistas e técnicos especializados em ambiente.

Esses empregos cresceram mais que outras ocupações entre 2000 e 2006 e segundo as projeções do relatório se espera que sigam crescendo até 2016.

“Os trabalhadores americanos devem estar preparados para qualquer mudança perante as oportunidades que surjam e ter uma capacidade analítica firme”, indica o relatório.
Por isso, diz a Casa Branca, será fundamental a flexibilidade dos trabalhadores e os programas adequados acompanhados de ajudas econômicas para auxiliar os estudantes e incentivar a formação contínua.

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Reunião do G-8

15/07/09

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Reunião do G-8 cria bases para acordo sobre clima, diz Obama

Principais potências concordam que temperatura global não deve aumentar mais de dois graus Celsius

Reuters e Efe
L’AQUILA - O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta sexta-feira, 10, que o acordo obtido pelos países mais industrializados do mundo (G-8), e pelos emergentes (G-5) sobre as mudanças climáticas deve impulsionar um tratado mais amplo na reunião da ONU em Copenhague, na Dinamarca em dezembro.
As principais potências concordaram durante a reunião de L’Áquila, na Itália, que a temperatura global não deve aumentar mais de dois graus Celsius até 2050. Os países industrializados se comprometeram com uma redução 50% das emissões globais de CO2 até 2050, da qual seriam responsáveis por 80%. Os países emergentes se negam a estipular metas.

Obama fez à comunidade internacional um apelo na colaboração para combater a mudança climática e a proliferação nuclear, ao assegurar que esses perigos “ameaçam a paz e a prosperidade de cada país”. Segundo o presidente americano, apesar dos progressos obtidos na reunião, ainda há muito a fazer.

“Não concordamos com tudo, mas mostramos que unidos podemos ter progressos”, disse Obama. “Os problemas globais mais graves não podem ser resolvidos apenas por um país”.

O acordo

O texto não chega a definir metas para a redução dos gases do efeito estufa - apenas objetivos, termo diferente para a diplomacia, pois não são mandatórios - e ressalta conflitos entre países desenvolvidos e emergentes no debate do tema.

Uma fonte da diplomacia brasileira insistiu que a ausência de metas quantitativas não ofusca o objetivo dos líderes do MEF de definir um “rumo político” para as discussões em andamento no âmbito da Convenção do Clima. Por ser um documento assinado por chefes de Estado, afirmou, a declaração tende a dar uma linha clara para o acordo sobre mudança climática, que deve ser concluído na Conferência do Clima das Nações Unidas, em dezembro.

Os países emergentes concordaram sobre a necessidade de suas políticas de desenvolvimento serem acompanhadas de ações de controle das emissões e da incorporação de novas tecnologias, para impedir a repetição da tradicional curva de crescimento econômico com aumento das emissões. Trata-se de uma “meta camuflada”, uma vez que essas ações serão contabilizadas - e cobradas.

Em sua declaração sobre mudança climática e ambiente, o G-8 insistiu que os países em desenvolvimento também devem assumir uma meta quantitativa - corte de 20% nas emissões. A declaração do G-5 (Brasil, China, Índia, México e África do Sul), por sua vez, bateu na tecla da necessidade de metas ambiciosas para os países desenvolvidos e de maior empenho deles para o financiamento de iniciativas dos emergentes e pobres.

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Sexta-Feira, 10 de Julho de 2009

Maiores economias concordam com meta de 2°C de aquecimento

Não houve acordo em relação a como o objetivo será alcançado; ONU diz que políticas ainda não são suficientes

Denise Chrispim Marin, ENVIADA ESPECIAL, ÁQUILA
As 17 maiores economias do mundo concordaram ontem, em uma reunião na Itália, que o aquecimento global não deve passar dos 2°C em relação à temperatura pré-Revolução Industrial. Contudo, divergiram em relação a como essa meta será alcançada.
Ainda assim, o gesto significou a adoção de um critério científico e pragmático, que era rejeitado por vários países, segundo o ministro Luiz Alberto Figueiredo Machado, principal negociador brasileiro do tema. Sua expressão, na prática, estaria na definição da meta global de corte de 50% nas emissões até 2050, com o compromisso de os países desenvolvidos de assumir 80% da redução.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, alguns países do G-8 resistiram a essa meta. Com isso, alguns países em desenvolvimento impediram o consenso sobre o corte global de 50% nas emissões. Essas aproximações terão de se dar nos próximos cinco meses, até a próxima Conferência do Clima, em Copenhague.

Apesar da falta de consenso, a reunião marca uma reviravolta no debate porque os americanos, que durante a administração George W. Bush negavam qualquer avanço, tornam-se agora líderes da questão. Barack Obama foi o porta-voz da reunião. “Os Estados Unidos algumas vezes deixaram de assumir sua responsabilidade. Esses dias acabaram”, disse Obama, que defendeu que a reunião foi um avanço. “Não é tarefa simples para 17 líderes deixar as diferenças de lado em um assunto como mudanças climáticas.”

Já o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, criticou a proposta do G-8. “As políticas que foram declaradas até agora não são suficientes”, afirmou. “Precisamos trabalhar de acordo com a ciência. É político e moralmente imperativo e uma responsabilidade histórica dos líderes com o futuro da humanidade.” A ciência diz que os 2°C são um limite a ser perseguido, mas não são garantia de segurança. Mesmo com esse aquecimento eventos climáticos extremos, como secas e chuvas, podem se tornar mais frequentes.

ACORDO

O Brasil quer compromissos mais suaves para as economias emergentes e pobres, sem metas quantitativas. Quer apenas ter o objetivo de adotar políticas de desenvolvimento que não gerem mais emissões de gás carbônico.

Brasil e EUA tentarão alcançar uma posição comum para a Conferência do Clima. A proposta de afinar as posições partiu de Obama, que se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reservadamente. A dificuldade de conciliação dos dois países no tema, entretanto, emergiu de Obama. Segundo ele, assumir compromissos mais ambiciosos pode trazer um impacto brutal sobre a indústria americana, provocar a transferência de investimentos produtivos para a China e gerar um grave problema social.

Lula argumentou que políticas públicas que geram cidadania significam elevação das emissões de gases-estufa. O brasileiro agregou seu temor de que, nas negociações de Copenhague, a queda de braço entre desenvolvidos e emergentes acabe no aumento da responsabilidade das economias desenvolvimento. Ele disse que não pretende ver as nações mais ricas “escorregarem” em seus compromissos e, como compensação, oferecerem aportes a fundos para financiar controle de emissões por países em desenvolvimento.

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