Arquivo de julho, 2009

Sustentabilidade e vantagem competitiva

13/07/09

Por Jacques Marcovitch
27/05/2009

No Brasil, como em quase todos os países, ainda não se chegou a um nível satisfatório de consciência ambiental, embora venham ocorrendo, a partir da segunda metade dos anos 1980, significativos progressos nesta direção. O meio corporativo ainda terá de completar o itinerário certo para que a gestão sustentável venha a se tornar um diferencial de competitividade. Em menos de três décadas, entretanto, houve avanços relevantes, o que não é trivial, nem mesmo em grandes economias globais.

Na esfera pública, Executivo, Congresso e Judiciário consolidaram ampla e consistente legislação sobre o tema. O governo central, em sucessivos mandatos, implementou bem-vindas práticas ambientais, a mais recente adotando metas voluntárias para a redução do desmatamento na Amazônia. E, a despeito das restrições de crédito impostas pela crise global, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oferece linhas de empréstimos declaradamente sem limites para financiamento de projetos sustentáveis apresentados pelas empresas.

Várias corporações brasileiras de grande porte já se alinham entre as mais sustentáveis do planeta, principalmente no que se relaciona com a eficiência energética, e não hesitam em apontar esta inovação como instrumento facilitador na conquista de mercados. Tal percepção foi recolhida em pesquisas realizadas junto a empresas de forte expressão e representantes setoriais. Os inquéritos constam do projeto Para Mudar o Futuro: Mudanças Climáticas, Políticas Públicas e Estratégias Empresariais em suas edições em livro e espaço digital. No primeiro estudo, em 2006, foram detalhadas estratégias para mitigação de gases de efeito estufa em modelos produtivos e, no segundo, em 2008, avaliados os resultados obtidos.

Cabem aqui algumas considerações quanto ao papel das variáveis econômicas nesse tema decisivo do século XXI. Tais fatores da questão ambiental permaneceram longamente em plano inferior ao que sempre foi ocupado por suas determinantes políticas e científicas. O Protocolo de Kyoto contribuiu para modificar o quadro, alinhando todos os aspectos em plano equivalente. Impondo limites às emissões de gases poluentes, o pacto multilateral fortaleceu compromissos éticos em relação ao bem-estar das gerações futuras e inspirou modelos para a medição da eficiência dos países ante o fenômeno do aquecimento.
Com o propósito de fixar o papel do setor produtivo para enfrentar os desafios ambientais e sociais, além de auxiliar os planos estratégicos empresariais, segue uma agenda de prioridades para elevar a competitividade:

a) Para deter a intensificação das mudanças climáticas, é fundamental alcançar patamares elevados de eficiência energética e investir em inovações que reduzam drasticamente a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, inclusive lançando mão de bioenergéticos renováveis e combatendo o desmatamento.
b) Para conservar a biodiversidade, urge assegurar o uso sustentável dos recursos biológicos, impedir a ameaça a habitats, inventariar novas espécies, prevenir os danos ambientais, apoiar a pesquisa científica, promover a distribuição equitativa dos benefícios da natureza e compartilhar dados e informações sobre o tema.
c) Para responder aos desafios sociais, cabe eleger poucas prioridades, porém duradouras, que conciliem o crescimento econômico e a distribuição de renda. Dentre estas, a universalização do saneamento básico, combate ao déficit habitacional, promoção do acesso ao crédito, crescimento da geração de trabalho decente e garantia de uma educação de qualidade para todos.

As oportunidades para novos empreendimentos e para a consolidação de empresas estão nos mercados emergentes, novas fronteiras tecnológicas e setores dinâmicos. Diante deste quadro, são as empresas inovadoras e com maior visão de futuro que podem fazer dos desafios ambientais uma fonte de vantagens competitivas. Isso as tornará mais eficientes, além de rentáveis, e fortalecerá o entorno do qual depende a sua perenidade.

O mundo enfrenta a eclosão de fatores econômicos que inibem até o processo civilizatório. As vicissitudes nas economias de todos os países retardam a evolução das mentalidades e podem alterar, em sua dinâmica, alguns pontos de vista ora formulados, cujos fundamentos, entretanto, permanecerão. O conceito que atribui às políticas ambientais um fator de competitividade, embora não apresentando práxis de larga escala a justificá-lo no Brasil, mantém um lugar reservado na história e, particularmente, em nosso mapa estratégico.

Cumpre ao Brasil limpar sua produção de commodities, independentemente da conveniência de vencer barreiras ambientais ou protecionistas na Europa e nos EUA. No caso do mercado americano temos de nos precaver com os efeitos de políticas públicas anunciadas pelo governo Obama visando a produção de energias alternativas. Isso pode resultar, por exemplo, numa viabilização do etanol de celulose naquele país, dificultando ainda mais a livre importação do biocombustível brasileiro de cana-de-açúcar.
A crise econômica em curso foi interpretada pelo Premiê Gordon Brown como a “desglobalização”, na medida em que cada país busca uma saída própria. Ela ensejou o endurecimento de quase todas as fronteiras. Tal fato representou um severo golpe no livre comércio. Por um longo período, mesmo produtos de origem ambientalmente certificada perderão a força competitiva, apesar dos preços atrativos e da qualidade em sua fabricação. Hoje, raras vantagens de origem externa podem ser esperadas. Somos todos vulneráveis aos efeitos da crise. Digamos, parodiando o verso de John Donne, que nenhum país, nem mesmo a Inglaterra, é uma ilha.

Jacques Marcovitch é professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da Universidade de São Paulo.

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

6/07/09

03/07/2009

ONU pede que Japão aumente ajuda contra mudança climática

da Efe, em Tóquio

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ao Japão que aumente sua ajuda aos países em desenvolvimento para lutar contra a mudança climática, informou a agência local de notícias “Kyodo” nesta semana.

Mark Garten -03.jul.09/AP

Secretário-geral da ONU Ban Ki-moon pede ao Japão que colabore contra aquecimento

Ban, que desembarcou ontem em a Tóquio antes de viajar para Mianmar (antiga Birmânia), disse que o Japão deverá reduzir as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa no mundo por meio da ajuda financeira e tecnológica aos países mais pobres.

O pedido do secretário-geral da ONU aconteceu durante um encontro com o presidente da Associação de Executivos Corporativos, Masamitsu Sakurai, e outros empresários japoneses.

Ban reconheceu os esforços do governo japonês na luta contra a mudança climática, em referência ao objetivo de reduzir em 15% suas emissões de gases que causam o efeito estufa para 2020, com relação ao nível de 2005.

O sul-coreano pediu ainda ao Japão que demonstre sua liderança na luta contra o aquecimento global e assuma um papel importante na luta contra a mudança climática que se estabeleça quando expire o Protocolo de Kyoto, em 2012.

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CRÉDITOS DE CARBONO

6/07/09

Santander financia crédito de carbono

Murillo Camarotto, Valor Online, de São Paulo
02/07/2009

Sergio Zacchi / Valor

Maurik Jehee: na prática, negócio é um contrato de compra e venda

O Santander anunciou ontem a criação de uma linha de crédito voltada ao financiamento de projetos que originem créditos de carbono. No valor de € 50 milhões, a linha já está disponível e será utilizada na compra, pelo banco, de créditos de carbono gerados por empresas no Brasil, no Chile e no México.

A ideia do Santander é acumular esses créditos em volume suficiente para que sejam revendidos a companhias europeias, especialmente do setor de geração de energia.

O lançamento é resultante do processo de união entre as operações de Santander e Banco Real, que já atuavam neste segmento de negócio, porém com operações distintas. Até então, os projetos vendedores de créditos de carbono só viam a cor do dinheiro no momento da entrega efetiva dos créditos, o que podia levar alguns anos. Com a nova linha, poderão receber no ato o pagamento por créditos que serão entregues no futuro, com prazo máximo até o final de 2012, quando vence o primeiro período do Protocolo de Kyoto.

Diante disso, somente os projetos registrados, ou em processo de validação, no chamado Mercado Kyoto é que poderão pleitear os recursos da linha de crédito, segundo explicou o superintendente responsável por créditos de carbono do Santander no Brasil, Maurik Jehee. O preço a ser pago irá depender do risco de cada projeto, que poderá ser calculado pelo próprio Santander ou por empresas de auditoria.

Segundo Jehee, isso coloca os projetos que já estão registrados em condições mais vantajosas, em termos de preço, para a venda de seus créditos.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), os projetos registrados nos três países incluídos na linha de crédito do Santander somam hoje 307, sendo 159 no Brasil, 115 no México e 33 no Chile. Boa parte destes projetos são de empresas dos setores sucroalcooleiro e de energias renováveis, além dos aterros sanitários.

Maurik Jehee explicou que o crédito funciona, na prática, como um contrato de compra e venda. No caso de o vendedor não entregar os créditos na quantidade e prazo acordados, a diferença será cobrada pelo banco como um empréstimo tradicional, com juros em euro que devem girar entre 4% e 7% ao ano. Em um primeiro momento, somente as empresas clientes do Santander é que poderão participar.

O executivo esclareceu ainda que o valor de 50 milhões de euros é permanente, ou seja, assim que os créditos adquiridos pelo banco forem revendidos, o valor da transação será liberado para novas compras nos mercados brasileiro, chileno e mexicano. No caso de o montante adquirido pelo banco atingir os 50 milhões de euros antes da entrega aos europeus, há possibilidade de o teto ser aumentado.

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REVOLUÇÃO VERDE

6/07/09

01/07/2009

Lula promete ajuda a países africanos em “revolução verde”

da France Presse, em Sirte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou como convidado oficial na abertura da 13ª Cúpula da União Africana (UA), que reúne os chefes de Estado do continente em Sirte (Líbia), nesta quarta-feira (1º).

Lula disse aos países africanos ajudá-los a fazer sua “revolução verde”, em função do tema oficial do encontro que é o desenvolvimento agrícola.

Sabri Elmehdwi/Efe

Lula discursa diante da União Africana, em Sirte, na Líbia; presidente disse que vai cooperar com África na “revolução verde”

“Reitero o compromisso de meu governo de ajudar a África a promover sua própria ‘revolução verde’. Essa revolução não se faz sem a agricultura familiar e a geração de emprego e renda no campo.”
“A experiência brasileira demonstra que a produtividade da pequena agricultura e a sustentabilidade da produção de alimentos são fundamentais para erradicar a fome.”

O presidente brasileiro defendeu a “revolução dos biocombustíveis” e a produção dos mesmos, a partir da cana-de-açúcar para que a África produza etanol.
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol, atrás dos Estados Unidos, mas é o maior exportador do planeta.

O anfitrião do evento, o presidente da Líbia, Muammar Gaddafi, afirmou que a ideia de potencializar os biocombustíveis parece “interessante, desde que isto não se faça em detrimento da comida”.
O líbio aceitou, no entanto, em nome da UA, uma proposta de Lula de organizar no Brasil uma reunião com os ministros africanos da Agricultura.

Em seu discurso, Lula também defendeu o reforço da cooperação Sul-Sul “como força de ataque contra as iniquidades que persistem na ordem mundial”.
“Nós temos com a África desafios de desenvolvimento similares”, declarou Lula, que citou a luta contra a fome e a pobreza, assim como o fornecimento suficiente de alimentos à população.
“Várias das questões socioeconômicas que mais afligem o continente estão também sendo enfrentadas no Brasil. Combater a fome e a pobreza, garantir a segurança alimentar e lutar por igualdade social não são questões que aprendemos apenas nos livros. Tratamos desses temas com nossos irmãos africanos a partir de experiências vividas.”
“A cooperação Sul-Sul, a um só tempo, é linha de defesa e força de ataque contra as assimetrias, as distorções e as iniquidades que persistem na ordem mundial”, acrescentou.

Honduras e Rio 2016

Lula, por outro lado, pediu à UA que condene o golpe de Estado de domingo, em Honduras.
“Queria pedir que, em seu comunicado final, esta reunião inclua uma negativa ao golpe de Estado que acaba de ocorre em Honduras, no domingo passado, e que o presidente eleito democraticamente volte ao poder”, afirmou Lula, sob aplausos.

Por fim, Lula da Silva pediu às nações africanas que apoiem a candidatura do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
“Gostaríamos de ter o apoio dos presidentes da África que têm representantes no Comitê Olímpico Internacional para que votem no Rio de Janeiro”, afirmou o presidente brasileiro na cerimônia de abertura da reunião de cúpula da União Africana (UA).

O Rio de Janeiro compete com Tóquio, Madri e Chicago para receber as Olimpíadas de 2016. A decisão será anunciada em outubro pelo Comitê Olímpico Internacional na Dinamarca.

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