Arquivo de agosto, 2009

SUSTENTABILIDADE E NEGÓCIOS

31/08/09

Sexta-Feira, 28 de Agosto de 2009

Um prêmio pelo sustentável

Empresas que investem em iniciativas socioambientais conseguem agregar até 15% mais valor nas exportações

Andrea Vialli
As empresas exportadoras que se comprometem com sustentabilidade conseguem aumentar o desempenho de suas vendas para o exterior em cerca de 15% em valor. Isso ocorre em decorrência de certificações e selos que atestam boas práticas socioambientais, como FSC (que comprova que a madeira ou o papel vem de florestas manejadas de modo sustentável), o Rainforest Alliance (para agricultura que conserva a biodiversidade), ISO 14.001 (gestão ambiental nas empresas) e de produção orgânica, entre outros.

A conclusão é de um estudo realizado por Dirk Michael Boehe, professor de relações internacionais do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa (ex-Ibmec São Paulo), que traçou um detalhado panorama dos ganhos que 252 empresas exportadoras, de médio e grande portes, podem obter ao agregar sustentabilidade aos seus produtos. A pesquisa foi realizada entre agosto e novembro de 2008, e obtida com exclusividade pelo Estado. A maior parte (52%) é do setor de manufaturados e as demais, exportadores de matérias-primas. “O comprometimento de uma empresa com as questões socioambientais está diretamente relacionada ao peso que as exportações têm no faturamento”, diz o professor Boehe.

“As que se adaptam a essas novas demandas são mais bem-sucedidas, até porque elas podem cobrar um preço mais alto pelos seus produtos e atingir consumidores mais qualificados”, explica. Outro aspecto positivo é que esses empresas conseguem entrar em mercados desenvolvidos e de alto nível de renda, como Japão, Holanda, Bélgica e Reino Unido.

Segundo o professor, a sustentabilidade é complementar a outras formas de diferenciação de produto, como qualidade e inovação. “Ela reforça a imagem positiva de determinado produto e ajuda a agregar valor. Muitas empresas brasileiras estão posicionando suas marcas lá fora e não apenas exportando matérias-primas.”

A Native, empresa do grupo de açúcar e álcool Balbo, de Sertãozinho (SP), começa a avançar na estratégia de tornar sua marca de orgânicos internacional. O grupo se tornou o maior produtor mundial de açúcar orgânico, com a exportação de 50 mil toneladas/ano, após 20 anos de dedicação à produção de cana-de-açúcar sem queimadas e uso de agrotóxicos. “Agora, queremos nos tornar uma referência de sustentabilidade para o mercado americano”, conta o presidente da empresa, Leontino Balbo Júnior.

Os produtos da marca Native – açúcar, café e biscoitos – já estão nas prateleiras de 32 lojas da rede americana de produtos naturais Whole Foods. Até setembro, diz Balbo, a marca entra em mais 140 lojas. Os produtos também estão presentes em 50 lojas da El Corte Inglés, tradicional loja de departamentos espanhola, e também em varejistas asiáticos.

“O selo ou a certificação, em si, não fazem a diferença. E sim como a empresa se posiciona ao fazer negócios”, diz Balbo. “Quando mostramos para a Whole Foods que além de produtos de qualidade temos uma emissão de carbono 35% menor em relação à média do setor de açúcar, entre outros pontos, a parceria deslanchou.”

FAMÍLIA REAL

Segundo o levantamento do Insper, 39% das empresas pesquisadas possuem ou estão em processo de certificação de gestão ambiental ISO 14001. A Daterra Coffees, empresa agrícola do Grupo DPaschoal, também é uma pioneira na produção de café premium seguindo padrões socioambientais. A fazenda da empresa, localizada em Patrocínio (MG) foi a primeira propriedade rural no mundo a obter essa certificação, que é mais comum no setor industrial. Ainda na década de 1990, buscou a certificação Rainforest Alliance, que atesta que o café produzido preservou a biodiversidade e seguiu também parâmetros de comércio justo.

“Nosso início foi todo errado, pois o café que produzíamos não tinha qualidade. A virada ocorreu quando conseguimos aliar grãos de excelente qualidade ao diferencial de sustentabilidade”, diz Luis Norberto Paschoal, presidente do grupo DPaschoal. Hoje a Daterra exporta 99% da sua produção anual, de cerca de 70 mil sacas. O café segue para Japão, Austrália, Hong Kong, Dinamarca, Itália, Rússia, Estados Unidos, Canadá e Inglaterra.

Um dos clientes no varejo, conta Paschoal, é a loja Fortnum & Mason, de Londres, credenciada como fornecedora da família real britânica. “Na fazenda, no cerrado mineiro, há uma adega exclusivamente para armazenar os produtos vendidos para a loja. É possível que a rainha Elizabeth II tome nosso café”, diz.

Outro dado levantando por Boehe mostra que, no universo de empresas exportadoras pesquisado, 74% buscam se antecipar às exigências socioambientais dos países para onde pretendem exportar.

O grupo Orsa, que atua nos setores de produtos florestais, como celulose e madeira de áreas de manejo, fincou sua posição no mercado internacional apostando no diferencial do selo verde FSC. Segundo Sérgio Amoroso, presidente do grupo, o prêmio pela sustentabilidade é mais visível no caso da madeira, que é vendida por um valor até 20% superior em comparação com a madeira não certificada. “Isso só deixou de ocorrer no auge da crise, quando os clientes no exterior estavam com estoques acumulados e deixaram de comprar. Agora, estamos retomando as vendas e o selo verde volta a ser um diferencial de preço”, diz.

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28/08/2009

Brasil reduz dependência de termelétricas

AGNALDO BRITO
da Folha de S.Paulo

Depois de ficar nas mãos das termelétricas a gás natural, o governo disse ontem que o país finalmente poderá escolher fontes mais baratas e ambientalmente menos nocivas para suprir a demanda dos consumidores brasileiros.
A notícia terá efeitos positivos na conta de luz. Isso porque o custo de geração térmica a gás é maior do que o valor pago por energia hidrelétrica. Em 2008, a conta das termelétricas colocadas para funcionar para atender a demanda nova foi de R$ 2,4 bilhões, custo que entrou no cálculo das tarifas pagas pelos consumidores brasileiros.
A crise econômica e o inverno brasileiro mais chuvoso em décadas criaram as condições para a redução dos custos de geração em 2009, o que se refletirá nos reajustes de 2010. Segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), não há no país neste momento nenhuma térmica ligada fornecendo energia para o sistema elétrico. Os reservatórios estão cheios e o país está prestes a ingressar no período de chuvas. Entusiasmado, o governo afirma que o “jogo virou”.

“Antes a situação era pró-gerador, agora é pró-consumidor. Ou as térmicas a gás se enquadram às necessidades do setor elétrico ou infelizmente não vamos mais usá-las tanto”, disse Maurício Tolmasquim, presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética). A afirmação foi feita ontem após oitavo leilão de energia nova feito para a contratação de fornecimento a partir de 2012.

Segundo Nelson Hubner, presidente da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), essa é a primeira vez desde que o novo modelo de contratação foi finalizado em 2004 em que a situação é de absoluto conforto para suprir a demanda.

“A crise financeira foi ruim para o país, mas para a gente acabou dando um refresco”, disse Hubner.
Leilão

No leilão de ontem houve a contratação de 11 MW médios com duas usinas. Os contratos assinados praticamente cobrem toda a demanda de energia para 2012. Segundo a EPE, as compras feitas pelas distribuidoras no leilão de ontem e a oferta de mais entre 60 MW e 70 MW médios restantes dos projetos do rio Madeira (Jirau e Santo Antônio) cobrem 99,9% da demanda de 2012.

O governo deve realizar até o fim deste ano outro leilão de energia nova cujo objetivo é a contratação de energia que começará a ser fornecida em 2014. Nem a EPE tampouco a Aneel sabem dizer qual será o volume de energia que será demandado pelas distribuidoras. A única certeza, afimam, é que não haverá mais “desespero” para acionar de última hora qualquer fonte de energia disponível no país.

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SANEAMENTO

31/08/09

Cresce venda de máquinas para saneamento

Qua, 26 de Agosto de 2009 08:30
Valor Econômico

Investimentos públicos em saneamento e contratos com a Petrobras vão garantir o crescimento de um dos poucos setores de bens de capital no país este ano, o de máquinas e equipamentos para tratamento de água e efluentes. As vendas do grupo devem ter alta de até 15% este ano, na contramão do segmento de bens de capital em geral no país, cuja previsão é de queda de 14% do faturamento no mesmo período.

Segundo o Sindesam, sindicato que representa os fabricantes de bens de capital para saneamento, com a alta de 15% o faturamento do grupo deve chegar a R$ 6,9 bilhões em 2009. No ano passado, o setor cresceu 20%. O crescimento menor se deve à retração dos investimentos da indústria, principalmente dos setores de mineração, siderurgia e papel e celulose. “A atividade voltada para a indústria este ano é zero. Desde o fim de 2008, o setor industrial não investe na expansão dos sistemas de tratamento de efluentes”, diz Gilson Cassini, presidente do Sindesam e vice-presidente da Aquamec.

O fato de a Aquamec ser mais voltada ao setor público permitirá a ela dobrar o faturamento este ano, alcançando R$ 120 milhões, bem acima do desempenho do segmento como um todo. “O mercado público tem ganhado uma força maior nos últimos anos”, diz o executivo. Segundo Sérgio Ceccato, diretor da Aquamec, a empresa possui vendas contratadas para obras da Sabesp e da Embasa, a empresa baiana de saneamento.

Outro contrato importante é para tratamento de água para uma nova planta da fabricante de tubos Vallourec & Sumitomo . “Com esses contratos, a Aquamec formou um portfólio de R$ 200 milhões de negócios para tocar neste ano”, diz Ceccato.

Por estar mais focada na área industrial, a Centroprojekt terá um crescimento menor do que o esperado antes da crise. A companhia chegou a prever um faturamento 55% maior em 2009, contando com o crescimento de 15% dos negócios com companhias de papel e celulose e mineração. Com a mudança de cenário, a evolução nos negócios da empresa deve ser de 33%, chegando a R$ 136 milhões, puxada quase que exclusivamente por vendas à Petrobras.

“Antes da crise, esperávamos um crescimento maior, mas um setor que compensou foi o petroquímico”, diz Valdir Folgosi, diretor comercial da Centroprojekt. A empresa possui contratos de fornecimento de máquinas para estações de tratamento de água para reúso e efluentes para os terminais de São Sebastião, de Angra, e para a refinaria do Paraná. Além disso, a companhia possui contratos com a Sabesp no programa de ampliação do serviço no litoral norte.

Ceccato, da Aquamec, acredita que este ano os investimentos públicos em saneamento foram impulsionados pelo Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e pela assinatura de Parcerias Público-Privadas (PPPs), como a de ampliação de tratamento de água da Sabesp e a de construção do emissário submarino da Embasa, na Bahia. “Acredito que o medo da recessão fez com que os governos investissem mais em saneamento este ano”, diz o diretor da Aquamec.

O desempenho dos financiamentos da Caixa Econômica Federal mostra que saneamento público está contando com mais recursos este ano, apesar da crise. As operações para o setor aumentaram 58% no primeiro semestre em relação a igual período de 2008, chegando a R$ 6,8 bilhões. As liberações de financiamento cresceram 22,5% sobre 2008, totalizando R$ 4 bilhões nos primeiros seis meses de 2009. “A crise não chegou a abalar o bom momento que estamos vivendo”, diz Ceccato.

Segundo estimativas do Sindesam, as associadas devem contratar este ano 20% mais funcionários que em 2008. Hoje, o segmento emprega cerca de 10 mil pessoas. A Aquamec já registrou crescimento de 65% da folha de funcionários em julho deste ano em relação ao ano passado. Na Centroprojekt, o aumento do quadro será de 25%.

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ENERGIAS RENOVÁVEIS

31/08/09

Argentino investe em energia no Brasil

26/08 – 13:46 – Agência Estado

O grupo Pescarmona, a terceira maior multinacional da Argentina, elegeu o Brasil como sua prioridade. “Nesse momento, o mercado mais dinâmico para nós é o Brasil”, afirma, sem esconder seu entusiasmo, o controlador do grupo, Enrique Pescarmona.

Por meio da principal empresa do holding, a Impsa, de mais de 100 anos de existência, Pescarmona está investindo firme no País, que considera um exemplo para a região. “O Brasil é o exemplo a seguir, já que encontrou seu caminho há bastante tempo. Temos muito o que aprender do Brasil. Tenho muita confiança nesse país”, afirmou o empresário após a inauguração, na semana passada, de um parque de energia eólica (gerada pelo vento) no Ceará, cujos equipamentos são fabricados por uma fábrica da Impsa em Pernambuco.

O parque eólico no Ceará, a 80 quilômetros de Fortaleza, em Praia do Parajuru, no município de Beberibe, conta com 19 aerogeradores, que fornecerão, no total, 28,8 megawatts (MW) de energia. A capacidade do parque permitirá o abastecimento de energia elétrica de 50 mil residências.

O empreendimento, uma parceria entre a Impsa, com 51%, e a Cemig, recebeu investimentos de US$ 260 milhões. Nos arredores de Fortaleza também serão instalados outros dois parques, na Praia do Morgado e na Volta do Rio. Os três parques, contarão, no total, com capacidade de geração de 99,6 MW.

Em Santa Catarina, a Impsa está implementando outro empreendimento: um parque eólico que implicará em investimentos de US$ 260 milhões até o final deste ano. O novo parque deve iniciar seu funcionamento em 2010. Esse parque e outros que a Impsa prevê em Santa Catarina devem significar, no longo prazo, um investimento de US$ 620 milhões.

SEGUNDO PLANO
Na verdade, a Argentina, sede do grupo, ficou em segundo plano nos projetos de expansão do grupo. Por trás da decisão está a caótica política energética do governo da presidente Cristina Kirchner. Além disso, o setor está paralisado na Argentina, país que não constrói uma hidrelétrica de peso há uma década (e onde a exploração de gás está encolhendo).

Enrique Pescarmona já declarou à imprensa que os mercados mais dinâmicos são o Brasil, Venezuela, Malásia, Vietnã e Colômbia. Mas também indica que seu próprio país ainda tem seu espaço: “Também nos importam a Argentina e o Chile.”
A Impsa, com filiais em dez países, possui US$ 300 milhões em ativos no exterior, de um total de US$ 919 milhões de patrimônio geral, segundo um estudo que a Prospera (a agência argentina de desenvolvimento de investimentos) e o Centro Vale de Columbia, EUA, elaboraram sobre as multinacionais argentinas.

Os empresários argentinos costumam destacar que o Brasil é um país que está avançado na regulação do setor energético, na participação moderada do Estado na economia e nas possibilidades de financiamento. Na contramão, eles costumam reclamar que, em seu país, o Estado (especialmente desde que o casal Cristina e Néstor Kirchner chegou ao poder) interfere constantemente na economia e muda com frequência as regras do jogo.

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

EUA destinam US$ 300 milhões para combustível alternativo

O governo estima que o programa de energia poupará aproximadamente 114 milhões de litros de petróleo

REUTERS
WASHINGTON – O Departamento de Energia dos Estados Unidos concederá 300 milhões de dólares a um programa ambiental para limpar as cidades com o objetivo de ajudar as comunidades na compra de veículos com combustíveis alternativos, disseram o vice-presidente, Joe Biden, e o Secretário de Energia, Steven Chu, nesta quarta-feira.

Os fundos provenientes do pacote de estímulo econômico do governo norte-americanos têm como proposta estimular Estados e cidades a reduzirem a dependência de petróleo ajudando-os a pagarem por mais de 9 mil veículos com uso eficiente de energia e movidos a combustíveis alternativos, informou o Departamento de Energia.

Eles também providenciarão cerca de 500 postos de combustíveis e de recarregamento para os veículos, disse o departamento.

O governo estima que o programa de energia poupará aproximadamente 114 milhões de litros de petróleo por ano.

Chu disse que os veículos serão na maioria fabricados nos EUA, incentivando a indústria automobilística norte-americana.

“Ao mudar o modo como dirigimos, na verdade estamos dirigindo a recuperação econômica”, afirmou.

Grupos ligados à produção de etanol pediram por um uso maior dos veículos flex, capazes de utilizar misturas especiais de combustíveis com até 85 por cento de etanol e 15 por cento de gasolina.

O presidente Barack Obama disse que gostaria de ver mais carros elétricos nos EUA até 2015.

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RECURSOS HÍDRICOS

31/08/09

Quarta-Feira, 26 de Agosto de 2009

Água ganha mais atenção das empresas

Provável escassez do produto nas próximas décadas leva companhias a mapear seu consumo

Andrea Vialli

A utilização de selos em produtos informando quanto foi emitido de carbono (CO2) na sua produção, conhecida como pegada de carbono, já vem sendo adotada por empresas de diferentes setores, como celulose e papel, química e cosméticos. Mas a mais nova tendência entre as empresas é estampar, na embalagem, a informação sobre a quantidade de água necessária para se fabricar um produto, a chamada pegada hídrica.

“O aquecimento global trouxe todas as atenções para os efeitos do carbono no meio ambiente e para os negócios das companhias. Mas, ao lado da questão climática, há uma crise hídrica que começa a preocupar as empresas”, afirmou Andrew Savitz, presidente da Sustainable Business Strategies, consultoria americana especializada em estratégia empresarial e autor do livro A Empresa Sustentável. “A água é a ‘mudança climática’ da próxima década”, diz o consultor.

Segundo Savitz, o conceito de pegada hídrica está se fortalecendo nas empresas, especialmente dos setores de agronegócio, bebidas, alimentos e farmacêutica, que são mais dependentes do insumo.

Para criar uma ferramenta de medida da pegada hídrica em âmbito internacional, foi criada uma rede de pesquisas, a Water Footprint Network, formada pelas Nações Unidas, empresas, institutos de pesquisa e ONGs. A primeira empresa a imprimir sua pegada hídrica nas embalagens foi a Raisio, fabricante finlandesa de alimentos. Mas gigantes do consumo, como Unilever e Pepsico, já começam a se interessar pela tendência, que deve chegar às prateleiras dos supermercados nos próximos cinco anos, aponta Savitz. “Grandes empresas alimentícias já começam a perceber que não basta gerenciar a água nas fábricas, criando programas de reúso e reduzindo o desperdício. Para evitar uma crise hídrica no futuro, será preciso trabalhar a cadeia de fornecedores, ou seja, o quanto se gasta de água no campo.”

No Brasil, empresas ligadas ao agronegócio já começam a se preparar para a tendência. A Daterra Coffees, empresa de café premium do grupo DPaschoal, teve a primeira fazenda no mundo a obter a certificação ambiental ISO 14.001 e realiza estudos hidrológicos frequentes para monitorar o consumo de águas nas plantações. “Em dez anos, o mercado para cafés finos exigirá padrões mais apurados de sustentabilidade, e a água é um dos pontos cruciais”, diz Luis Norberto Paschoal, presidente da DPaschoal. Para se fazer uma xícara de café, são necessários 140 litros de água.

 

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