REDUÇÃO DE EMISSÕES
Brasil e EUA debatem acordo climático
05/08/2009
O Globo
Catarina Alencastro
Minc negocia com representante americano formas de reduzir emissões
Catarina Alencastro
BRASÍLIA. Os Estados Unidos e o Brasil começaram ontem a costurar um acordo bilateral para combater o aquecimento global. Quem revelou a conversa foi o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, depois de receber o enviado especial para mudanças climáticas dos EUA, Todd Stern.
A combinação já tem seus principais pontos definidos: alternativas para preservar a Amazônia, fundos de financiamento para projetos no Brasil e parcerias em tecnologias de baixas emissões de gás carbônico.
O acordo seguirá os mesmos moldes do que foi fechado na última semana entre americanos e chineses, os dois maiores emissores de gases causadores do efeito estufa do planeta. Embora não estabeleça metas numéricas, o memorando assinado pelos dois países lista dez áreas de cooperação para que a China inicie sua transição para uma economia menos poluente.
- Eu perguntei ao Stern se ele tinha problema de aprovar, assim como aprovou com a China, um acordo bilateral importante.
E ele manifestou que tem vontade de fazer com o Brasil um muito mais avançado - disse Minc.
Representante britânico também é recebido O encontro para acertar os termos dessa parceria deverá ocorrer em setembro, no Brasil.
O enviado especial americano se disse otimista.
- Eu tenho grandes expectativas para uma cooperação entre o Brasil e os EUA - resumiu Todd Stern, ao sair do gabinete de Minc.
Stern foi o segundo negociador internacional sobre mudanças climáticas que o ministro do Meio Ambiente brasileiro recebeu ontem. Pela manhã, Minc esteve com o ministro de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido, Ed Miliband. Os dois estrangeiros teriam cobrado do Brasil o comprometimento com metas de redução a serem apresentadas na XV Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em dezembro, em Copenhague.
O Brasil não está disposto a se responsabilizar com metas de redução, argumentando que já tem um plano nacional com metas internas de diminuição do desmatamento e que cabe aos países desenvolvidos arcarem com um ônus maior.
- Eles nem cumpriram as metas deles. No caso dos EUA, nem assinaram o Protocolo de Kioto e estão exigindo da gente uma coisa mais avançada - afirmou Minc, completando que “a bola está com eles”.
O governo brasileiro foi cobrado por uma posição de líder dos emergentes. Para o ministro inglês, o Brasil “tem um papel crucial a desempenhar”.
O Reino Unido está comprometido com reduções de 34% de suas emissões até 2020 e promete investir US$ 100 bilhões num fundo para financiar projetos verdes em países em desenvolvimento.
- O que é feito na floresta tropical tem um impacto em Brighton (na Inglaterra). As responsabilidades são as mesmas.
Os países em desenvolvimento terão que dizer o que eles estão preparados a fazer até 2020 - defendeu Ed Miliband.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
México prepara plano para conferência sobre clima
ROBERT CAM - REUTERS
BELL - O México pretende apresentar uma oferta detalhada de corte de suas emissões de gás do efeito estufa durante as negociações na conferência mundial sobre mudanças climáticas, no fim do ano, em Copenhague, disse uma autoridade do país em meio ambiente.
“Se o México pode apresentar nas negociações um plano de cortes até 2020, com uma descrição do que será reduzido, vai estabelecer um precedente positivo para outras grandes economias emergentes”, disse Adrián Fernández, presidente do Instituto Nacional de Ecologia, em entrevista na segunda-feira.
O plano provavelmente vai propor cortes significativos nas crescentes emissões do México, que atualmente representam 1,5 por cento do total mundial, por meio de projetos como o de aperfeiçoamento da eficiência das usinas de energia ou redução de desmatamento.
O México terá condições de implementar algumas das iniciativas por conta própria, mas também buscará recursos externos para financiar outras ações.
As conversações sobre o clima mundial caminham lentamente já que países em desenvolvimento, como a China, exigem que as nações ricas respondam pela maior parte das reduções de emissões que, segundo os especialistas, são necessárias para diminuir o aquecimento do planeta.
As conversações terão seu ponto culminante no fim do ano, em uma grande conferência da ONU na capital da Dinamarca, Copenhague, onde os países devem assinar um novo tratado sobre mudanças climáticas para substituir o Protocolo de Kyoto.
O México compartilha da posição de que os países ricos, liderados pelos Estados Unidos, terão de conceder uma substancial ajuda financeira para ajudar os governos das nações mais pobres. O país espera conseguir recursos externos para algumas de suas iniciativas mais onerosas.
O México também tem apoiado os EUA, que dizem não poder efetuar cortes substanciais até 2020, mas que estão preparados para o comprometimento com a redução de emissões até 2050.
O presidente mexicano, Felipe Calderón, incluiu as mudanças climáticas na agenda do país. Em junho ele anunciou que o México iria cortar voluntariamente 50 milhões de toneladas de emissões anuais verificáveis até o fim de seu mandato, em 2012, por meio da melhora da eficiência nas estatais de eletricidade e petróleo e do uso das terras agrícolas.
O México terá de fazer grandes mudanças na legislação para cumprir as metas de emissões do plano que será apresentado em Copenhague, especialmente nos setores de petróleo e eletricidade, que são quase completamente vedados ao investimento privado.
(Reportagem de Robert Campbell)
