Arquivo de agosto, 2009

Sustentabilidade e negócios

24/08/09

GP Investimentos volta a avaliar ativos em açúcar e álcool no país

Mônica Scaramuzzo, de São Paulo
21/08/2009

A GP Investimentos avalia, novamente, fazer aportes no setor sucroalcooleiro. A gestora de recursos uniu-se outra vez ao grupo São Martinho, de Pradópolis (SP), para a eventual compra de ativos nesse segmento.

As duas empresas já tinham feito parceria no início deste ano para negociar a compra da Santelisa Vale, de Sertãozinho (SP). Mas o negócio não foi levado adiante porque a família Biagi optou por fechar um acordo de exclusividade com a multinacional francesa Louis Dreyfus.

Juntas, agora as duas companhias avaliam ativos na região Centro-Sul. Nessa parceria, a GP Investimentos , que ainda não tem participação acionária em usinas de açúcar e álcool, vai se beneficiar da expertise operacional do grupo São Martinho, considerado um dos mais eficientes do país. A gestora entrará com boa parte dos recursos financeiros. “É uma união que prevê o equilíbrio de forças”, afirma uma fonte familiarizada com esta parceria.

Fontes do setor afirmam que as duas empresas entraram no páreo pela Equipav, com duas usinas no noroeste de São Paulo. O Santander, contratado pelo grupo paulista para selecionar os interessados nos ativos do grupo, teria recebido proposta conjunta da GP e São Martinho, além das apresentadas pela Bunge, Açúcar Guarani, controlada pela francesa Tereos, e Cosan, segundo as mesmas fontes. Procurada, a Equipav não comentou.

Ao Valor, a São Martinho informou que não negocia a compra de nenhuma usina neste momento. O grupo está consolidando os investimentos realizados na unidade Boa Vista, de Goiás. Junto com a GP, tem apenas olhado “oportunidades no mercado”. A GP informou, por meio de sua assessoria, que não comentaria a informação.

O movimento de fusões e aquisições no setor sucroalcooleiro está desaquecido desde setembro do ano passado, quando a crise financeira global eclodiu, atingindo as usinas em cheio. Cerca de 50 usinas estão à venda na região Centro-Sul, o que torna os ativos desse setor mais baratos. No entanto, os grupos consolidadores, como a Cosan e Bunge, por exemplo, e investidores interessados nesse segmento estão mais criteriosos em concretizar negócios.

A multinacional Bunge, que avalia os ativos da Equipav, também está no páreo para a compra das usinas do grupo paulista Moema. As negociações seguem em andamento, apurou o Valor. Procurada, a Bunge não comentou a informação.

Neste ano, o grupo Cosan, o maior do país, foi responsável pelo maior negócio realizado no setor. A companhia comprou a Nova América, detentora da marca União. A Louis Dreyfus está negociando a compra da Santelisa Vale. O processo está em andamento e deverá levar mais algumas semanas para ser concluído.

Leia na fonte

 

 

Oeste da Bahia prepara sua regulamentação ambiental

Bettina Barros, de São Paulo
20/08/2009

A região oeste da Bahia, principal polo agrícola do Estado, prepara-se para realizar um dos maiores processos de regulamentação ambiental em curso no país. Sete municípios, que somam 6,4 milhões de hectares, trabalham para identificar e “quitar” suas pendências perante o Código Florestal, numa ampla parceria que colocou à mesa fiscais ambientais, Ministério Público, produtores, governo federal e terceiro setor.

O objetivo não é apenas adequar-se à lei, mas, com isso, obter também acesso a novos mercados. O oeste baiano é o sexto maior produtor de soja do país em área plantada e o segundo em algodão, atrás de Mato Grosso, sendo que metade da fibra produzida é exportada.

Para ambientalistas e alguns setores do governo, trata-se ainda de salvar uma porção significativa de vegetação nativa do Cerrado. O bioma é considerado berço de bacias hidrográficas vitais, como a do São Francisco, cada vez mais ameaçado pelo desenvolvimento desenfreado.

O arranjo institucional teve início em julho de 2008, com o mapeamento por satélite de Riachão das Neves, Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, São Desidério, Jaborandi, Correntina e Cocos. As imagens de alta definição, analisadas por especialistas da Universidade de Brasília (UnB), foram importantes para responder à primeira das questões fundiárias, o uso do solo.

“Não tínhamos um grau de detalhamento de imagens. E, sem isso, não conseguimos saber o passivo ambiental das propriedades e fazer a sua regulamentação”, diz Adolfo Dalla Pria, especialista em agronegócio e conservação da The Nature Conservancy (TNC), organização ambiental parceira do projeto.

O mapeamento atestou cientificamente o que, até então, era apenas percepção empírica dos ambientalistas: ainda há um vasto território preservado no oeste baiano. Nada menos que 65% dos 6,4 milhões de hectares analisados representam vegetação nativa. “Sabíamos que era relativamente preservado, por isso tínhamos pressa em trabalhar nessa região”, diz Pria. Mas a ideia é buscar um desenvolvimento sustentável, e não frear a produção rural. “Cumprir a legislação ambiental pode representar o acesso a um mercado diferenciado”, diz o especialista, que repetiu essa e outras vantagens aos produtores.

O próximo passo é cadastrar todas as propriedades rurais para que se possa cruzar as imagens de satélite com o trabalho de campo. Isso mostrará o que falta em cada uma para que se adeque ao Código Florestal. Segundo Pria, ainda é impossível precisar quanto existe de reserva legal (os 20% que a propriedade deve manter com vegetação nativa) ou onde é mais urgente restaurar áreas de proteção permanente, como as matas ciliares.

Para o Ministério da Integração Nacional, porém, esse segundo ponto é o que mais preocupa. Isso porque é no oeste baiano que passam três grandes afluentes do São Francisco – o Rio Grande, o Carinhanha e o Corrente, que contribuem com cerca de 23% da vazão do “Grande Chico”. Por meio do Programa de Revitalização do São Francisco, o órgão do governo federal injetou R$ 1,5 milhão para a realização do mapeamento dos sete municípios baianos.

“Infelizmente, as matas ciliares vêm sendo dilapidadas porque são as mais férteis. Onde mais no Semi-Árido tem terra úmida?”, diz José Luiz de Souza, coordenador do projeto de Revitalização do São Francisco do ministério. “Preservar isso é o mesmo que fazer água”.

A adequação ambiental se tornou a “salvação” para os produtores do oeste baiano, diz Sergio Pitt, vice-presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). Em dezembro passado, a região foi palco da Operação Veredas, da Polícia Federal e do Ibama, que embargou 57 mil hectares de terra, além de multas, apreensão de máquinas, caminhões e soja.

As irregularidades, em grande parte, se deviam a desmatamentos legais (dentro dos 80% permitidos) mas sem autorização. Os produtores afirmam que aguardaram anos por permissão de supressão vegetal, mas não obtiveram por falta de infraestrutura do Ibama. ” Passaram-se três, quatro anos e nada. Então os produtores abriram áreas, enquanto aguardavam protocolos ” , diz Pitt.

Na briga, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) da Bahia, à qual também cabe a fiscalização, faz um mea-culpa. “O Estado não conseguiu acompanhar a expansão do agronegócio”, diz Marcos Ferreira, superintendente de floresta da Sema. “Agora, temos de tratar isso de forma estratégica”.

O imbróglio culminou com uma nova lei, nº 11.478, do mês passado, que prevê a regularização e o abatimento de até 90% das multas determinadas na Operação Veredas. “O acordo é a salvação”, repete Pitt. “Sem ele, não há licença ambiental, financiamento e nem quem compre nossa produção”.

Leia na fonte

Etanol

24/08/09

Brasil e UE farão parceria com a África para produzir etanol

Assis Moreira, de Genebra
20/08/2009

O Brasil e a União Europeia (UE) vão lançar uma parceria triangular com a África na área de bioenergia. O objetivo é produzir etanol no continente africano para ser vendido no mercado europeu, um dos grandes consumidores mundiais.

A parceria deverá ser assinada durante a reunião de cúpula Brasil-Uniao Europeia, no dia 6 de outubro, em Estocolmo (Suécia), com a presença do presidente Luis Inácio Lula da Silva. Para o embaixador brasileiro na UE, Ricardo Neiva Tavares, a iniciativa poderá servir de modelo para outras cooperações triangulares.

Com a iniciativa, o Brasil quer continuar fomentando a criação de um mercado internacional do etanol. Além disso, o país entrará com tecnologia e expertise na produção do biocombustível pela sua alta competitividade no setor.

Países africanos obterão vantagens para produzir e dar opção para produtores pobres melhorarem sua renda.

A comissão da União Africana, sediada em Adis-Abeba (Etiópia), vai centralizar as operações. Por sua vez, os europeus terão a garantia de abastecimento e de importação de etanol produzido sob estritos critérios de sustentabilidade ambiental e social delineados pelo Parlamento Europeu.

Após a assinatura da parceria serão definidos os países africanos que serão incluídos na produção. A parceria pode incluir também construção de hidrelétricas, com expertise brasileira.

A participação da UE como produtor e importador de etanol é essencial para transformar o etanol em commidity global. Uma diretiva europeia estabelece que o bloco deverá ter 20% de energias renováveis em sua matriz em 2020, com participação mínima de etanol e biodiesel de 10% no consumo no setor de transportes.

A produção de biocombustíveis se generaliza globalmente, mas a oposição não diminui. A Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentaçao (FAO) está propondo aos países um texto sobre possíveis decisões do Encontro de Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar, marcado para 16 a 18 de novembro em Roma, que alveja a produção. Para a FAO, o mercado nascente de bioenergia é uma fonte nova e significativa de demanda de produtos alimentares como cana-de-açúcar, mandioca, milho e oleaginosas, que em muitos casos concorrem com outros alimentos no uso das terras e da água.

A agência quer que os líderes políticos reconheçam que a utilização desses produtos para biocarburante deflagrou o aumento de subvenções que alcançaram US$ 11 bilhoes em 2006 e proteçao tarifária, e que isso estaria entre os fatores que levaram as fortes altas de preços dos alimentos nos ultimos anos. A estimativa da FAO é de que na safra 2008/09, nada menos de 104 milhões de toneladas de cereais e grãos terão sido destinados à produção de energia.

Leia na fonte

Saneamento

24/08/09

Odebrecht cria empresa para área de saneamento

18/08 – 08:53 – Agência Estado

A Odebrecht decidiu apostar alto nas oportunidades de negócios do setor de engenharia ambiental (resíduos e efluentes industriais, saneamento básico e resíduos urbanos). A estratégia foi iniciada ontem, com o lançamento da nova marca Foz do Brasil, que vai englobar todos os contratos de concessão, de Parcerias Público-Privadas (PPP) e de prestação de serviços do grupo nesse segmento.

Nos próximos cinco anos, a empresa pretende investir R$ 3,6 bilhões para ampliar a participação no mercado nacional.

Parte desse dinheiro virá dos negócios em operação. Outra parcela será de financiamentos da Caixa Econômica Federal, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial. Segundo informações de mercado, a instituição acaba de finalizar um processo de auditoria para o financiamento de US$ 50 milhões, em moeda local.

Além disso, a Foz do Brasil está à procura de sócios no mercado. “Hoje, 100% da empresa é da Odebrecht. A intenção é ter uma fatia entre 20% e 30% nas mãos de parceiros”, afirma o presidente da empresa, Fernando Santos Reis. Segundo ele, já foram iniciadas algumas conversas com fundos de investimentos, que estão interessados em ampliar a participação em infraestrutura. “Ainda não fechamos nada. Mas estamos em entendimentos.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Leia na fonte

Legislação ambiental

24/08/09

17/08/2009

Especialistas garantem que legislação ambiental brasileira é boa, mas aplicação é razoável

GABRIELA ALBUQUERQUE
Colaboração para a Livraria da Folha

Divulgação

Livro analisa a legislação que protege o meio ambiente no Brasil

O professor Édis Milaré, autor da obra “Direito do Ambiente” (Editora Revista dos Tribunais, 2009), foi o primeiro promotor do Ministério Público a ajuizar uma ação civil pública em matéria de meio ambiente no Brasil, em 1983. Na época, um vasamento de óleo nas proximidades de Bertioga(SP) –causado pelo rompimento de um duto da Petrobrás– provocou a contaminação de praias e manguezais da região.
Depois dessa primeira ação, vieram outras e, de lá pra cá, a atuação do Ministério Público em processos que envolvem a defesa do meio ambiente evoluiu. “Posso dizer com segurança que quando nós começamos o trabalho na área, na década de 80, a história era uma, hoje ela é outra completamente diferente e muito melhor. Em muito pouco tempo conseguimos ter no Brasil uma legislação ambiental muito boa e condizente com a riqueza do patrimônio natural do país. No entanto, ainda deixamos a desejar na aplicação, que é razoável”, disse em entrevista à Livraria da Folha.

 

Divulgação

Livro faz homenagem ao autor de direito ambiental Michel Prieur

Uma das coordenadoras da obra “Políticas Públicas Ambientais” (Editora Revista dos Tribunais, 2009), a doutora Odete Medauar, professora titular da Faculdade de direito da USP, concorda com Milaré no que diz respeito à qualidade da legislação ambiental brasileira. “Se a analisarmos sob uma ótica ampla ela é muito boa”. Segundo ela, o Brasil está muito avançado em relação a outros países e a lei brasileira de Política Nacional do Meio Ambiente, de 1981, é uma das pioneiras na matéria no mundo todo.
Para garantir o cumprimento das leis, a autora indica duas vertentes. Uma delas corresponde aos atos do cidadão no dia a dia, à consciência das pessoas sobre a necessidade da preservação. A outra é aquela que fica sob a responsabilidade de quem está exercendo o poder público seja ele o Executivo, o Legislativo ou o Judiciário.

 

A Gestão Ambiental nas Empresas

Divulgação

Livro aborda área de gestão ambiental dentro de empresas

A obra da doutora Clarissa D’Isep, “Direito Ambiental Econômico e a ISO 14000″ (Editora Revista dos Tribunais, 2009), é resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1996, antes mesmo da entrada da certificação ISO 14000 no Brasil. Com o livro, a autora busca ressaltar a necessidade de adequação das empresas privadas a um sistema de gestão ambiental. “É preciso entender que meio ambiente e economia não são conceitos antagônicos. Pelo contrário, são complementares”, destaca.
Como exemplos bem sucedidos, ela cita as instituições financeiras, que evoluíram muito no apoio à conservação de recursos naturais. “Ainda há muito a ser conquistado, mas avançamos nas últimas décadas. As empresas já percebem que não só elas, mas todos ao seu redor acabam ganhando com a adoção de uma cultura sustentável, seja a comunidade, parceiros e, claro, a natureza”.

As obras “Direito do Ambiente”, “Direito Ambiental Econômico e a ISO 14000″ e “Políticas Públicas Ambientais”, fazem parte do catálogo de lançamentos do mês de junho da Editora RT.

“Direito do Ambiente”
Autor: Édis Milaré
Editora: Revista dos Tribunais
Páginas: 1344
Quanto: R$ 228,00
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou no site da Livraria da Folha

“Políticas Públicas Ambientais”
Coordenação: Clarissa Ferreira Macedo D’Isep, Nelson Nery Jr. e Odete Medauar
Editora: Revista dos Tribunais
Páginas: 474
Quanto: R$ 87,00
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou no site da Livraria da Folha

“Direito Ambiental Econômico e a ISO 14000″
Autor: Clarissa Ferreira Macedo D’Isep
Editora: Revista dos Tribunais
Páginas: 236
Quanto: R$ 45,00
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou no site da Livraria da Folha

Leia na fonte