Arquivo de agosto, 2009

China vê futuro na energia limpa

18/08/09

Folha Online
Monday, August 3, 2009

DUNHUANG, China – Enquanto os Estados Unidos dão seus primeiros passos no sentido de exigir que as empresas elétricas gerem mais energia de fontes renováveis, a China já tem uma regra similar e está investindo bilhões para se recriar como uma superpotência da energia limpa.

Combinando incentivos e regulamentos, Pequim começa a mudar a forma como gera energia. Embora o carvão seja, e certamente continuará sendo, a maior fonte energética, a ascensão da energia renovável, especialmente eólica, ajuda a desacelerar o forte crescimento das emissões chinesas de gases do efeito estufa.

Neste ano, a China deve superar os EUA como o maior mercado mundial de turbinas de vento, depois de duplicar sua capacidade de geração eólica a cada um dos últimos quatro anos. Estatais de energia competem para ver qual é mais rápida na construção de usinas de energia solar, embora tais projetos sejam muito menores que os eólicos.

E outros projetos de energia limpa, como a queima de detritos rurais para a geração de eletricidade, também estão brotando.

Dunhuang, uma cidade-oásis nos confins do deserto de Gobi (norte), junto à famosa Rota da Seda, se tornou um dos centros do esforço chinês para liderar o mundo em termos de energia solar e eólica.

Uma série de projetos está em fase de obras no planalto quase sem vida a sudeste de Dunhuang, inclusive 1 dos 6 imensos projetos de energia eólica atualmente em construção na China, cada um deles com capacidade superior a 16 grandes usinas termoelétricas a carvão.

Cada um dos projetos “faz parecer pequena qualquer outra coisa, em qualquer outro lugar do mundo”, disse Steve Sawyer, secretário-geral do Conselho Global da Energia Eólica, de Bruxelas.

Isso não significa que a China se tornará um gigante “verde” da noite para o dia. Entre outras coisas porque o consumo energético chinês deve crescer continuamente ao longo da próxima década, conforme 720 milhões de camponeses chineses adquirirem aparelhos de ar condicionado e outras amenidades já comuns entre os 606 milhões de habitantes urbanos da China.

Algumas autoridades reguladoras temem que as regras do governo estimulem as empresas a irem longe demais, rápido demais. Elas poderiam estar deliberadamente apresentando propostas baixas nas concorrências para novos projetos e planejando posteriores indenizações do governo quando os mesmos projetos derem prejuízo.

“O problema é que temos tantas empresas estúpidas”, disse Li Junfeng, diretor-geral-adjunto para pesquisa energética da principal agência chinesa de planejamento econômico e secretário-geral da estatal Associação das Indústrias da Energia Renovável.

O banco HSBC prevê que a China investirá mais dinheiro na energia renovável e nuclear até 2020 do que na eletricidade a carvão e petróleo.

Um grande ímpeto foi a exigência, baixada em setembro de 2007, de que até o final de 2010 pelo menos 3% de toda a eletricidade gerada por grandes empresas energéticas viessem de fontes renováveis. O cálculo exclui a energia hidrelétrica, que já representa 21% da matriz energética chinesa, e a energia nuclear, que representa 1,1%. Até o final de 2020, as empresas chinesas terão de gerar 8% da sua energia a partir de fontes renováveis (exceto hidrelétrica).

Mas pipocam obstáculos técnicos à energia renovável. Durante a primavera, por exemplo, após cada tempestade de areia os painéis solares de Dunhuang ficam inutilizados até que sejam limpos por esquadrões de operários que usam espanadores para não riscá-los -um processo que pode levar dois dias.

E as turbinas de vento estão sendo erguidas mais rapidamente Na China do que a capacidade do país de construir redes de alta voltagem. No dias de mais vento, só metade da energia gerada pode ser distribuída, segundo Min Deqing, consultor local de energia renovável.

Mesmo assim, as autoridades municipais defendem mais projetos. “Isto é o deserto de Gobi”, disse Wang Yu, vice-diretor de planejamento econômico. “Não há muitos outros usos para ele.”

Por Keith Bradsher

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Busca da sustentabilidade renova Holanda

18/08/09

Projetos ambiciosos preveem até estrada coberta por cúpula para reduzir as emissões de poluentes

Daniela Chiaretti, de Amsterdã, Zeewolde e Delft
16/07/2009

Reuters/Jerry Lampen

Em busca da energia sustentável: moinhos de geração de energia eólica dominam a paisagem junto ao dique De Maaslandkering, em Hoek van Holland, na Holanda; o país quer ter 30% de sua matriz energética renovável até 2020

O metrô de Amsterdã é movido a lixo. Os prédios públicos da cidade e a iluminação das ruas vêm de fontes renováveis. O monumental edifício De Bazel, um arroubo art nouveau no centro da capital holandesa, armazena calor do Sol no lençol freático que está 150 metros abaixo, e é na subida da água que o prédio fica aquecido no inverno. A Holanda está levando a sério a meta de ter 30% de sua matriz energética de energia limpa e renovável nos próximos 11 anos. Por aqui, calor é commodity, vento é energia e as casas são “neutras” em carbono.

Às vezes, as casas holandesas se superam e se tornam “climaticamente positivas”. O que isso quer dizer se explica didaticamente em Leusden, uma cidadezinha de 30 mil habitantes na Província de Utrecht, no centro dos Países Baixos. Ali, numa rua pacata, o número 22 tem tijolos aparentes e um segredo no porão. Nos 230 metros quadrados distribuídos por três andares não só se produz energia suficiente para garantir o aquecimento, ter boa luminosidade e ligar todos os eletrodomésticos e eletrônicos habituais, como para vender a energia não consumida à rede.

Perto da garagem dessa usina particular fica a casa de máquinas. Uma parede cheia de tubos conectados a um computador dá conta da energia produzida pelo pequeno moinho de vento no telhado, pelos painéis solares espalhados aqui e ali e por um sistema geotérmico que capta o calor e o joga para dentro da terra, um método que parece disseminado por aqui. Se quisesse, o proprietário Johannes Out, 29 anos, poderia sair com o carro elétrico que está à porta e dirigir cinco mil quilômetros por ano com a energia que a sua casa produz. Ou seja, poderia ir e voltar todo dia ao trabalho sem gastar nada com combustível.

Divulgação

 

O Gewoonboot é uma espécie de casa flutuante autossustentável

 

Ele inventou a casa, ainda única na Holanda, pesquisando o que existe em construção sustentável e energia renovável na Alemanha, na Suíça e nos países nórdicos. Bebeu na fonte do que existe de mais ousado em materiais renováveis e novos. Ergueu seu lar de € 550 mil usando uma liga à base de granulado de vidro (reciclado de garrafas velhas) e concreto e um material muito similar ao isopor como isolante. A casa é toda envidraçada, o que garante luz natural e boa ventilação no verão. Os vidros são triplos, para vedar bem no inverno e reter o calor. As lâmpadas são supereficientes, de 7 watts, no máximo, cada. Um interruptor parecido a um i-Pod controla tudo. A casa, estima Out, custou apenas 10% a mais do que uma construída sem todas essas traquitanas “verdes”.

Um exemplo grandioso da reforma de interiores que os modernos batizaram de “retrofit”, está no coração de Amsterdã. O De Bazel é dos melhores casos de um monumento que foi transformado em prédio contemporâneo e sustentável. Junto ao Palácio Real, à Praça Dam e ao Rijksmuseum (onde estão os quadros de Rembrandt), o De Bazel é tido como uma das construções mais lindas da cidade.

O nome vem do arquiteto K.P.C. Bazel que o projetou nos anos 20 para ser a sede da empresa sucessora da mítica Companhia das Índias Ocidentais. Virou sede de banco e nos anos 90 o governo holandês o transformou no arquivo da cidade. “O isolamento é muito ‘high tech’, mesmo que você nunca o veja”, entusiasma-se o diretor Jan Boomgaard. Ele aponta para o centro e para o alto do prédio, o fígado do gigante, onde só se vê uma abóbada de vidros. “Espiem as canaletas entre eles”, continua. É por lá que o ar aquecido pelo Sol do verão desce para o lençol freático e esquenta a água que é bombeada de volta no inverno. Como é um prédio histórico e está no centro de Amsterdã, não se podia crivá-lo de moinhos eólicos ou placas solares. “Mas nós o fizemos o mais eficiente possível”, continua Boomgaard.

Foram investidos € 62 milhões na empreitada. O De Bazel possui 16 diferentes zonas climáticas onde se controla a temperatura e a umidade. Todos os vidros são duplos. Em sete anos o que se gastou no sistema de aquecimento estará pago. “Mantivemos o compromisso de preservar o passado numa instalação do futuro”, vangloria-se Jaap Gräber, da Claus em Kaan Architecten, a empresa de arquitetura que planejou e executou o ambicioso retrofit.

Os holandeses fazem escola no design irreverente e seus arquitetos são competentes em traduzir o conceito de contemporaneidade. Se a moda agora é mirar na baixa emissão de carbono, as pranchetas holandesas desenham até rodovias sustentáveis, seja lá o que isso signifique.

Daniela Chiaretti/Valor

 

A bomba elétrica exige atitude zen: carregar uma moto pode levar horas

O plano da empresa Movares Nederland B.V. é construir uma cúpula de vidro sobre uma estrada. É assim, desse jeito meio mirabolante, que eles imaginam reduzir o barulho e as emissões de material particulado e outros poluentes como o CO2 que saem dos escapamentos dos carros. Um sistema de carvão ativado, no topo da cúpula, filtraria os gases. O vidro isolaria o barulho. No asfalto, um feixe de canaletas absorveria a energia produzida pelas células fotovoltaicas colocadas entre os vidros e levaria o calor para os aquíferos.

“Cobrir 25% da cúpula com as células solares garante 1.350 MWh por quilômetro por ano, o que corresponde a uma redução anual de emissão de 750 toneladas de CO2″, diz o consultor sênior da empresa, Lazló Vákár. Ainda não há nenhuma rodovia do gênero na Holanda – mas os guard rails das estradas já são assombrosas estruturas altas de vidro. É uma forma de manter a paisagem preservada. Quem passa vê moinhos de vento antigos e modernos, vacas e campos de tulipas – e quem mora por perto não fica surdo.
O que está acontecendo na charmosa Delft, a cidade das cerâmicas azuis e dos preciosos quadros de Johannes Vermeer, tem menos cara de desenho dos Jetsons. O projeto “100 tetos azuis em Delft” começou com a instalação de painéis solares em 144 casas da cidade histórica. Delft provou com a experiência que a energia sustentável pode ser aplicada em construções já existentes. O projeto cresceu e já tem 400 participantes.

“Quanto sustentáveis podemos ser?”, perguntou o príncipe Willem-Alexander durante a abertura da 3ª SASBE, a maior conferência internacional sobre construções sustentáveis, em junho, no plenário da Universidade de Tecnologia de Delft. “E quão longe podemos ir com a mudança climática?”, prosseguiu. “Bangladesh tem sofrido com inundações que a deixam debaixo d´água e a Austrália acaba de viver uma seca sem precedentes”, continuou. O futuro rei dos Países Baixos frisou o conhecimento que os holandeses têm no gerenciamento da água. O país produz 65% de seu PIB em regiões que estão abaixo do nível do mar. “É tempo de adaptar e viver com a água, e não lutar contra ela”.

Um passeio de barco pelos canais de Amsterdã ilustra o quanto esse pessoal gosta de bancar o marujo. Os barcos-casas, marca-registrada da cidade, ocupam todos os espaços disponíveis. Calcula-se que existem cinco mil ancorados na capital. Há para todos os gostos, de todas as cores e de todos os tipos. Mas um deles, o Gewoonboot, é diferente. Trata-se de um projeto de casa flutuante completamente autossustentável. Ele fica numa região ao norte da cidade, por onde Amsterdã planeja crescer.

O governo local lançou uma espécie de concurso arquitetônico para planejar as 2000 casas novas que deverão ser construídas na área. Ganhará o projeto que for mais ecológico. Por ali está ancorado o barco de 120 metros quadrados que tem placas solares no teto, enormes vidraças e um sistema que aproveita a chuva e recicla e limpa toda a água utilizada na embarcação, inclusive dos chuveiros e sanitários. “Todos sabemos que o nível do mar está subindo”, diz Pauline Westendrop, ligada ao projeto. “Essas experiências podem evoluir para boas soluções.” Por enquanto a adaptação às mudanças climáticas exige também boa dose de atitude zen. Em uma bomba de energia elétrica próxima, os novos carros e motos podem recarregar e seguir viagem. Só que demora. Muito. Uma moto pode levar até cinco horas para sair rodando de pilha nova .

A aposta é que o sistema será muito mais eficiente no futuro. Em 2015, a prefeitura da cidade pretende ter 10 mil carros elétricos para alugar. Funciona assim: o usuário pede um automóvel, o apanha em local determinado e devolve depois em lugar marcado para que outro cliente o utilize. O sistema já está em uso, com carros vermelhos de logotipo verde que se avistam pela cidade. Mas ali, é bom lembrar, é Amsterdã e todo mundo prefere andar de bicicleta.

Os planos de adaptação à mudança climática e redução de emissão de gases-estufa têm várias frentes. Estima-se que existam 18 mil pequenos negócios na capital, entre cafés, bares e lojas. “Gastam muita energia”, cita Tom van de Beek, consultor do escritório de clima do governo municipal. A proposta é estimular os proprietários a solicitar a visita de um consultor em energia renovável e esperar que se animem a pedir o empréstimo de € 10 mil com carência de quatro anos para começar a pagar. Assim, podem modernizar o estabelecimento e a cidade se aproxima de seus objetivos.

A meta é que, em 2018 todas as casas da Holanda tenham energia renovável. Em 2012, um projeto do governo irá melhorar o sistema de manter o calor de 500 residências durante o inverno. O país está se voltando mais e mais para energias novas, na esteira do que vem fazendo com sucesso a Alemanha e a Dinamarca. O foco é maior em ventos e biomassa do que em energia solar. O processo fotovoltaico ainda é pouco competitivo. Hoje cerca de 3% da energia elétrica da Holanda vem dos ventos. São 2 mil MW em terra e 200 MW no mar – por enquanto. Eles gostam de marcar este “por enquanto”. A intenção é dobrar os megawatts em terra no curto prazo e chegar a quase 1 mil MW em offshore ao final do ano.

“Mas nada disso é suficiente para alcançarmos a meta que nos propusemos em 2020″, diz Jan Terlouw, o conselheiro do governo holandês para mudança climática. Na sua visão, esta demanda não passa, porém, pela necessidade de utilizar mais energia nuclear. “Não me oponho a ela, mas não acho que precisamos de mais nuclear na Holanda”, diz, lembrando que o país tem ainda muitas reservas de gás natural. “Usinas nucleares são bem difíceis de serem desligadas.”

Uma experiência impressionante de uso de biomassa acontece no norte do país, em Zeewolde, lugarejo de 20 mil habitantes. Eles geram ali três vezes mais energia “verde” do que energia “cinza”. Um fazendeiro da comunidade produz energia com os dejetos de suas vacas leiteiras. Uma vaca fornece energia para o consumo de sete casas durante o ano. “O preço do leite está tão baixo que agora é melhor ter a opção do preço da energia”, diz Jan Gerrit, que há cinco anos entrou na onda da biomassa com suas 140 vacas. “Energia será um problema no futuro”, vislumbra. Ele garante com seu rebanho o suprimento de umas 500 casas.

Os holandeses se definem como um povo inovador e criativo. Eles mesmos fazem autocrítica e dizem que têm dificuldades em implementar o que inventam. Não é o que se vê na zona industrial de Amsterdã, onde fica a Afval Energie Bedrijf, a empresa que cuida do lixo da cidade. Trata-se de um ícone da gestão de resíduos: transforma 99% de todo o lixo doméstico de Amsterdã em energia verde, calor e materiais reciclados para uso na construção. A AEB processa mais de 1,4 milhão de toneladas anuais de resíduos. O metrô e a iluminação pública funcionam à base de energia gerada do lixo. O teatro, a prefeitura e o Jardim Botânico usam a energia verde produzida pela empresa. Os resíduos viram biomassa, a biomassa vira calor, o calor vira energia. O material particulado produzido na queima dos 1% que eles não aproveitam, forma um granulado usado no asfalto das ruas. “Das nossas chaminés só sai vapor d’água”, jura a porta-voz Nadia Pattavina.

Os edifícios, as casas e os barcos-casas reformados da Holanda têm uma característica comum: janelas imensas. Às vezes com vidros triplos, para vedar e reter calor no inverno, aproveitar toda a luz natural e ter boa ventilação nos dias quentes, gastando menos eletricidade. A cartilha básica da construção sustentável produz ambientes harmoniosos, com direito a vista e integrados à vida lá fora. As vidraças, além de apontarem para uma economia que se prepara para a fase de menos carbono, revela também o quanto o país é sossegado: não há grades coladas às janelas e os vidros estão todos inteiros. É muito lindo, mas será que isso funciona ao Sul do Equador?

A jornalista viajou a convite do governo da Holanda

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Embalagens ”verdes” chegam ao mercado

18/08/09

Quarta-Feira, 08 de Julho de 2009

Empresas de alimentos investem no plástico biodegradável

Andrea Vialli
A tendência do uso de embalagens de plástico biodegradável ou de matéria-prima renovável já chegou à indústria de alimentos no Brasil. De olho no consumidor atento a questões de saúde e sustentabilidade, grandes indústrias estão introduzindo embalagens com menor impacto ambiental em linhas de produtos voltadas a esses nichos de mercado.

A Bimbo, indústria de pães com sede no México e que no Brasil é dona das marcas Pullman, Nutrella e Plus Vita, entre outras, acaba de lançar no mercado brasileiro uma linha de pães, a Vitta Natural, com embalagens de plástico oxibiodegradável, que se decompõe em cerca de três a cinco anos, um tempo bem menor do que o plástico convencional.

“Fizemos o lançamento em uma linha de produtos premium, com grande apelo nutricional, que levam ingredientes orgânicos e integrais. Mas o objetivo é estender, de forma paulatina, para todas as linhas”, diz Claudio Natale, gerente de qualidade e meio ambiente da Bimbo do Brasil. “Estamos estudando como fazer essa substituição”, diz.

A Bunge Alimentos também já está trazendo sua margarina da marca Cyclus em uma embalagem biodegradável, feita de um polímero renovável, cuja base é a fermentação do amido de milho. O pote de margarina pode ser descartado no lixo orgânico e, exposto às condições ideais de calor, umidade e ação de bactérias, pode virar composto orgânico em cerca de 200 dias. “Foram dois anos de pesquisa e desenvolvimento da embalagem, que incluiu ainda a busca de fornecedores dentro e fora do País” afirma Rosa Nascimbeni, gerente de marketing de consumo da Bunge Alimentos. A nova embalagem foi submetida a testes na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e no Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), ligado ao governo paulista.

A empresa detentora da tecnologia é a americana Cereplast, que produz o polímero do amido de milho. A produção dos potes está a cargo do consórcio de empresas formado pela Poly-vac, Emplal e Fibrasa. “Há uma tendência clara da indústria de alimentos, cosméticos e de itens descartáveis de buscarem resinas biodegradáveis”, afirma Antonio Marcucci, diretor da Poly-vac.

OPORTUNIDADE

De todo plástico produzido no mundo – cerca de 230 milhões toneladas/ano -, apenas cerca de 0,5% é biodegradável, segundo Sylvio Ortega, presidente da PHB Industrial, empresa brasileira que desenvolveu um polímero de cana-de-açúcar 100% biodegradável. A unidade piloto da PHB Industrial, em Serrana (SP), tem capacidade para produzir 50 toneladas/ano do biopolímero, mas o plano da empresa é, dentro de três anos, ampliar a produção para 230 mil toneladas. “A demanda cresce nos países acima do Equador, especialmente entre os europeus, que precisam reduzir o volume de resíduos urbanos em 25% até 2030″, diz Ortega.

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AUDITORIAS AMBIENTAIS

17/08/09

Cresce a demanda por auditorias ambientais

12/08  – Agência Estado O aumento das operações de fusões, aquisições e abertura de capital das empresas nos últimos anos, aliado ao aumento da fiscalização dos órgãos ambientais, fez crescer em até 50% a demanda pelos serviços de auditorias e due diligence na área de meio ambiente. O procedimento é uma investigação que permite verificar se a empresa em negociação está em conformidade com as leis ambientais ou se há passivos que possam interferir no seu valor de mercado, como a existência de áreas contaminadas. Esse tipo de auditoria se tornou a principal atividade dos departamentos de direito ambiental dos grandes escritórios de advocacia. A demanda por due diligence ambiental aumentou a partir de meados da década de 1990, com o crescimento das operações de fusões e aquisições no Brasil, explica Fabiana Leite, sócia do escritório Azevedo Sette Advogados Associados. “Nos últimos anos, temos prestado assessoria para, em média, 15 operações anuais. Mas, no ano passado, esse número passou de 20″, afirma. Há casos, explica Svetlana Miranda, que comanda a área de Direito Ambiental do mesmo escritório, em que a existência de área contaminada chega a reduzir o valor da empresa em até 30%. “Houve situações em que o negócio simplesmente não se concretizou, porque o investidor tomou conhecimento do valor que teria de gastar com a recuperação de áreas degradadas”, explica a advogada. Atualmente empresas ligadas a setores de alto potencial poluidor, como mineração, siderurgia e indústria química, são as mais submetidas a due diligences ambientais. “As empresas em via de fechar grandes negócios passaram a dar o mesmo peso à due diligence ambiental que dão às auditorias fiscais e trabalhistas”, conta Heloísa Paulino, sócia do Souza Cescon Advogados. Segundo ela, a demanda por esse serviço no escritório cresce de maneira firme há cinco anos. “As empresas estão atentas a possíveis passivos ambientais porque custa caro reverter esses danos”, diz. Outro caso em que as auditorias na área ambiental são recorrentes é na abertura de capital, quando as empresas devem informar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) dívidas e passivos de todas as naturezas. “Em 2007, quando houve um boom de IPOs (ofertas primárias de ações), chegamos a fazer 30 auditorias dessa natureza por mês”, diz. Atualmente o escritório comanda dez processos de due diligence ambiental, e a tendência é de crescimento. “Com a recuperação da economia, os processos de fusões e aquisições de empresas vão sendo retomados. A demanda acompanha isso.” Mesmo para empresas que já negociam ações em bolsa, a necessidade de auditorias é recorrente. A Suzano Papel e Celulose é submetida todo ano a uma auditoria que atesta se a empresa está em condições de permanecer no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa, carteira que privilegia ações de empresas com bom desempenho socioambiental. “Todos os aspectos referentes a meio ambiente e relacionamento com comunidades são analisados. Se houver qualquer pendência, a empresa está fora”, afirma Luiz Cornacchioni, gerente de relações institucionais da Suzano Papel e Celulose. NOVA LEI Em São Paulo, a recém-aprovada Lei Estadual 13.577/09, sobre gestão de áreas contaminadas, deve impulsionar ainda mais a demanda por serviços de due diligences ambientais. Entre outros pontos, a lei obriga os proprietários de solos contaminados a comunicarem o problema ao órgão ambiental. “A nova lei paulista deixa claro ainda que tanto o causador da poluição quanto o dono da área podem ser responsabilizados “, diz Ana Beatriz Kesselring, sócia do escritório Trench, Rossi e Watanabe Advogados. “É um passo além.” Leia na fonte