Arquivo de setembro, 2009

ETANOL

28/09/09

ANP abre o leque da comercialização de etanol no país

Mônica Scaramuzzo e Danilo Fariello, de São Paulo
21/09/2009

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a criação de agentes de comercialização de etanol para dar impulso ao mercado de combustível negociado na BM&FBovespa, hoje com pouca ou quase nenhuma liquidez.

A medida deverá permitir a entrada de novos “players” no mercado de comercialização nacional de etanol. As regras foram discutidas em audiência pública, no dia 31 de agosto. As resoluções deverão ser publicadas nos próximos dias, afirmou Allan Kardec Duailibe, diretor-geral da ANP, ao Valor.

De acordo com a ANP, os agentes de comercialização de etanol poderão ser pessoas físicas ou jurídicas que operam em bolsa de mercadorias e futuros. Mas as empresas deverão se beneficiar destas operações. A Delta Energia, companhia comercializadora de energia elétrica, já faz planos para operar neste mercado.

Pelas regras atuais, somente as usinas podem vender álcool anidro ou hidratado diretamente às distribuidoras de combustíveis. A expectativa é que a instituição desses novos agentes comercializadores abra o leque e aumente o poder de barganha das usinas nesse mercado.

A mudança nas regras foi comemorada pelas usinas sucroalcooleiras. “A Unica [União da Indústria da Cana-de-açúcar] trabalhou intensamente para que esse projeto tornar realidade”, afirmou Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica.

Para estimular as operações com etanol combustível na BM&FBovespa, algumas mudanças começaram a ser realizadas. Atualmente, os contratos de álcool negociados na bosla são do tipo anidro, cotados em dólar. “Os que serão comercializados pelos agentes serão do tipo hidratado, cotados em reais. A BM&FBovespa está elaborando as mudanças”, afirmou Padua.

O setor sucroalcooleiro movimenta entre 22 bilhões a 24 bilhões de litros de etanol combustível no mercado interno. Cerca de 3 bilhões de litros deverão ser exportados nesta safra. O álcool hidratado responde por mais de dois terços dos negócios.

Segundo Duailibe, esses agentes só entram no mercado quando houver entrega física do produto na bolsa. Neste caso, estas empresas poderão atuar como intermediárias na venda de etanol entre as usinas e as distribuidoras.

“A criação de agentes comercializadores deverá dar impulso à internacionalização da commodity e fortalecer os negócios na BM&FBovespa”, disse Duailibe. Ele observou também que a ANP tem concentrado esforços em divulgar o nome etanol nos postos de distribuição de combustíveis em todo país, como forma de promover a commodity.

A decisão de dar impulso aos negócios com etanol na BM&F reflete também a necessidade de as usinas sucroalcooleiras terem um instrumento de hedge (proteção) para o combustível. O açúcar, também com fraca liquidez na BM&F, tem suas operações de “hegde” fortalecidas nas bolsas de Nova York e Londres.

O alto volume de comercialização de álcool combustível tradicionalmente é realizado no mercado físico. E neste caso, somente as usinas podem vender para as distribuidoras. Empresas terceiras, como tradings, só negociam o álcool no mercado externo.

Para negociarem com as distribuidoras com maior escala, e não individualmente, como geralmente ocorre, as usinas têm de criar companhias de comercialização, controladas por elas. Segundo Padua, a Copersucar é a única do país que já se encaixa neste perfil, uma vez que é uma empresa que não está restrita à comercialização de usinas cooperadas. Como uma SA (sociedade anônima), poderá vender álcool de outras companhias.

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21/09/2009

Lula diz que Brasil tem competência para produzir etanol sem desmatar

da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, durante o programa “Café com o Presidente”, que o Brasil é capaz de produzir o etanol preservando a Amazônia e o Pantanal e que será exemplo ao “chamado mundo desenvolvido” que, segundo o presidente, “tanto reclama do aquecimento do planeta e que tão pouco faz”.

Lula defendeu o biocombustível ao comentar a proposta de zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar, lançada na semana passada, que veta a expansão das plantações numa área de 4,6 milhões de quilômetros quadrados –mais da metade do território nacional– e em regiões que mantenham a vegetação nativa no restante do país.

“Nós queremos mostrar para o mundo, primeiro que o etanol é uma energia renovável extraordinária, que pode permitir ser exemplo para o mundo, ou seja, se quiser diminuir a emissão de gases de efeito estufa”, afirmou Lula.

Segundo o presidente, a atividade é capaz de gerar emprego “e não avançar nas áreas que nós queremos preservar, que é a Amazônia, que é o Pantanal e que é a Bacia do Alto Paraguai”.

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ENERGIAS RENOVÁVEIS

28/09/09

 

 Ventos do Sul aposta no crescimento da geração eólica no país

 Sérgio Bueno, de Porto Alegre
23/09/2009
Tamires Kopp / Valor

 

Magadan, presidente: “Leilão vem com no mínimo quatro anos de atraso. Não podemos mais trancar a energia eólica no Brasil”

Primeira empresa a implantar um parque de geração eólica dentro do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa), ainda em 2006, a gaúcha Ventos do Sul espera que o leilão marcado para o dia 25 de novembro pelo governo federal finalmente destrave o desenvolvimento do setor no país. “Esse leilão vem com no mínimo quatro anos de atraso e não podemos mais trancar a energia eólica no Brasil”, afirma o presidente da empresa controlada pela espanhola Enerfin, do grupo Elecnor, Telmo Magadan.

Localizado em Osório, no litoral norte do Rio Grande do Sul, o parque da Ventos do Sul é o maior do país, com 150 megawatts (MW) de potência e 75 aerogeradores distribuídos em três módulos conectados a uma única subestação. Agora outros dois projetos foram inscritos no Ministério das Minas e Energia (MME) para o leilão. Um deles acrescenta 150 MW à atual unidade e outro prevê a instalação de 242 MW em Palmares do Sul, no litoral sul do Estado, onde a empresa já tem um projeto de 7,6 MW habilitado pelo Proinfa.

Segundo Magadan, a implantação dos 392 MW planejados exigirá investimentos estimados em R$ 2 bilhões. Na construção do parque já em funcionamento em Osório a companhia aportou R$ 670 milhões, sendo R$ 465 milhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com parte repassada diretamente e parte por intermédio de um grupo de instituições bancárias, como Santander, Banrisul, Caixa RS Agência de Fomento e BRDE.

Embora o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, já tenha sinalizado que considera “cara” a energia eólica produzida no Brasil, o executivo considera que os pouco mais de R$ 270 por megawatt hora (MWh) pagos pelo Proinfa proporcionam uma margem “razoável” de retorno aos investimentos. “Precisamos de uma tarifa realista que incentive os investidores nacionais e internacionais para viabilizar essa fonte de geração limpa no Brasil”, afirma o executivo. Os empreendimentos vencedores no leilão de novembro vão vender energia por 20 anos para entrega a partir de julho de 2012.

O pregão de novembro será o primeiro exclusivo para energia eólica no país, com 441 projetos e potência total de 13,3 mil MW inscritos no Ministério de Minas e Energia. O Rio Grande do Sul foi o terceiro Estado em número de empreendimentos (86, atrás do Rio Grande do Norte e do Ceará) e o segundo em potência prevista, com 2,9 mil MW, atrás apenas do Rio Grande do Norte. Mesmo assim, o governo federal ainda não divulgou quantos megawatts pretende contratar no leilão e as interrogações sobre o futuro do setor ainda são muitas, afirma Magadan.

“Precisamos de pelo menos 2 mil MW ou 3 mil MW contratados no leilão para deslanchar o segmento”, entende o executivo. Segundo ele, o governo deve apontar com “clareza” as perspectivas para essa fonte de geração nos próximos anos. Anunciado no início de 2009 pela Empresa de Planejamento Energético (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, o Plano Decenal de Energia ainda prevê que as fontes eólicas chegarão a 1.423 MW em 2017, a mesma potência contratada pelo Proinfa para implantação até o fim de 2010. Hoje elas somam cerca de 547,7 MW, conforme números da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Ao mesmo tempo, o plano decenal prevê que até 2017 a potência total no país chegará a 154,6 mil MW, com expansão proporcionalmente mais acentuada na geração térmica a óleo combustível (549%), biomassa (324%) e carvão mineral (124%), a contar de 2008. A hidroeletricidade seguirá dominante, com 109,8 mil MW, mas com alta de apenas 35,6% no período.

Apesar da projeção de crescimento bem mais forte em fontes ambientalmente controversas, Magadan entende que a “fase de convencimento” sobre a importância da energia eólica como geração complementar, que não emite CO2 e ajuda a poupar os reservatórios em períodos de estiagem, está bem encaminhada no Brasil. O problema ainda é tirar os projetos do papel. O Proinfa, por exemplo, previa a implantação dos 1.423 MW até o fim de 2006, mas foi postergado por mais quatro anos. “Agora é preciso um esforço para que não haja novas prorrogações”, comenta o executivo.

O governo já anunciou que os parques eólicos outorgados no leilão de novembro serão enquadrados no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), que isenta de recolhimento de PIS e Cofins as aquisições de bens e serviços para a implantação dos projetos. A importação de aerogeradores também será facilitada, mas Magadan defende o estabelecimento de uma política industrial que estimule a fabricação de equipamentos no Brasil para reduzir custos. Hoje apenas a alemã Wobben, que detém 9% da Ventos do Sul, e argentina Impsa produzem turbinas eólicas no país.

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22/09/2009

China promete usar 15% da energia de fontes renováveis até 2020

da Folha Online

A China se comprometeu no uso de 15% das energias renováveis até o ano de 2020 e que, até o mesmo ano, vai reduzir “por uma margem notável” a quantidade de gases do efeito estufa emitidos para cada dólar do Produto Interno Bruto (PIB) em relação aos níveis de 2005, disse o presidente chinês, Hu Jintao.

Não houve uma posição dos EUA quanto a corte de CO2. Juntos, Estados Unidos e China respondem por 20% das emissões de gases poluentes na atmosfera terrestre.

Mike Segar/Reuters

Presidente chinês Hu Jintao fala no encontro sobre clima na sede da ONU, em Nova York, no qual prometeu uso de energias renováveis

Ainda assim, China e Índia foram alçadas como protagonistas do encontro, que ocorreu nesta terça-feira (22) na sede da ONU, em Nova York. O presidente chinês disse que o país asiático prosseguirá tomando ações “determinadas” em relação à mudança climática.

A meta dada por ele consiste em novos planos energéticos no país, que têm a intenção de propiciar “por uma margem notável” a “intensidade” da poluição de carbono. Além do uso de 15% de energias por meio de fontes renováveis, Hu também se comprometeu no aumento da cobertura florestal do país, e na adoção de “tecnologias amigas do ambiente”.

Mas nem China, tampouco a Índia afirmaram concordar com o tratado de redução de gases que devem sair do pacto de Copenhague, cuja execução deve ocorrer a partir de 2013. “A crise atual da mudança climática provém da incapacidade dos Estados Unidos em pôr sobre a mesa metas críveis de redução das emissões até 2020″, afirmou o ministro do Ambiente indiano, Jairam Ramesh.]

As discussões preliminares para a reunião ministerial dos dias 7 a 18 de dezembro têm enfrentado problemas. A principal discordância é sobre o nível das reduções de emissões para os países desenvolvidos e em desenvolvimento, e também sobre a contribuição financeira e tecnológica que os países ricos dariam aos pobres.

Já o primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, reafirmou a meta de corte de 25% das emissões de gases dos níveis de 1990 até 2020.

Com Associated Press e Reuters

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CARRO ELÉTRICO

28/09/09

Quarta-Feira, 23 de Setembro de 2009

França vai incentivar carro elétrico

Programa vai estimular a compra de veículos por estatais e empresas privadas, começando com 50 mil unidades

Andrei Netto, PARIS

Empresas públicas e privadas e órgãos de Estado da França vão adquirir nos próximos meses 50 mil veículos movidos a energia elétrica. O anúncio da oferta de compra foi feito ontem, em Grenoble, no sul do país, e seu objetivo é incentivar a adoção de tecnologias limpas pela indústria automobilística e pelos consumidores. Além da renovação da frota, um Fundo Estratégico de Investimentos (FSI), dotado de € 1,5 bilhão (cerca de R$ 4 bilhões), investirá na produção de baterias e no desenvolvimento da tecnologia.

O anúncio do programa foi feito pelo ministro da Indústria, Christian Estrosi, durante visita ao Comissariado de Energia Atômica (CEA), da França - o país é basicamente alimentado de eletricidade por usinas nucleares. “Vamos lançar neste outono (primavera no Brasil) vários editais com bases comuns para a compra de 50 mil veículos movidos a eletricidade”, anunciou. Estrosi afirmou ainda que negociações estão em curso entre o governo e companhias públicas e privadas para que o número seja elevado a 100 mil veículos nos próximos cinco anos.

Além dessa compra, o governo prepara-se para lançar, em parceria com um consórcio de empresas - entre as quais o grupo Renault-Nissan -, a construção de uma fábrica de baterias de lítio na cidade de Flins, próximo a Paris, que passará de 50 mil baterias por ano em 2011 para 250 mil em 2015.

“Em um projeto estimado em € 14 milhões, o Estado está pronto a consagrar € 7,4 milhões, dos quais € 5,5 milhões via CEA e € 2 milhões por meio de fundos de competitividade”, explicou Estrosi.

Um centro de pesquisa e desenvolvimento de veículos movidos a energias limpas também está previsto. O investimento total do projeto pode chegar a € 1,5 bilhão, dos quais € 800 milhões serão investidos até 2014. “É um projeto de grande envergadura”, reiterou o ministro.

CORREIOS

Entre as companhias engajadas em adquirir frotas de veículos “elétricos” estão empresas como La Poste - a versão francesa dos Correios -, que absorverá sozinha 10 mil automóveis, o equivalente a 25% de seus veículos, até 2013. Outros exemplos são a companhia ferroviária SNCF, a gigante de energia EDF e empresas privadas como Velia e Vinci.

Entre os objetivos do governo francês está quebrar o círculo formado por carros caros, vendas fracas e produção limitada, que bloqueia as vendas de automóveis movidos a energia elétrica na Europa. Além disso, reforça o impulso às duas maiores montadoras da França, Renault e Peugeot-Citroën, ambas envolvidas em investimentos de grande porte no desenvolvimento de automóveis menos emissores de CO2.

Entre os projetos apresentados pelas duas montadoras no Salão de Frankfurt, na Alemanha, estão quatro carros da Renault apresentados como “zero emissions” e um protótipo da Peugeot, o iOn, cujas vendas estão previstas para 2010.

Uma série de projetos da indústria automobilística internacional também pode receber incentivos do governo francês. Um dos programas analisados é a montagem de modelos do Smart, veículo para dois ocupantes, movidos a energia elétrica, cuja fábrica deve se situar em Hambach, na região de Lorena, no nordeste do país.

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ETANOL

21/09/09

“Petrobras deve entrar no etanol este ano”

18/09 - 12:33 - Agência Estado

A Petrobras Biocombustível deve se transformar em um importante produtor de etanol no Brasil ainda este ano, segundo informação do presidente da empresa, Miguel Rossetto, em entrevista à Agência Estado. Segundo o executivo, a Petrobras Biocombustível deverá anunciar sua entrada no setor em breve, por meio de participação em mais de uma usina.

Mas, segundo ele, a empresa não trabalha com um cenário em que tenha participação majoritária. “Mas queremos ter uma presença forte o suficiente para que a nossa responsabilidade de gestão esteja assegurada”, disse. A Brenco é uma das empresas com quem a Petrobras está conversando, mas Rossetto deixa claro que não é a única. Além disso, a empresa deve inaugurar no ano que vem uma usina para produzir etanol de celulose - ontem, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que a unidade entrará em funcionamento em setembro de 2010, com capacidade de produção de 4 milhões de litros de etanol.

Rosseto, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, afirmou também que as três usinas de biodiesel da Petrobras estão operando com capacidade operacional completa. Uma quarta usina a ser construída na Região Norte está em projeto de viabilidade. “Estamos apostando muito na produção de biodiesel feito de dendê, no Pará”, disse. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Existe a possibilidade de que a atenção dada pelo governo à descoberta das reservas do pré-sal acabe por afetar a expansão da Petrobras Biocombustível?
De forma alguma. As estratégias da Petrobras Biocombustível estão em um plano de negócios que foi aprovado e tem um orçamento de investimentos para o período de 2009 a 2013 de R$ 5 bilhões. Estamos trabalhando na execução desses investimentos com objetivo de produzir etanol e biodiesel, e a descoberta do pré-sal não vai retardar esse processo. Ao mesmo tempo em que o Brasil está melhorando suas reservas de petróleo e se posicionando de forma expressiva no mercado de combustíveis fósseis, também está avançando na agenda estratégica na produção de renováveis. Para isso, vamos investir mais de R$ 1 bilhão em pesquisas nos próximos cinco anos.

Em julho, a Petrobras Biocombustível completou um ano de existência. Qual é a principal realização da empresa nesse período?
É estar com suas três usinas de biodiesel operando em sua capacidade plena. Atualmente, as usinas de Quixadá (Ceará), Candeias (Bahia) e Montes Claros (Minas Gerais) estão trabalhando com carga total para produzir o volume vendido nos leilões de oferta. No leilão realizado em agosto, que vendeu biodiesel a ser entregue no quarto trimestre do ano, a Petrobras Biocombustível conseguiu vender sua capacidade máxima autorizada, de 11,28 milhões de litros para cada usina.

Um dos objetivos do programa de biodiesel brasileiro é incentivar a agricultura familiar por meio do cultivo de outras oleaginosas, como girassol, mamona, pinhão manso, entre outros. Como está a utilização dessas oleaginosas pelas usinas da Petrobras Biocombustível?
A grande maioria de nosso biodiesel é feito com soja. Utilizamos basicamente soja e um pouco de algodão. Estamos em uma fase de certificação tecnológica para as outras oleaginosas e investindo para que a oferta dessas oleaginosas cresça regionalmente tendo como base a agricultura familiar. Já testamos o sebo bovino e estamos testando agora o dendê. As usinas de biodiesel são bastante flexíveis e podem utilizar várias matérias-primas. A soja utilizada em nosso biodiesel vem da agricultura familiar. É natural que a soja seja a principal matéria-prima porque é a mais disponível e tem abastecimento garantido, além de tecnologia e logística totalmente implementadas.

A participação das oleaginosas alternativas na produção de biodiesel vem caindo e a da soja aumentando. Grandes defensores dessas oleaginosas alternativas, como a Brasil Ecodiesel e a Petrobras, confirmam que estão utilizando basicamente soja. Isto significa que a soja é o futuro para o biodiesel?
Não, de forma alguma. A estratégia para estabilizar biodiesel é a diversificação de matéria-prima. Mas por um longo período a soja ainda vai liderar como principal fonte de produto. Ainda há um longo caminho para o pleno desenvolvimento das outras, que ainda precisam ter uma certificação tecnológica.

Qual a oleaginosa que deve se destacar na produção de biodiesel depois da soja?
Em minha opinião, será o dendê. O dendê deve ocupar o lugar de segunda oleaginosa mais utilizada na produção de biodiesel em um curto espaço de tempo, em função das qualidades que dispõe. Ela vai ser mais utilizada até que o sebo bovino. No médio prazo, temos o pinhão manso que ainda está começando a ser pesquisado. E juntamente com o algodão, girassol e mamona serão as oleaginosas utilizadas até o início de outro estágio tecnológico, quando entrarão no mercado o biodiesel de algas, microalgas e outras matérias-primas.

Diferentemente da soja,que já possui garantia de oferta, a produção das demais oleaginosas, principalmente por estar ligada a estruturas familiares, ainda precisa ser melhor organizada e administrada, não? A Petrobras tem algum projeto nesse sentido?
Estamos trabalhando nisso. Estamos concluindo a primeira fase da implementação de uma política de compra com contratos de cinco anos de duração. Dessa forma, o produtor tem a garantia de ser fornecedor da Petrobras por esse prazo. Isso está sendo feito para todas as oleaginosas, principalmente soja, girassol, macaúba e algodão. Num prazo de três anos, a expectativa é de que a participação da matéria-prima regional e familiar aumente de forma expressiva. Além disso estamos levando o cooperativismo para o Nordeste.

Como assim?
A agricultura familiar tem grande presença nos Estados do sul, onde a cultura do cooperativismo é histórica, além da vocação da região para pequenos produtores. Estamos fazendo um grande esforço para levar essa cultura para as regiões semiáridas do País, onde não existe uma ideia de cooperativa arraigada.

E a entrada da Petrobras Biocombustível na produção de etanol, quando será?
Provavelmente ainda em 2009. Estamos estudando várias possibilidades, tanto novos projetos como usinas já existentes. O que está orientando a decisão final é, também aqui, a qualidade econômica, ambiental e social dos investimentos.

A negociação com a Brenco está mais adiantada que as demais?
Não, a Brenco é apenas uma das empresas com quem estávamos conversando. E nada impede que a Petrobras Biocombustível anuncie sua entrada na produção de etanol com mais de uma usina. Não procuramos uma dispersão exagerada nem uma concentração perigosa.

Vocês pretendem adquirir uma usina?
Não. Queremos ter uma participação minoritária. Não trabalhamos com cenário de capital estatal majoritário nessas empresas. Mas queremos ter uma presença societária forte que assegure nossa participação efetiva na responsabilidade de gestão. E queremos estar presentes em companhias importantes, que tenham representatividade dentro do setor.

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Plano de zoneamento da cana quer “esverdear” o etanol

Mauro Zanatta e Paulo de Tarso Lyra, de Brasília
17/09/2009

A Lei de Zoneamento Agroecológico da Cana, a ser anunciada hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é uma resposta aos críticos internacionais da produção de etanol no Brasil e um “trunfo” que será usado pelo país na cúpula sobre mudanças climáticas em Copenhague, na Dinamarca. eixo central do projeto responde aos principais questionamentos feitos por ambientalistas e organizações estrangeiras, como Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

Acusado de colocar em risco a produção de alimentos e de patrocinar a devastação da floresta ao incentivar o plantio da matéria-prima do etanol, o Brasil usará o “ZAE Cana” para rebater críticas e “esverdear” o etanol. “O argumento da situação externa foi decisivo”, admitiu o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, ao Valor. “Lá fora tem essa discussão sobre alimentos e devastação. Consegui o apoio da Unica (usineiros) e agora vamos poder dizer que nosso etanol é 100% verde. Se não fosse, usariam barreiras para impedir a exportação do etanol.”

Meio a contragosto, Minc admite ter “ganho a parada” do colega Reinhold Stephanes (Agricultura). Nos bastidores do governo, ambos disputavam a proibição ou não do plantio de cana na bacia do Alto Paraguai. “A discussão central era em que medida poderíamos ceder a pressões de grupos e dos governadores. Não podíamos entrar na bacia do Pantanal e precisávamos garantir zero de vinhoto (resíduos da cana).” Blairo Maggi (PR-MT) e André Puccinelli (PMDB-MS) eram contra a exclusão da cana em áreas contíguas ao Pantanal.

O governo decidiu, porém, proibir o cultivo de cana na Amazônia e também no Pantanal. Nesses locais serão mantidas apenas as atividades hoje existentes, como plantações e usinas já instaladas. O governo de Mato Grosso do Sul aprovou zoneamento nas bordas do Pantanal em que permite atividades agropecuárias. “Se fosse permitido plantar no Pantanal, não seria em favor deles (Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul). Seria algo contra o etanol do Brasil”, afirmou Minc. Sobre a reação de Maggi, opositor da exclusão do Pantanal, Minc desconversou: “Tô de bem com ele. Mato Grosso não será prejudicado porque vai ter a maior área para expandir. Só não pode entrar em mata nativa”, ressalvou.

A resposta internacional do governo Lula será proibir a realização de queimadas em áreas de produção mecanizadas. Nas áreas em que o cultivo não for mecanizado - como na Zona Mata de Pernambuco, repleta de morros e declives -, haverá um período de transição para o fim das queimadas. Ambientalistas criticam a produção de cana brasileira, alegando que as queimadas aumentam a emissão de CO2 na atmosfera.

A terceira resposta aos críticos, já ensaiada em iniciativa anterior do governo, foi o estabelecimento de uma nova relação trabalhista entre usineiros e cortadores de cana. Um termo de compromisso já assinado prevê, entre outras coisas, a contratação direta dos trabalhadores por meio de registro em carteira de trabalho, eliminando os “gatos” (intermediários).

Os governos estaduais e municipais, em parceria com a Agricultura, terão de impor limites para evitar a expansão da cana sobre a produção de alimentos. Este debate acirrou-se em 2008, quando a alta internacional dos alimentos colocou a produção de etanol em xeque. O Zoneamento da Cana será encaminhado ao Congresso por meio de projeto de lei, o que deve facilitar a negociação com Estados e a bancada ruralista.

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Biocombustível deve registrar crescimento vertiginoso

O Estado de S. Paulo

14/09/09 - A demanda por biocombustíveis pode não crescer o suficiente a ponto de prejudicar o mercado de petróleo, mas ainda assim terá um aumento vertiginoso nos próximos anos. Hoje, eles representam cerca de 3% dos quase 3 trilhões de litros de gasolina e diesel consumidos no mundo. Em 15 anos, essa fatia será de no mínimo 12%, podendo chegar a 20%, segundo Weber Amaral, que coordena pesquisas sobre biocombustíveis na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, interior de São Paulo.

A fabricação de motores flex nos Estados Unidos (a maioria a gasolina) e na Europa (onde predomina o diesel), para atender às exigências de redução de poluentes, deve puxar essa demanda. Do lado da oferta, o etanol brasileiro, mais barato e que consome menos energia para ser produzido, terá um papel central.

A área de cana-de-açúcar plantada no Brasil, hoje de 8 milhões de hectares, deve aumentar para 14 milhões em 2019 e para 21 milhões em 2024 , calcula Amaral. Ele afirma que esse aumento não comprometerá a segurança alimentar. “Não é uma área grande”, diz o pesquisador. “A soja ocupa entre 21 e 22 milhões de hectares.” Tratores movidos a álcool ajudarão a melhorar o balanço energético da produção do etanol brasileiro - que consome uma unidade de energia para cada oito que produz, enquanto nos EUA a proporção é de um para dois.

Amaral acredita que a ênfase agora dada no pré-sal não prejudicará os investimentos em etanol. “O novo investidor, que virá de fora, é educado financeiramente”, descreve ele. “Não procura ganho rápido e não coloca todas as fichas no petróleo. Trabalha com o marco regulatório ambiental.” Segundo o especialista, esses investidores incluem companhias petrolíferas, como a BP e a Shell, e empresas de biotecnologia. “O petróleo do pré-sal é importante estrategicamente, mas não terá nenhum impacto na expansão do etanol brasileiro.”

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