ENERGIAS RENOVÁVEIS
Ventos do Sul aposta no crescimento da geração eólica no país
Sérgio Bueno, de Porto Alegre
23/09/2009
Tamires Kopp / Valor

Magadan, presidente: “Leilão vem com no mínimo quatro anos de atraso. Não podemos mais trancar a energia eólica no Brasil”
Primeira empresa a implantar um parque de geração eólica dentro do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa), ainda em 2006, a gaúcha Ventos do Sul espera que o leilão marcado para o dia 25 de novembro pelo governo federal finalmente destrave o desenvolvimento do setor no país. “Esse leilão vem com no mínimo quatro anos de atraso e não podemos mais trancar a energia eólica no Brasil”, afirma o presidente da empresa controlada pela espanhola Enerfin, do grupo Elecnor, Telmo Magadan.
Localizado em Osório, no litoral norte do Rio Grande do Sul, o parque da Ventos do Sul é o maior do país, com 150 megawatts (MW) de potência e 75 aerogeradores distribuídos em três módulos conectados a uma única subestação. Agora outros dois projetos foram inscritos no Ministério das Minas e Energia (MME) para o leilão. Um deles acrescenta 150 MW à atual unidade e outro prevê a instalação de 242 MW em Palmares do Sul, no litoral sul do Estado, onde a empresa já tem um projeto de 7,6 MW habilitado pelo Proinfa.
Segundo Magadan, a implantação dos 392 MW planejados exigirá investimentos estimados em R$ 2 bilhões. Na construção do parque já em funcionamento em Osório a companhia aportou R$ 670 milhões, sendo R$ 465 milhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com parte repassada diretamente e parte por intermédio de um grupo de instituições bancárias, como Santander, Banrisul, Caixa RS Agência de Fomento e BRDE.
Embora o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, já tenha sinalizado que considera “cara” a energia eólica produzida no Brasil, o executivo considera que os pouco mais de R$ 270 por megawatt hora (MWh) pagos pelo Proinfa proporcionam uma margem “razoável” de retorno aos investimentos. “Precisamos de uma tarifa realista que incentive os investidores nacionais e internacionais para viabilizar essa fonte de geração limpa no Brasil”, afirma o executivo. Os empreendimentos vencedores no leilão de novembro vão vender energia por 20 anos para entrega a partir de julho de 2012.
O pregão de novembro será o primeiro exclusivo para energia eólica no país, com 441 projetos e potência total de 13,3 mil MW inscritos no Ministério de Minas e Energia. O Rio Grande do Sul foi o terceiro Estado em número de empreendimentos (86, atrás do Rio Grande do Norte e do Ceará) e o segundo em potência prevista, com 2,9 mil MW, atrás apenas do Rio Grande do Norte. Mesmo assim, o governo federal ainda não divulgou quantos megawatts pretende contratar no leilão e as interrogações sobre o futuro do setor ainda são muitas, afirma Magadan.
“Precisamos de pelo menos 2 mil MW ou 3 mil MW contratados no leilão para deslanchar o segmento”, entende o executivo. Segundo ele, o governo deve apontar com “clareza” as perspectivas para essa fonte de geração nos próximos anos. Anunciado no início de 2009 pela Empresa de Planejamento Energético (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, o Plano Decenal de Energia ainda prevê que as fontes eólicas chegarão a 1.423 MW em 2017, a mesma potência contratada pelo Proinfa para implantação até o fim de 2010. Hoje elas somam cerca de 547,7 MW, conforme números da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Ao mesmo tempo, o plano decenal prevê que até 2017 a potência total no país chegará a 154,6 mil MW, com expansão proporcionalmente mais acentuada na geração térmica a óleo combustível (549%), biomassa (324%) e carvão mineral (124%), a contar de 2008. A hidroeletricidade seguirá dominante, com 109,8 mil MW, mas com alta de apenas 35,6% no período.
Apesar da projeção de crescimento bem mais forte em fontes ambientalmente controversas, Magadan entende que a “fase de convencimento” sobre a importância da energia eólica como geração complementar, que não emite CO2 e ajuda a poupar os reservatórios em períodos de estiagem, está bem encaminhada no Brasil. O problema ainda é tirar os projetos do papel. O Proinfa, por exemplo, previa a implantação dos 1.423 MW até o fim de 2006, mas foi postergado por mais quatro anos. “Agora é preciso um esforço para que não haja novas prorrogações”, comenta o executivo.
O governo já anunciou que os parques eólicos outorgados no leilão de novembro serão enquadrados no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), que isenta de recolhimento de PIS e Cofins as aquisições de bens e serviços para a implantação dos projetos. A importação de aerogeradores também será facilitada, mas Magadan defende o estabelecimento de uma política industrial que estimule a fabricação de equipamentos no Brasil para reduzir custos. Hoje apenas a alemã Wobben, que detém 9% da Ventos do Sul, e argentina Impsa produzem turbinas eólicas no país.
22/09/2009
China promete usar 15% da energia de fontes renováveis até 2020
da Folha Online
A China se comprometeu no uso de 15% das energias renováveis até o ano de 2020 e que, até o mesmo ano, vai reduzir “por uma margem notável” a quantidade de gases do efeito estufa emitidos para cada dólar do Produto Interno Bruto (PIB) em relação aos níveis de 2005, disse o presidente chinês, Hu Jintao.
Não houve uma posição dos EUA quanto a corte de CO2. Juntos, Estados Unidos e China respondem por 20% das emissões de gases poluentes na atmosfera terrestre.
Mike Segar/Reuters

Presidente chinês Hu Jintao fala no encontro sobre clima na sede da ONU, em Nova York, no qual prometeu uso de energias renováveis
Ainda assim, China e Índia foram alçadas como protagonistas do encontro, que ocorreu nesta terça-feira (22) na sede da ONU, em Nova York. O presidente chinês disse que o país asiático prosseguirá tomando ações “determinadas” em relação à mudança climática.
A meta dada por ele consiste em novos planos energéticos no país, que têm a intenção de propiciar “por uma margem notável” a “intensidade” da poluição de carbono. Além do uso de 15% de energias por meio de fontes renováveis, Hu também se comprometeu no aumento da cobertura florestal do país, e na adoção de “tecnologias amigas do ambiente”.
Mas nem China, tampouco a Índia afirmaram concordar com o tratado de redução de gases que devem sair do pacto de Copenhague, cuja execução deve ocorrer a partir de 2013. “A crise atual da mudança climática provém da incapacidade dos Estados Unidos em pôr sobre a mesa metas críveis de redução das emissões até 2020″, afirmou o ministro do Ambiente indiano, Jairam Ramesh.]
As discussões preliminares para a reunião ministerial dos dias 7 a 18 de dezembro têm enfrentado problemas. A principal discordância é sobre o nível das reduções de emissões para os países desenvolvidos e em desenvolvimento, e também sobre a contribuição financeira e tecnológica que os países ricos dariam aos pobres.
Já o primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, reafirmou a meta de corte de 25% das emissões de gases dos níveis de 1990 até 2020.
Com Associated Press e Reuters
