ENERGIA LIMPA
21/09/09segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Energia limpa pode criar mais empregos que carvão, diz estudo
Mudança do carvão para a geração elétrica renovável poderia criar até 2030 2,7 milhões de empregos
Reuters
OSLO – Uma forte guinada em direção às energias renováveis poderia criar até 2030, em todo o mundo, 2,7 milhões de empregos a mais na geração de energia do que permanecer na dependência dos combustíveis fósseis, sugeriu um relatório divulgado nesta segunda-feira, 14.
O estudo, do grupo ambiental Greenpeace e do Conselho Europeu de Energia Renovável (Erec, na sigla em inglês), pediu que os governos cheguem a um acordo em dezembro, em Copenhague, sobre um novo pacto da Organização das Nações Unidas (ONU) forte para combater a mudança climática, em parte para proteger o emprego.
“Uma mudança do carvão para a geração elétrica renovável não apenas evitará a emissão de 10 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, mas criará 2,7 milhões de empregos a mais até 2030 do que se continuarmos com os negócios de hábito”, afirmou o relatório.
Os governos com frequência erraram ao temer que a mudança para a energia verde significasse uma ameaça aos empregos, afirmou Sven Teske, principal autor do relatório para o Greenpeace. Ele afirmou que a indústria de turbinas eólicas já é o segundo maior consumidor de aço na Alemanha, depois da indústria automobilística.
“As indústrias da energia renovável podem criar muitos empregos”, disse ele à Reuters sobre as perspectivas para as energias solar, eólica, das marés, biomassa — como madeira e resíduos agrícolas — e outras renováveis na geração de energia.
“Esta pesquisa prova que a energia renovável é chave para lidar com as crises econômica e climática”, disse Christine Lins, secretária- geral da Erec, que representa as indústrias de energia limpa.
Presumindo políticas fortes para a mudança para as energias renováveis, o estudo projetou que o número de empregos na geração de energia aumentaria em mais de 2 milhões para 11,3 milhões em 2030, auxiliado por um incremento nos empregos ligados à energia renovável de 1,9 milhão para 6,9 milhões.
EUA testam estrada pavimentada com painéis solares
RICARDO MIOTO
colaboração para a Folha de S.Paulo
Uma proposta ousada para geração de energia acaba de receber verba para entrar em fase de testes. Se a ideia do engenheiro elétrico Scott Brusaw der certo, rodovias do futuro poderão ser pavimentadas não com asfalto, mas com painéis solares para gerar eletricidade.
Não é algo tão inusitado quanto parece, diz Brusaw, que criou a empresa Solar Roadways para tocar a empreitada. Dependendo da escala, essa seria uma solução viável para substituir usinas a carvão e gás e ajudar a frear o efeito estufa.
O engenheiro recebeu agora US$ 100 mil do Departamento de Transporte dos EUA para fazer um protótipo. É pouco, levando em conta que o metro quadrado de asfalto já custa cerca de R$ 30 (o preço pode variar bastante). O “metro quadrado” de painel solar, no Brasil, custa mais de R$ 2.000.
Um quilômetro de uma hipotética rodovia solar de pista dupla, porém, produziria energia suficiente para suprir uma cidade de 5.000 habitantes –3 milhões de kWh por ano (um metro quadrado de painel solar produz cerca de 0,7 kWh por dia). O problema é que esse quilômetro sai por R$ 30 milhões.
Brusaw, por isso, deve começar numa escala modesta. “Esperamos começar a instalar os painéis em estacionamentos em dois anos”, disse o engenheiro à Folha. “Queremos aprender primeiro com veículos leves se movendo devagar. Se der certo, vamos “pavimentar” estradas com painéis solares em cerca de cinco anos.”
Pode parecer uma meta ousada, mas especialistas ouvidos pela Folha acreditam que o custo pode cair. “Para aplicações generalizadas, a energia solar não é a mais barata. Mas ela é limpa. Uma análise fria de custo não considera impacto ambiental”, diz Celio Vaz, diretor da Orbital Engenharia.
A longo prazo, a tendência é que a ideia se torne mais barata. “O custo dos painéis vem caindo bastante nos últimos tempos. Se o mercado crescer, o preço dos painéis diminuirá mais”, diz Elizabeth Pereira, física da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
Os painéis solares que a Solar Roadways quer fazer têm lâmpadas que podem ser programadas para fazer toda a sinalização da via: a faixa central em amarelo dividindo quem vem de quem vai, as mensagens de “pare”. Mais do que isso: as mensagens poderiam ser em tempo real. Ou seja, poderiam oferecer informações como “Rebouças congestionada”.
Em lugares onde neva, a pista poderia esquentar para derreter parte do gelo. Os painéis, se fossem incorporados também às ruas da cidade, poderiam acabar com a fiação.
Se um dia o asfalto for abandonado, não deixará saudade: é caro, não oferece nada em troca da área que impermeabiliza e requer petróleo. Além disso, tem vida útil que varia entre 5 e 10 anos. Os painéis duram 25.
Leia na fonte
Domingo, 13 de Setembro de 2009
O futuro da energia eólica
Está marcado para 25/11 o leilão de energia eólica, com 441 projetos – dos quais 332 no Nordeste -, com capacidade de geração de 13.341 MW. O leilão é considerado, por especialistas e investidores, relevante para o futuro de um setor com peso ainda ínfimo (0,5%) na capacidade outorgada total, de 107,5 mil MW.
Agências de crédito como o BNDES, o BNB e a Sudene financiam investimentos em usinas eólicas. Tramita na Câmara dos Deputados projeto que cria um fundo de estímulo à energia renovável, beneficiando as pequenas centrais hidrelétricas, usinas de biomassa e de energia eólica.
Segundo os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), estavam em operação no País, até a semana passada, 35 usinas eólicas, com capacidade instalada de 550 MW. A mais recente é a unidade da Siif Énergies na Praia Formosa, em Camocim, no Ceará, cujos sócios são o Citigroup, o Liberty Mutual e o Black River. A companhia tem cinco usinas eólicas, com capacidade de 342 MW, e pretende adicionar 400 MW à capacidade atual.
O presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Lauro Fiúza, acredita que o leilão de novembro será um indicador-chave do interesse por essa modalidade energética, que se desenvolveu bastante em países como a Espanha e os EUA. Para ser considerado bem-sucedido, o leilão deverá assegurar a contratação, pelas distribuidoras, de 2 mil a 3 mil MW de energia, avalia Fiúza.
Se a demanda for satisfatória, os geradores terão de investir entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões nos próximos anos. Para gerar 342 MW, a Siif Énergies investiu R$ 1,7 bilhão, dos quais 30% veio dos sócios e 70% foi financiado pelo BNB e a Sudene.
O investimento em energias alternativas destina-se a criar energia de reserva, ou seja, para ser usada em caso de escassez. Entre as vantagens estão a formação de mão de obra especializada e a demanda de novos componentes, como aerogeradores (ou turbinas de geração eólica), produzidos no País. Outras justificativas para os estímulos à energia eólica são as vantagens ambientais e a diversificação das fontes de energia.
Embora o custo de geração de energia eólica seja considerado elevado pelos especialistas, a Eletrobrás argumenta que ele é semelhante ao de outras fontes, como diesel e gás natural. Uma subsidiária da Eletrobrás, a Eletrosul, quer participar do leilão.
No certame, a questão-chave estará nos preços da energia eólica, que terão de ser atrativos tanto para os geradores como para os consumidores.

