Arquivo de outubro, 2009

BIOCOMBUSTÍVEIS

26/10/09

23/10/2009

Governo antecipa mistura obrigatória de 5% de biodiesel ao diesel

SOFIA FERNANDES
colaboração para a Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia hoje a obrigatoriedade de adição de 5% de biodiesel ao diesel derivado de petróleo. A medida entraria em vigor só em 2013, mas o governo decidiu antecipar para 2010. Passa a vigorar a partir de 1º de janeiro.

O governo decidiu antecipar a medida porque, segundo o Ministério de Minas e Energia, o Brasil tem capacidade para atender à medida desde já.

No Brasil há 43 usinas de biodiesel, com capacidade instalada para produzir 3,6 bilhões de litros. Com a medida anunciada hoje pelo presidente Lula, serão demandados 2,4 bilhões de litros por ano do combustível.

A produção de biodiesel no Brasil em 2009 vai fechar em 1,8 bilhões, segundo o ministério. Para 2010, a previsão é que o país produza de 2,4 bilhões a 2,6 bilhões de litros.

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23/10/2009

Biocombustível será bom para o clima, indica simulação

RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo

O medo de que uma economia mundial baseada em biocombustíveis seja um tiro pela culatra no combate ao aquecimento global não tem muito fundamento, indica um novo estudo. Simulando um futuro em que os combustíveis fósseis seriam substituídos, pesquisadores concluíram que o cenário mais provável é um em que álcool e biodiesel possam mesmo ajudar a evitar emissões de gases do efeito estufa.

O novo trabalho, publicado pela revista “Science”, indica que a atual política para uso da terra com biocombustíveis está no caminho certo, mas alerta que uma mudança poderia provocar, sim, efeitos indesejáveis.

Luiz Carlos Murauskas -17.set.09/Folha Imagem

Medo de que uma economia mundial baseada em biocombustíveis seja fracassada no combate ao aquecimento não tem fundamento

Liderado por Jerry Melillo, do Laboratório de Biologia Marinha de Woods Hole (EUA), o trabalho mostra, primeiro, um cenário pessimista. Efeitos “indiretos” da ampliação de produção de biocombustíveis seriam capazes de emitir até duas vezes mais CO2 que o uso direto de terras para plantar vegetais necessários ao produto.

Isso ocorrerá se pastagens desalojadas para a produção de cana, por exemplo, restabelecerem-se em áreas de floresta, provocando desmatamento. O uso irrefreado de fertilizantes nitrogenados também seria nocivo por produzir óxido nitroso, um gás de efeito estufa.

A relação entre agricultura e ambiente observada nos últimos dez anos, porém, aponta para um caminho diferente. Segundo os pesquisadores, a tendência é que as políticas antidesmatamento atuais, mesmo longe de ser perfeitas, consigam dar conta de frear esse problema. Biocombustíveis, nesse caso, têm vantagem inquestionável sobre petróleo, pois plantas absorvem CO2.

“Se as coisas continuarem como são hoje, vão gerar o que está no segundo caso, mais otimista”, diz Angelo Gurgel, economista da USP que participou do estudo. “Mas, se a pressão por bioenergia e alimentos for grande a ponto de os governos flexibilizarem a proteção ambiental, o cenário muda.”

O modelo matemático da simulação de Gurgel e colegas é possivelmente o mais completo já usado para ver o impacto dos biocombustíveis na mudança do uso de terra. Seu resultado otimista, com alguma surpresa, contrariou projeções sombrias obtidas por outros.

Esse tipo de simulação vinha sendo criticado por cientistas como José Goldemberg, também da USP, pioneiro do planejamento econômico para o álcool. “Um modelo geral para o mundo não se aplica em situações particulares, como a do Brasil”, diz o cientista. Um dos problemas, explica, é que o álcool de cana brasileiro produz muito mais energia por área cultivada do que o álcool de milho americano, por exemplo.

O trabalho de Gurgel, porém, evita isso ao se esquivar do debate sobre quais vegetais são melhores. “No longo prazo, o mercado vai selecionar naturalmente aqueles que tiverem potencial”, afirma.

O medo de que a valorização de terras viáveis para essas plantas as façam “empurrar” o gado para cima da floresta, diz, também não parece ter muita sustentação. Segundo Gurgel, porém, será preciso reforçar no futuro os mecanismos que, por enquanto, impedem isso.

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ENERGIAS RENOVÁVEIS

26/10/09

Empresas têm incentivo para investir em energia renovável

De Paris
23/10/2009

As empresas francesas contam com financiamento estatal para investir em energias renováveis tanto no Brasil como no exterior. Na França, a EDF, que é controlada pelo governo, compra energia renovável, seja resultante de projetos eólicos, geotérmicos ou biomassa, que recebem isenção fiscal através do imposto de renda.

A compra é garantida inclusive no caso da pequena geração de residências que tenham investido para consumir energia alternativa. Já existem casas com todo o suprimento de energia por painéis solares, cujo excedente é vendido pela EDF, que recebe financiamento do governo para complementar parte da compra, já que a energia de fontes renováveis é mais cara.

Assim como todos os países da União Europeia, a França se comprometeu a reduzir em 20% a emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa, consumir 20% de energias renováveis e reduzir em 20% seu consumo de energia até 2020, na comparação com os níveis da década de 90. Para alcançar essas metas o governo começou em 2007 as negociações do programa Grennelle ambiental, em referência aos acordos sociais firmados em maio de 1968, que é considerado o “New Deal” francês, com orçamento de € 460 bilhões.

“A ideia é que se tenha, nos próximos 15 ou 20 anos tecnologias que todos possam usar em suas casas e com preço de energia equivalente ao que se tem hoje”, explica Cécile Martin Phipps, responsável pelos projetos e parcerias com instituições de crédito multilaterais da Agência de Desenvolvimento da Matriz Energética francesa (Ademe).

Para ajudar empresas a implementar programas “verdes” a Ademe conta com um orçamento de € 557 milhões este ano. O volume mais que dobrou em relação aos € 249 milhões investidos em 2008. Ligada a dois ministérios, a agência financia pesquisas para o desenvolvimento de tecnologias “verdes” ainda não disponíveis – exceto os setores nuclear e de águas – incluindo biocombustíveis a partir da lignocelulose.

Na França a meta é aumentar a participação dos biocombustíveis na matriz energética, hoje de 5,7%, para 10% em 2010 e 20% em 2020. Apesar de elogiarem a eficiência do álcool brasileiro, cujo ciclo de vida tem efeito 90% menor sobre o ambiente do que o petróleo – ante os 20% do combustível produzido à base de beterraba, milho e trigo – a Ademe avalia que o álcool não é ideal para as metas francesas. “Se a França importar álcool, vai consumir o combustível dos navios e isso poluiria o ambiente”, explica Philippe Masset, chefe do departamento de programas e projetos especiais da Ademe. Assim, o foco é reaproveitar material orgânico e lixo industrial produzido no próprio país numa segunda geração de biocombustíveis.

No Brasil a agência tem acordos com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), ligado ao governo do Rio, para medir a qualidade do ar e elaborar um plano climático territorial, a exemplo do que foi feito na cidade de Bordeaux com o objetivo de reduzir as emissões. “Como vai sediar a próxima Copa do Mundo e a Olimpíada de 2016, o Rio quer ter sua imagem ligada à energia limpa”, diz Cécile.

A Ademe também tem acordos com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e com a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) de Porto Alegre, que entra em vigor em 2010. Cada projeto deve custar cerca de US$ 1 milhão por cidade segundo Cécile. Apesar do “boom” verde, a França também está construindo em seu território um dos dois reatores nucleares pressurizados europeus, em Flamanville (o outro está sendo feito na Finlândia). A usina terá capacidade de gerar 1.600 MW usando uma nova tecnologia que, em vez de gerar calor através da fissão nuclear (como os reatores atuais) vai gerar energia por meio de fusão nuclear. (CS)

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Grupo pede política para biomassa

De São Paulo
22/10/2009

Muitos projetos de geração de energia a partir de biomassa tiveram que ser adiados em função da crise, mas começa a surgir um movimento cobrando a criação de uma política de governo que incentive leilões de energia específico para esse tipo de projeto. Uma das propostas é do Grupo de Estudos do Setor Elétrico do Instituto de Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Quem encampa a ideia é o professor Nivalde de Castro, que tem sido cotado para assumir uma das vagas que serão abertas na diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e segundo os agentes do setor tem uma visão muito ligada ao diretor-geral da agência.

Um estudo feito pelo grupo do professor Castro mostra a forte complementaridade existente entre o período das chuvas no Brasil e as épocas de colheita do bagaço de cana. Assim, no período de baixa geração de energia hidráulica, ela poderia ser substituída pela geração de energia da biomassa. No ano passado, o governo realizou um leilão especifico para a venda de energia a partir da biomassa, mas a ideia é fazer com que esse seja uma política para alterar a matriz energética brasileira.

“Com as usinas hidrelétricas novas que estão sendo construídas, sem reservatório, essa complementariedade é essencial”, defende o professor. Ele lembra que esse complemento é feito por usinas termelétricas que quando precisam gerar energia efetivamente encarecem o custo e afeta os consumidores. Além disso, uma série de usinas térmicas vendidas no ano passado podem ter dificuldade de entrar em operação.

Os projetos de biomassa perderam a popularidade com a crise, que atingiu os usineiros, mas também foram afetados pela sobreoferta de energia com a redução do consumo. A dificuldade dos usineiros acabou levando muitos empreendedores a mudarem suas estratégias e partir para a geração de energia eólica, que é mais cara e a maior parte dos equipamentos são importados. O estudo propõe que novos leilões de energia de reserva sejam realizados até que seja realizado uma alteração na forma de cálculo de garantias físicas e assim dar competitividade aos projetos de biomassa frente as termelétricas que hoje são frequentes nos leilões anuais de energia. (JG)

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RECURSOS HÍDRICOS

26/10/09

Quinta-Feira, 22 de Outubro de 2009

O preço da água

A água dos mananciais que abastecem a região metropolitana de São Paulo agora tem valor definido. As 2,5 mil empresas que utilizam recursos hídricos de rios e represas da Grande São Paulo pagarão R$ 0,01 por metro cúbico de água captada e R$ 0,10 por quilo de demanda bioquímica de oxigênio (efluentes devolvidos aos corpos d”água). Conforme definição do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, a cobrança entrará em vigor em 1º de janeiro de 2011 e atingirá companhias de abastecimento público de água e esgoto, indústrias ou usuários urbanos privados, como shoppings, hotéis e condomínios. Os recursos deverão ser empregados em projetos de preservação de mananciais e em obras de saneamento.

A região metropolitana de São Paulo terá um instrumento melhor para a gestão dos recursos hídricos, conscientização da população e geração de fundos para recuperar e preservar rios e bacias.

A cobrança deve estimular a economia da água e, nos setores industriais e de serviços, é esperado maior reúso da água nos processos produtivos. Dados do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra), vinculado à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), mostram que, apesar das vantagens competitivas dessa prática, apenas 20% a 30% das companhias instaladas no Brasil a adotam.

A disponibilidade hídrica na Grande São Paulo é de pouco mais de 200 m³ por habitante por ano, um volume que representa menos de 10% do índice de referência adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Estudo realizado pela Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (Fusp) conclui que a região está na “iminência de colapso de abastecimento”.

Não se trata de alarmismo. A crescente carência do recurso é provocada pela contaminação dos mananciais, pelo desperdício, pela ocupação das áreas de proteção e pelas perdas na distribuição da água, entre outros fatores. Entre 2002 e 2007, a capacidade de abastecimento na região metropolitana foi reduzida em 5,1 litros por segundo, quantidade que seria suficiente para abastecer 2,5 milhões de habitantes. Hoje, metade da água consumida pelos 18,5 milhões de habitantes da Grande São Paulo vem de bacias muito distantes, o que impõe custos cada vez mais altos. Tudo isso se deve à adoção tardia de mecanismos de controle e gestão da água.

No ano passado, cada morador da região metropolitana de São Paulo consumiu, em média, 62.780 litros de água tratada. Dados da Secretaria Estadual de Energia e Saneamento apontam que a demanda tem aumentado 500 litros por segundo ao ano.

Ao dar ao recurso hídrico um valor monetário, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê fez o que já foi feito em outros países, como Alemanha, França e Inglaterra, onde empresas responsáveis pelo abastecimento e saneamento adotam esse procedimento com grande eficiência.

Na região metropolitana de São Paulo, a Sabesp é responsável por 70% da captação da água. Dos 70 mil litros por segundo de água produzida pela Sabesp, 80% viram esgoto e, apesar dos investimentos da estatal na construção de sistemas de tratamento de esgoto, mais de 40 mil litros de água não tratada ainda são lançados nos rios e córregos a cada segundo. Na rede de distribuição, as perdas beiram os 30% da água produzida.

Diante da definição dos critérios de cobrança e das discussões sobre o possível aumento de até 3% nas contas de água, a Sabesp se limitou a informar que seguirá o cronograma de pagamento e a definição da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp).

Antes de repassar a conta ao consumidor, a estatal precisa considerar que já vem há muito tempo cobrando pelos serviços de coleta e tratamento de esgoto sem prestá-lo integralmente a todos os consumidores. A conta só será reduzida quando a Sabesp, de fato, distribuir toda a água que capta, sem que o recurso seja desperdiçado em redes velhas e as empresas que usam a água e despejam esgoto nos mananciais deixem de prejudicar o consumidor e degradar o meio ambiente.

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ENERGIA EÓLICA

26/10/09

Pré-sal do Nordeste está na força dos ventos

Felipe Porciúncula, para o Valor, de São Paulo
20/10/2009

Dida Sampaio / AE

Atlas Eólico Nacional, do Centro de Pesquisas de Energia da Eletrobrás, revela potencial de 143 GW, bem mais que a produção energética nacional, de 107 GW; maioria dos projetos está no Nordeste

Os ventos alísios, que trouxeram os portugueses com as caravelas, sopram, desde 2007, na direção da autossuficiência energética para alguns Estados brasileiros como Rio Grande do Norte e Ceará. É a força da energia eólica, que além de ser renovável, tem a vantagem de ser complementar à hidroelétrica. O pico de produção dessa fonte ocorre justamente no segundo semestre, quando as chuvas diminuem no país, o que significa menor capacidade das represas. “O nosso pré-sal está nos ventos”, comemora Jean Paul Prates, secretário de energia e relações internacionais do Rio Grande do Norte.

Em 2001, o Atlas Eólico Nacional, produzido pelo Centro de Pesquisas de Energia (Cepel) da Eletrobrás, revelou que o potencial do país é imenso. São 143 GW, bem mais que a produção energética nacional, de 107 GW. Desse total, 75 GW estão concentrados no Nordeste. “Finalmente os planejadores do sistema elétrico nacional começaram a perceber a energia eólica como parte da matriz energética brasileira. Esse é um potencial que precisa ser trabalhado agora e não no futuro”, analisa Lauro Diniz, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica(ABEEólica).

Uma segunda versão desse Atlas está sendo feita, com a diferença que as medições estão captando ventos de 100 metros, ao invés de 50 metros, O trabalho só deve ser concluído em 2011. Segundo projeções, o potencial pode subir para 300 GW, superando o que pode ser alcançado com as hidrelétricas. “É importante destacar que o fator de capacidade da energia eólica é de 30% (ou seja, durante um terço do ano há produção de energia, e no restante, a produção não é significativa) enquanto a da energia hidroelétrica é o dobro disso”, explica Hamilton Moss, diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério das Minas e Energia.

Nesse mercado, destaca-se o Ceará, que já é o Estado que mais produz esse tipo de energia, com 237,23 MW. “No próximo ano já seremos autossuficientes em energia e até 2013 teremos um excedente de energia da ordem de 1,7 GW. Todos os investidores interessados em vir para cá sempre perguntam sobre a nossa segurança energética”, explica Rodrigo Rolim, coordenador de energia e comunicações do Ceará.

Não é à toa que a SIIF do Brasil, a maior empresa de energia eólica no país está no Ceará. Até o próximo ano, a empresa terá em operação 207 MW, com quatro parques eólicos e investimento de R$ 1 bilhão, além do parque de Quintanilha Machado I, em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, no valor de R$ 700 milhões. “Esse parque tem um grande diferencial, pois poderá ser o fornecedor de energia limpa para a Olimpíada do Rio, em 2016. A sua construção só depende da liberação do Ministério da Aeronáutica, que por conta do Aeroporto Internacional de Cabo Frio, exigiu que fossem feitas adaptações nos aerogeradores do parque”, explica Marcelo Picchi, diretor da SIIF Énergies.

Um primeiro impulso para a criação da indústria eólica no país foi dado pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), do Ministério das Minas e Energia, criado em 2004, mas que efetivou suas primeiras contratações de energia, em volume considerável, a partir de 2007. “Para se ter uma ideia da sua importância, antes desse programa, o país tinha 22 MW instalados, e hoje já são mais de 500 MW em seis Estados. É bom salientar que o Proinfa também contratou pequenas centrais hidroelétricas (PCHs) e usinas de biomassa, mas a grande vedete é mesmo os parques eólicos por terem se consolidado como componente importante da nossa matriz energética”, afirma Hamilton Moss, do Ministério das Minas e Energia.

Até o final de 2010, o Proinfa vai ser concluído com a oferta de 1,427 GW de energia eólica em todo o país, o que significa que entre os anos de 2009 e 2010, serão investidos R$ 4,6 bilhões. Um dos resultados concretos do Proinfa foi que vários grupos estrangeiros resolveram se instalar no Brasil para gerar energia eólica. Entre eles, o australiano Pacific Hydro que já opera dois parques na Paraíba e está disposto a investir cerca de R$ 1 bilhão em novos projetos.

A diversificação da matriz energética nacional é um dos aspectos mais valiosos desse processo, pois afasta cada vez mais o fantasma do “apagão” de 2001. Isso inclui também as termoelétricas, tão condenadas pelos ambientalistas. “É bom dizer que elas só funcionam em média 7% ao longo de sua vida útil, o que significa 10 dos 365 dias por ano, mas dão tranquilidade para que as hidroelétricas possam funcionar na sua capacidade máxima, sem receio de faltar energia”, avalia José Marcos Treiger, diretor de RI da Multiner. A empresa investe no Brasil em projetos de eólica, PCHs e termoelétricas, abrangendo 1,5 GW, entre usinas em operação e outras no aguardo da compra efetiva, por parte do governo. Recentemente, a empresa obteve financiamento de R$ 250 milhões do Banco do Nordeste para a construção do parque eólico Alegria I, em Guamaré (RN), que vai produzir 51 MW.

Essa nova compra de energia eólica vem sendo aguardada com grande expectativa pelo mercado. Num leilão da Aneel, que deve acontecer em dezembro, estão inscritos 441 projetos de 11 Estados, totalizando oferta de 13,341 GW. “Essa foi uma bela resposta do setor privado aos gestores públicos de energia, que só esperavam, no máximo, que seriam apresentados projetos na ordem de 6 GW. Os investidores do Brasil e de outros países já sinalizaram que têm grande interesse nessa nova indústria. E o Rio Grande do Norte foi o Estado que mais inscreveu propostas, com um total de 4,745 GW”, afirma Jean Paul Prates, secretário de energia e relações internacional do Rio Grande do Norte.

Se todos os 13 GW fossem comprados, isso significaria um investimento de R$ 65 bilhões. Mas as projeções são que devem ser contratados empreendimentos de até 2 GW, o que representa R$ 10 bilhões em recursos. “Mais do que esse leilão, o que espero é que o governo mantenha o ritmo de leilões de eólica nos próximos dez anos. Isso poderia viabilizar a instalação de mais fábricas de equipamentos para a produção de energia eólica, o que reduziria seu custo”, ressalta Marcelo Souza, diretor financeiro da Ersa, que concorre no leilão com projetos de 271 MW no Rio Grande do Norte, com um total de investimento de R$ 1,35 bilhão. Desse volume, 70% serão financiados pelo BNDES e BNB.

Segundo o Relatório 2008 da World Wind Energy, a energia eólica é a que mais cresce no mundo. O resultado é que o custo do MW/hora caiu pela metade nos últimos quatro anos. Os países líderes nesse tipo de energia são Alemanha, com 23,7% do mercado, Estados Unidos, com 18%, e Espanha, com 16%. O Brasil ainda ocupa a vigésima quarta posição, em que a energia eólica representa apenas 0,3% da sua matriz energética.

Hoje no país existem duas fábricas de equipamentos: a Wobben (subsidiária da alemã Enercon GmbH, líder mundial em tecnologia eólica de ponta e um dos líderes do mercado eólico mundial), em Sorocaba (SP) e a argentina Impsa, instalada no Porto de Suape, em Pernambuco, que já fornecem para vários parques em funcionamento. “É possível que empresas como GE, Vestas e Alstom comecem a produzir geradores no Brasil, quando os pedidos aumentarem”, diz Fiúza, da ABEEólica.

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