Arquivo de outubro, 2009

ENERGIA NUCLEAR

26/10/09

Nuclear adquire importância e deve superar 20% do consumo mundial

De São Paulo
20/10/2009

A elevação da renda per capita nos países em desenvolvimento, a alta das vendas de veículos e a migração do campo para a cidade de cerca de 400 milhões de habitantes apenas na Índia e na China são alguns dos fatores que deverão elevar a demanda de energia no planeta ao longo dos próximos anos. Em paralelo, as pressões ambientais para reduzir as emissões de poluentes globais, como o dióxido de carbono, deverão aumentar tanto entre economias desenvolvidas quanto nas em desenvolvimento.

Nesse cenário, a energia nuclear deve ganhar espaço na matriz energética mundial, sendo instalada em países que até hoje investem muito pouco no segmento. Hoje, com uma capacidade instalada de 413 GW, dos quais 119 GW em território americano, a energia nuclear responde por cerca de 7,5% do total de energia consumida no mundo, o que corresponde acerca de 17% do consumo de energia elétrica global. Números que deverão crescer até 2050 e poderão superar 20% da energia consumida no planeta.

Atualmente, existem pouco mais de 430 usinas nucleares no mundo. A maioria delas está presente nas economias mais desenvolvidas do mundo – por exemplo cerca de 80% da energia consumida na França provém de fontes nucleares, enquanto nos Estados Unidos as usinas nucleares geram cerca de um quinto da energia consumida na maior economia do planeta.

“O que se vê é que para atender à demanda crescente de energia será necessário um pouco de cada fonte. A energia nuclear, por ter baixa emissão de carbono, deve ganhar espaço no mundo”, diz o diretor do Instituto Nacional de Eficiência Energética, Pietro Erber. Ele também ressalta outro aspecto que deve contribuir para sua maior inserção: muitos países começam a desenvolver tecnologias para gerar energia nuclear, o que tende a tornar o custo dela mais competitivo.

Com cerca de um quinto de sua energia originado de fontes nucleares, o Japão deverá investir mais nos próximos anos. Até 2020, cerca de 40% da energia consumida no país deverá vir de reatores nucleares. Se a tecnologia já é bastante difundida nas economias desenvolvidas, nos próximos anos os países emergentes deverão investir com vigor no setor, buscando ampliar a diversificação de suas fontes.

Na primeira semana de outubro, o premiê indiano, Manmohan Singh, disse que o país pretende ampliar sua capacidade de geração nuclear até 2050, uma forma de reduzir a dependência do país, que importa cerca de três quartos do petróleo que consome, e de mitigar a emissão de gás carbônico. Os planos da Índia são ambiciosos: a capacidade nuclear poderá aumentar 100 vezes, chegando a 470 mil MW em 2050.

Uma das maiores exportadoras do mundo, a China também não deverá ficar para trás. Com 11 reatores nucleares em seis usinas, todas localizadas no leste e cuja capacidade instalada somada chega a 9 GW, o país asiático atualmente já é um dos três maiores consumidores de energia nuclear do mundo, respondendo por cerca de 2% das usinas existentes. A intenção é crescer ainda mais: aumentando em quase dez vezes sua capacidade nuclear até 2020, uma maneira de reduzir a grande participação do carvão em sua matriz energética.

No Brasil, não será diferente. Com uma das dez maiores reservas de urânio do mundo e as usinas de Angra 1 e 2, no Rio de Janeiro, o país também investirá mais no segmento, com a construção de Angra 3, que tem previsão para entrar em operação em 2015. Na segunda semana de outubro, foi assinada a ordem de serviço para obras civis da usina, cuja capacidade será de 1350 MW. “Temos a primeira ou a segunda maior reserva de urânio no mundo, portanto, seria um enorme desperdício deixar de lado o segmento”, diz o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Dias Gonçalves. Estudos realizados em 2007 pelo governo federal para planejamento dos cenários de energia para as próximas décadas apontam que até 2030 poderiam ser construídas de quatro a oito usinas nucleares no país. (R.R.)

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Energia renovável será motor da economia global

19/10/09

12/9/2009
Fonte: O Estado de S. Paulo

Busca de soluções para o aquecimento global é apontada pelo Fórum Econômico Mundial como fator que vai motivar revolução tecnológica.

O poderoso motor do consumo americano entrou em pane e a pergunta que o mundo se faz é quem será responsável por sustentar o crescimento global a partir de agora. Tudo indica que a tarefa será dividida por vários atores, entre os quais estão a China, a classe média dos países emergentes e o aquecimento global.

Mais do que uma limitação, a mudança climática foi apontada ontem na reunião do Fórum Econômico Mundial em Dalian, na China, como um dos fatores que promoverão uma nova revolução tecnológica, de onde a economia global poderá retirar forças para crescer de maneira sustentável.

O desenvolvimento de fontes de energia renováveis está no topo da agenda dos EUA e da China, os dois países que definirão o futuro próximo do planeta. “A mudança climática é a oportunidade para uma nova revolução tecnológica que poderá ser uma nova fonte de crescimento global, com soluções que aumentem a eficiência energética”, declarou o vice-presidente do Deutsche Bank, Caio Koch-Weser, em painel sobre o futuro da economia mundial.

O novo embaixador dos EUA na China, Jon Huntsman, concordou que a “revolução energética” será um dos pilares do relacionamento entre os dois países e uma das fontes de expansão global.

A possibilidade de a China substituir os EUA no papel de locomotiva do mundo não aparece nos cenários de médio prazo dos economistas. Com nível de US$ 3.300, a renda per capita dos chineses equivale a menos de um décimo da dos americanos. De acordo com Sthephen Roach, chairman do Morgan Stanley na Ásia, no ano passado, o consumo nos EUA alcançou a cifra de US$ 10 trilhões. Na China, ele ficou em US$ 1,25 trilhão.

“Talvez demore 100 anos para a China alcançar os EUA”, observou Cho Tak Wong, presidente da Fuyai Glass Industry Group, que produz vidros para a indústria automobilística mundial. Ele lembrou que o porcentual da população chinesa que vive na zona rural atualmente – 55% – não é muito distante do índice de 60% que os EUA tinham há um século.

David Li, professor da Universidade Tsinghua, ressaltou que o único caminho para os chineses elevarem o consumo doméstico é o aumento da renda. “Nos últimos anos, a parcela da renda na composição do PIB diminuiu em vez de subir, porque a produtividade cresceu mais rapidamente que a renda.” A redução do consumo nos EUA trouxe um problema adicional para a China: o excesso de capacidade produtiva decorrente da retração do principal comprador de suas exportações.
(Cláudia Trevisan)

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A força do nosso etanol

19/10/09

“O etanol combustível brasileiro é motivo de orgulho para o país. Mesmo em meio à crise mundial, nossa produção não recuou: as vendas no mercado interno passaram de 9,101 bilhões de litros nos primeiros 6 meses de 2008 para 10,713 bilhões no mesmo período de 2009, um salto de 17,7%.

Tal vigor se deve a vários fatores, dos quais o mais importante são as décadas de esforço e talento de brasileiros investidos nesta área.

Nosso etanol é um combustível de alto desempenho e viável econômica, ambiental e socialmente.

Não precisa de subsídios, e sua produção vem sendo aperfeiçoada por empresas e pesquisadores de nosso país, nos diversos elos de sua cadeia produtiva.

Seus competidores são os hidrocarbonetos e outros biocombustíveis, como o feito a partir do milho nos EUA. Tem vantagens sobre ambos e poderia se expandir pelo mundo não fossem as barreiras comerciais.

O etanol de cana é sustentável por definição. O CO2 emitido pelo uso do combustível renovável no motor de um carro já foi compensado pela quantidade do mesmo gás absorvida pela planta durante seu crescimento. E é uma das energias renováveis que menos demanda a utilização de energia fóssil para sua produção.

A emissão de CO2 pelo etanol de cana é 89% menor que a da gasolina, ao passo que no caso do etanol de beterraba, usado em alguns países europeus, tal redução é de 46%, e no de milho, de apenas 31%.

O etanol de milho americano é totalmente dependente de subsídio público e, ao taxar a importação do etanol brasileiro, os Estados Unidos prejudicam simultaneamente nossa economia, sua própria economia e o combate à crise climática global.

Vez por outra acusam o Brasil de tratar mal os trabalhadores do setor. Alguns países usam tal pretexto para impedir a venda de nosso etanol lá fora. Mas as condições nos canaviais, que de fato já foram ruins, mudaram.

Hoje, os contratos de trabalho incluem transporte, saúde, alojamentos, alimentação, equipamentos de proteção individual e até mesmo a requalificação, pois a mecanização do plantio e do corte da cana avança e acabará por modernizar radicalmente o trabalho na área.

Adicionalmente, via cogeração, nossas usinas produzem energia elétrica tão limpa como a de origem hídrica e tende a crescer a produção dos chamados plásticos verdes, cuja matéria-prima, o etanol, substitui a nafta e o gás natural.

Cedo ou tarde os biocombustíveis ocuparão o lugar dos hidrocarbonetos como locomotivas da economia mundial. Quando este dia chegar, estaremos prontos para ocupar o lugar que nos cabe.”

FONTE: artigo de Emílio Odebrecht publicado na Folha de São Paulo de 20/09.

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Sustentabilidade vai nortear Siemens nos próximos 30 anos

19/10/09

Bettina Barros, de São Paulo
30/09/2009

Leo Rodrigues / Valor

Adilson Primo, presidente da empresa no Brasil: “Sustentabilidade para nós é um negócio e queremos a liderança”

Com a habitual discrição germânica, a gigante de infraestrutura e tecnologia Siemens vem realizando a maior reestruturação operacional da sua história.

Em menos de uma década, o conglomerado disparou da sede em Munique a venda de divisões inteiras que não lhe interessavam mais. A telefonia móvel foi uma das primeiras a cair. Ao mesmo tempo, firmou joint ventures e realizou dezenas de aquisições em segmentos que passaram a ser encarados como estratégicos para a sobrevivência da empresa.

A reviravolta pegou colaboradores de surpresa e causou alvoroço no mercado. Modificações desse porte, afinal, mexem com a cultura centenária da empresa. Mas a razão por trás de tamanha reorganização é simples: a Siemens decidiu fechar o foco sobre produtos que respondam ao que ela chama de necessidades essenciais da humanidade no futuro.

“Estamos nos reorientando hoje, dentro de uma nova visão, para manter a liderança mundial daqui a 30 anos”, afirma Adilson Primo, presidente da Siemens Brasil. “Concluímos que deveríamos concentrar nossas atividades. Sair de algumas áreas que não deveriam ser ‘core business’”. Nesse contexto, a expressão “green business” nunca foi tão lembrada dentro da empresa alemã.

Com faturamento de € 77 bilhões em 2008 e um portfólio de mais de 200 mil produtos (que vão de equipamentos de raio X e trens de alta velocidade a turbinas, lâmpadas e tomadas), a empresa deu início ao processo de reestruturação agrupando seus negócios em três grandes áreas – energia, infraestrutura e saúde.

O ponto de partida foi a conclusão de um relatório encomendado pela Siemens, em 2003, para delinear as “megatendências” do mundo no espaço de 30 anos. Quatro constatações voltaram à empresa e foram determinantes para a guinada que se seguiu: mudanças demográficas, urbanização, globalização e mudanças no clima são processos inexoráveis e que vão afetar diretamente a forma como vivemos.

As megacidades, termo empregado para definir aglomerações urbanas com mais de 10 milhões de habitantes, explodirão. Mercados hoje menos importantes entrarão no eixo comercial. Fontes de energia alternativas serão obrigatórias para atender ao crescimento da demanda mundial, assim como a detecção prévia e rápida de doenças em sociedades cada vez mais velhas.

“Serão tempos desafiadores para as empresas, mas com soluções tecnológicas possíveis”, atestou em seu mais recente relatório a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).

A Siemens sabe – e os seus concorrentes também – que as respostas a essas questões são a chave para o futuro. Fortunas serão feitas nos próximos anos somente com tecnologias limpas. Segundo estimativas do HSBC, a receita oriunda de atividades relacionadas às mudanças climáticas das empresas listadas em bolsa atingiram US$ 530 bilhões no ano passado. Só isso já coloca essa nova indústria cabeça a cabeça com setores tradicionais como o de defesa e espacial. E os investimentos só tendem a aumentar.

“Para eu ser um ‘player’ lá na frente como eu sou hoje, preciso entender quais são essas tendências”, afirma Primo. “O que vai moldar o mercado em 2040? Que demandas elas vão gerar? E como me posicionar no meu portfólio para atender mercados que serão importantíssimos no futuro? Estamos vendo isso como efetivamente um ‘business’”.

Diante desse cenário, o conglomerado alemão tomou a decisão de livrar-se do que não estivesse diretamente ligado a essas demandas e fincar pé no estritamente essencial. “Senão ficamos com um leque tão aberto que não se consegue eficiência em tudo”, diz o executivo brasileiro.

Em cinco anos, a Siemens mudou mais que nos 160 anos de sua existência. Uma das mais importantes mudanças foi a venda de seu braço de telefonia móvel para a tailandesa BenQ, em 2006. Também se desfez da Wireless Modules (WM), de equipamentos de transmissão de dados em rede sem fio, para a Cinterion, e da Siemens VDO, voltada ao setor automotivo, agora Continental.

“Reorientamos o portfólio para não atacar mercados que não dão o retorno desejado ou são pequenos e pulverizados”, diz Primo. “E o nosso negócio é infraestrutura de telecomunicações [telefonia fixa]“. Assim, a Siemens optou pela joint venture com a Nokia, seguindo o processo de consolidação mundo afora de operadores e fabricantes.

Ao mesmo tempo, comprou empresas de diagnósticos médicos (Dade Behring, Bayer Diagnostics e Diagnostic Products), saneamento (US Filter) e energia renovável (a italiana Archimede e a dinamarquesa Bônus), entre outras. No Brasil, os destaques foram a aquisição da Chemtech, Intech Turbocare e Iriel. Foram nada menos que 89 aquisições no período de 2004 e 2009, totalizando cerca de € 30 bilhões.

“Nós tínhamos ‘gaps’ nos três setores – energia, infraestrutura e saúde. Então fizemos uma ampla avaliação do que precisávamos”, explica Primo. “Na área médica éramos líderes nos diagnósticos in vivo, que são os nossos tomógrafos, ressonâncias magnéticas e ultrassonografias. Com a reorientação adquirimos as três grandes empresas mundiais de diagnóstico in vitro, as dos aparelhos de exame de sangue, de urina e reagentes. Esse foi um passo gigantesco do ponto de vista estratégico dessa área. E em energia renovável, tínhamos eólica e solar? Não. Então compramos empresas. Poderíamos desenvolver a tecnologia, mas demoraria muito. Há seis anos, não tínhamos uma turbina eólica. Hoje somos líderes no mercado offshore e terceiro no onshore”.

Confiante no sucesso desse novo caminho, o executivo brasileiro explica que o porfólio “verde” da empresa é hoje o maior do mundo – superior ao da americana General Electric (GE), diz ele, que ganhou os holofotes com o seu programa Ecomagination, lançado em 2005 e que fechou no ano passado com US$ 17 bilhões (€ 11,6 bilhões). No mesmo período, a área “verde” da Siemens representou € 19 bilhões do faturamento de € 77 bilhões.

São 65 famílias de todos os setores, resultando em centenas de produtos desde turbinas eólicas a soluções para tratamento de água. Até 2011, o grupo pretende elevar a sua participação para 25% de sua receita global. “A sustentabilidade é para nós um negócio e nós queremos a liderança”, afirma Primo, falando sobre as metas mundiais da empresa.

Assim como na concorrência, o segmento é o que cresce com mais força dentro da empresa, sinalizando a corrida para os novos tempos. Das 60 mil patentes ativas do grupo, por exemplo, 14 mil são consideradas “verdes”, segundo critérios adotados e analisados pela consultoria PricewaterhouseCoopers, contratada para auxiliar a Siemens no processo de reorganização.

Os programas de estímulo governamental – na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil – devem servir como um incentivo a esse novo filão. A Siemens calcula que será possível abocanhar aproximadamente € 15 bilhões entre 2010 e 2012 com as iniciativas públicas nesses países. E as tecnologias verdes devem representar 40% desse volume.

Muito dessa reviravolta está associada também à chegada do austríaco Peter Löscher ao comando do grupo, dois anos atrás. Ex-General Electric, o principal executivo conseguiu remontar o gigante despedaçado pelo maior escândalo de corrução da sua história. Nos corredores da empresa, no entanto, alguns críticos o acusam de ter “General Electrified” a Siemens – um trocadilho óbvio com a principal concorrente, conhecida por sua agressividade de ação e marketing. Entre as reclamações citadas está a de que Lörscher teria afastado o conglomerado alemão de seus valores tradicionais.

Ao contrário, diz ele. “A Siemens conseguiu finalmente sair da sombra de seu rival americano”, devolveu Lörscher, em entrevista ao jornal britânico “Financial Times”. “Tivemos a sorte de utilizar a crise interna [o escândalo de corrupção] para nos preparar para tempos sombrios [a crise econômica mundial]“.

Com 480 mil funcionários e presente em 197 países, a Siemens conseguiu enfrentar a última crise financeira global relativamente melhor que outras companhias do mesmo porte, apesar da desaceleração da receita registrada nos últimos meses.

Da sede em Munique, a orientação é manter um olho no presente e outro no futuro, preferencialmente sustentável. Adilson Primo escutou bem o novo chefe. “Vemos a sustentabilidade como um ‘business’”, repete ele, ao final de quase duas horas de entrevista. “Inclusive queremos ser marqueteiros em cima disso”.

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