SUSTENTABILIDADE E NEGÓCIOS
19/10/09Suez vai ampliar investimentos no Brasil
Cláudia Schüffner , de Paris
16/10/2009
Leo Pinheiro / Valor RJ

Mestrallet, presidente mundial da GDF Suez: “Éramos prudentes antes da crise e agora somos mais ainda”
Maior comercializador de gás natural da Europa e maior gerador privado de energia elétrica do Brasil, o grupo GDF Suez estuda ampliar o leque de investimentos no Brasil. O presidente do grupo francês, Gerard Mestrallet, confirma que analisa a participação na licitação para construção da hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu, mas vai muito além. Ele fala em investir em energia nuclear no país e, quem sabe, associar-se à Petrobras no mercado de gás natural liquefeito (GNL).
Mestrallet esteve recentemente com o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, em Paris, e apresentou à estatal brasileira um projeto para instalação de uma unidade de liquefação de gás que será construída em cima de uma plataforma flutuante em alto mar na Austrália, em sociedade com o grupo australiano Santos. O executivo não deu detalhes de sua conversa com Gabrielli.
A usina terá tamanho equivalente a 10 porta-aviões e ainda está em fase de projeto e estudos de viabilidade. Se for levado adiante o projeto será da francesa Technip e a Tractebel, empresa que pertence ao grupo. O projeto prevê uma unidade dedicada, que poderá ser transferida para outro campo em quatro ou cinco anos, quando a reserva do local esgotar-se. Mestrallet diz que usinas desse tipo são mais indicadas para reservatórios de tamanho médio que estão afastados da costa e cuja economicidade não justifica a construção de gasodutos fixos para escoamento.
Questionado sobre a possibilidade de investir em exploração e produção de gás no Brasil, Mestrallet lembrou que o grupo GDF Suez tem atividades de exploração e produção de gás em vários países, mas não no Brasil. Ele não descartou, no entanto, a possibilidade de entrar nesse segmento e até, quem sabe, em sociedade com a Petrobras. Em seguida, o executivo acrescentou que a Petrobras é a maior empresa da América Latina e que é também uma grande produtora de gás. Já o GDF Suez tem como particularidade o fato de ser um grande construtor e operadora de unidades de GNL (é o maior grupo em operação nesse segmento nos Estados Unidos), tendo o gás como elemento tão importante quanto a energia elétrica.
Sobre a usina de Belo Monte, Mestrallet observou que trata-se de um projeto que, dada sua dimensão, com uma barragem que exigirá equipamentos maiores que os do canal de Suez, no Panamá, não está descartada a participação do grupo na disputa. “Mas é preciso decidir sob o ponto de vista financeiro e estratégico. Será preciso muito trabalho e reflexão”, ponderou.
Em 2008 a receita do grupo foi de € 83,1 bilhões. A atual capacidade de produção de energia do grupo GDF Suez em todo o mundo é de 68,4 mil megawatts (MW). O Brasil é responsável por 11% dessa capacidade, com 7 mil MW, mas a geração vai aumentar para 12 mil MW em 2013, quando já estiverem concluídas as usinas de Estreito e Jirau. Sobre a última, que está sendo construída no rio Madeira em meio a ameaças de paralisação das obras, Mestrallet diz que não chegou a seu conhecimento nenhum problema relacionado à construção, que tem todas as licenças do Ibama. “Nosso desafio é construir essa enorme obra no prazo e orçamento previstos. Fizemos hipóteses (antes de participar da licitação) e se o preço final (de construção) for o dobro do previsto, vai ser um pesadelo. Seremos deficitários por 37 anos”, afirmou o executivo, que aparentemente não acredita nessa hipótese.
Mestrallet só tem elogios para o sistema regulatório brasileiro, que segundo ele tem grande estabilidade e permite ao investidor planejar a longo prazo, ao contrário dos Estados Unidos, onde os preços são instáveis e o mercado não tem transparência.
Sobre os efeitos da crise econômica mundial, iniciada em setembro do ano passado e que aconteceu dois meses após a fusão da Gas de France com a Suez, Mestrallet lembra que o grupo não colocou freio em seus investimentos, que somam € 30 bilhões no período de 2009 a 2011. A empresa continua a apoiar-se em um horizonte de longo prazo. “Éramos prudentes antes da crise e agora somos mais ainda”, disse seu presidente.
Em uma análise sobre a economia mundial pós-crise, Mestrallet diz que a situação é contrastante dependendo do pais. “Podemos dizer, para simplificar, que estamos assistindo a um renascimento bancário espetacular, mas não se notou ainda uma retomada industrial a não ser na China; Brasil e alguns países da América do Sul; e em poucos países do Oriente Médio. A India está devagar, enquanto os países desenvolvidos chegaram até o mais fundo do poço, ainda com níveis de atividade industrial menor do que há um ou dois anos”, avalia o executivo. “Então a retomada ainda é frágil, mas com sinais positivos”, disse.
A repórter viajou a convite da Ubifrance
Ersa vai receber R$ 300 milhões de fundo do Pactual
Josette Goulart, de São Paulo
13/10/2009
O fundo Brasil Energia, administrado pelo BTG Pactual, vai aportar R$ 300 milhões na Ersa, empresa de energias renováveis do Pátria Investimentos. Com o negócio, o fundo passa a ser sócio da Ersa com uma participação de 23%. O aumento de capital vai suportar os novos investimentos em pequenas centrais hidrelétricas e parques de geração de energia eólica, que vão exigir R$ 2 bilhões nos próximos anos.
A empresa já investiu mais de R$ 1 bilhão desde que foi criada em 2006 pelo Pátria Investimentos em parceria com o Eton Park, um hedge fund americano; com o banco de desenvolvimento do grupo financeiro alemão KfW (DEG); e com o BBI FIP, um fundo administrado pelo Banco Bradesco de Investimento. Juntos, os sócios injetaram um capital de cerca de R$ 650 milhões na companhia, que hoje é dona de três pequenas centrais hidrelétricas com capacidade de gerar 47 megawatts (MW) de energia e está em fase final de construção de outras oito, com capacidade total próxima a 110 MW.
Para o Brasil Energia, que agora entra no negócio, a Ersa passa justamente a ser a empresa de investimentos em energias renováveis do fundo, segundo o gestor Oderval Duarte Filho. Desde sua criação, há quatro anos, o fundo já aplicou R$ 800 milhões em usinas termelétricas, parques eólicos e linhas de transmissão no país. Os cotistas são hoje os fundos de pensão Petros, Funcef, Fapes, Real Grandeza, Infraprev e Banesprev, o braço de participações do BNDES, o Banco do Brasil Banco de Investimento e o próprio BTG Pactual, que é o gestor. Com a aplicação feita agora na Ersa, os investimentos do Brasil Energia somam R$ 1,1 bilhão, valor muito próximo de seu capital máximo de aplicação, de R$ 1,2 bilhão.
A decisão de investir em energia, segundo Oderval Duarte, é muito embasada no ambiente regulatório estável vivido hoje pelo setor. Na parte de energias renováveis, além das pequenas centrais hidrelétricas, o momento agora é dos negócios em energia eólica.
O Brasil Energia já é dono de parte de parques eólicos que somam uma capacidade de 156 MW no Ceará. Esses parques foram construídos pelo programa de apoio a energias renováveis do governo federal, o Proinfa. Mas a oportunidade agora vislumbrada é o leilão de energia eólica que será realizado em novembro. A Ersa é dona de projetos no Rio Grande do Norte que terão capacidade de gerar 270 MW e que estão inscritos no leilão.
Segundo o presidente do conselho de administração da Ersa, Otávio Castello Branco, sócio do Pátria Investimentos, quando o governo firmar um projeto de longo prazo para a geração de energia eólica no país o custo dos equipamentos para esse tipo de energia vai cair. Com isso, abre-se a oportunidade de que esse tipo de energia seja vendida até mesmo no mercado livre e não só em leilões específicos do governo. Os grandes consumidores, entretanto, ainda privilegiam preço e por isso as usinas eólicas não conseguem ser financiadas por esse tipo de consumidor.
A energia dos empreendimentos da Ersa está hoje alocada tanto no mercado cativo como no de consumo livre. Para os próximos anos, a empresa prepara a venda de energia de nove PCHs que somam cerca de 150 MW. Para o leilão de eólica, os três parques no Rio Grande do Norte inscritos somam 270 MW. Além desses projetos já em fase de preparação de venda de energia, a empresa tem em estudo outros 1.000 MW. Além de PCHs e eólica, existe também a intenção de investir em biomassa. As grandes usinas hidrelétricas, como a de Belo Monte, estão fora dos planos da companhia. Mas médias hidrelétricas não estão descartadas.


