Arquivo de novembro, 2009

INFRAESTRUTURA

30/11/09

Complexo logístico vai trazer R$ 3 bi à economia de Ilhéus

Ediane Tiago, para o Valor, de Ilhéus
27/11/2009
Ana Paula Paiva / Valor

Paisagem de Ilhéus: cidade terá o maior impacto do projeto que integra ferrovia, aeroporto, ZPE e gasoduto

O complexo logístico produtivo do sul da Bahia é uma das obras estruturantes mais importantes do plano do governo estadual. Sua concepção envolve a construção da Ferrovia da Integração Oeste-Leste, que receberá investimentos de R$ 4,5 bilhões só no trecho baiano - saindo de Luís Eduardo Magalhães (no oeste) e chegando a Ilhéus -, e a instalação de um porto offshore, a três quilômetros da costa.

O empreendimento ambiciona a abertura de um novo eixo de desenvolvimento, integrando o sul da Bahia à economia nacional. O maior impacto será absorvido por Ilhéus, que abrigará o Porto Sul, complexo que integra a ferrovia, um novo aeroporto internacional, uma área industrial, uma zona de processamento de exportação (ZPE) e dará passagem ao gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene).

Essas obras irrigarão o município com R$ 3 bilhões nos próximos anos. Há tempos a região sul da Bahia não recebe aportes de tal magnitude. As instalações do porto e da área logística agregada ocuparão uma área de 1.771 hectares na localidade da Ponta da Tulha, no norte de Ilhéus. “Existe um decreto delimitando as áreas para a construção do complexo. Ainda aguardamos a análise ambiental e é preciso definir o plano diretor da cidade”, afirma José Nazal Soub, secretário de governo da Prefeitura de Ilhéus.
Ana Paula Paiva / Valor

José Nazal, secretário de governo: “Ainda aguardamos a análise ambiental e é preciso definir o plano diretor “

Na cidade, a grande expectativa está na geração de empregos, principal preocupação dos munícipes. Em todas as pesquisas que realizou nos últimos anos, a prefeitura detectou que a falta de trabalho é a primeira queixa dos ilheuenses, que convivem com uma taxa de desemprego de 24,8%. “Com 31% das respostas, a ausência de trabalho supera itens como segurança, educação e saúde”, explica Soub.

De acordo com o secretário, 20% dos habitantes conhecem bem o projeto. Desse grupo, 80% acreditam que o Porto Sul trará desenvolvimento econômico para a região. “Como estamos tratando de uma área de reserva ambiental, bem conservada, é natural que haja questionamento em relação aos impactos à natureza”, afirma Soub.

O projeto prevê a criação de extensas áreas ambientais de conservação e amortecimento ecológico ao redor do empreendimento. Entre as ações planejadas estão a requalificação e valorização das unidades de conservação ambiental existentes, como a área de proteção ambiental (APA) da lagoa Encantada e do rio Almada e o Parque Estadual do Conduru. Segundo o governo do Estado, até 2019 essas áreas receberão inversões de R$ 30 milhões - no entanto, o dinheiro está condicionado à implantação do complexo. O projeto também pretende respeitar o segmento do turismo. A opção pela construção longe da costa tem o objetivo de minimizar impactos visuais e ambientais. “Além do projeto do Porto Sul, temos de investir na cidade para abrigar as obras”, afirma Soub.

A preocupação faz todo sentido. Até agora, o governo estadual e o federal têm dado o tom do projeto, mas o município alega não ter recebido detalhes suficientes para preparar um plano diretor. Ilhéus conta com cerca de 220 mil habitantes e há vinte anos sofre com as perdas econômicas da lavoura do cacau. A quebra desse pilar econômico culminou na queda da receita dos produtores e foi um golpe duro nas contas municipais. O cacau ainda é importante segmento na região e emprega cerca de 90 mil pessoas em sua cadeia produtiva, mas não tem força suficiente para fazer crescer o orçamento do município.

Com a falta de verbas, a infraestrutura urbana de Ilhéus está deficiente - demandando obras para atender a população atual e apresentando problemas em áreas como saneamento básico e mobilidade urbana. “O escoamento do material necessário paras as obras na cidade será fatal para o trânsito local, as vias não estão preparadas para o tráfego intenso de caminhões”, diz Soub.

Com 73% de sua população vivendo na zona urbana, o município coleta 46% do esgoto que produz. Do total recolhido, trata menos da metade. O abastecimento de água chega a 80% das casas. “Se a população aumentar rapidamente, a situação do saneamento ficará mais caótica, com riscos de poluição da costa, dos rios, dos mangues e dos lençóis freáticos”, argumenta Soub.

Outro problema existe na ocupação territorial. O déficit habitacional de Ilhéus está na casa de 25%. Será difícil evitar a invasão de áreas. A prefeitura terá de montar um plano para fiscalizar e impedir o crescimento desordenado. O objetivo é fugir da criação de bolsões populacionais que podem no futuro se traduzir em áreas de pobreza. Além disso, a tendência é a conurbação com Itabuna e outros municípios vizinhos, como Uruçuca e Itacaré, criando de fato uma grande região metropolitana. “Não sabemos ao certo qual será a oferta de emprego após as obras. Durante a construção, Ilhéus deve atrair muita gente. Temos de entender como ficará depois. É hora de pensar nas contrapartidas para a cidade.”

Ilhéus apresenta déficit de recursos para formar mão de obra qualificada para as obras e operação do porto. A cadeia produtiva da ZPE também exigirá melhor formação. Na cidade, a taxa de analfabetismo é de 20,6%. “Nosso receio é de que Ilhéus infle por conta das oportunidades de empregos e nossos moradores não consigam se colocar no mercado de trabalho. Neste cenário, a situação da pobreza pode piorar”, expõe Soub.

O sucesso do complexo e o desenvolvimento da região não podem depender só da operação do porto. Instrumento do governo para promover o crescimento econômico, a ZPE deve atrair indústrias com benefícios fiscais e infraestrutura propícia ao desenvolvimento de cadeias produtivas. Em contrapartida, os ilheuenses devem ganhar empregos qualificados. Edmundo Ramos, coordenador da ZPE Bahia, afirma que o potencial representado pelo Porto Sul é enorme. Atualmente 37,3% do PIB de Ilhéus vem da indústria, portanto há horizonte para crescimento. “Acredito no desenvolvimento de segmentos como indústria alimentícia e moveleira”, afirma Ramos.

De acordo com as projeções do coordenador, a atração de indústrias para a região de Ilhéus tem o potencial de, em 15 anos, criar 20 mil postos de trabalho. “O complexo ainda pode atrair segmentos como siderurgia e indústria automotiva.” A integração do litoral sul com o oeste baiano vai criar um corredor de desenvolvimento por conta da ferrovia. Obras nas estradas da região também prometem melhorar o escoamento. “Hoje não beneficiamos nossos produtos. Somos deficientes até na produção de chocolate. É preciso mudar esse cenário”, avalia Ramos.

Um bom exemplo que traz alento para os ilheuenses é o polo de informática, que une empresas montadoras de microcomputadores. De acordo com Soub, o polo, formado por 52 empresas, já chegou a montar 23% dos computadores do país, mas hoje fornece 18% deles. “Falta logística. Nosso aeroporto não é capaz de atender à demanda do polo.”

A deficiência na infraestrutura está fazendo com que empresas do segmento deixem o Estado, de acordo com informações do Sindicato das Indústrias de Eletroeletrônicos de Ilhéus. A queixa é que está difícil ser competitivo sem atrair empresas de suporte, como fabricantes de placas, plástico, papelão e de desenvolvimento de software. Ilhéus está aprendendo que manter empresas é mais difícil que atraí-las. “Uma nova estrutura industrial será fundamental para melhorar a articulação das cadeias produtivas. É preciso colocar a região de Ilhéus na logística nacional e isso será possível com o Porto Sul”, afirma Ramos.

A construção de um aeroporto internacional é bem-vinda. Atualmente, a cidade não opera voos noturnos, o que está atrapalhando os negócios do turismo. Além disso, o aeroporto Jorge Amado não dará vazão à demanda industrial. “O projeto do aeroporto é antigo. Ilhéus demanda essa infraestrutura há mais de dez anos”, reclama Soub.

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Projeto de mineradora é base para construir ferrovia

Ediane Tiago, para o Valor, de Salvador
27/11/2009
A Bahia Mineração (Bamin) é a empresa âncora do complexo logístico intermodal do Porto Sul e representa um dos pilares da chamada gestão pública e privada compartilhada - que, além da companhia, inclui os governos estadual e federal. Criada para o projeto de exploração de minério de ferro de Caetité (oeste da Bahia), tem seu capital dividido igualmente entre a Eurasian Natural Resources Corporation, a sexta maior mineradora do mundo, com sede no Cazaquistão, e o grupo indiano Pramod Agarwal.

A Bamin já está instalada no Estado, emprega 146 pessoas na fase inicial e deve iniciar suas operações no quarto trimestre de 2012. “Vemos grande potencial para o desenvolvimento econômico das cidades envolvidas. Trata-se de uma proposta de crescimento sustentável”, afirma Clóvis Torres, vice-presidente da Bamin.

A companhia planeja exportar toda a produção - “pelo menos no começo”, segundo Torres. Com investimento de US$ 1,6 bilhão, a empresa pretende gerar 1,8 mil empregos diretos. Destes, 1,3 mil serão na mina em Caetité. O projeto inclui postos de trabalho na área da ferrovia, operação de vagões e locomotivas, além da operação portuária. “Já estamos presentes onde vamos atuar e iniciamos projetos sociais com foco na formação de mão de obra e geração de renda. É importante que as comunidades nos conheçam.”

Entre os projetos, está o Transformar, em parceria com o Instituto Aliança. O objetivo na primeira fase é capacitar mais de 200 moradores nas comunidades ilheuenses da Ponta da Tulha, Ponta do Ramo, Retiro e Ponta do Mamoan. Os beneficiados são jovens e adultos que buscam inserção no mercado de trabalho. O Transformar traz cursos como o de instalador polivalente (que inclui matérias como hidráulica e instalações elétricas) e prepara jovens para atendimento em estabelecimentos de turismo. “Queremos formar mão de obra qualificada para a região, criando possibilidades reais de geração de renda”, explica Solange Leite, diretora do Instituto Aliança.

A Bamin tem orçamento de US$ 35 milhões para projetos de responsabilidade social e ambiental. “Sabemos que a atividade de exploração mineral é agressiva ao meio ambiente. Por isso, trabalhamos na minimização dos impactos”, afirma Torres. Como exemplo, ele cita as instalações em Ilhéus, onde ficarão concentradas as áreas de estocagem, apoio logístico e embarque de minério. “Do total de 500 hectares reservados para o projeto, vamos utilizar apenas 80. A ideia é apoiar iniciativas de preservação e recuperação de áreas que já estão degradadas.”

Na região de Ilhéus, os cuidados também são tomados para o acesso do minério às embarcações. No terminal de embarque, a ordem é evitar a dissipação do minério de ferro. Para conseguir isso, a empresa aposta em uma correia de transporte totalmente coberta de 3,5 quilômetros, que vai do local de estocagem até o porão do navio. A tecnologia protege a matéria-prima de chuvas e vento.

Outra medida está na criação de um cinturão verde, em volta do pátio de estocagem. O retroporto prevê a construção de uma estação de tratamento de esgoto, a instalação de caixas separadoras de água e óleo e sistema automático de abatimento de pó, que irá lançar água regularmente sobre a pilha de minério, para manter o produto úmido. Essa mesma água, que é água da chuva, será tratada e reaproveitada.

A mineradora é o principal projeto que vai viabilizar a construção da Ferrovia Oeste-Leste, na qual estão previstos aportes públicos de R$ 4,5 bilhões só no trecho baiano. Segundo o governo do Estado, estima-se fluxo de até 50 milhões de toneladas/ano de minério de ferro, além de a ferrovia permitir o escoamento de grãos. As oportunidades podem surgir ainda para o transporte de carvão mineral, cimento, etanol, madeira de reflorestamento, papel e celulose, entre outros. De certo, há a demanda da Bamin, o que já é suficiente para viabilizar a construção da ferrovia. “A ligação vai beneficiar também a indústria de biodiesel, que está crescendo na Bahia”, comenta Torres.

Pelas projeções da empresa, a capacidade de produção da mina em Caetité é de 18 milhões de toneladas por ano, durante 20 anos. Como o minério descoberto nessa região é de baixo teor de concentração (42%), a Bamin terá de beneficiá-lo na região de Caetité para aumentar o teor para 68%. Por conta disso, a exploração exigirá a construção de uma adutora, a de Malhado Seco, com 150 quilômetros de extensão, ligando o rio São Francisco à mina.

Para compensar a água que vai tirar do velho Chico, a Bamin realizará, junto com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a ampliação de um reservatório, além de construir uma adutora para levar água à população e canalizar o insumo para a mina. “Há uma sinergia benéfica no trabalho conjunto do governo e da iniciativa privada, com impactos positivos para a população”, conclui Torres.

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ENERGIAS RENOVÁVEIS

30/11/09

27/11/2009

Dinamarca mostra exemplo em produção de energia limpa

LUIS ALONSO
da Efe, em Copenhague

A poucos dias do início da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Copenhague, a Dinamarca se apresenta como um país de avançada tecnologia ambiental e um exemplo de que crescimento econômico e emissões poluentes não precisam andar juntos.

De 1990 a 2007, a atividade econômica na Dinamarca cresceu mais de 45%, enquanto as emissões de dióxido de carbono (CO2) caíram em mais de 13%.

Segundo a vice-diretora geral da Agência da Energia dinamarquesa, Anne Hojer Simonsen, estes dados demonstram que “crescimento econômico pode estar desvinculado de consumo energético”.

Se no final da década de 70 a Dinamarca era um país que dependia em 99% das importações de petróleo, hoje o panorama sofreu uma importante transformação: 19% do consumo energético procede das fontes de energia renováveis.

Este dado é mais significativo se for levado em conta que o alvo da União Europeia (UE) para 2020 é que 20% da energia consumida proceda de fontes renováveis.

Mais em vista

As metas do governo dinamarquês vão além. Em 2011, o consumo energético procedente das fontes de energia renováveis deve chegar pelo menos a 20% e para 2025 essa porcentagem deve subir para 30%.

Segundo Anne, a Dinamarca foi configurando nos últimos anos um marco político propício para esta transformação, aproveitando seus recursos naturais, fundamentalmente energia eólica e de biomassa, incentivando os projetos energéticos limpos e taxando fiscalmente os poluentes.

Atualmente, segundo dados da agência de energia, a Dinamarca tem uma capacidade instalada de energia eólica de 3.150 megawatts (aproximadamente 20% do consumo de energias renováveis), dos quais 640 megawatts procedem de plataformas instaladas no mar.

Importante também foi a decisão de descentralizar a produção de eletricidade e calor. Se nos anos 80 havia 15 centrais de cogeração, agora há mais de 700 distribuídas por todo o país, mais perto dos núcleos urbanos e, portanto, com um aproveitamento muito maior.
Biocombustível

Na Dinamarca, joio de trigo, madeira, biogás e resíduos biodegradáveis foram incorporados como matérias-primas para a produção de energia, para reduzir a emissão de CO2 e outros gases responsáveis pela mudança climática.

Um dos casos mais significativos é o da empresa Inbicon, recentemente inaugurada pelo príncipe Joaquin, que produz biocombustível a partir de joio de trigo, uma experiência única no mundo.

É o chamado biocombustível de segunda geração, ou seja, que utiliza como matéria-prima aquilo que não pode ser consumido pelo homem, como a palha depois que o trigo é colhido.

Lene Haugaard Mikelsen, uma de suas responsáveis, explica que a tecnologia utilizada pela empresa permite reduzir em 84% as emissões de CO2 em comparação com o petróleo.

Os agricultores vendem sua palha à empresa –cerca de 30 mil toneladas ao ano–, que, depois de ser processada, produz 5,4 milhões de litros de etanol (que substitui a gasolina em automóveis), melaço (utilizado em bioquímica) e biocombustível, que substitui o carvão na geração de energia elétrica.

Um exemplo de produção de energia elétrica e calórica por meio de biogás é o da empresa Hashoj, criada em 1994 por 21 granjeiros de uma região próxima a Copenhague.

Fertilizantes

A empresa utiliza os resíduos orgânicos de qualquer tipo. Por meio de um processo de pasteurização, o metano é separado do resto, que é transformado em fertilizantes ricos em potássio, fósforo e nitratos e que volta aos armazéns agrícolas.

O metano é armazenado e transportado por gasodutos a uma pequena central próxima de cogeração, que fornece eletricidade e calor a cerca de 500 consumidores.

Estes casos contribuíram para o fato de que atualmente a Dinamarca tenha desenvolvido um forte potencial na exportação de tecnologias e equipamentos ligados à produção de energia limpa.

Segundo os dados da agência de energia, um terço do mercado de turbinas para energia eólica é de procedência dinamarquesa.

No total, as exportações dinamarquesas de tecnologia energética aumentaram em 2007 para 52 bilhões de coroas (6,934 bilhões de euros), o triplo que o registrado em 1996, o que representa mais de 9% das exportações do país.

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26/11/2009

EPE habilita 10 mil MW para leilão de energia eólica

da Folha Online, no Rio

O leilão de energia eólica tem 399 projetos habilitados, informou nesta quinta-feira a EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Esses empreendimentos somam capacidade instalada de 10.005 MW (megawatts), acima da potência prevista das usinas do Complexo do Rio Madeira — Jirau e Santo Antônio, com 6.450 MW.

O Ceará detém a maior parte dos projetos habilitados. São 108 usinas eólicas, o correspondente a 31,9% do total, cuja capacidades instaladas somam 2.515 MW.

No Rio Grande do Norte, está a maior potência prevista, com 3.629 MW espalhados em 105 unidades, que significam 31% do total.

O Rio Grande do Sul detém 67 projetos, que totalizam 2.238 MW. Já a Bahia tem 36 usinas previstas, que somariam 1.004 MW de capacidade instalada.

Marcado para o dia 14 de dezembro, o leilão será o primeiro voltado exclusivamente para a contratação de energia produzida por fontes eólicas. O preço inicial será de R$ 189 o MWh (megawatt/hora). Os contratos de compra e venda terão 20 anos de duração, e serão válidos a partir de 1º de julho de 2012.

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ENERGIA NUCLEAR

30/11/09

Brasil pode dominar todo o processo do urânio até 2014

Danilo Fariello, de Brasília
25/11/2009
Leo Pinheiro/Valor

Alfredo Tranjan Filho: país poderá até exportar urânio enriquecido

O Brasil poderá ser autossuficiente em todo o processo de extração e enriquecimento de urânio em 2014, um ano antes de entrar em operação da usina de Angra 3. Para tanto, as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e a Marinha pleiteiam com a União e parlamentares aumento no orçamento das pesquisas nucleares. Segundo Alfredo Tranjan Filho, presidente das INB, se houver recursos suficientes, o Brasil não apenas poderá se tornar autossuficiente no setor nuclear como, futuramente, respeitados os tratados internacionais, até exportar urânio enriquecido.

Hoje o Brasil exporta o urânio extraído da jazida de Caetité (BA) para o Canadá, onde ele é transformado em gás e parte para a Europa, onde é enriquecido e retorna para o país. Nos últimos dias, por exemplo, chegou um navio com urânio enriquecido no porto do Rio, de onde partiu para Resende. Lá ficam as instalações das INB.

O Brasil começou recentemente a enriquecer urânio, mas ainda em escala pequena. Para o projeto avançar, há emendas parlamentares de mais de R$ 100 milhões para investimentos no desenvolvimento da autonomia brasileira de processamento de combustível nuclear. Outros R$ 25 milhões podem ser destinados à Marinha, que domina a tecnologia e trabalha na construção de um submarino movido a energia nuclear. Ontem, foi criada em Brasília a frente parlamentar mista em defesa do Programa Nuclear Brasileiro (PBM), para defender mais recursos a essas pesquisas.

O governo tem projetos para construir dois complexos nucleares. O primeiro, para começar a gerar energia elétrica a partir de 2019, será alocado no Nordeste. O segundo, no Sudeste, começará a operar em 2023, segundo o Plano Nacional de Energia.

Para Leonam dos Santos Guimarães, executivo da Eletronuclear, é grande a expectativa de que se cresça a participação das nucleares no Plano Nacional de Energia até 2035, assim como de que se busquem novos parques geradores nucleares. Segundo Paulo Altaur Pereira Costa, secretário-adjunto de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, no médio prazo, a expansão das hidrelétricas ainda deve receber os investimentos mais intensos para geração. “Mas, no longo prazo, temos de avaliar as várias fontes disponíveis e tenho certeza de que a energia nuclear vai ganhar importância”, comenta.

Militantes do setor - que enfrenta forte oposição de ambientalistas -, defendem o fato de as nucleares serem menos poluentes e os investimentos em segurança serem suficientes para evitar acidentes de maior magnitude. Para ambientalistas, porém, o risco é alto.

Segundo Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a autossuficiência no urânio brasileiro é um desejo e sobre ele há grande expectativa. A perspectiva na exportação de urânio enriquecido é, principalmente econômica, já que o Brasil já exporta o minério em pó (conhecido como “yellow cake”). Tranjan, da INB, deixa claro, porém, que o tema tem de ser avaliado com cautela pelo governo e que só poderá ser exportado o excedente do consumo nacional, desde que avaliados os compradores e respeitadas as condições da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).

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REVITALIZAÇÃO

30/11/09

Empreendimentos tentam renovar zonas degradadas

Gustavo Faleiros, para o Valor, de Londres
24/11/2009
Divulgação

Paola Cuneo, da Think London: queda da libra atraiu investimento externo

A pleno vapor, em preparação para a Olimpíada de 2012, Londres se tornou um ímã que atrai investimentos de todo o mundo em obras de todos os tipos. O comércio e, em especial, os shopping centers estão no olho do furacão dessa nova onda de crescimento e reformulação da cidade. A crise não parece ter afetado os planos dos investidores e o mais interessante deste momento é que novos empreendimentos adotam uma estratégia integrada com a regeneração de zonas urbanas degradadas. Os centros de compra estão sendo pensados e planejados como catalisadores de qualidade de vida e de boas práticas no gerenciamento de energia, transporte e resíduos sólidos.

O exemplo emblemático é o Westfield Stratford City, um empreendimento, já em estágio avançado, que terá área de 175 mil metros quadrados, com investimento de cerca de US$ 3 bilhões até 2011. Ele é construído junto ao parque olímpico, no leste de Londres. Como o próprio nome diz, o projeto não se trata apenas de um prédio com diversas lojas, mas toda uma área que além do tradicional shopping center vai incluir moradias, escritórios e, principalmente, uma zona de entretenimento como ruas de bares e restaurantes que funcionarão 24 horas.

O projeto “será a maior área comercial urbana da Europa, uma fusão inovadora entre espaços internos e externos” nas palavras do grupo australiano Westfield, que no momento já possui o mais moderno shopping da capital britânica, o Westfield Shephard’s Bush, na região oeste. Os empreendedores sustentam que Stratford City vai ser o centro da estratégia de regeneração do distrito de Newham, afetando cerca de 4 milhões de pessoas.

A região em que o centro está estabelecido tem a economia mais deprimida de Londres, com altas taxas de desemprego. Para envolver a comunidade, o grupo responsável pelo empreendimento se comprometeu a empregar moradores. Além disso bolsas estão sendo concedidas para projetos e ideias propostas por organizações não governamentais da região.

Os esforços para reduzir impactos ambientais também são citados de forma constante no plano mestre de Stratford City. O complexo de moradias e comércio, por exemplo, terá sua própria planta de geração de energia e todas as emissões de carbono estão sendo auditadas pelo projeto Carbon Disclosure.

“Nosso projeto será o mais avançado e rigoroso na implementação de tecnologias ambientais”, afirma a representante do grupo Westfield, Laura Passam. As usinas vão fornecer de forma integrada 75% da eletricidade e 100% da calefação por meio da gaseificação do próprio lixo gerado no local.

O gerente-sênior de desenvolvimento de negócios da consultoria Think London, Craig Harrison, afirma que o projeto de Stratford City, por conta de todo o contexto da Olimpíada, busca ser um modelo a ser replicado em outras partes do Reino Unido e Europa. Por isso, o projeto está dando enorme destaque ao design dos prédios para tornar eficiente o aproveitamento da luz e do calor.

“Na verdade é uma ótima publicidade enfatizar esses detalhes do projeto”, avalia Harrisson. Outro aspecto reforçado pelo gerente de desenvolvimento é o sentido econômico de investir em plantas de energia a partir da biomassa do lixo - o custo de um aterro sanitário na Europa se torna cada vez mais caro.

Assim como o Westfield, existem outros grandes projetos que envolvem shopping centers como marcos de regeneração de bairros e zonas degradadas em Londres. Embora sejam feitas muitas críticas sobre o possível aumento do tráfego de veículos decorrente desses novos empreendimentos, o conceito envolve também planejamento abrangente de transporte público para absorver os impactos do aumento do fluxo de passageiros na região do empreendimento.

O investimento em Brent Cross-Cricklewood, no distrito de Barnet, ao norte, é um símbolo dessa tendência. Ali, em torno de um dos mais antigos shoppings do Reino Unido, o Brent Cross Shopping Mall, fundado em 1976, todo um novo bairro vai surgir. Além da reforma do centro comercial, 7.500 moradias serão criadas e novas estações de trem serão abertas. “Estamos na verdade criando uma nova cidade, com todas as facilidades que o centro de uma cidade deve ter”, diz um dos coordenadores do projeto, Jonathan Joseph, do Brent Cross Cricklewood Partners. O projeto, que ainda não foi iniciado, vai levar 20 anos para ficar totalmente pronto e deve consumir, no total, recursos de US$ 4 bilhões.

Nesse projeto também haverá uma planta própria para geração de energia que vai queimar gás metano gerado com os rejeitos locais. A usina vai fornecer tanto energia elétrica como térmica, que será usada no sistema integrado de calefação. A expectativa é de eficiência 45% maior do que se fossem utilizadas as fontes tradicionais de energia. Outra inovação do empreendimento, segundo Joseph, é a captação de 60% da água da chuva para o uso em serviços de limpeza.

Na opinião de Craig Harrison, da Think London, é difícil dizer se projetos tão grandes como esses continuarão a ter espaço em Londres. Não é fácil, afinal, construir novas cidades como pretendem os investimentos em Stratford City e Brent Cross-Cricklewood. “O que fica claro é que o futuro são empreendimentos comerciais com uso misto, com escritórios, moradias e shoppings. As pessoas querem cada vez mais morar próximas ao seu trabalho”, diz.

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Projeto para revitalizar área do porto avança no Rio

Paola Moura , do Rio
24/11/2009
A Prefeitura do Rio vai dar incentivos fiscais a empresas de entretenimento, turismo e educação que se instalarem na área do porto por até dez anos. O projeto de lei já foi aprovado em primeira instância na Câmara dos Vereadores e, segundo Felipe Góis, secretário municipal de Desenvolvimento e presidente do Instituto Pereira Passos (IPP), as emendas sofridas foram mais ambiciosas e tiveram o apoio da Prefeitura. Com isso, as empresas terão isenção de IPTU, ITBI e redução de ISS de 5% para 2%. No entanto, para obter os benefícios, as empresas precisam se instalar na área num prazo de 36 meses a partir da data da publicação da lei.

Ontem, o prefeito Eduardo Paes sancionou a lei que institui a Operação Urbana Consorciada da Região do Porto do Rio, que viabilizará o projeto de revitalização da região. A nova legislação permite à prefeitura emitir 6.436.722 Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) para a região, no valor mínimo de R$ 400. Com isso, o município deve arrecadar pelo menos R$ 2,57 bilhões nos leilões, se não houver ágio.

A primeira venda deve ser realizada no início do segundo semestre de 2010, assim com o leilão de imóveis pertencentes à Prefeitura. Segundo Góis, será necessário primeiro contratar um banco de investimentos e um fundo imobiliário através de licitação. Todo o dinheiro arrecadado será controlado pela recém-criada Companhia de Desenvolvimento dos Portos e será investido apenas na região. “A lei permite que essas intervenções necessárias possam ser financiadas com recursos privados. É a garantia de que esses investimentos em infraestrutura vão acontecer”, afirmou o prefeito Eduardo Paes.

A prefeitura ainda está fazendo um levantamento dos imóveis, mas estima que são pelo menos 20 terrenos, sendo que os maiores estão mais próximos à região da Avenida Francisco Bicalho, principal entrada da cidade. No entanto, Felipe Góis estima que os imóveis mais valorizados fiquem na região da Praça Mauá, próxima ao centro financeiro da cidade, por conta de sua localização e deficiência de espaços na região. A nova legislação também permite que proprietários repassem seus terrenos à prefeitura e depois recebam unidades imobiliárias na região com do mesmo valor do imóvel.

As alterações urbanísticas na Zona Portuária poderão ser feitas em uma área de 4 milhões de metros quadrados, que vai dos bairros da Gamboa, Saúde, São Cristóvão, Caju, Santo Cristo e Cidade Nova à Região da Leopoldina, atingindo terrenos públicos e privados. O programa inclui a demolição do Elevado da Perimetral. O projeto prevê ainda a construção de túneis e novas vias.

De acordo com o projeto, avenidas como a Rodrigues Alves, Venezuela e a Rua Barão de Tefé, na área portuária, vão passar por uma total reformulação urbanística com arborização, calçamento, iluminação e mobiliário urbano. A Praça Mauá vai ganhar um estacionamento subterrâneo com mil vagas, e os armazéns darão lugar a restaurantes e quiosques. Também serão reformadas 499 imóveis degradados para uso residencial.

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