ENERGIA
terça-Feira, 17 de Novembro de 2009
País ainda depende de térmicas
Usinas termoelétricas, incluindo as movidas a diesel, respondem por 23,6% da capacidade de produção de energia
Leonardo Goy, BRASÍLIA
A energia das termoelétricas em construção – movidas a combustíveis fósseis, emissores de gás carbônico – equivale a mais da metade da que será acrescentada por hidrelétricas também em obras. E as usinas a diesel produzem hoje cerca de 3,9 mil megawatts (MW) – mais energia do que vai produzir, por exemplo, a Usina de Jirau, no Rio Madeira (3,3 mil MW).
As declarações do presidente sobre a matriz energética foram feitas no programa de rádio “Café com o Presidente”. Apesar de mais poluentes e mais caras, o País tem contado com as usinas térmicas e vai continuar precisando delas no futuro.
Segundo dados disponibilizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), hoje o Brasil tem uma capacidade total de produção de energia elétrica de cerca de 105,9 mil MW. As hidrelétricas são preponderantes, respondem por 75,2 mil MW (ou 71%). Mas as usinas termoelétricas (movidas a gás, diesel, óleo, carvão ou biomassa) aparecem logo em seguida, com cerca de 25 mil MW, ou 23,6% – a produção a diesel é de 3,9 mil MW.
Segundo a Aneel, hoje estão em obra 93 empreendimentos que usam a água para gerar energia. Somadas, as futuras usinas acrescentarão ao sistema cerca de 11,5 mil MW, quase o equivalente a uma nova Itaipu. Por outro lado, estão em construção 68 usinas termoelétricas, que vão produzir cerca de 6,7 mil MW.
Entre as novas térmicas que estão em obras, a maior parte da futura energia, cerca de 3,9 mil MW (ou 58,8%), será gerada com a queima de combustíveis fósseis, mais agressivos ao meio ambiente. As usinas a carvão, altamente poluentes, lideram essa lista: são quatro empreendimentos em construção, capazes de gerar cerca de 1,8 mil MW. A lista da Aneel revela ainda que estão em construção 11 unidades movidas a óleo combustível (caras e também poluentes) que terão, somadas, capacidade para 1,7 mil MW.
No balanço do governo Lula, a expansão da geração em usinas hidrelétricas e em termoelétricas vem ocorrendo praticamente nas mesmas proporções. Também segundo dados disponíveis no site da Aneel, de 2003 até setembro deste ano entraram em operação cerca de 9,7 mil MW produzidos em térmicas de todos os tipos, enquanto as novas hidrelétricas acrescentaram 10,8 mil MW ao sistema.
Em parte, essa situação pode ser explicada pelo fato de o licenciamento ambiental de usinas hidrelétricas ser mais lento, apesar de esse tipo de usina não emitir gás carbônico. A demora no licenciamento, associada à escassez de novos projetos de hidrelétricas, acabou abrindo espaço para o avanço das térmicas. O governo aposta agora em projetos de mega usinas, como as do Rio Madeira e a de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), para acelerar a expansão da produção hídrica.
Mas as dificuldades continuam rondando. O licenciamento de Belo Monte ainda não saiu e o calendário começa a jogar contra a intenção do governo de licitar a usina no dia 21 de dezembro. Para que isso aconteça, a licença precisa ser liberada para que o edital possa ser publicado até o dia 21 deste mês.
A energia da cana pode fortalecer o sistema elétrico
Marcos Sawaya Jank
17/11/2009
No planejamento do setor elétrico, a bioeletricidade da cana deve ser vista como importante fonte de geração
A Copa do Mundo de futebol em 2014, a Olimpíada em 2016 e o crescimento do país acima da média mundial nos próximos anos são eventos que exigirão mais planejamento e um modelo de produção de energia elétrica suficiente para garantir qualidade de abastecimento frente à crescente demanda. Um modelo que, mesmo diante de ocorrências imponderáveis como o último apagão, ocorrido na semana passada, seja capaz de minimizar seus efeitos.
No Brasil, as últimas décadas têm sido marcadas pela “geração centralizada” de energia elétrica a partir da construção de grandes centrais hidrelétricas distantes dos principais centros de consumo, o que demanda pesados investimentos em expansão dos sistemas de transmissão de energia. O apagão da semana passada decorreu de falhas precisamente em um dos grandes “linhões” de Itaipu.
Ocorre que vários países têm buscado diversificar a sua matriz elétrica e reduzir riscos de blecautes por meio da “geração distribuída”, próxima aos centros de consumo, dando preferência às energias renováveis, com baixa emissão de gases de efeito estufa. Um bom exemplo foi a Olimpíada de Pequim de 2008, garantida por centrais de geração distribuída, que conferiram maior credibilidade ao sistema no que tange à continuidade de fornecimento de eletricidade.
O Brasil conta com 434 usinas sucroalcooleiras, todas elas autosuficientes em energia graças à produção de vapor por meio da queima de bagaço de cana em caldeiras. Porém, somente 20% das usinas (88 unidades) comercializam os seus excedentes de energia elétrica no mercado, sendo 54 centrais de cogeração exportando energia elétrica para a rede dentro do estado de São Paulo (61% do total) e 34 centrais em outros 11 estados brasileiros.
Trata-se de uma fonte típica de geração descentralizada, instalada ao lado do principal centro de consumo de eletricidade do país, que têm correspondido adequadamente às crescentes exigências de confiabilidade do sistema elétrico brasileiro. Além disso, a bioeletricidade é uma fonte de energia renovável com características altamente complementares à fonte hídrica (a produção ocorre no período de seca para o sistema elétrico, de abril a novembro no Centro-Sul), fruto de projetos baseados em tecnologia nacional e realizados com prazos reduzidos de instalação e operação. Isso sem contar que a bioeletricidade apresenta nítidas vantagens ambientais, pois seu nível de emissões é praticamente nulo em comparação com as demais fontes termelétricas convencionais, como o carvão mineral, o óleo combustível e o gás natural.
A reserva potencial de bioeletricidade adormecida nos canaviais brasileiros é imensa. Estima-se que, se conseguíssemos aproveitar plenamente toda a biomassa de cana disponível no país, seria possível exportar para a rede elétrica um volume de energia da ordem de 10.000 MW médios até a safra 2017-18, o que equivale a uma usina do porte de Itaipu. Somente no estado de São Paulo, a reserva de cana permitiria exportar 4.800 MW médios para a rede em 2017-18, valor 20% superior ao hoje gerado em todo o complexo da Companhia Energética de São Paulo (Cesp).
A bioeletricidade da cana deveria ser considerada de forma expressa e definitiva no planejamento do setor elétrico, como importante fonte de geração distribuída para tornar o sistema menos vulnerável ou dependente de grandes obras estruturantes de geração e de transmissão, reduzindo os riscos de blecaute ao facilitar o restabelecimento e a estabilização do sistema. Ao mesmo tempo, ela certamente ajudará a cumprir os ambiciosos compromissos de redução de gases de efeito estufa que os governos Federal e Estadual estarão levando para Copenhague este ano.
Porém, a tarefa de extrair essa imensa reserva de energia elétrica dos canaviais brasileiros não depende apenas da boa vontade dos empresários do setor. É preciso uma programação regular de leilões específicos para essa fonte, se possível começando já no princípio de 2010, e com especial atenção para projetos de modernização de instalações de usinas mais antigas (chamadas de retrofits), principalmente no Estado de São Paulo.
Além disso, é fundamental encontrar soluções definitivas para os graves problemas de conexão que têm dificultado a decisão de investimento por parte dos empreendedores.
Inspirando-se em Harry Markowitz, ganhador do prêmio Nobel de economia em 1990, pode-se afirmar que um planejamento de leilões de energia focados na diversificação das fontes de suprimento é o mecanismo mais apropriado para que riscos de falta ou falhas no suprimento de energia sejam diluídos de forma consistente. As grandes obras de geração hidrelétrica e transmissão são importantes, mas seria desejável ao mesmo tempo aprofundar a diversificação na direção da geração descentralizada, de pequeno e médio porte, com balanço ambiental positivo e próximo aos grandes centros consumidores.
Marcos Sawaya Jank é presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
China e EUA ampliarão diálogo sobre meio ambiente e energia
da Efe
O presidente da China, Hu Jintao, afirmou nesta terça-feira que tanto seu país como os EUA estão de acordo em ampliar o diálogo sobre meio ambiente e energia, depois de se reunir com seu colega americano, Barack Obama.
Segundo o líder chinês, China e EUA buscarão o êxito da cúpula de Copenhague sobre mudança climática de acordo com as “responsabilidades” e “capacidades” de cada país.
