ENERGIAS RENOVÁVEIS

27/11/2009

Dinamarca mostra exemplo em produção de energia limpa

LUIS ALONSO
da Efe, em Copenhague

A poucos dias do início da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Copenhague, a Dinamarca se apresenta como um país de avançada tecnologia ambiental e um exemplo de que crescimento econômico e emissões poluentes não precisam andar juntos.

De 1990 a 2007, a atividade econômica na Dinamarca cresceu mais de 45%, enquanto as emissões de dióxido de carbono (CO2) caíram em mais de 13%.

Segundo a vice-diretora geral da Agência da Energia dinamarquesa, Anne Hojer Simonsen, estes dados demonstram que “crescimento econômico pode estar desvinculado de consumo energético”.

Se no final da década de 70 a Dinamarca era um país que dependia em 99% das importações de petróleo, hoje o panorama sofreu uma importante transformação: 19% do consumo energético procede das fontes de energia renováveis.

Este dado é mais significativo se for levado em conta que o alvo da União Europeia (UE) para 2020 é que 20% da energia consumida proceda de fontes renováveis.

Mais em vista

As metas do governo dinamarquês vão além. Em 2011, o consumo energético procedente das fontes de energia renováveis deve chegar pelo menos a 20% e para 2025 essa porcentagem deve subir para 30%.

Segundo Anne, a Dinamarca foi configurando nos últimos anos um marco político propício para esta transformação, aproveitando seus recursos naturais, fundamentalmente energia eólica e de biomassa, incentivando os projetos energéticos limpos e taxando fiscalmente os poluentes.

Atualmente, segundo dados da agência de energia, a Dinamarca tem uma capacidade instalada de energia eólica de 3.150 megawatts (aproximadamente 20% do consumo de energias renováveis), dos quais 640 megawatts procedem de plataformas instaladas no mar.

Importante também foi a decisão de descentralizar a produção de eletricidade e calor. Se nos anos 80 havia 15 centrais de cogeração, agora há mais de 700 distribuídas por todo o país, mais perto dos núcleos urbanos e, portanto, com um aproveitamento muito maior.
Biocombustível

Na Dinamarca, joio de trigo, madeira, biogás e resíduos biodegradáveis foram incorporados como matérias-primas para a produção de energia, para reduzir a emissão de CO2 e outros gases responsáveis pela mudança climática.

Um dos casos mais significativos é o da empresa Inbicon, recentemente inaugurada pelo príncipe Joaquin, que produz biocombustível a partir de joio de trigo, uma experiência única no mundo.

É o chamado biocombustível de segunda geração, ou seja, que utiliza como matéria-prima aquilo que não pode ser consumido pelo homem, como a palha depois que o trigo é colhido.

Lene Haugaard Mikelsen, uma de suas responsáveis, explica que a tecnologia utilizada pela empresa permite reduzir em 84% as emissões de CO2 em comparação com o petróleo.

Os agricultores vendem sua palha à empresa –cerca de 30 mil toneladas ao ano–, que, depois de ser processada, produz 5,4 milhões de litros de etanol (que substitui a gasolina em automóveis), melaço (utilizado em bioquímica) e biocombustível, que substitui o carvão na geração de energia elétrica.

Um exemplo de produção de energia elétrica e calórica por meio de biogás é o da empresa Hashoj, criada em 1994 por 21 granjeiros de uma região próxima a Copenhague.

Fertilizantes

A empresa utiliza os resíduos orgânicos de qualquer tipo. Por meio de um processo de pasteurização, o metano é separado do resto, que é transformado em fertilizantes ricos em potássio, fósforo e nitratos e que volta aos armazéns agrícolas.

O metano é armazenado e transportado por gasodutos a uma pequena central próxima de cogeração, que fornece eletricidade e calor a cerca de 500 consumidores.

Estes casos contribuíram para o fato de que atualmente a Dinamarca tenha desenvolvido um forte potencial na exportação de tecnologias e equipamentos ligados à produção de energia limpa.

Segundo os dados da agência de energia, um terço do mercado de turbinas para energia eólica é de procedência dinamarquesa.

No total, as exportações dinamarquesas de tecnologia energética aumentaram em 2007 para 52 bilhões de coroas (6,934 bilhões de euros), o triplo que o registrado em 1996, o que representa mais de 9% das exportações do país.

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26/11/2009

EPE habilita 10 mil MW para leilão de energia eólica

da Folha Online, no Rio

O leilão de energia eólica tem 399 projetos habilitados, informou nesta quinta-feira a EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Esses empreendimentos somam capacidade instalada de 10.005 MW (megawatts), acima da potência prevista das usinas do Complexo do Rio Madeira — Jirau e Santo Antônio, com 6.450 MW.

O Ceará detém a maior parte dos projetos habilitados. São 108 usinas eólicas, o correspondente a 31,9% do total, cuja capacidades instaladas somam 2.515 MW.

No Rio Grande do Norte, está a maior potência prevista, com 3.629 MW espalhados em 105 unidades, que significam 31% do total.

O Rio Grande do Sul detém 67 projetos, que totalizam 2.238 MW. Já a Bahia tem 36 usinas previstas, que somariam 1.004 MW de capacidade instalada.

Marcado para o dia 14 de dezembro, o leilão será o primeiro voltado exclusivamente para a contratação de energia produzida por fontes eólicas. O preço inicial será de R$ 189 o MWh (megawatt/hora). Os contratos de compra e venda terão 20 anos de duração, e serão válidos a partir de 1º de julho de 2012.

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