REVITALIZAÇÃO
Empreendimentos tentam renovar zonas degradadas
Gustavo Faleiros, para o Valor, de Londres
24/11/2009
Divulgação

Paola Cuneo, da Think London: queda da libra atraiu investimento externo
A pleno vapor, em preparação para a Olimpíada de 2012, Londres se tornou um ímã que atrai investimentos de todo o mundo em obras de todos os tipos. O comércio e, em especial, os shopping centers estão no olho do furacão dessa nova onda de crescimento e reformulação da cidade. A crise não parece ter afetado os planos dos investidores e o mais interessante deste momento é que novos empreendimentos adotam uma estratégia integrada com a regeneração de zonas urbanas degradadas. Os centros de compra estão sendo pensados e planejados como catalisadores de qualidade de vida e de boas práticas no gerenciamento de energia, transporte e resíduos sólidos.
O exemplo emblemático é o Westfield Stratford City, um empreendimento, já em estágio avançado, que terá área de 175 mil metros quadrados, com investimento de cerca de US$ 3 bilhões até 2011. Ele é construído junto ao parque olímpico, no leste de Londres. Como o próprio nome diz, o projeto não se trata apenas de um prédio com diversas lojas, mas toda uma área que além do tradicional shopping center vai incluir moradias, escritórios e, principalmente, uma zona de entretenimento como ruas de bares e restaurantes que funcionarão 24 horas.
O projeto “será a maior área comercial urbana da Europa, uma fusão inovadora entre espaços internos e externos” nas palavras do grupo australiano Westfield, que no momento já possui o mais moderno shopping da capital britânica, o Westfield Shephard’s Bush, na região oeste. Os empreendedores sustentam que Stratford City vai ser o centro da estratégia de regeneração do distrito de Newham, afetando cerca de 4 milhões de pessoas.
A região em que o centro está estabelecido tem a economia mais deprimida de Londres, com altas taxas de desemprego. Para envolver a comunidade, o grupo responsável pelo empreendimento se comprometeu a empregar moradores. Além disso bolsas estão sendo concedidas para projetos e ideias propostas por organizações não governamentais da região.
Os esforços para reduzir impactos ambientais também são citados de forma constante no plano mestre de Stratford City. O complexo de moradias e comércio, por exemplo, terá sua própria planta de geração de energia e todas as emissões de carbono estão sendo auditadas pelo projeto Carbon Disclosure.
“Nosso projeto será o mais avançado e rigoroso na implementação de tecnologias ambientais”, afirma a representante do grupo Westfield, Laura Passam. As usinas vão fornecer de forma integrada 75% da eletricidade e 100% da calefação por meio da gaseificação do próprio lixo gerado no local.
O gerente-sênior de desenvolvimento de negócios da consultoria Think London, Craig Harrison, afirma que o projeto de Stratford City, por conta de todo o contexto da Olimpíada, busca ser um modelo a ser replicado em outras partes do Reino Unido e Europa. Por isso, o projeto está dando enorme destaque ao design dos prédios para tornar eficiente o aproveitamento da luz e do calor.
“Na verdade é uma ótima publicidade enfatizar esses detalhes do projeto”, avalia Harrisson. Outro aspecto reforçado pelo gerente de desenvolvimento é o sentido econômico de investir em plantas de energia a partir da biomassa do lixo - o custo de um aterro sanitário na Europa se torna cada vez mais caro.
Assim como o Westfield, existem outros grandes projetos que envolvem shopping centers como marcos de regeneração de bairros e zonas degradadas em Londres. Embora sejam feitas muitas críticas sobre o possível aumento do tráfego de veículos decorrente desses novos empreendimentos, o conceito envolve também planejamento abrangente de transporte público para absorver os impactos do aumento do fluxo de passageiros na região do empreendimento.
O investimento em Brent Cross-Cricklewood, no distrito de Barnet, ao norte, é um símbolo dessa tendência. Ali, em torno de um dos mais antigos shoppings do Reino Unido, o Brent Cross Shopping Mall, fundado em 1976, todo um novo bairro vai surgir. Além da reforma do centro comercial, 7.500 moradias serão criadas e novas estações de trem serão abertas. “Estamos na verdade criando uma nova cidade, com todas as facilidades que o centro de uma cidade deve ter”, diz um dos coordenadores do projeto, Jonathan Joseph, do Brent Cross Cricklewood Partners. O projeto, que ainda não foi iniciado, vai levar 20 anos para ficar totalmente pronto e deve consumir, no total, recursos de US$ 4 bilhões.
Nesse projeto também haverá uma planta própria para geração de energia que vai queimar gás metano gerado com os rejeitos locais. A usina vai fornecer tanto energia elétrica como térmica, que será usada no sistema integrado de calefação. A expectativa é de eficiência 45% maior do que se fossem utilizadas as fontes tradicionais de energia. Outra inovação do empreendimento, segundo Joseph, é a captação de 60% da água da chuva para o uso em serviços de limpeza.
Na opinião de Craig Harrison, da Think London, é difícil dizer se projetos tão grandes como esses continuarão a ter espaço em Londres. Não é fácil, afinal, construir novas cidades como pretendem os investimentos em Stratford City e Brent Cross-Cricklewood. “O que fica claro é que o futuro são empreendimentos comerciais com uso misto, com escritórios, moradias e shoppings. As pessoas querem cada vez mais morar próximas ao seu trabalho”, diz.
Projeto para revitalizar área do porto avança no Rio
Paola Moura , do Rio
24/11/2009
A Prefeitura do Rio vai dar incentivos fiscais a empresas de entretenimento, turismo e educação que se instalarem na área do porto por até dez anos. O projeto de lei já foi aprovado em primeira instância na Câmara dos Vereadores e, segundo Felipe Góis, secretário municipal de Desenvolvimento e presidente do Instituto Pereira Passos (IPP), as emendas sofridas foram mais ambiciosas e tiveram o apoio da Prefeitura. Com isso, as empresas terão isenção de IPTU, ITBI e redução de ISS de 5% para 2%. No entanto, para obter os benefícios, as empresas precisam se instalar na área num prazo de 36 meses a partir da data da publicação da lei.
Ontem, o prefeito Eduardo Paes sancionou a lei que institui a Operação Urbana Consorciada da Região do Porto do Rio, que viabilizará o projeto de revitalização da região. A nova legislação permite à prefeitura emitir 6.436.722 Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) para a região, no valor mínimo de R$ 400. Com isso, o município deve arrecadar pelo menos R$ 2,57 bilhões nos leilões, se não houver ágio.
A primeira venda deve ser realizada no início do segundo semestre de 2010, assim com o leilão de imóveis pertencentes à Prefeitura. Segundo Góis, será necessário primeiro contratar um banco de investimentos e um fundo imobiliário através de licitação. Todo o dinheiro arrecadado será controlado pela recém-criada Companhia de Desenvolvimento dos Portos e será investido apenas na região. “A lei permite que essas intervenções necessárias possam ser financiadas com recursos privados. É a garantia de que esses investimentos em infraestrutura vão acontecer”, afirmou o prefeito Eduardo Paes.
A prefeitura ainda está fazendo um levantamento dos imóveis, mas estima que são pelo menos 20 terrenos, sendo que os maiores estão mais próximos à região da Avenida Francisco Bicalho, principal entrada da cidade. No entanto, Felipe Góis estima que os imóveis mais valorizados fiquem na região da Praça Mauá, próxima ao centro financeiro da cidade, por conta de sua localização e deficiência de espaços na região. A nova legislação também permite que proprietários repassem seus terrenos à prefeitura e depois recebam unidades imobiliárias na região com do mesmo valor do imóvel.
As alterações urbanísticas na Zona Portuária poderão ser feitas em uma área de 4 milhões de metros quadrados, que vai dos bairros da Gamboa, Saúde, São Cristóvão, Caju, Santo Cristo e Cidade Nova à Região da Leopoldina, atingindo terrenos públicos e privados. O programa inclui a demolição do Elevado da Perimetral. O projeto prevê ainda a construção de túneis e novas vias.
De acordo com o projeto, avenidas como a Rodrigues Alves, Venezuela e a Rua Barão de Tefé, na área portuária, vão passar por uma total reformulação urbanística com arborização, calçamento, iluminação e mobiliário urbano. A Praça Mauá vai ganhar um estacionamento subterrâneo com mil vagas, e os armazéns darão lugar a restaurantes e quiosques. Também serão reformadas 499 imóveis degradados para uso residencial.
