Arquivo de novembro, 2009

ENERGIA EÓLICA

15/11/09

Aneel fixa em R$ 189 preço-teto do MWh para leilão de eólicas

César Felício e Murillo Camarotto, de Belo Horizonte e do Recife
12/11/2009

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou ontem o edital para o leilão de energia eólica que irá ocorrer dia 14 de dezembro, para o qual já há projetos que representariam uma geração da ordem de 13 mil MWh, 73% deste total no Nordeste. O preço-teto para a energia, que servirá como reserva do sistema, será de R$ 189 o MWh. Não há definição sobre qual será o volume de energia a ser contratada. As estimativas variam entre 1 mil e 3 mil MWh. Atualmente, o parque eólico instalado no Brasil é capaz de gerar 500 MWh.
O valor está próximo do mínimo que o mercado estima para viabilizar os projetos, de R$ 180. Em valores corrigidos, representa uma redução em relação à energia contratada nos primeiros projetos do Proinfra, programa emergencial de fontes alternativas de energia lançado pelo governo federal logo após o racionamento de 2001, que estava em torno de R$ 247 o MWh. Ainda assim, é um valor consideravelmente superior ao negociado hoje no mercado livre pela energia de matriz hidrelétrica. Para contratos superiores a um ano, a cotação é de R$ 135 o MWh.
Entre as empresas participantes, no entanto, o valor não foi bem recebido. Disposta a vender 400 MW no leilão, a Siif Énergies, sediada no Ceará, acredita que o teto torna suas margens apertadas. “É muito baixo o valor”, disse por telefone o diretor-presidente da empresa, Marcelo Picchi, no momento em que entrava em uma reunião com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Após o encontro, no qual tratou de “outros projetos do setor”, o executivo disse que a empresa trabalhava com preço maior, de R$ 200 por MWh. Segundo Picchi, sua maior preocupação é de que empresas que não estão interessadas em implantar projetos eólicos – mas apenas ganhar as concessões para depois negociá-las no mercado – saiam vencedoras. Na sua avaliação, um preço-teto considerado baixo favorece esse tipo de situação. “O ideal é que ganhe quem vai efetivamente implementar os projetos. Com preços baixos, essas empresas perdem a motivação.”
A Siif pretende comercializar no leilão a energia produzida em 20 parques eólicos que deverão ser construídos no Ceará (250 MW) e no Piauí (150 MW). De acordo com Picchi, os novos projetos custarão cerca de R$ 2 bilhões, se considerado o custo médio de R$ 5 milhões para se gerar 1 MW de energia eólica. Atualmente, a Siif, que tem como acionistas o Citigroup, Liberty Mutual e Black River, conta com quatro usinas eólicas em funcionamento, todas no Ceará, com capacidade para gerar 207 MW.
O leilão terá um sentido estratégico para o governo federal, ao acontecer na mesma época que a conferência internacional de Copenhague, que poderá impor metas de redução de emissões ao Brasil. “A contratação de um alto volume de energia eólica poderá contrabalançar a possível compra de energia proveniente de carvão mineral que talvez ocorra no leilão A-5″, afirmou Walter Fróes, diretor da comercializadora de energia CMU, de Belo Horizonte. O leilão A-5 irá acontecer em 17 de dezembro, para a contratação de energia a ser fornecida a partir de 2014.

Leia na fonte

 

Para Buffett, dinheiro está no vento

Scott Patterson, The Wall Street Journal, de Adair, EUA
10/11/2009

O acordo bilionário de Warren Buffett para comprar a empresa ferroviária Burlington Northern Santa Fe Corp. se baseou em parte na visão de que quando o petróleo está em alta as ferrovias são mais eficientes do que os caminhões.

Mas outra empresa no portfólio de Buffett, a MidAmerican Energy Holdings Co., também aposta no “verde” com a construção de moinhos de vento e investimento em baterias de alta tecnologia, numa das iniciativas de energia limpa mais abrangentes já feitas por uma energética americana de grande porte.

Dezenas de moinhos de ponta se agigantam nos campos de milho e soja desta cidade de Iowa, parte de um projeto de energia eólica da MidAmerican que abastece mais de 50.000 residências.

É um dos vários projetos de energia eólica que a MidAmerican, sediada em Des Moines, lançou desde 2004 ao custo de bilhões de dólares. Iowa se tornou o segundo Estado americano em capacidade de geração de energia eólica, atrás só do Texas, em parte graças à MidAmerican.

Quinta-feira, só uns dias depois de anunciado o acordo de Buffett para comprar a Burlington Northern, um conselho local aprovou um projeto de energia eólica de US$ 2 bilhões que deve dobrar a capacidade da MidAmerican nesse tipo de fonte, com entre 400 e 600 novas turbinas. A MidAmerican também tem parques eólicos no noroeste do país.

“Em Iowa havia vento, mas nada que o aproveitasse dez anos atrás”, disse Buffett ao Wall Street Journal. A MidAmerican mudou isso, disse ele, “e vamos fazer ainda mais”.

A motivação do lucro está claramente funcionando na empresa. Buffett acredita que esses investimentos vão beneficiar a MidAmerican e sua matriz, a holding Berkshire Hathaway Inc., controlada por ele.

“Claramente ele acha que a cotação do petróleo vai subir e a Burlington é uma maneira de ter um fornecedor barato, e você vê isso também na MidAmerican”, disse Justin Fuller, sócio da Midway Capital Research & Management, que acompanha a Berkshire de perto.

Os moinhos são uma jogada arriscada. A energia alternativa é um dos investimentos mais quentes e menos bem-sucedidos dos últimos anos.

O alto custo e obstáculos tecnológicos bloquearam o avanço de áreas que antes iam de vento em popa, como etanol e energia solar. Do magnata texano do petróleo T. Boone Pickens à gigante britânica BP PLC, o tal “dinheiro inteligente” recuou de alguns planos de energia limpa antes anunciados com empolgação.

“A única coisa que não vamos é nos meter em modismos”, disse David Sokol, presidente do conselho da MidAmerican, ao Wall Street Journal. “Queremos coisas que realmente têm potencial.”

Sokol é considerado um dos principais candidatos à sucessão de Buffett, e seu status crescente na Berkshire aumentou o interesse nos planos de energia eólica da empresa. A MidAmerican gastou uns US$ 4 bilhões em projetos de energia eólica e pretende investir outros bilhões no financiamento de projetos desse tipo e de outros tipos de energia alternativa em todo o país.

“A energia renovável sempre foi fascinante na minha perspectiva, onde quer que ela faça sentido economicamente”, disse Sokol.

Buffett e Sokol não integram nenhuma cruzada ambientalista. A MidAmerican tem várias termelétricas a carvão, uma das maiores fontes de gases do efeito estufa. As elétricas americanas produzem cerca de 40% das emissões de dióxido de carbono ligado a geração no país, segundo dados do Departamento de Energia.

Este ano, Sokol deu depoimento ao Congresso contra um projeto de lei apoiado por vários ambientalistas, que visa criar um mercado para a troca de créditos de carbono, argumentando que vai “impor um custo dobrado inaceitável para os clientes”.

Sokol, que já disse que a indústria da energia eólica precisa do apoio do governo, também vem tentando resolver uma das grandes questões da energia alternativa: como armazenar o excesso de carga quando o vento está soprando, e transmiti-lo quando ele para.

A MidAmerican investiu US$ 232 milhões para comprar 9,9% da fabricante chinesa de baterias BYD Co. Se a empresa conseguir produzir baterias que tornem a eletricidade mais portátil e armazenável, isso pode mudar o lado econômico da energia alternativa. A MidAmerican, que atualmente produz mais eletricidade que seus clientes precisam, se beneficiaria disso.

Leia na fonte

ENERGIAS RENOVÁVEIS

15/11/09

Bagaço de cana ajuda a iluminar interior do Estado

Mônica Scaramuzzo, de São Paulo
12/11/2009

O interior do Estado de São Paulo recebeu uma ajuda indireta das usinas de açúcar e álcool que fornecem energia a partir do bagaço de cana para as distribuidoras. O Estado conta com 54 usinas interligadas à rede.
“Parte dessas usinas sucroalcooleiras ajudou a mitigar o efeito do apagão no interior do Estado”, afirmou Zilmar José de Souza, assessor em bioeletricidade da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). As usinas paulistas têm, sobretudo, contratos de fornecimento com a CPFL Paulista e a Elektro.

Segundo Souza, essas 54 usinas colocam na rede energia suficiente para iluminar uma cidade de 1,4 milhão de habitantes – o equivalente a duas cidades como Ribeirão Preto, o maior polo produtor de cana no país. Boa parte destas unidades está instalada na região de Ribeirão Preto e no Oeste e Noroeste paulista.
A energia a partir da biomassa virou importante alternativa de fonte para a matriz energética do país. Mas sua representatividade ainda é pequena. “O setor sucroalcooleiro ajuda a tornar o sistema menos vulnerável”, afirmou Souza.

O potencial de fornecimento de energia a partir do bagaço das usinas de açúcar e álcool do Brasil equivale a um complexo do Madeira (um total de 6.000 MW). Mas o que é comercializado efetivamente por cerca de 88 usinas do país, de um total de 400, representa cerca de 25% desse potencial.

As usinas brasileiras chegaram a anunciar investimentos em cogeração de energia de cerca de R$ 4 bilhões nos próximos anos. No entanto, o apetite foi contido pela crise financeira pela qual essas empresas passam desde o ano passado.

Muitos grupos sucroalcooleiros firmaram contratos de longo prazo com as distribuidoras de energia. E muitas distribuidoras fecharam parcerias com usinas sucroalcooleiras para bancar os projetos de cogeração de energia no país. No leilão de reserva realizado pelo governo no ano passado, 31 usinas venderam 548 MW médios de energia a partir do bagaço (o que equivale a 1.096 MW de potência instalada, considerando que a usina produz energia somente no período de seis meses de safra).

O grupo Cosan, a maior companhia sucroalcooleira do mundo, foi um dos que mais investiu em cogeração de energia nestes três últimos anos.

Leia na fonte

 

Prospeção atrai novas empresas

Do Rio
10/11/2009

Divulgação

Dominique Mauppin: “Trabalho de prospecção e promoção comercial atingirá, ao todo, mil empresas francesas em 2009, contra 200 de três anos atrás”

As perspectivas para a geração de energia alternativa têm atraído novas empresas francesas ao país. Em 2008, após um período de observação do mercado, a gigante Areva – presente em 41 países – adquiriu o controle da brasileira Koblitz, empresa de engenharia fundada em 1975 e com mais de 300 projetos de usinas de biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Segundo o diretor comercial da Areva Koblitz, Romero Rêgo, a operação brasileira representa hoje 30% da receita mundial da divisão de renováveis da Areva. “Os projetos para biomassa respondem por 70% do faturamento no Brasil e continuarão a ser o carro-chefe”, informa Rêgo.

Presente na Grécia e na Guiana Francesa, a Voltalia chegou ao Brasil há três anos e quer gerar, a partir de 2013, 200 MW por meio de uma combinação de usinas eólicas e PCHs. A companhia levará ao leilão de energia eólica do governo quatro usinas no Ceará, com capacidade total de 109 MW, e planeja iniciar em 2010 a construção de duas PCHs em MG, com total de 6MW, e uma no Amapá, com 7,5 MW. “Estimamos grande potencial para o mercado brasileiro”, diz o diretor-executivo Robert Klein.

Com foco na produção de energia fotovoltaica, a ReWATT escolheu Fortaleza como sede da filial brasileira, atraída pela vocação do Estado para geração solar. “Deve ter um dos maiores rendimentos do mundo”, observa o diretor Philippe Byron, que no fim de outubro foi à Cemig conhecer a experiência da empresa em geração fotovoltaica e avaliar possibilidades de parceria. Segundo ele, a exemplo do que ocorreu em outros países, o desenvolvimento da geração solar no Brasil precisa de apoio do governo, o que levaria, entre outros benefícios, à criação de uma cadeia produtiva, com importante geração de empregos.

Um exemplo do possível efeito propagador mencionado por Byron é o interesse com que a Dubuit, tradicional fabricante de máquinas para serigrafia, há 45 anos no país, acompanha as discussões sobre energia solar no Brasil. Na França, desde a década de 90 a companhia fabrica máquinas para aplicação de prata nas células usadas na geração fotovoltaica. “Provavelmente, com um mercado crescendo aqui, seria estudada a possibilidade de fabricar essas máquinas no Brasil”, diz Gregory Brette, responsável de exportação e importação do Grupo Dubuit na América Latina.

Vista com menos entusiasmo por formuladores da política de energia elétrica do governo brasileiro, que por enquanto a consideram cara e aplicável apenas a fins específicos, a geração solar tem obtido crescimento relevante na França – embora represente menos de 0,5% da matriz – e em outros países do mundo. “É impressionante a quantidade de energia solar disponível e o uso que fazemos dela. É um desperdício”, comentou Jean-Luc Hognon, gerente de projetos do CEA-Liten (Laboratório de Inovação em Tecnologias de Energias Novas e Nanomateriais, ligado ao Comissariado de Energia Atômica da França), que veio ao Brasil conhecer o mercado e avaliar possibilidades de parceria. Com três principais áreas de atuação – energia solar, transportes do futuro e aplicação de nanomateriais na energia -, o Liten é um dos principais centros europeus de pesquisa em novas tecnologias na área de energia e em 2008 registrou 96 novas patentes.

Especializada em energias renováveis e monitoramento do meio ambiente, a consultoria Enviroconsult também vê espaço para bons negócios no Brasil. Segundo o diretor-geral, Olivier Decherf, a empresa negocia com o governo do Rio Grande do Sul um contrato de monitoramento da qualidade do ar em parceria com a Voltalia e apoio do governo francês. Com experiência nos Jogos Olímpicos de Pequim – onde a empresa atuou na melhoria da qualidade do ar -, o executivo quer participar do planejamento da Olimpíada do Rio de Janeiro. “Os próximos cinco, seis anos vão ser desafiadores e instigantes no Rio”, comenta.

Neste cenário movimentado, a Proparco, instituição de fomento administrada pelo governo francês em parceria com acionistas privados, chegou ao país em 2007 com o objetivo de conceder US$ 100 milhões ao ano em financiamentos para o setor privado, principalmente em projetos de energias renováveis, eficiência energética, biocombustíveis e outras áreas que promovam o desenvolvimento sustentável. “Não queremos competir com o BNDES ou com a Caixa. Temos complementaridade”, afirmou o representante da Proparco no Brasil e na América do Sul, Christophe Blanchot.

Essas e outras empresas francesas – como Converteam, Ugimag e Velcan – estiveram no Rio no fim de outubro para participar do Seminário França-Brasil de Energias Renováveis e Biocombustíveis, realizado pela Ubifrance (agência do governo francês para internacionalização das empresas), pela rede das missões econômicas do governo da França no Brasil e pela Câmara de Comércio França-Brasil.

Segundo Dominique Mauppin, representante da Ubifrance no Brasil e chefe da missão econômica de São Paulo, até o fim do ano terão sido 60 eventos com a participação de empresas francesas, entre seminários e feiras internacionais. O trabalho de prospecção e promoção atingirá, ao todo, mil empresas francesas em 2009, contra 200 de três anos atrás. De lá para cá, o número de companhias que, depois de contatadas, decidiram vir ao Brasil por pelo menos uma semana passou de 80 para 500.

“Em novembro do ano passado, para o lançamento do Ano da França no Brasil, atraímos 116 empresas francesas para uma semana e, dez meses depois, sabemos que mais de 40 delas ou abriram filial ou fizeram algum contrato no país, seja de venda ou parceria com empresa brasileira.” (D.H.)

Leia na fonte

 

Fontes alternativas despertam interesse

Diogo de Hollanda, para o Valor, do Rio
10/11/2009

O tamanho do mercado, as perspectivas favoráveis para a demanda e o potencial de produção fizeram do Brasil, desde a década de 80, um destino atraente para companhias francesas de energia. Mas, agora, a necessidade de diversificação da matriz elétrica brasileira, com investimentos em energia eólica, biomassa e outras fontes alternativas e renováveis, propicia uma nova oportunidade para as empresas: trazer para o Brasil a experiência que adquiriram na França e em outros países e obter posição de destaque em um mercado promissor que está apenas dando os primeiros passos.

Com importância ampliada devido à tendência de redução da capacidade de armazenamento do parque hidrelétrico -consequência, principalmente, da impossibilidade de construir reservatórios nos novos projetos, a maioria na Região Norte -, a exploração de fontes alternativas no país ainda é ínfima diante das perspectivas apontadas por especialistas. As estimativas oficiais, consideradas conservadoras, somente o potencial para geração eólica poderia saltar dos atuais 603 megawatts (MW) para 143 mil MW – mais do que toda a capacidade instalada de energia do Brasil, de 106 mil MW. Hoje, a energia eólica participa com menos de 1% da matriz elétrica brasileira, ao passo que, na França, impulsionado pelo programa de ações para o meio ambiente do governo (Programa Grenelle), o percentual caminha para 4%.

A Alstom, fabricante de equipamentos com forte presença em hidrelétricas e termelétricas, estuda construir uma fábrica especificamente para projetos de energia eólica. Segundo o vice-presidente para a área de energia da empresa, Marcos Costa, a decisão depende do anúncio de regras que deem previsibilidade para o segmento, como a fixação de um ritmo regular nos leilões de compra de energia promovidos pelo governo e a definição de uma tarifa que viabilize os investimentos.

Sem revelar o investimento, Costa destaca que uma nova fábrica teria forte potencial de geração de empregos e ter toda a cadeia produtiva instalada no Brasil. Hoje, apenas na área de energia, a Alstom emprega 2,5 mil pessoas no país. Com a inauguração, até o fim do ano, de uma unidade em Rondônia, em parceria com a Bardella, o número será próximo de 2,8 mil.

Para diversificar sua carteira de encomendas – mais de 70% composta por hidrelétricas -, a Alstom pretende assinar em 2010 os primeiros contratos de fornecimento com eólicas no Brasil. A companhia fez propostas para vários dos investidores que vão participar do leilão de compra de energia de reserva marcado para 14 de dezembro pelo governo. Presente em mais de 70 países, a multinacional começou a atuar em energia eólica em 2007, com a aquisição da Ecotècnia, empresa espanhola com mais de 20 anos no segmento.

Controlada pelo grupo GDF Suez – que, internacionalmente, tem mostrado apetite pela energia a partir dos ventos -, a Tractebel cadastrou 11 novas usinas para o leilão do governo. Juntos, os 11 projetos têm potência total de 300 MW, sete vezes a atual capacidade instalada da empresa em energia eólica, dividida em uma planta de 18 MW no Piauí e outra de 26 MW no Ceará. A companhia, maior geradora privada de energia do país, também tem duas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e uma usina de geração por biomassa (resíduos de madeira) no segmento que denomina energias complementares e que hoje representa apenas 2% de sua capacidade de geração, de 6.432 MW. Do restante, 18% vêm de usinas térmicas (seis unidades) e 80% de hidrelétricas (oito plantas, sem incluir os projetos em desenvolvimento, como Estreito e Jirau, por enquanto sob a estrutura da coligada GDF Suez Energy Brasil).

“Temos a diretriz de aumentar a participação das fontes complementares no nosso portfólio” diz o gerente de desenvolvimento de negócios da Tractebel, Carlos Alberto Gothe, ressaltando que a energia hidrelétrica vai continuar “por muitas décadas” como a base da matriz brasileira. Hoje, cerca de 75% da energia provê de fontes hídricas.

Em parceria com universidades, a Tractebel também desenvolve projetos piloto para outras modalidades de geração, como solar e a partir da força das ondas. No primeiro caso, a empresa instalou com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) três sistemas de geração fotovoltaica em edifícios de Florianópolis, com o objetivo de observar o rendimento e avaliar as possibilidades de aplicação. Já o projeto de energia das ondas, em parceria com a Coppe/UFRJ, prevê a geração, a partir de 2011, de 100 mil watts de eletricidade no Porto de Pecém (CE) – o suficiente para acender 1,6 mil lâmpadas comuns de 60 watts. Segundo estimativas da Coppe, o Brasil poderia atender 15% de sua demanda energética somente utilizando a força das ondas.
Outra modalidade com significativo potencial, a geração por biomassa (oriunda de matéria orgânica como cana-de-açúcar e resíduos de madeira) também atrai o interesse de companhias da França. Um dos maiores propulsores é o setor sucroalcooleiro, onde uma multinacional francesa, a Louis Dreyfus Commodities, acaba de se tornar a segunda maior empresa do ramo, ao comprar a Santelisa Vale.

Antes de 2001, quando foi adquirida pela Tereos – cooperativa que reúne 12 mil agricultores franceses e é a quarta maior produtora mundial de açúcar, álcool e produtos à base de amido -, a Açúcar Guarani só produzia energia suficiente para consumo próprio. Hoje, além de abastecer suas cinco usinas, a empresa tem capacidade excedente de 24 MW comercializada no mercado livre. Por enquanto, a venda representa apenas 2% da receita da empresa, mas, segundo Jean Claude Religieux, do conselho de administração da Guarani, pode chegar a 10% dentro de dez anos.

Leia na fonte

MINERAÇÃO

15/11/09

Terça-Feira, 10 de Novembro de 2009

Petrobrás admite voltar à mineração

Gabrielli, no entanto, diz que exploração de mina de potássio no Amazonas depende de avaliação de consultoria

Nicola Pamplona

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, afirmou ontem que qualquer decisão sobre a mina de potássio de Fazendinha, no Amazonas, dependerá da avaliação feita por consultoria que está sendo contratada pela estatal. O executivo não negou a possibilidade de a estatal voltar a atuar na mineração, como quer o governo, mas disse que é cedo para qualquer decisão nesse sentido.

“Não podemos decidir nada enquanto não finalizarmos uma avaliação”, disse Gabrielli, em entrevista após palestra no Clube de Engenharia do Rio. A empresa está concluindo processo licitatório para contratar empresa especializada para análise técnico-econômica da jazida, descoberta na década de 70, mas abandonada por falta de economicidade na época. O trabalho vai focar aspectos econômicos e alternativas de produção do potássio.

As reservas, estimadas inicialmente em 1,1 bilhão de toneladas, estão no município de Nova Olinda do Norte, na região do Baixo Rio Madeira. O Brasil importa atualmente 92% do potássio que consome e, diante da escalada dos preços internacionais, há grande pressão do governo, principalmente do Ministério da Agricultura, para retomada das atividades na região, que pode conter a terceira reserva mundial do mineral. O argumento é que, se quiser manter o posto de grande supridor mundial de alimentos, o Brasil precisa ser independente no abastecimento de insumos essenciais, como os fertilizantes. Além do potássio, a produção de fertilizantes demanda fosfato – 50% importado pelo Brasil – e amônia e ureia, que podem ser extraídos do gás natural.

Os defensores da mineração na Amazônia dizem que a produção de fertilizantes vai contribuir para melhorar a produtividade nas terras já aradas, reduzindo o desmatamento. A bacia se estende por mais de 400 quilômetros na região do encontro dos Rios Madeira e Amazonas.

Em reportagem publicada domingo, o Estado informou que a mineradora Potássio do Brasil, de capital canadense, trabalha para iniciar, ainda este mês, o primeiro poço exploratório na bacia de potássio da Amazônia em mais de 30 anos. A empresa aguarda a sonda de perfuração, que está no Chile, para iniciar as atividades. Se confirmar o potencial da jazida, prevê investimento de US$ 2,5 bilhões nos próximos sete anos.

A Potássio do Brasil pertence ao mesmo grupo da Falcon Metais, que venceu concorrência da Petrobrás para a transferência da mina de Fazendinha. O processo, porém, foi suspenso no fim do ano passado, em um claro sinal de que o governo pretende manter soberania sobre a exploração do mineral. Logo após o destrato, a Falcon adquiriu três concessões vizinhas à da Petrobrás, onde a Potássio do Brasil iniciará a pesquisa.

Leia na fonte

Usina de incineração de lixo vira alternativa em SP

11/11/09

Seg, 21/09/09

O Estado de S. Paulo

Segundo o governo, empreendimento no litoral paulista é opção para gerar energia e suprir falta de aterros

O governo de São Paulo prepara a instalação de uma usina de incineração de lixo na Baixada Santista para geração de energia elétrica. Trata-se de uma alternativa para aterros sanitários que são caros e não respondem às necessidades das regiões metropolitanas.

Segundo a Secretaria de Estado de Saneamento e Energia, foi fechado um convênio com o governo da Bavária, na Alemanha, que inclui troca de informações sobre tecnologia de segurança para a emissão de gases gerados na queima do lixo.

A nova usina deve ser de grande porte, com capacidade para queimar de 400 a 600 toneladas de lixo por dia e produzir vapor para geração de energia elétrica. A prioridade é usar o lixo gerado na Baixada Santista e litoral norte. Atualmente há duas usinas de geração de energia por meio do lixo em São Paulo, com aproveitamento de gás metano. O incinerador de lixo doméstico é novidade no País.

O consórcio Andrade & Canellas/Proema, formado pelas empresas Andrade & Canellas Consultoria e Engenharia Ltda. e Proema Engenharia e Serviços, está avaliando a viabilidade da implantação desse tipo de usina em São Paulo. O prazo para a conclusão dos estudos é de 180 dias. O modelo que poderá ser adotado aqui tem como base empreendimentos já em operação na Alemanha, França, Portugal e Espanha.

“A modelagem em elaboração considerará os aspectos técnicos, econômicos, legais, institucionais, de estruturação do negócio, de financiamento, comerciais e ambientais, e nos dará base para avaliar a melhor forma de implantação de empreendimentos dessa natureza”, afirma o coordenador de Energia da Secretaria de Saneamento e Energia, Jean Negri.

Em tramitação desde 1991 no Congresso, a proposta de criação de uma Política Nacional de Resíduos Sólidos voltou a ganhar fôlego com a entrada de um substitutivo do governo federal, que cria normas para a destinação do lixo.

De olho nesse mercado, a iniciativa privada quer a implantação de incineradores em larga escala. “O uso desse tipo de usina, para gerar energia, não está distante em São Paulo. Apesar do investimento ser alto, é preciso ver a parte tributária e de legislação”, diz o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe), João Carlos David.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), Diógenes Del Bel, o custo de uma usina chega a cinco vezes o de criação de um aterro sanitário. “Aí vale a questão da modelagem do empreendimento”, diz Del Bel. Um aterro sanitário de grande porte, para cidades com 2,5 milhões de habitantes, por exemplo, custa entre R$ 14 a R$ 18 por habitante por ano. Já uma usina incineradora custa entre R$ 70 e R$ 90 por habitante/ano.

Para a professora Eglé Novaes Teixeira, da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, especialista em resíduos sólidos, não se deve falar em incineradores sem a contrapartida da geração de energia. “São necessários todos os tratamentos e as adequadas disposições das cinzas e escória resultantes da queima dos resíduos”, explica.

Na França, por exemplo, existem mais de cem incineradores de lixo doméstico. Essas usinas estão em operação há mais de 20 anos e, desde a década de 90, projetos de novos incineradores só saem do papel se houver produção de energia.

Leia na fonte