Arquivo de dezembro, 2009

CONFERÊNCIA DE COPENHAGUE

21/12/09

18/12/2009

Vinte e cinco países montam documento para negociação climática

da Efe, em Copenhague

Vinte e cinco países fecharam nesta sexta-feira (18), último dia da conferência da ONU sobre o clima, um documento de negociação que contém números de financiamento e de cortes nas emissões de gases que seguem a linha dos objetivos da União Europeia (UE), segundo fontes da delegação espanhola.

Apesar disso, a conferência vai terminar sem acordo final entre países ricos e emergentes e líderes optarão por fazer apenas uma declaração política, segundo fontes ouvidas pela Folha. Até mesmo a Índia já pediu publicamente para prorrogar as negociações para 2010.

A UE chegou a Copenhague com um compromisso claro de reduzir suas emissões em 20% até 2020, com a possibilidade de ampliá-lo para 30% caso outros países façam um esforço similar, e de fornecer 7,2 bilhões de euros (US$ 10 bilhões) nos três próximos anos para que as nações pobres possam se adaptar à mudança climática.

Os ministros de 25 países foram convocados ontem à noite em caráter de urgência após o jantar de gala oferecido pela rainha Margarida 2ª da Dinamarca aos quase 120 chefes de Estado e de governo que estão em Copenhague para chegar a um documento que regule a luta contra a mudança climática.

Às sete da manhã, após oito horas de negociações, foi selado o documento com o maior consenso possível, apesar das reservas da China, que continua mantendo uma posição muito dura, especialmente por sua oposição à verificação de suas emissões por um organismo internacional, segundo as fontes.

O documento serviu de base de negociação para os chefes de Estado e de governo na reunião que mantiveram hoje, entre os quais estavam o presidente americano, Barack Obama; o presidente francês, Nicolas Sarkozy; a chanceler alemã, Angela Merkel; e os primeiros-ministros da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e do Reino Unido, Gordon Brown.

Obama, que chegou hoje de manhã a Copenhague, não ofereceu nenhum compromisso novo em seu discurso no plenário da COP15.
Com Folha Online

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Obama defende recursos a países em desenvolvimento

AE - Agencia Estado

COPENHAGUE - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu hoje em Copenhague um mecanismo de financiamento que ajude as nações em desenvolvimento a se adaptarem para que possam enfrentar o aquecimento global e seus efeitos. “Devemos ter um mecanismo de financiamento capaz de auxiliar na adaptação dos países em desenvolvimento, em especial daqueles países menos desenvolvidos e mais vulneráveis às mudanças climáticas”, declarou Obama, durante a 15ª Conferência das Nações Unidas para o Clima, na capital dinamarquesa.

O presidente norte-americano afirmou que os EUA estão prontos para assinar hoje um novo acordo climático que passará a vigorar depois de 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto. “Não há tempo a perder. A América fez sua escolha. Nós definimos nosso caminho, assumimos nossos compromissos e faremos o que dissemos que vamos fazer”, declarou. “Agora eu creio que seja a hora de as nações e os povos do mundo se unirem em uma proposta comum”, disse.

“Devemos de escolher a ação em detrimento da inação, o futuro em vez do passado, com coragem e fé. Assumamos nossa responsabilidade diante de nossos povos e do futuro de nosso planeta”, afirmou o líder norte-americano, ao encerrar o discurso. As informações são das agências internacionais.

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GREEN BUILDING

21/12/09

Cresce no Brasil a procura pelo selo de “prédio verde”

Daniela D’Ambrosio, de São Paulo
17/12/2009

Regis Filho/Valor

Quirós, da Advento, participa do grupo que prepara documento sobre o assunto para ser entregue em Davos, em janeiro

Seja modismo, apelo de marketing, exigência da matriz, economia de custos ou real preocupação com o planeta e o ambiente - ou preferencialmente pela soma de todas essas razões - a sustentabilidade começa a avançar na cadeia da construção civil. Os desafios ainda são muitos. Existem prédios mais verdes que outros - a tipologia dos selos é como cartão de crédito: prata, ouro e platina - e uma distância considerável ainda separa o discurso da prática, mas a preocupação com o tema dá sinais evidentes de consistência e a discussão tende a amadurecer.

A procura pela certificação de prédios verdes, considerados os ativos do futuro, explodiu nos últimos dois anos - o volume de empreendimentos em fase de auditoria subiu mais de 300% e o de certificados emitidos triplicou. De acordo com a ONG Green Building Council Brasil, que concede a certificação americana Leed - e que atua em 117 países - em 2007 havia 48 projetos em fase de certificação, no ano passado foram 104 e este ano deve terminar perto de 200. Mas certificados mesmo são apenas onze prédios no Brasil - o que já é um grande avanço. Em 2008, eram quatro. Como os processos são longos e exigem uma série de auditorias, essa diferença é normal. No mundo todo, existem 3818 empreendimentos certificados e 29.229 em processo de certificação. Para 2010, a previsão é que o Brasil chegue a 25 certificados.

A Fundação Vanzolini, que escolheu a metodologia francesa para fazer a sua certificação, tem 15 contratos em andamento e sete certificados emitidos. Apenas um, no entanto, a loja da Leroy Merlin em Niterói, passou pelas três etapas que envolvem a certificação - programa (anterior ao projeto), concepção e realização. Há cinco projetos com certificado da primeira fase e dois perto de obter a segunda. Há uma avaliação em 14 categorias, que podem ser avaliadas entre boa, superior ou excelente.

A ONG Green Building Council e a Fundação Vanzolini são as únicas duas certificadoras brasileiras de prédios verdes. As metodologias são diferentes e a obtenção de qualquer nível de um dos dois dos selos já é um enorme avanço em relação às construções tradicionais e indica cuidado e preocupação com o ambiente. Mas, há sempre um adendo quando se fala em certificação de prédios verdes. Praticamente nenhum prédio brasileiro tem o grau mais completo.

A certificação Leed, por exemplo, tem os níveis básico, prata, ouro e platina e pode certificar uma construção nova, uma construção antiga (a mais difícil de ser obtida, sem nenhum certificado emitido no país até agora) ou a área interna de um edifício comercial (um único escritório, por exemplo). E a modalidade mais comum até agora, para prédios novos que serão vendidos ou alugados para vários usuários, que certifica áreas comuns, fachada e internamente e o sistema de ar-condicionado e elevadores, sem os acabamentos. “Nesse caso, não dá para certificar mobiliário, forro e revestimento, porque cada usuário faz no seu padrão”, afirma Marcos Casado, gerente técnico do Green Building Council.

Das 11 certificações Leed, há uma única platinum - obtida pelo edifício de escritórios Eldorado Business Tower - mas refere-se à certificação que abrange áreas comuns, fachada, elevadores e ar-condicionado. Nessa mesma categoria, com o selo gold estão os prédios Rochaverá Corporate Towers e o Ventura, no Rio de Janeiro, ambos da americana Tishman Speyer. Hoje, no Brasil, há apenas duas certificações para novas construções, sendo edifícios verdes planejados desde o início - ambas na categoria prata, a agência do Banco Real na Granja Viana e unidade do laboratório Delboni Auriemo no bairro paulista de Santana. “O mercado ainda não reconhece essas diferenças, mas a ideia é que isso aconteça no futuro”, afirma Casado, do IBGC Brasil.

Cada certificação tem o seu procedimento e a falta de padronização entre as diferentes metodologias é mundial. A questão é tão importante que foi considerada prioritária entre o grupo de discussão que está redigindo o documento sobre o futuro da construção sustentável que será apresentado no World Economic Forum, em Davos (ver texto ao lado). “A ideia é fazer a soma de cada certificadora e chegar a um padrão único”, afirma Juan Quirós, presidente do grupo Advento e único representante brasileiro do grupo. “Isso vai promover um intercâmbio de tecnologia, mas para atingir um patamar uniforme pode levar entre 5 anos e 15 anos, porque os países estão em estágios muito diferentes”, diz.

No Brasil, segundo Quirós, o tema está evoluindo rapidamente, mas há questões pendentes, como o fornecimento de matérias-primas sustentáveis. Alguns materiais, como tintas e vidros, já começam a ser feitos num padrão novo para atender a esse mercado. “O Brasil está bem na parte de energia solar, sistemas de ar-condicionado e na questão do uso racional da água tem condições de se igualar aos principais países, mas ainda precisar importar uma grande variedade de materiais sustentáveis”, pondera. Na opinião do empresário, é questão de tempo para que a cadeia de fornecimento atenda aos padrões internacionais de sustentabilidade.

Embora o apelo “verde” tenha cada vez mais peso, a questão econômica ainda é muito relevante. Em média, um prédio verde pode custar até 12% mais caro, mas garante um custo operacional entre 12% e 15% menor. Por conta da economia com energia e água, a manutenção do empreendimento fica mais barata. Na hora de alugar, por exemplo, o custo do condomínio passa a ser um diferencial. “A empresa quer saber quanto vai gastar e de quanto será o retorno, a análise econômica nunca vai deixar de existir”, afirma Manuel Carlos Reis Martins, professor da Poli USP e responsável pela certificação dada Fundação Vanzolini. “A expectativa é que um empreendimento sustentável tenha uma valorização patrimonial maior.”

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ENERGIA EÓLICA

21/12/09

Quarta-Feira, 16 de Dezembro de 2009

Participação de eólica na matriz energética sobe 400%

Com 1.º leilão, fatia salta de 0,6% para 3% em 2012

Renée Pereira

O primeiro leilão de energia eólica do País, realizado segunda-feira, vai ampliar em 400% a participação dessa fonte na matriz energética brasileira. Até 2012, quando entram em operação as 71 usinas que venceram a disputa, a fatia da energia gerada a partir do vento subirá de 0,6% para 3% do sistema nacional. “O resultado do leilão foi maravilhoso para um setor que não existia há dois anos”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica), Lauro Fiuza.

Na avaliação dele, o sucesso obtido só confirma a viabilidade de novos leilões a partir de agora. Projetos não faltam, já que a fase de habilitação contou com 10 mil MW, de 339 empreendimentos diferentes, nas Regiões Sul e Nordeste. Além disso, a questão custo parece estar superada, já que o leilão conseguiu preços entre R$ 131 e R$ 153,05 o MWhora, muito abaixo de tudo que era esperado pelo mercado.

“O que precisamos é saber como será a expansão da energia eólica no Brasil. Isso incentiva a instalação de fábricas de equipamentos e, consequentemente, reduz o preço da energia”, diz Fiuza. A sócia do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados, Ana Karina Esteves, especialista em energia, vai além. Para ela, o governo precisa criar um programa específico para usinas eólicas, já que essa é uma fonte de energia com tecnologia, custos e operação diferenciados. “Há uma demanda muito reprimida e vários empreendedores interessados em investir, seja de capital nacional ou estrangeiro.”

O apetite é confirmado pela maior vencedora do leilão de segunda-feira: a Renova, que vendeu 270 MW. A capacidade faz parte de um empreendimento muito maior, que beira 1.500 MW e que será explorada conforme a demanda do governo, explica o diretor-presidente da empresa, Vasco Barcellos.

Para ele, o resultado do leilão não foi nenhuma surpresa. “Sabíamos que haveria muito competição”, diz o executivo, destacando que o nível de preço foi adequado e remunera o investimento. Barcellos acredita que para o futuro é possível ter preços ainda mais competitivos, já que o fator escala vai contar bastante. Só para os 270 MW, a Renova terá de comprar 180 aerogeradores. A fornecedora será a GE.

FINANCIAMENTO

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 837,8 milhões para a empresa argentina Impsa construir dez parques eólicos em Santa Catarina, com potência instalada de 222 MW. “A previsão é de entrada em operação até dezembro de 2010″, informou o BNDES. O projeto foi aprovado no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa), que tem compra assegurada da Eletrobrás, e faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O investimento total é estimado em R$ 1,2 bilhão. COM REUTERS

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INFRAESTRUTURA

21/12/09

Além de recursos, infraestrutura demanda qualidade

De São Paulo
15/12/2009

O volume de investimentos em infraestrutura deve aumentar significativamente nos próximos anos, mas será indispensável modernizar o planejamento, o modo de elaborar os projetos e as formas de executá-los se o país quiser evitar gargalos e permitir um salto quantitativo e qualitativo do segmento no país. A avaliação é do professor Helder Queiroz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Fazer mais do mesmo é importante, mas é insuficiente”, afirmou ele, que participou do seminário “Perspectivas do Investimento no Brasil”, organizado pelo Valor e apoiado pelo BNDES e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Para o período de 2009 a 2012, os “projetos firmes” de investimento em energia e infraestrutura totalizam R$ 518,5 bilhões, 58,8% a mais do que o registrado entre 2005 e 2008, segundo mapeamento do BNDES de junho. “Isso produzirá um importante impacto macroeconômico”, diz Queiroz, ressaltando, porém, que será necessário uma mudança mais profunda para que o país escape de gargalos, enfatizando que o país precisa “de uma visão de planejamento mais integrada e sistêmica da infraestrutura”.

Queiroz vê uma situação preocupante no segmento de transportes. O tamanho do território do país e a dificuldade para concluir os investimentos sem a redefinição do planejamento, da regulação setorial e de mecanismos de coordenação são algumas das dificuldades enfrentadas no setor. O risco, segundo ele, é de que o segmento de transportes se torne um ponto de estrangulamento à expansão da economia na próxima década.

Há déficits estruturais e sociais a serem compensados, além dos investimentos para a área de transportes. Segundo Queiroz, a situação é “melhor” no setor de energia, mas ainda existem entraves para acelerar a oferta, especialmente de fontes limpas. De acordo com o economista, “um projeto de construção de usina térmica, altamente poluidora, ganha licença ambiental em seis meses”, enquanto uma usina hidrelétrica, diz ele, “chega a demorar dois anos”. “Isso precisa ser equacionado.”

O presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e das Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, deu a dimensão dos desafios no setor de saneamento, ao lembrar que o país hoje investe cerca de R$ 6 bilhões por ano, quando seriam necessários R$ 13 bilhões para a universalização dos serviços em 20 anos, uma meta pouco ambiciosa. Para o líder empresarial, é preciso mesclar investimentos públicos e privados, contando com coordenação do governo. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), avalia, é um passo importante para mudança de expectativas, ainda que o ritmo de andamento dos projetos seja desigual.

Para Fernando Sarti, economista da Unicamp, os dólares oriundos da exploração e exportação do petróleo do pré-sal devem ser alocados num fundo, que depois direcionaria os recursos para projetos industriais. “Há necessidade de financiamento interno e, ao mesmo tempo, de maior coordenação do setor público para diminuir desigualdades regionais”, afirma Sarti, para quem o fundo poderia funcionar como “incentivador de exportações regionais”, quer dizer, no intercâmbio comercial entre Estados e regiões. (JV e SL)

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