Arquivo de janeiro, 2010

MATRIZ ENERGÉTICA

31/01/10

Matriz limpa é vantagem competitiva

De São Paulo
29/01/2010

A matriz energética brasileira, predominantemente hidroelétrica, faz com que a produção de alumínio no país emita menos gases estufa do que a média mundial. No processo, a emissão de CO2 equivalente no Brasil e no exterior é parecida: cerca de 1,8 tonelada de gás carbônico equivalente para cada tonelada de metal produzida. Porém, quando entram no cálculo as emissões originadas no uso de energia, a diferença é significativa. “O impacto, na média mundial, é de 5,3 toneladas de CO2 para cada tonelada produzida, enquanto, no Brasil, soma 0,54 tonelada de CO2 equivalente”, afirma o consultor e coordenador do grupo de trabalho de mudança climática da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Maurício Born.

Além de ajudar a abrir o mercado externo para o alumínio brasileiro, o apelo verde pode servir também, aposta o consultor, como mote para que o país possa atrair investimentos no setor. Contudo, Born lembra que o objetivo do grupo de trabalho, criado em dezembro, não será ainda o de levantar a pegada de carbono do alumínio no Brasil – passo essencial para a redução de emissões -, mas o de “trocar experiências entre as empresas, divulgar as melhoras práticas e preparar o setor para os desafios que estão colocados, com a fixação de metas de redução das emissões no Brasil e no Estado de São Paulo”.

Um dos exemplos será o da Alcoa. Uma das introdutoras no país do GHG Protocol (a metodologia mais aceita no mundo para medir as emissões de gases estufa), a companhia já fez seu inventário de emissões e tem uma política para redução que chama de “Estratégia Global de Sustentabilidade – 2020″, com metas também para queda do consumo de água e de energia e reaproveitamento e reciclagem dos resíduos.

Entre 2005 e o ano passado, as emissões de gases estuda da Alcoa no Brasil foram reduzidas em 15,5% – de 2,9 milhões de toneladas de CO2e para 2,45 milhões de toneladas de CO2e. Hoje, a Alcoa responde por 0,13% das emissões totais do país, que somam 1,868 bilhão de toneladas.

Nos próximos três a cinco anos, diz o vice-presidente de produtos primários da Alcoa, Nilson Pereira Souza, a companhia deverá reduzir suas emissões em mais 15%. No caso da água, “a política é a descarga zero”, afirma Souza.

A mina de Juruti, localizada no Oeste do Pará, já foi construída para operar no novo paradigma. Ali, conta o executivo, a água serve basicamente para limpar a bauxita de argila. O processo de lavagem será feito com água pura (sem produtos químicos) em um lago com 10 milhões de metros cúbicos. A argila vai sedimentar no fundo e será, posteriormente, bombeada. O lago será também utilizado para receber e reciclar efluentes das demais áreas da unidade.

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ENERGIA LIMPA

31/01/10

Obama defende energia limpa para gerar empregos

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

TIMOTHY GARDNER – REUTERS

WASHINGTON – O presidente dos EUA, Barack Obama, disse em seu discurso do Estado da União, na quarta-feira, que o país deve investir em energia limpa para estimular a criação de empregos, mas não citou a criação de um mercado para créditos de emissões de carbono.

O projeto de lei sobre o clima que tramita no Congresso prevê a atribuição de um valor financeiro para as emissões de usinas elétricas, refinarias e fábricas, com a criação de um mercado de créditos para os poluentes responsáveis pelo efeito estufa. O texto também adota metas de redução das emissões de carbono nos EUA pelos próximos 40 anos.

Adversários temem que os cortes nas emissões causem fechamento de vagas ou a transferência de postos de trabalho para o exterior. O desemprego nos EUA já está acima dos 10 por cento.

Em seu primeiro discurso do Estado da União, na noite de quarta-feira (já madrugada de quinta no Brasil), Obama preferiu enfatizar o potencial da lei para atrair enormes investimentos na fabricação de painéis de energia solar, fazendas eólicas e outras fontes de energia limpa. Segundo ele, isso irá estimular a criação de empregos e as exportações para concorrentes como China e Índia.

“Neste ano, estou ávido por ajudar a promover o esforço bipartidário no Senado”, disse Obama, que acaba de perder a maioria qualificada de 60 votos no Senado, por causa da eleição de um republicano numa eleição suplementar em Massachusetts.

“E, sim, isso significa aprovar um projeto energético-climático abrangente, com incentivos que irão finalmente fazer da energia limpa o tipo de energia lucrativa na América.”

Tentando “amaciar” os adversários da lei climática, ele promoveu a energia nuclear, a exploração de petróleo em alto mar e as usinas termoelétricas com carvão “limpo” como sendo outras áreas importantes de investimento.

Ele não disse que o projeto terá de incluir mecanismos de limites e créditos de emissões.

“Parece que a liderança democrática está se aferrando à legislação combinada de energia e mudança climática por enquanto. Embora ele não tenha dito ‘limites e créditos’, ele disse, sim, que (os democratas) irão pressionar por uma política climática abrangente”, afirmou Will Pearson, analista global de energia da consultoria Eurasia Group.

Obama tampouco citou a meta de redução de emissões que ele havia prometido antes da conferência climática da ONU em Copenhague, em dezembro – um corte de 17 por cento até 2020, em relação aos valores de 2005, condicionado à aprovação da lei climática no Congresso.

(Reportagem adicional de Jeff Mason, Richard Cowan e Leonora Walet em Hong Kong)

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Produção de energia eólica nos EUA cresce 39%

27/01 – 13:02 – Agência Estado

Apesar de uma recessão terrível e mercados de crédito apertados, o setor americano de energia eólica cresceu num ritmo alucinante em 2009, somando mais 39% de capacidade. O país está perto do ponto em que 2% de sua eletricidade virá de turbinas eólicas.

Embora isso ainda seja uma pequena parcela, ela cresceu de virtualmente zero alguns anos trás. O crescimento contínuo num ritmo tão acelerado ajudará os EUA a reduzir suas emissões de gases causadores do aquecimento global.

A American Wind Energy Association, em relatório anual divulgado ontem, disse que a capacidade adicionada no ano passado, de 9.900 megawatts, foi a maior já registrada, e 18% superior à adicionada em 2008, também um ano excepcional.

A entidade diz que o crescimento da energia eólica foi ajudado pelo pacote de estímulo federal aprovado no ano passado, que estendeu um crédito fiscal e forneceu outros incentivos ao investimento no setor.

Mas a associação advertiu que o crescimento pode desacelerar. Boa parte do desenvolvimento da energia eólica em 2009 foi motivada pelo impulso de 2008, quando turbinas foram entregues às fazendas eólicas. Em 2009, a recessão deixou muitos fabricantes ociosos e os novos pedidos minguaram, o que pode desaquecer as instalações este ano.

“A indústria eólica americana derrubou todos os recordes de instalação em 2009, e isso foi diretamente atribuível à ajuda do pacote de estímulo”, disse Denise Bode, a presidente executiva da associação setorial. “A segunda metade do ano foi extraordinária, mas os fabricantes não tiveram muito crescimento porque haviam formado muito estoque.”
Bode disse que o setor eólico e o de gás natural adicionaram aproximadamente a mesma capacidade de geração de energia no ano passado. Juntos, os novos projetos foram responsáveis por cerca de 80% da capacidade adicionada.

O setor eólico teve um rápido crescimento nos últimos anos. Desde 2002, a base instalada de turbinas aumentou quase sete vezes nos EUA. Mesmo assim, a indústria americana ficou atrás da Europa, que obtém cerca de 5% de sua eletricidade da energia eólica. A Comissão Europeia estabeleceu uma meta ambiciosa de alcançar 20% da produção de eletricidade com vento e outras fontes renováveis até 2020. No ano passado, a China também traçou planos para mais que dobrar a capacidade eólica até o fim deste ano com um investimento de US$ 14,6 bilhões.

As preocupações com o aquecimento global despertaram o interesse pela energia renovável nos Estados Unidos e estimularam a criação de uma indústria manufatureira doméstica que emprega 85 mil pessoas. Hoje, cerca da metade dos componentes usados em fazendas eólicas é fabricada nos EUA, ante 25% em 2004.

Boa parte do crescimento é atribuído às leis estaduais que obrigam que parte da energia local venha de fontes renováveis. Mas falta muito para se chegar a 10% ou 20% de energia eólica em escala nacional. Os investidores pedem linhas de transmissão de longa distância entre as regiões com ventos intensos, como as grandes planícies e no Texas, e os maiores centros populacionais, como as regiões costeiras.

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

31/01/10

Davos “verde” aposta em veículos menos poluentes

27/01/2010

da Efe, em Davos

Os organizadores do Fórum Econômico Mundial prometeram ajudar a “redesenhar” não só o sistema financeiro na reunião que começou nesta quarta-feira (27), mas também colaborar, a sua maneira, no combate à mudança climática.

A tradicional reunião que reúne todos os anos milhares de políticos, banqueiros e milionários quer ser “mais verde” neste ano, como diz o adesivo colocado em vários pontos das instalações onde acontece a reunião de cinco dias, nos veículos que transportam os participantes e até nos ônibus urbanos desta localidade suíça.

Arnd Wiegmann/Reuters

Fórum Econômico Mundial se comprometeu a ajudar a “redesenhar” o combate ao aquecimento global com carros menos poluentes

Se em edições anteriores os veículos 4X4 pretos se destacavam nas ruas nevadas de Davos, assim como as limusines de vidros escuros, desta vez só são utilizados carros que emitam menos de 230 g/km de CO2 para transferir os convidados.

Os organizadores da reunião montaram “controles” nas ruas que levam ao centro de congressos, onde os veículos recebem o adesivo de “Davos mais verde” se cumprirem esse critério, e um adesivo laranja se não fazem isso.

No entanto, o alcance da medida parece pouco mais que simbólico, já que todos os veículos de distribuição de material, assim como aqueles com placas diplomáticas e alguns outros estão isentos de cumpri-la.

Também não foram afetados, como é natural, os helicópteros que transferem estes dias os políticos, empresários e banqueiros que chegam a Davos a partir do aeroporto de Zurique.

Os participantes mais “comuns” são incentivados a utilizar em seus deslocamentos pela cidade o transporte público ou as dezenas de caminhonetes que fazem ligação entre diversos pontos e o centro de congressos.

Para os jornalistas, que precisam se deslocar ao longo do dia várias vezes a partir do novo centro de imprensa, instalado este ano a cerca de 500 metros do lugar da reunião, o Fórum trouxe aproximadamente dez carrinhos de golfe elétricos.

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ETANOL

31/01/10

BNDES cria linha de R$ 2,5 bi para reservas de etanol

Intenção do governo é evitar que as situações de escassez do produto resultem em elevação de preço

Terça, 25 de Janeiro de 2010

EFE

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinará uma linha de crédito de R$ 2,5 bilhões para criar reservas de etanol para situações de escassez e alta do preço do álcool combustível.

Segundo o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, as reservas servirão como mecanismo regulador do mercado brasileiro de etanol, que atualmente vive uma alta do preço, diante da redução da oferta afetada pelas chuvas que atingiram a última safra de cana.”

A partir de abril ou maio, o mercado deve se normalizar e acreditamos que até sobre etanol”, comentou o ministro. Diante dessa situação, que aumentou o preço do produto em quase 6% nos últimos meses, o governo decretou uma redução da mistura obrigatória do etanol na gasolina. Essa redução, de 25% para 20%, que passará a vigorar partir de 1.º de fevereiro, valerá por 90 dias.

Brasil, líder mundial na produção e exportação de etanol de cana-de-açúcar, considerou a possibilidade de importar o produto americano, obtido a partir do milho. O motivo é que o preço do combustível no mercado americano é menor que no mercado doméstico.

“Neste momento, tudo indica que, com o preço a que chegou o etanol, compensaria importar. Acredito que se deveria exonerar o imposto (de 20% à importação de etanol) e, se o preço subir, o mercado então poderá importar”, afirmou o ministro da Agricultura.Amanhã, o assunto será debatido em reunião de Stephanes com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e representantes da União da Indústria de Cana de açúcar (Única). Os recursos do BNDES estavam previstos para serem aplicados em 2009, mas o nível de produção ajustado não permitiu a criação de reservas.FLEXCom a alta do preço do etanol, o abastecimento de veículos com gasolina ficou mais vantajoso. O Brasil tem uma frota de mais de 7 milhões de automóveis flex, isto é, que podem usar tanto álcool como gasolina.

Pelo menos 93% da frota nova de veículos leves produzidos no País chegam ao mercado com essa tecnologia. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um chamado aos empresários do setor de biocombustíveis para que planejem a produção 2010-2011 de cana, pois o governo brasileiro teme que o consumidor troque o etanol pela gasolina.

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