Pesquisadores querem tecnologia para ondas do mar

De São Paulo

20/10/2009

Assim como ocorre com os ventos, o Brasil é privilegiado em termos de radiação solar. Segundo o Atlas Solarimétrico de 2007, a radiação varia entre 6 e 22 MJ (megajoules) por metro quadrado durante o dia, sendo as menores incidências solares entre maio e julho, variando entre 8 e 18 MJ/m2. É uma radiação comparável às melhores regiões do mundo em potencial solar, como a cidade de Dongola, no deserto do Sudão.

“As vantagens da energia solar só agora começam a ser mais conhecidas e valorizadas no país”, diz Marcelo Mesquita, diretor do Departamento Nacional de Aquecimento Solar da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento).

As áreas com maior potencial solar no Brasil estão situadas no semiárido, principalmente nos Estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande Norte e Piauí. É justamente nessas regiões que a luz elétrica ainda chega com dificuldade, principalmente em zonas rurais, por depender de grandes redes de fiação.

Para viabilizar o programa Luz para Todos, o governo federal vem investindo em painéis termo-solares para cumprir a meta de até 2010 iluminar cerca de 10 milhões de residências.

O Estado onde está sendo construída a primeira grande usina de energia termo-solar é o Rio Grande do Norte, com capacidade de produzir 30 MW. Segundo maior produtor de petróleo do país, o governo estadual, em parceria com a Petrobras, resolveu inovar. Localizada na região do Vale do Assu, a usina aproveitaria o vapor gerado – em períodos de não fornecimento de energia para a rede – para a reinjeção em poços produtores de petróleo da Bacia Potiguar.

“Já fazemos desde 2008 com a Termoaçu (uma usina termelétrica de cogeração que produz energia elétrica e vapor de água, utilizando gás natural como combustível), que injeta vapor em caso de necessidade. A ideia é viabilizar essa energia como forma de otimizar recursos.”, explica Jean Paul Prado.

O Pólo Guamaré, no Rio Grande do Norte, terá um complexo de energia que agrega além da Termoaçu, a Refinaria Carla Camarão e dois parques eólicos, o Alegria I e II.

Outra iniciativa importante está sendo realizada no Ceará. Ainda em estudos, a MPX está estruturando a montagem de uma planta piloto que, na primeira fase, terá 1 MW de energia solar fornecida a partir do município de Tauá. A empresa assinou memorando de entendimentos com a Baoding Tianwei Yingli New Energy Resources visando desenvolver uma parceria prospectiva em projetos relacionados à geração de energia de fonte solar.

Como não podia faltar no repertório de energias renováveis de um país tropical como o Brasil a energia das ondas também começa a ter um crescente interesse por investimentos. E o Ceará deve gerar 100 KW, suficientes para acender mais de 1.600 lâmpadas comuns de 60 watts, com um investimento de R$ 15 milhões. Os recursos são do governo do Estado e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), na categoria Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologia (P&D), aportados à Tractebel Energia, empresa controlada pelo grupo GDF Suez.

Em parceria com a Coordenação de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), a ideia é colocar em funcionamento até 2011 o primeiro protótipo de Conversor de Energia Elétrica a partir das ondas do mar.

Com a implantação desse projeto, espera-se o desenvolvimento de uma tecnologia nacional e inovadora que poderá evitar no futuro o pagamento de royalties ao exterior na geração de energia a partir desta fonte.
Similar a uma usina hidrelétrica de geração de energia, o conversor será construído nos molhes do Porto de Pecém (CE) devido às condições marítimas favoráveis, uma vez que em 90% do tempo as ondas ali existentes são adequadas para a geração de energia elétrica. Todo o protótipo, na sua concepção teórica e na construção do modelo em escala reduzida, foi integralmente desenvolvido por pesquisadores da Coppe/UFRJ.

Segundo pesquisas dos especialistas da universidade, o Brasil, com mais de 8 mil quilômetros de litoral, tem potencial para suprir até 15% de sua demanda energética utilizando as ondas do mar convertidas em energia elétrica. (F.P.)

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