MATRIZ ENERGÉTICA
Matriz limpa é vantagem competitiva
De São Paulo
29/01/2010
A matriz energética brasileira, predominantemente hidroelétrica, faz com que a produção de alumínio no país emita menos gases estufa do que a média mundial. No processo, a emissão de CO2 equivalente no Brasil e no exterior é parecida: cerca de 1,8 tonelada de gás carbônico equivalente para cada tonelada de metal produzida. Porém, quando entram no cálculo as emissões originadas no uso de energia, a diferença é significativa. “O impacto, na média mundial, é de 5,3 toneladas de CO2 para cada tonelada produzida, enquanto, no Brasil, soma 0,54 tonelada de CO2 equivalente”, afirma o consultor e coordenador do grupo de trabalho de mudança climática da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Maurício Born.
Além de ajudar a abrir o mercado externo para o alumínio brasileiro, o apelo verde pode servir também, aposta o consultor, como mote para que o país possa atrair investimentos no setor. Contudo, Born lembra que o objetivo do grupo de trabalho, criado em dezembro, não será ainda o de levantar a pegada de carbono do alumínio no Brasil – passo essencial para a redução de emissões -, mas o de “trocar experiências entre as empresas, divulgar as melhoras práticas e preparar o setor para os desafios que estão colocados, com a fixação de metas de redução das emissões no Brasil e no Estado de São Paulo”.
Um dos exemplos será o da Alcoa. Uma das introdutoras no país do GHG Protocol (a metodologia mais aceita no mundo para medir as emissões de gases estufa), a companhia já fez seu inventário de emissões e tem uma política para redução que chama de “Estratégia Global de Sustentabilidade – 2020″, com metas também para queda do consumo de água e de energia e reaproveitamento e reciclagem dos resíduos.
Entre 2005 e o ano passado, as emissões de gases estuda da Alcoa no Brasil foram reduzidas em 15,5% – de 2,9 milhões de toneladas de CO2e para 2,45 milhões de toneladas de CO2e. Hoje, a Alcoa responde por 0,13% das emissões totais do país, que somam 1,868 bilhão de toneladas.
Nos próximos três a cinco anos, diz o vice-presidente de produtos primários da Alcoa, Nilson Pereira Souza, a companhia deverá reduzir suas emissões em mais 15%. No caso da água, “a política é a descarga zero”, afirma Souza.
A mina de Juruti, localizada no Oeste do Pará, já foi construída para operar no novo paradigma. Ali, conta o executivo, a água serve basicamente para limpar a bauxita de argila. O processo de lavagem será feito com água pura (sem produtos químicos) em um lago com 10 milhões de metros cúbicos. A argila vai sedimentar no fundo e será, posteriormente, bombeada. O lago será também utilizado para receber e reciclar efluentes das demais áreas da unidade.
