Arquivo de janeiro, 2010

INFRAESTRUTURA

25/01/10

 22/01/2010

MPX investe em porto na Colômbia

Investimento, de US$ 150 milhões, vai permitir o escoamento do carvão que será explorado pela empresa no país

Reuters

RIO- A MPX, empresa de energia do grupo EBX, do empresário Eike Batista, anunciou a compra de uma área de 521 hectares na Colômbia para a construção de um porto, um investimento que deve chegar a cerca de US$ 150 milhões. O porto, de até 20 metros de calado, terá capacidade, segundo a empresa, para exportação de até 20 milhões de toneladas de carvão por ano. A ideia, segundo a empresa, é assegurar uma solução logística para o sistema integrado de mineração da MPX na Colômbia. Segundo o presidente da empresa, Eduardo Karrer, um novo relatório sobre as reservas de carvão da MPX na Colômbia será divulgado em março, e parte dos recursos de 110 milhões de toneladas de carvão divulgados no ano passado deverá ser incorporada como reserva, assim como mais volumes deverão ser registrados.

Karrer disse que, dependendo do volume de reservas, a MPX pensa em ampliar a estrutura logística para o escoamento da produção, com a construção de uma ferrovia até a mina da empresa naquele país. Se isso ocorrer, a MPX deverá buscar parceiros para o projeto. “Podemos expandir para fazer um projeto otimizado. Com essa aquisição (de um terreno para construir o porto), fechamos os planos do novo sistema da Colômbia, que inclui mina, exportações e sistema logístico”, explicou Karrer.

A partir do porto da Colômbia, a MPX levará carvão para a térmica da empresa no Chile, que consumirá 5 milhões de toneladas, e para termelétricas da companhia no Brasil, que deverão demandar até 7,5 milhões de toneladas por ano. “Com isso, temos demanda para de 60% a 70% da produção da Colômbia”, disse Karrer. Ele não vê necessidade de captar recursos para desenvolver os projetos da MPX em andamento. No caso da Colômbia, a própria mina pagará o custo da logística.A empresa começará a ter receita em julho de 2011, quando entram em operação as térmicas Pecém I, no Ceará, em parceria com a Energias do Brasil, e Itaqui, no Rio Grande do Sul. Juntas, as unidades vão gerar receita anual de R$ 490,3 milhões. Em 2013, entrará a terceira térmica em construção da MPX, que vai acrescentar R$ 226 milhões por ano em faturamento.

Apesar de ser o braço de geração de energia elétrica do grupo EBX, a MPX é responsável pela busca dos combustíveis que serão utilizados nas suas térmicas. Além do carvão, a MPX procura gás natural em parceria com a OGX, do mesmo grupo, na bacia do Parnaíba (MA). “Temos umas 300 pessoas trabalhando na sísmica de lá e o segundo poço será furado até maio”, disse Karrer. O primeiro poço foi perfurado por outra empresa em 1987, quando foram constatados indícios de hidrocarbonetos.

“Estamos bastante confiantes no segundo poço e a expectativa é de que a licença para a térmica (do Maranhão) saia ainda no primeiro semestre deste ano”, disse o executivo. Karrer não vê o licenciamento ambiental como um empecilho para os investimentos, e aposta no uso de tecnologia para abrir os caminhos. “O segredo é a tecnologia de ponta, não pode economizar”, afirmou o executivo.

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 16/01/2010

Transpetro terá novos comboios para hidrovia

Empresa licita novas barcaças para transportar etanol pelo rio Tietê

A Transpetro, subsidiária de transportes da Petrobrás, lançará em fevereiro uma licitação para contratar 20 comboios com barcaças e empurrador para o transporte de etanol pela hidrovia do Tietê, no Estado de São Paulo. Os contratos devem ser assinados ao longo deste semestre e as embarcações, entregues a partir de 2013. A Transpetro não confirma os valores, que o mercado estima em cerca de US$ 200 milhões. Até o final de junho, a empresa também deve lançar a terceira fase do Programa de Renovação e Modernização da Frota (Promef), desta vez voltado para embarcações de grande porte que vão transportar o óleo produzido no pré-sal da Bacia de Santos.

O modelo de licitação dos comboios seguirá os moldes das duas primeiras etapas do Promef, que já encomendou 49 navios petroleiros de diferentes tipos e alcançou um volume de investimentos próximos a US$ 5 bilhões. Por ser um valor bastante menor, este pacote já vem sendo chamado de “Promefinho”. “O programa repete a inovação no setor, que conseguimos promover quando encomendamos navios petroleiros para serem construídos no Brasil, pela primeira vez depois de 20 anos”, disse o presidente da Transpetro, Sérgio Machado. A exemplo do que ocorreu com o Promef, nesta licitação também serão aceitos estaleiros virtuais, ou seja, que não tenham estrutura física instalada. A ideia é que apenas um estaleiro vença a licitação e leve todas as obras que deverão ser feitas simultaneamente. “Apesar de hoje existirem vários estaleiros com condições de fazer essas barcaças, nenhum poderia fazer esse volume de embarcações no prazo que desejamos”, disse. Para Machado, há tendência de que um novo estaleiro se instale na beira do rio Tietê para atender as encomendas, ou ainda que algum grupo se associe a um dos pequenos estaleiros já existentes na região, para promover uma modernização que o capacite para a obra. “Temos vários grupos interessados nessas encomendas”, garantiu.

COMPOSIÇÃO

Cada comboio será composto de quatro barcaças e um empurrador, com capacidade para transportar 7,2 milhões de litros. Comparativamente, segundo a Transpetro, este é o melhor sistema logístico para levar o etanol produzido na região Centro-Oeste e Sudeste à costa para ser exportado. O modal hidroviário gasta em torno de quatro litros de combustíveis para carregar uma tonelada do produto a cada mil quilômetros, enquanto por via férrea seriam seis litros, e por via rodoviária, 15 litros. Além disso, para transportar o mesmo volume de um comboio seriam necessários 86 vagões em um trem, ou 172 carretas de caminhão. Machado lembrou que a hidrovia Tietê está sendo pouco aproveitada hoje em dia: da capacidade total de 20 milhões de toneladas de carga por ano, apenas 5,1 milhões são efetivamente carregados por este modal. A expectativa é de que até quatro bilhões de litros de etanol sejam transportados via hidrovia.

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BIOCOMBUSTÍVEIS

25/01/10

 Centro de Bioetanol: novas perspectivas para o Brasil

 Sergio Machado Rezende
21/01/2010

Centro é a resposta brasileira aos avanços que vários países já realizam nessa área, principalmente os Estados Unidos

Em 1975, o Brasil ousou e criou o maior programa de conversão de biomassa em combustível do mundo, o Proálcool. Como resultado do esforço conjunto do governo federal, setor sucroalcooleiro, montadoras de veículos, Centro Técnico Aeroespacial, Petrobras e entidades de pesquisa, que persistiram no Programa, o país hoje colhe frutos não imaginados há três décadas.

O sucesso do etanol combustível no Brasil, reconhecido mundialmente, deveu-se em muito à pesquisa desenvolvida e aos recursos humanos aqui gerados. Vale mencionar que essa é a área de ciência e tecnologia do país que mais desperta interesse na comunidade internacional. Um exemplo da boa pesquisa realizada no Brasil atualmente é o trabalho de produção de novas variedades de cana-de-açúcar e multiplicação acelerada de sementes desenvolvido por entidades como a Rede Interuniversitária Ridesa, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), o Centro de Tecnologia do Nordeste (Cetene), o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a Embrapa Agroenergia.

Hoje, 35 anos após a criação do Proálcool, metade do combustível consumido pelos veículos leves no país é de fonte renovável e 17% da matriz energética é composta pelos produtos da cana-de-açúcar. A importância do etanol na matriz energética poderá aumentar muito com sua utilização como combustível de usinas termelétricas. Unidade pioneira da Petrobras inaugurada na última terça-feira em Juiz de Fora mostra que essa é uma possibilidade real.

Posto isso, o século XXI coloca uma nova perspectiva de inserção para o Brasil: com a bioenergia da cana-de-açúcar, o país poderá contribuir, ainda mais, para reduzir as emissões dos gases de efeito estufa (GEE) que hoje preocupam sociedades e governos de todo o mundo.

Dentro desta perspectiva, em 2005, o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) solicitou ao Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) um ambicioso estudo sobre quais seriam os impactos e as implicações em aumentar substancialmente a produção brasileira de etanol. O estudo explorou um cenário em que o país viesse a produzir suficiente etanol para substituir o equivalente a 10% de toda a gasolina a ser consumida no mundo em 2025: um volume dez vezes maior que a produção atual, ou seja, cerca de 250 bilhões de litros de etanol por ano. Esse estudo, coordenado pelo professor Rogério Cezar de Cerqueira Leite do Nipe/Unicamp, concluiu que seria possível atingir essa auspiciosa meta. Para tanto foi assumido um modelo de produção de etanol concebido com o uso da melhor tecnologia disponível e sua evolução. Também foram consideradas as restrições conceituais à Amazônia, ao Pantanal, às terras indígenas e às reservas florestais em um cenário que não comprometesse a produção de alimentos para o mercado interno e externo.

No modelo de produção proposto no estudo todas as etapas agrícolas seriam mecanizadas, com cana colhida sem queimar, com o etanol escoado em álcooldutos, usando a logística da Petrobras, e produzido de forma ambientalmente correta e socialmente justa. Entre os benefícios gerados por esse aumento da produção brasileira de etanol destacam-se a criação de 9 milhões de bons empregos (diretos, indiretos e induzidos) e o aumento da interiorização da economia, tornando possível imaginar um grande programa de desenvolvimento a partir da produção de etanol e sua utilização em vários segmentos da matriz energética, com mais energia limpa e renda para a população.

Mas talvez o mais importante resultado dos estudos foi a compreensão que o esforço para a implantação desse projeto poderia ser bem menor se fosse feita uma ação concentrada em áreas estratégicas de pesquisa, de forma a produzir mais com menos recursos financeiros e naturais. Para se atingir a meta dos 10% de substituição de gasolina por etanol com as tecnologias tradicionais, seriam necessários cerca de 30 milhões de hectares (ha) de terra adicionais (além dos 6 milhões de ha cultivados com cana em 2005). No entanto, se recursos financeiros fossem alocados de forma concentrada, como foram, por exemplo, no chamado Projeto Manhattan americano, a meta poderia ser atingida com cerca de 30% de terra a menos, ou seja, aproximadamente 20 milhões de ha. Isso torna clara a importância de se investir mais em C&T no setor e, sobretudo, em áreas que possam impactar favoravelmente a sustentabilidade ambiental, econômica e social da produção de etanol de cana-de-açúcar.

Foi com esse cenário que o MCT, em articulação com outras entidades do Governo Federal, notadamente Petrobras e Embrapa, viabilizou a criação de um novo Laboratório Nacional de pesquisas focado no tema etanol: o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE). O novo laboratório, que será inaugurado amanhã, em Campinas, no Campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), vai contribuir com o desenvolvimento de ciência e tecnologia e permitir ao Brasil manter sua liderança nessa importante área. O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais também abriga o Laboratório Nacional de Luz Sincrotron (LNLS), o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) e o Laboratório de Nanotecnologia Cesar Lattes..

Com cinco programas de pesquisa nas áreas Industrial, Agrícola, Científica, de Avaliação Tecnológica e Sustentabilidade (ver detalhes em www.bioetanol.org.br) o CTBE nasce com o espírito de trabalhar de forma articulada, complementar e não competitiva com os centros existentes e é, sem dúvida, uma resposta brasileira aos avanços que vários países já realizam nessa área, principalmente os Estados Unidos.

Para tanto, o novo Centro vai adotar políticas e práticas de gestão que possibilitam atrair e estabelecer relações adequadas com parceiros do setor produtivo, investidores, universidades e centros de pesquisa que atuam dentro da missão do CTBE de forma a garantir que benefícios de novas tecnologias cheguem à sociedade. O MCT convida a comunidade acadêmica e industrial a conhecer e trabalhar de forma cooperativa com este novo Laboratório Nacional que será inaugurado amanhã pelo presidente Lula.

Sergio Machado Rezende é doutor pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e professor titular de Física da Universidade Federal de Pernambuco. Está Ministro da Ciência e Tecnologia.

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19/01/2010 

Petrobras vai pesquisar uso de biocombustíveis na Antártida

da Reuters, no Rio

A Petrobras vai trabalhar com pesquisadores da Estação Antártica Comandante Ferraz o uso de biocombustíveis em baixas temperaturas, uma contrapartida aos investimentos que a estatal fará em melhorias no recebimento de combustíveis pela estação.

Segundo o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, a empresa vai investir R$ 3 milhões em um novo sistema de recebimento de combustíveis, basicamente óleos diesel e combustível, além de querosene de aviação.

Em parceria com a Universidade do Rio Grande, a Petrobras desenvolveu um sistema de linhas que levarão de maneira remota os combustíveis para a estação.

“Junto com a Universidade do Rio Grande, desenvolvemos carretéis grandes, com duas linhas. Uma ponta fica no navio e a outra nos tanques (com combustível), que são bombeados para os navios”, explicou Costa.

O transporte dos combustíveis até a estação atualmente é feita por balsas, em viagens que, segundo Costa, levam muito tempo e sob o risco de vazamento, apesar de nenhum ter ocorrido por enquanto. A Estação faz parte do Programa Antártico Brasileiro (Porantar), criado em 1982, e que sempre teve o apoio da estatal.

Situação rigorosa

“Lá você tem as situações mais rigorosas do planeta. Hoje se usa diesel comum, se usar só biodiesel pode ter benefício? Vamos pesquisar”, disse o executivo, que prevê ganhos ambientais com a troca do produto fornecido sem custos para a Marinha.

Em 2006 a Petrobras já havia aplicado R$ 10,5 milhões no programa para revitalizar a estação e viabilizar a Operação Antártica 25.

As pesquisas realizadas em um ambiente inóspito também poderão ser estendidas para outras utilizações, segundo Costa, em países com inverno rigoroso e até mesmo no pré-sal.

“Hoje não tem nada previsto (para o pré-sal), mas pode ser que tenha, se a Petrobras entender que isso será positivo”, afirmou.

 

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ENERGIA NUCLEAR

25/01/10

Terça-Feira, 19 de Janeiro de 2010

Nordeste terá duas usinas nucleares

Eletronuclear fará propostas de locais ao governo em fevereiro

Kelly Lima

COM ATRASO - Local da construção da Usina de Angra 3, cujas obras deverão ser retomadas em fevereiro, após obter licença da CNEN
RIO
A Eletronuclear deve encaminhar ao governo federal, até o fim de fevereiro, cinco propostas de locais para a instalação de duas usinas nucleares no Nordeste. Pelo menos uma, próxima do Rio São Francisco, está praticamente certa de ser encaminhada.

“Não sabemos se será na foz ou no meio, mas a região que beira o São Francisco está sobre uma base calcária muito difícil de ser encontrada no País”, disse o assistente da Presidência da Eletronuclear, Leonam Guimarães, em evento para discutir o tema, promovido pelo Clube de Engenharia.

Segundo ele, estão sedo estudadas microrregiões na Bahia, em Sergipe, Pernambuco e Alagoas. O governo deve escolher uma dessas propostas até o fim do ano. “A decisão será política e as duas usinas serão construídas no local, com possibilidade de ampliação para até seis unidades. O impacto econômico-social para a região escolhida será fantástico”, afirmou.

Ele negou que haja riscos ambientais com a utilização da água do Rio São Francisco para a usina. “Ao contrário de Angra dos Reis, em que utilizamos a água do mar para refrigeração da usina, teremos uma torre de refrigeração que vai utilizar muito pouca água do rio.”

As duas demais usinas programadas para até 2030 serão construídas no Sudeste, em área ainda a ser estudada. “Vamos começar esse procedimento apenas no final do ano, após o governo ter escolhido a localidade das primeiras duas. Cada uma das quatro unidades terá capacidade para gerar 1 mil megawatts (MW).

Segundo Guimarães, as obras para a construção de Angra 3 deverão ser iniciadas em fevereiro. Aguardam apenas a licença de construção que deverá ser concedida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Segundo ele, o atraso de pelo menos dois meses na concessão da licença se deve a uma ação movida pelo Ministério Público de Angra dos Reis, que visava suspender a licença parcial das obras, concedida no ano passado.

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Grandes petrolíferas ampliam aposta em combustíveis limpos

19/01/10

Guy Chazan, The Wall Street Journal, de Londres

20/10/2009

Daniel Sanchez/Bloomberg News

Tillerson, diretor-presidente da Exxon Mobil: aporte de US$ 600 milhões em planta de combustível à base de algas

O setor de biocombustível, fortemente atingido pelo aperto de crédito mundial, está recebendo um alívio de uma nova fonte - as grandes petrolíferas. Entre elas, a BP e a Royal Dutch Shell têm sido as que mais investem no setor.

Mas a ideia está começando a atrair até companhias mais conservadoras como a Exxon Mobil , cujo diretor-presidente, Rex Tillerson, uma vez chamou etanol à base de milho de “moonshine”, a gíria americana para uísque falsificado de milho. A Exxon anunciou em julho que estava investindo US$ 600 milhões numa firma iniciante de combustível à base de algas, a Synthetic Genomics.

“Foi um importante sinal para a indústria de biocombustíveis”, diz Bruce Jamerson, diretor-presidente da Mascoma, fabricante de etanol celulósico, que é feito de plantas não-comestíveis.

Grandes petrolíferas e empresas de biotecnologia parecem uma combinação exótica. Os lucros das empresas de petróleo são gerados por gasolina e diesel, combustíveis fósseis tradicionais. Biocombustíveis são alternativas que têm presença marginal no mercado. Então, por que mudar para grama?

A resposta está nas políticas de redução das emissões de carbono que estão sendo implantadas no mundo desenvolvido. Nos Estados Unidos, por exemplo, os Padrões de Combustíveis Renováveis exigem um crescimento anual nas vendas de biocombustíveis até 2022. O Departamento de Energia espera que a produção americana de biocombustíveis cresça de menos de meio milhão de barris por dia em 2007 para 2,3 milhões de barris por dia em 2030. É inevitável que isso corroa os negócios convencionais das grandes petrolíferas.

“As petrolíferas (…) veem se aproximar um mundo de restrições para combustíveis que têm muito carbono, e elas precisam de alternativas”, diz Jamerson.

A indústria de biocombustíveis também está se beneficiando de um foco mais concentrado em investimento por parte das petrolíferas. Durante anos, empresas como a BP e a Shell investiam em todo tipo de energia limpa. O diretor-presidente da BP, Tony Hayward, descreve a política inicial da companhia como “mil flores se abrindo por todo o mundo”. Mas no ano passado, diz ele, a empresa começou a canalizar seus investimentos para os projetos que a BP considera comercialmente viáveis e uma boa combinação para seus negócios atuais. Biocombustíveis foram aprovados, em parte porque se encaixam bem na infraestrutura da empresa de refinarias, oleodutos, gasodutos e redes de distribuição.

“As petrolíferas têm uma afinidade natural com o negócio de biocombustíveis”, diz Katrina Landis, diretora da divisão Energia Alternativa da BP. Combinar o conhecimento de produzir e distribuir combustíveis com o potencial de empresas iniciantes de biotecnologia cria uma “parceria muito poderosa”, diz ela.

A Shell deu uma cartada similar, anunciando em março que não iria expandir sua carteira de energia solar e eólica, e que iria se concentrar em biocombustíveis, além de captura e armazenagem de carbono, ou CCS em inglês, uma tecnologia para combater o aquecimento global prendendo dióxido de carbono emitido por termelétricas e enterrando-o no subsolo.

Com biocombustíveis, as grandes deixaram de lado o álcool à base de milho (algumas têm investido em etanol de cana, contudo) para se concentrar na próxima geração de combustíveis, que não dependem de alimentos. Elas estão produzindo mais combustível de celulose, a espinha dorsal fibrosa das plantas.

A BP, por exemplo, tem uma joint venture com a Verenium , fabricante de etanol celulósico. A Chevron tem uma com a madeireira Weyerhaeuser para fazer combustível à base de biomassa como a “switchgrass”, uma grama de pradarias nativa do sudeste dos Estados Unidos. E a Shell está trabalhando com a canadense Iogen para produzir combustível de palha de trigo, e com a Choren Industries GmbH, da Alemanha, para fazer combustível de restos de madeira.

Alguns no setor veem com suspeita os fundos que as grandes estão investindo. “É menos do que uns trocados para eles, dado o tamanho de seus orçamentos de investimento”, diz Steen Riisgaard, diretor da Novozymes, uma companhia dinamarquesa que faz enzimas usadas na produção de álcool combustível.

A Shell, por exemplo, já gastou cerca de US$ 1,7 bilhão em energia alternativa e tecnologias de redução de emissões de carbono como a CCS nos últimos cinco anos, embora seu orçamento de investimento de capital no ano passado foi de US$ 32 bilhões. O investimento da BP em energia alternativa totalizou US$ 1,4 bilhão em 2008, cerca de 6% de seu orçamento de gastos de capital no ano, e vai cair para entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão este ano porque o enfraquecimento mundial da economia reduziu a demanda por combustíveis.

Mas outros acham que o nível de investimento é só o começo de uma tendência de longo prazo. “Os maiores investimentos virão no ano que vem, quando as instalações comerciais começarem a ganhar ritmo”, diz Carlos Riva, diretor-presidente da Verenium.

“O investimento em dólares não diz tudo”, acrescenta Riva. Outra importante contribuição são as “habilidades administrativas que (as grandes petrolíferas) trazem, em termos de projeto e engenharia e de entrega de projetos comerciais de grande escala”. “Isso é algo de que a indústria de biocombustível realmente precisa”, afirma ele.

No final das contas, algumas pessoas do setor veem um futuro de biorefinarias integradas, onde as grandes petrolíferas terão um grupo de produtos de baixa emissão de carbono que poderão misturar em quantidades diferentes para diferentes mercados.

Por enquanto, contudo, as grandes estão mantendo uma posição cautelosa mesmo enquanto investem em biocombustíveis, uma posição compartilhada por analistas do setor.

“É uma área excitante, mas não testada”, afirma Angus McCrone, analista-sênior da New Energy Finance, um firma de análise do setor de energia alternativa. “Ainda não sabemos se dá para produzi-la a um custo que seja econômico (…) É uma aposta”.

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