Arquivo de janeiro, 2010

Pesquisadores querem tecnologia para ondas do mar

19/01/10

De São Paulo

20/10/2009

Assim como ocorre com os ventos, o Brasil é privilegiado em termos de radiação solar. Segundo o Atlas Solarimétrico de 2007, a radiação varia entre 6 e 22 MJ (megajoules) por metro quadrado durante o dia, sendo as menores incidências solares entre maio e julho, variando entre 8 e 18 MJ/m2. É uma radiação comparável às melhores regiões do mundo em potencial solar, como a cidade de Dongola, no deserto do Sudão.

“As vantagens da energia solar só agora começam a ser mais conhecidas e valorizadas no país”, diz Marcelo Mesquita, diretor do Departamento Nacional de Aquecimento Solar da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento).

As áreas com maior potencial solar no Brasil estão situadas no semiárido, principalmente nos Estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande Norte e Piauí. É justamente nessas regiões que a luz elétrica ainda chega com dificuldade, principalmente em zonas rurais, por depender de grandes redes de fiação.

Para viabilizar o programa Luz para Todos, o governo federal vem investindo em painéis termo-solares para cumprir a meta de até 2010 iluminar cerca de 10 milhões de residências.

O Estado onde está sendo construída a primeira grande usina de energia termo-solar é o Rio Grande do Norte, com capacidade de produzir 30 MW. Segundo maior produtor de petróleo do país, o governo estadual, em parceria com a Petrobras, resolveu inovar. Localizada na região do Vale do Assu, a usina aproveitaria o vapor gerado – em períodos de não fornecimento de energia para a rede – para a reinjeção em poços produtores de petróleo da Bacia Potiguar.

“Já fazemos desde 2008 com a Termoaçu (uma usina termelétrica de cogeração que produz energia elétrica e vapor de água, utilizando gás natural como combustível), que injeta vapor em caso de necessidade. A ideia é viabilizar essa energia como forma de otimizar recursos.”, explica Jean Paul Prado.

O Pólo Guamaré, no Rio Grande do Norte, terá um complexo de energia que agrega além da Termoaçu, a Refinaria Carla Camarão e dois parques eólicos, o Alegria I e II.

Outra iniciativa importante está sendo realizada no Ceará. Ainda em estudos, a MPX está estruturando a montagem de uma planta piloto que, na primeira fase, terá 1 MW de energia solar fornecida a partir do município de Tauá. A empresa assinou memorando de entendimentos com a Baoding Tianwei Yingli New Energy Resources visando desenvolver uma parceria prospectiva em projetos relacionados à geração de energia de fonte solar.

Como não podia faltar no repertório de energias renováveis de um país tropical como o Brasil a energia das ondas também começa a ter um crescente interesse por investimentos. E o Ceará deve gerar 100 KW, suficientes para acender mais de 1.600 lâmpadas comuns de 60 watts, com um investimento de R$ 15 milhões. Os recursos são do governo do Estado e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), na categoria Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologia (P&D), aportados à Tractebel Energia, empresa controlada pelo grupo GDF Suez.

Em parceria com a Coordenação de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), a ideia é colocar em funcionamento até 2011 o primeiro protótipo de Conversor de Energia Elétrica a partir das ondas do mar.

Com a implantação desse projeto, espera-se o desenvolvimento de uma tecnologia nacional e inovadora que poderá evitar no futuro o pagamento de royalties ao exterior na geração de energia a partir desta fonte.
Similar a uma usina hidrelétrica de geração de energia, o conversor será construído nos molhes do Porto de Pecém (CE) devido às condições marítimas favoráveis, uma vez que em 90% do tempo as ondas ali existentes são adequadas para a geração de energia elétrica. Todo o protótipo, na sua concepção teórica e na construção do modelo em escala reduzida, foi integralmente desenvolvido por pesquisadores da Coppe/UFRJ.

Segundo pesquisas dos especialistas da universidade, o Brasil, com mais de 8 mil quilômetros de litoral, tem potencial para suprir até 15% de sua demanda energética utilizando as ondas do mar convertidas em energia elétrica. (F.P.)

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Os empregos verdes

19/01/10

Terça, 27 de Outubro de 2009

José Pastore*

Tenho acompanhado a grande discussão sobre as medidas para a limpeza do planeta, de olho no que vai acontecer com a oferta de empregos. Até o momento, vinha lendo as previsões das organizações mais ligadas ao mundo do trabalho, dentre elas, a Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Os trabalhos que li nesse campo me convenceram que as medidas para reduzir o CO2 e criar um ambiente mais limpo serão bastante benéficas para a geração de empregos ao longo dos próximos 20 anos. Dentre eles, tem especial destaque o Green Jobs: Towards Decent Work in a Sustainable, Low-Carbon World, publicado pela ONU e pela OIT em 2008. Só para a implantação de fontes de energia renováveis, o estudo registra que 2,3 milhões de empregos já foram gerados e muitos mais virão.

A eliminação dos combustíveis poluentes e o reaparelhamento dos veículos de transporte abrem, igualmente, imensas oportunidades de emprego, na medida em que isso envolve uma revolução nas tecnologias de produção de carros, ônibus, aviões, etc. A reforma dos edifícios, da mesma forma, tende a gerar milhões de empregos para que casas e prédios venham a ser poupadores de energia e usuários de fontes limpas. Só para a União Europeia, prevê-se mais de 2 milhões de empregos até 2030!Na agricultura e no reflorestamento, então, nem se fala. Hoje 1,3 bilhão de pessoas que trabalham nessas atividades terão de passar por profundas transformações. Os números projetados para novos empregos são colossais.

Esse meu entusiasmo, porém, acaba de tomar uma ducha de água fria ao ler o documento do The Property and Environment Research Center, Seven Myths about Green Jobs, Bozeman, Montana, 2009. O relatório critica severamente a metodologia utilizada pela literatura sobre os empregos verdes, inclusive o citado estudo da ONU e da OIT, assim como contesta frontalmente as decisões tomadas pelo presidente Barack Obama ao alocar bilhões de dólares em programas de novas energias com a esperança de desaquecer o planeta e criar milhões de empregos.

Os seus autores afirmam que as projeções são exageradas, sendo, muitas delas, baseadas em mitos, em modelos muito pobres e em pressupostos irrealistas. A crítica é dura. Quando examinada com cuidado, dizem os autores, a literatura sobre a explosão dos empregos verdes está repleta de contradições, terminologia vaga, ciência duvidosa e um completo desprezo pelos princípios básicos da economia.

Para ilustrar o forte ataque, selecionei alguns dos seus argumentos. Um deles diz respeito à desconsideração da possibilidade de aperfeiçoamento das tecnologias atuais. Os autores ponderam que essas tecnologias podem muito bem ser modificadas ao longo dos próximos anos, dispensando, assim, a introdução de outras.

Uma outra crítica se refere à desconsideração do custo de oportunidade dos imensos recursos que terão de ser usados para descarbonizar o planeta. É o caso da maioria dos empregos ligados à energia solar e eólica que decorrem de pesados subsídios – que terão de ser pagos pelos contribuintes. Os 50 mil empregos criados nesses campos na Espanha demandaram um investimento (subsidiado) de US$ 38 bilhões, ou seja, a exorbitante quantia de US$ 760 mil por emprego.

Mais. Nos Estados Unidos, a produção de energia produzida pelo vento deverá aumentar 20% até 2030, mas a sua contribuição será de um aumento de apenas 1,1% do total de energia gerada naquele ano, em todo o país. Além disso, trata-se de uma energia pouco confiável uma vez que os ventos são inconstantes e eletricidade produzida não pode ser estocada.

E assim o estudo vai dissecando previsão por previsão, tornando todas muito incertas. É claro que a monumental tarefa de desaquecer a Terra vai demandar muito trabalho, criando muitos empregos. Mas, ao que parece, estamos longe de poder quantificá-los com precisão e muito menos de antecipar o tipo de qualificação que vão requerer – sem falar nos postos de trabalho (atuais) que serão destruídos em decorrência da própria limpeza do planeta.

Um pouco de prudência não fará mal aos que projetam melhorias automáticas na oferta de emprego. Vou estudar melhor o tema já que estamos nas vésperas da reunião de Copenhagen (7 a 18 de dezembro de 2009), que tem o objetivo de estabelecer metas para o controle das mudanças do clima.

*José Pastore é professor de relações do trabalho da FEA-USP. Site: www.josepastore.com.br

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ENERGIA

18/01/10

Google faz planos para explorar área de energia

Rebecca Smith e Jessica E. Vascellaro, The Wall Street Journal

13/01/2010

Erin Siegal/Reuters

Painéis solares nos escritórios do Google: autoridades querem detalhes sobre a proposta da empresa, considerada inusitada para uma companhia de internet

Enquanto o Google cresce, cresce também seu apetite por eletricidade.

No fim do mês passado, a companhia, sediada em Mountain View, na Califórnia, inusitadamente pediu uma licença da Comissão Federal de Regulamentação da Energia dos Estados Unidos (Ferc, na sigla em inglês) para se tornar uma distribuidora de eletricidade e ganhar a autoridade para comprar e vender energia a granel a preços de mercado, da mesma maneira que várias elétricas de grande porte.

A empresa, que apresentou o pedido por meio da subsidiária Google Energy, afirma que a licença a ajudará a administrar melhor o suprimento de suas próprias operações e melhorar o acesso a fontes renováveis. O pedido também permite vislumbrar quanto as grandes empresas de tecnologia estão consumindo de eletricidade para operar suas vastas redes de servidores e mainframes.

Embora mais de 1,5 mil empresas já sejam autorizadas a comercializar eletricidade nos EUA, a grande maioria são concessionárias de serviços públicos ou geradoras. A medida é inusitada para uma companhia de internet e tecnologia, embora algumas empresas que operam lojas ou fábricas, como a fabricante de material de decoração Kohler, a produtora de alumínio Alcoa e a rede de supermercados Safeway também tenham licenças da Ferc.

Não se sabe qual o uso de energia do Google; a companhia não revela quantos centros de dados opera ou onde cada um é localizado. Em abril, ela afirmou que seus bancos de dados são os mais eficientes do mundo, considerando o que pode determinar, mas não quis dar detalhes.
Rich Miller, editor do site Data Center Knowledge, que acompanha a indústria de bancos de dados, disse que identificou 24 centros de dados do Google. Ele diz que é comum que grandes centros de dados de companhia de internet usem de 30 a 50 megawatts (MW). Os maiores bancos de dados do Google podem até consumir mais.

Em 2007, o Google anunciou que pretendia se tornar “carbono neutro”, o que significa adotar medidas para neutralizar os efeitos do dióxido de carbono produzido com o fornecimento de eletricidade a seus edifícios e bancos de dados. A companhia também instalou um conjunto de painéis solares com capacidade para 1,6 MW no telhado de sua sede e tem tentado obter eletricidade de fontes ecológicas, quando é possível.
Se o pedido à Ferc for atendido, “podemos ir diretamente a um projeto de energia renovável e comprar eletricidade para nossas operações”, disse uma porta-voz da companhia, Niki Fenwick. O Google também quer a capacidade de fechar contratos com companhias que fornecem créditos de carbono.

A licença também poderia permitir que a companhia assuma um papel muito maior nos mercados, se tornando até uma atacadista de eletricidade para outros grandes consumidores. Em seu pedido, a empresa informou que quer reservar o direito de “agir como vendedora de eletricidade, comprando e revendendo a clientes atacadistas”, e operando “nos mercados atacadistas de eletricidade para garantir suprimento e transmissão”.

Fenwick disse que a companhia “não planeja” vender seus serviços de administração de eletricidade a outras empresas ou se tornar uma especuladora no mercado, mas reconheceu que ainda “não determinou o que poderá fazer” com a “equipe verde” que formou.

Uma porta-voz da Ferc disse que a principal preocupação da comissão é o domínio de mercado, e como o Google não tem usinas ou distribuidoras, isso não deve ser um problema. Mas a comissão pode solicitar que o Google informe seus planos com mais clareza, já que é um pedido inusitado, acrescentou ela.
O Google tem uma longa história de minimizar seus avanços em novas áreas, para depois surpreender os concorrentes com novos produtos e serviços.

Quando a companhia anunciou seu sistema operacional para celulares, o Android, em 2007, ela tentou minimizar a especulação de que iria produzir um celular com a sua marca, afirmando que o projeto era “mais ambicioso que um único celular do Google”. Semana passada, a companhia começou a vender exclusivamente numa nova loja on-line um celular chamado Nexus One com sua marca, equipado com o Android e projetado na casa.

O Google também tem dedicado ultimamente mais atenção aos mercados de eletricidade. A companhia está criando parcerias com várias empresas energéticas americanas para oferecer às pessoas uma ferramenta gratuita de monitoramento do consumo de eletricidade chamada Google PowerMeter, que obtém leituras de medidores digitais “inteligentes” e de outros aparelhos, com o objetivo de revelar o consumo da casa e ajudar as pessoas a fazer as escolhas para economizar e diminuir as emissões de gases do efeito estufa das geradoras.

A companhia não precisa obter uma licença da Ferc para esse fim.

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China liquida reserva de mercado de energia eólica

13/01/10 – A China acabou com o limite no uso de peças importadas para a montagem de turbinas usadas na geração de eletricidade por energia eólica. O fim da barreira protecionista pretende dar mais impulso à energia renovável e facilitar o acesso à tecnologia estrangeira.

A decisão foi tomada pela poderosa Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, o principal organismo de planejamento do país, que revogou a exigência de que 70% das peças das turbinas fossem nacionais, segundo noticiou ontem o jornal “China Business News”.

A mudança ajudará “o desenvolvimento da indústria de energia eólica e vai abrir um mercado de concorrência racional”, descreve nota da comissão enviada a governos locais. “A limitação estava impedindo a busca chinesa por tecnologias mais avançadas”, afirma o comunicado.

Empresas estrangeiras detinham 75% do mercado de turbinas até 2005, quando a barreira foi estabelecida. Em 2009, a participação foi de 25%.

A capacidade instalada de energia eólica do país alcançou 20 gigawatts (bilhões de watts) no final de 2009, segundo previsão da agência de notícias Xinhua. Isso faria o país ultrapassar a Espanha, que nos dados consolidados de 2008 foi o terceiro maior produtor de eletricidade por turbinas de vento, atrás de EUA e Alemanha.

Cerca de 70% da energia na China, porém, é produzida em termelétricas a carvão, e 23% saem de petróleo e gás natural, o que faz do país o maior emissor de gases do efeito estufa no mundo. Uma abertura maior do mercado chinês a tecnologias de energia limpa pode ajudar a destravar as negociações para financiamento de medidas de corte de emissão, que terminaram em fiasco na conferência do clima de Copenhague, em dezembro.

A China tem hoje 6% de sua energia oriunda de hidrelétricas, mas menos de 1% do resto de sua matriz é limpa e renovável. O governo tem meta de gerar 15% de sua energia a partir de fontes renováveis até 2020.

Dois dos maiores produtores de painéis solares do mundo estão no país. Atualmente estão em construção na China as duas maiores usinas de energia eólica do mundo. A maior será na Província de Gansu, no noroeste, com capacidade de 20 gigawatts a um custo de R$ 30 bilhões. Em 2020, ela poderá gerar 20 vezes mais energia do que a usina de Roscoe, no Texas, hoje a maior do mundo.

A segunda mais poderosa será em Ordos, na Província da Mongólia Interior, norte da China, no deserto de Gobi. Parceria da empresa municipal Nova Energia com a americana First Solar, a usina de 12 gigawatts terá energia eólica, solar e de biomassa.

Segundo um estudo publicado em setembro pela revista “Science”, o vento que sopra na superpotência asiática poderia dar conta de toda a demanda futura de energia do país até 2030. Para isso, seriam necessários investimentos de US$ 4,6 trilhões (quase o triplo do PIB brasileiro) em 20 anos, na conta do climatólogo Michael McElroy, da Universidade Harvard, autor principal do estudo.

Raul Juste Lores
Fonte: Folha de S. Paulo

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INFRAESTRUTURA

18/01/10

Manaus expande as conexões com o país

Folha de São Paulo- 10/01/10

Crescimento da zona franca amplia e sofistica a logística necessária para abastecer a capital, que importa a maioria do que consome

Transportes de cabotagem, aéreo e rodofluvial formam a base que alimenta um complexo econômico que fatura US$ 30 bi por ano

AGNALDO BRITO

ENVIADO ESPECIAL A MANAUS (AM) São 6h05. O Boeing-767/300 da ABSA (do grupo LAN Chile) inicia o taxiamento na pista auxiliar do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP). Cintos atados, o comandante Antonio Giostri acelera. São 6h11. As 180 toneladas brutas do Boeing sacodem a 300 km/h, e, antes do fim da pista, a cabine mira o céu. As 53,6 toneladas de carga são aguardadas em Manaus (AM). O transporte aéreo Manaus-São Paulo decolou.

A bordo, vai de tudo. Morango, pintinho de um dia, verdura, aço, componentes eletrônicos para o polo industrial de Manaus. O trânsito aéreo de mercadorias entre a região Sudeste e Manaus já beira as 10 mil toneladas de carga por mês, embarcadas em aviões de passageiros e de carga.

O vaivém de produtos já é maior do que toda a exportação aérea do Brasil para os Estados Unidos e os países europeus. “Fora os Estados Unidos, nenhum outro país do mundo gera um volume de carga aérea dentro do território como esse entre São Paulo e Manaus”, afirma Alexandre Silva, gerente de vendas da ABSA. Por isso, a companhia, que lançou em março o primeiro voo regular, passou agora a oferecer dois voos por dia.
Mina de ouro

Importar comida não é um luxo em Manaus, é uma necessidade. O clima e o solo inviabilizam, segundo a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), a produção de alimentos em escala. Quase tudo vem de fora: chega de navio, de avião, em carretas baú, despachado sobre balsas de Belém (PA) ou de Porto Velho (RO).

Colhida no dia anterior em Piedade (SP), a carga de 1.500 quilos de morangos chega ainda fresca aos mais de cem pontos de venda do fruto em Manaus. Paulo Otero de Souza, o “rei do morango”, conhece o assunto como poucos. Há 35 anos, vende frutas na causticante Manaus. Correntes de ouro no pescoço, o paraense domina o setor na capital.

Vende 150 mil caixas de morango por ano. Tudo chega de avião. “Já tentei trazer baús carregados de morango. Aqui chegou só o caldo”, brinca. Como tudo, o custo é alto: seis reais a bandeja de morango, que em São Paulo custa R$ 2. “Morango aqui nunca deu e não vai dar. Mas a turma gosta. Compra tudo”, diz Souza na caótica sede de sua empresa, ao lado do Mercado da Banana, no centro de Manaus.
Cabotagem

Não muito longe dali, o Aliança Europa -um dos seis navios da maior companhia de navegação de cabotagem do país- descarrega 1.200 contêineres, a maior parte embarcada no porto de Santos.

Trazem insumos para a indústria na zona franca: grãos, produtos de limpeza, material de construção -cerâmica, cimento, vergalhão. Manaus se verticaliza.

A crise afetou o fluxo de comércio na região, mas a recuperação chegou com força. A Aliança avalia reativar a linha-expressa Manaus-São Paulo, explica Bruno Crelier, gerente de cabotagem da companhia.

Com a mudança, o tempo de viagem então baixaria para oito dias. Hoje, com as escalas no Nordeste, a viagem dura 11 dias e meio, tempo semelhante ao da mais importante modalidade de transporte para a região: a rodofluvial -que associa hidrovias e rodovias.

Segundo a Suframa, 80% das importações de fora do país para Manaus chegam por via marítima, o que inclui insumos vindos da Ásia e da Europa para a indústria eletroeletrônica.

Do que é produzido na região, também 80% são dedicados a abastecer o mercado brasileiro, diz Ana Maria de Souza, coordenadora geral de estudos econômicos da Suframa.

Os dados sobre o transporte na Amazônia ainda são incipientes, mas, apesar da deficiência, são esses canais os responsáveis por dar ao polo industrial o faturamento de US$ 30 bilhões por ano e emprego para 86 mil pessoas.

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