Arquivo de fevereiro, 2010

ENERGIA EÓLICA

22/02/10

Energia eólica chega ao mercado livre

De São Paulo
19/02/2010

Silvia Costanti/Valor

Manoel Zaroni, presidente da Tractebel, informa que deve vender 150 MW

A estratégia da Tractebel para este ano, a maior empresa privada de geração de energia e que possui uma das maiores comercializadoras do país, é atrair supermercados, shoppings e grandes lojas para o mercado livre com a venda de energia eólica. Esse tipo de energia alternativa tem um desconto para empresas que consomem entre 500 kW e 3000 kW, e pode se tornar um bom negócio para elas que tem um desconto de 50% na tarifa de distribuição. Por outro lado, as geradoras podem viabilizar seus projetos de energia eólica antes mesmo que o governo federal faça seu próximo leilão.

De acordo com o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, já está confirmado um novo leilão de energia de reserva para este ano no qual poderão ser comercializados energia da biomassa, PCHs e também de origem eólica. As linhas do leilão ainda não estão definidas, mas os tipos de energia não devem competir entre si, serão vendidas em produtos diferentes.

O que animou o governo foi o sucesso do leilão do ano passado em que se comercializou 1.800 MW de capacidade instalada de energia eólica. Tolmasquim diz, inclusive, que o plano decenal de energia deverá trazer um projeto com uma boa quantidade anual de energia alternativa. Isso dará uma nova perspectiva para as empresas que estão apostando no setor e esperam inclusive abrir capital na Bovespa. Caso da Renova Energia, que já está com um processo de emissão de ações em andamento e que no ano passado vendeu no leilão do governo 14 parques eólicos com capacidade de gerar 270 MW.

A venda de energia eólica no mercado livre se tornou possível depois que o primeiro leilão do governo, realizado em meados de dezembro, estabeleceu um patamar de preço para esse tipo de energia e que se mostrou competitivo com outros tipos de energia incentivada, como biomassa e pequenas centrais hidrelétricas. O preço-teto do leilão ficou em R$ 189,00, mas a energia foi vendida em média a R$ 150,00.

Os primeiros contratos de venda no mercado livre já foram inclusive feitos, pela Bioenergy, que vendeu 230 MW para a empresa comercializadora da Cemig em um leilão privado que tinha como preço mínimo R$ 140,00 e um contrato de 20 anos. A Bioenergy ainda vendeu 162 MW no leilão do governo federal e a ideia agora é buscar novos clientes, a exemplo da Tractebel, naquele grupo que pode comprar energia incentivada.

Como já têm parques sendo construídos ou até em operação, os dois grupos podem se aproveitar do ganho de escala e passar a vender em prazos não tão longos como o do contrato com a Cemig. A Tractebel, por exemplo, tem dois parques eólicos que foram erguidos no âmbito do Proinfa e que podem agora ser expandidos a medida em que a energia é vendida. O presidente da empresa, Manoel Zaroni, diz que tem expectativa de vender cerca de 150 MW de energia por dez anos e a um preço um pouco maior do que os R$ 150,00 em média negociados no primeiro leilão de energia eólica.

Zaroni conta que a Tractebel tinha dois projetos habilitados para o leilão, mas não foram competitivos porque a empresa não contou com a renovação do convênio Confaz que dava isenção de ICMS a aerogeradores. Não fosse isso, os preços seriam competitivos segundo Zaroni porque a capacidade produtiva de seu parques chega a 40%. A maioria dos projetos vendidos no leilão ano passado tinham esse percentual de fator de produtividade. (JG)

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BIOCOMBUSTÍVEIS

22/02/10

Europeu aluga terra para etanol na África

Assis Moreira, de Genebra
18/02/2010

Empresas da Europa começam a alugar terras na África para produzir etanol, exportar livres de tarifas para o mercado europeu e concorrer no futuro com o biocombustível brasileiro.

A companhia suíça Addax Bioenergy acaba de assinar contrato com o governo de Serra Leoa, um dos países mais pobres do planeta, para aluguel de 10 mil hectares de terras visando produzir 100 milhões de litros de etanol a partir de cana-de-açúcar.

O projeto é estimado em US$ 200 milhões, com cofinanciamento do Banco Europeu de Investimentos e Banco Africano de Desenvolvimento, além de apoio da Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), segundo seus diretores. A produção deve começar em 2012. A empresa está em discussão também com indústrias brasileiras para o fornecimento de equipamentos.

A sueca Sekab, que costuma importar etanol do Brasil, é outra que tem projeto de aluguel de terra na Tanzânia. Além disso, começa a ser desenvolvido gradualmente um projeto tripartite, entre a União Europeia, Brasil e União Africana, para produção do combustível na África visando também o mercado europeu.

A Addax Bioenergy afirma que um argumento pesou forte na sua escolha: o etanol de Serra Leoa será exportado para os 27 países do bloco europeu livre da tarifa de € 192 por mil litros que é aplicada sobre o produto brasileiro.

Isso não inquieta representantes brasileiros. Para cumprir sua meta de adicionar 10% de biocombustível na gasolina vendida no mercado europeu, a UE precisa importar. E há espaço para todos os produtores. Para os brasileiros, o importante no momento é transformar o biocombustível em commodity global. Além disso, os projetos na África estão longe de chegar à dimensão da produção brasileira.

Serra Leoa sofreu uma guerra até dez anos atrás e seus seis milhões de habitantes têm dificuldades para se alimentar. Mas a companhia suíça argumenta que o país está calmo hoje. Afora isso, o clima é favorável, a cultura irrigada da cana-de-açúcar dá rendimentos comparáveis ou superiores aos do Brasil, onde o rendimento energético é duas vezes maior que o etanol americano e a economia de CO2, três vezes superior. Um funcionário afirma que o projeto foi totalmente inspirado na experiência brasileira.

A Addax vai pagar aluguel de US$ 12 por hectare por ano, dos quais 60% serão pagos diretamente aos proprietários das terras. A plantação de cana não deverá atingir nem as zonas úmidas destinadas à produção de arroz, nem as florestas. A empresa promete criar dois mil empregos diretos.

O investimento em Serra Leoa está sendo submetido a estritas normas para reduzir impactos ambientais e sociais. Os bancos financiadores procuraram todas as garantias, para não serem acusados de participar da recolonização da África por meio da compra de terras para produção de algo que a população local ignora. Organizações humanitárias são céticas.

O fenômeno do “land grabbing” cresce. Esse é o termo usado para compra ou aluguel de vastas áreas de terras por investidores privados ou países ricos, como Arábia Saudita e Coreia do Sul, em nações em desenvolvimento, para produzir alimentos destinados à exportação. Desde 2008, 180 contratos teriam sido assinados, segundo um instituto de Oakland, nos EUA. O International Food Policy Research Institute estima que investidores estrangeiros já garantiam entre 15 milhões e quase 20 milhões de hectares de terras em países pobres entre 2006 e meados de 2009.

A Organização das Nações Unidas (ONU) começou a discutir um código de conduta para regular os investimentos estrangeiros em terras agrícolas. Mas serão regras voluntárias, que vão demorar um ano, talvez mais, para ser aprovadas.

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Quinta-Feira, 18 de Fevereiro de 2010

ETH e Brenco se unem para criar maior grupo global de etanol de cana

Acordo será anunciado hoje pelas empresas, depois de mais de cinco meses de negociações

Paula Pacheco

Depois de cinco meses de negociação, ETH Bioenergia e Brenco anunciam hoje a união entre as duas empresas. Com a confirmação do negócio, surgirá a maior empresa produtora de etanol de cana do mundo. Elas terão capacidade de produzirem juntas 3 bilhões de litros do combustível e 2,5 mil gigawatts-hora (GWh) por ano de energia elétrica obtida da biomassa. A Cosan, hoje a maior do setor, produz 2,3 bilhões de litros de etanol (safra 2009/2010).

A associação entre as duas empresas confirma a tendência de consolidação no setor sucroalcooleiro, que se acentuou no ano passado depois que a atividade passou por sérias dificuldades de caixa. A própria Brenco sentiu de perto os efeitos da falta de dinheiro nos bancos. Antes da ETH, tentou uma associação com a Petrobrás, em agosto do ano passado.

As duas empresas saíram do papel em 2007. Presidida por José Carlos Grubisich e controlada pelo Grupo Odebrecht, a ETH tem como sócia a trading japonesa Sojitz, com 33% das ações. A companhia é a que tem a expansão mais avançada. Tem cinco usinas em operação - Alcídia (SP), Conquista do Pontal (SP), Rio Claro (GO), Eldorado (MS) e Santa Luzia (MS). Para a safra 2010/11, a produção é estimada em 11 milhões de toneladas de cana e 720 milhões de litros de etanol. O plano de investimento da companhia previa, antes da união com a Brenco, o desembolso de R$ 900 milhões neste ano.

Já a Brenco, que tem Philippe Reichstul como presidente, possui duas usinas em condições de começar a moagem neste ano. O projeto Água Emendada fica em Goiás e o Costa Rica, em Mato Grosso do Sul. Juntas, as duas plantas da Brenco têm capacidade final de moagem de 3,8 milhões de toneladas de cana. Antes da associação, a empresa previa investir cerca de R$ 5,5 bilhões até 2015, com a implantação de três polos bioenergéticos com 10 unidades industriais. O ativo das duas companhias é estimado em aproximadamente R$ 3,5 bilhões.

Em outubro passado, ETH e Brenco assinaram um memorando de entendimento para analisar a união. Juntas, elas têm condições de chegar a uma capacidade de moagem de 37 milhões de toneladas de cana por ano, o que as colocariam entre as maiores do País.

MERCADO CONCENTRADO

Analista do mercado de energia da consultoria Safras & Mercado, Miguel Biegai acredita que a nova empresa, apesar da grande capacidade de produção, pode sofrer com a dedicação exclusiva ao etanol. “Basta ver o que aconteceu no ano passado com as usinas dedicadas apenas ao etanol. Elas tiveram uma dificuldade tremenda por conta do preço baixo. O valor pago não remunerava nem o custo de produção e só com os ganhos no açúcar foi possível equilibrar as contas”, explica Biegai.

Para o especialista, a aposta dos dois grupos no setor de energia (etanol e biomassa) pode estar correta, se houver dinheiro em caixa para aguentar uma aposta com resultados apenas no longo prazo. “Até lá, ETH e Brenco terão de investir muito nos ganhos de sinergia”, disse.

O negócio entre ETH e Brenco é o segundo do setor em menos de dois meses. O primeiro foi a joint venture entre a Cosan e a Shell. A multinacional Bunge também tem planos agressivos para o setor sucroalcooleiro. No ano passado, já fechou a compra do Grupo Moema.

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British Airways usará biocombustível feito de lixo a partir de 2014

15/02/2010 - 10h25

da BBC Brasil

A companhia de aviação British Airways fechou um acordo para a construção da primeira planta europeia de produção de biocombustível para aviões.

Segundo o repórter da BBC Richard Scott, a unidade deverá ser capaz de produzir 60 milhões de litros de combustível para abastecer os jatos da empresa britânica a partir de 500 mil toneladas de lixo.

A planta começará a ser erguida em 2012 na zona leste de Londres pela empresa americana Solena Group e deverá entrar em operação daqui a quatro anos. Pelo acordo, o grupo americano custeará a construção, enquanto a British Airways se compromete a comprar toda a sua produção.

Segundo a companhia, com esses 60 milhões de litros será possível abastecer apenas 2% dos voos que decolam do Heathrow, o principal aeroporto inglês.

Além de ser menos poluente, esse biocombustível é mais benéfico ao meio ambiente por reaproveitar o lixo comum. Normalmente, esse material permanece em aterros sanitários produzindo gás metano, um dos gases causadores do efeito estufa.

Setor

A iniciativa da British Airways vem na esteira de outras medidas adotadas por empresas do setor.

Em fevereiro de 2008, a Virgin Atlantic Airways realizou um voo pioneiro à base de biocombustível entre Londres e Amsterdã. O Boeing 747 voou sem passageiros a bordo e teve um de seus quatro motores movido por um biocombustível produzido a partir de óleo de coco babaçu.

Desde então, diversos voos a partir de outros biocombustíveis experimentais vêm sendo realizados pelo projeto Combustível Sustentável para Aviação, uma iniciativa que inclui companhias aéreas, como a própria Virgin e a Continental Airlines, além de fabricantes de aeronaves como a Boeing.

Em um relatório divulgado em junho do ano passado, o grupo diz que seus biocombustíveis produzem 65% a 80% menos gás carbônico do que os combustíveis à base de petróleo.

“Todas as combinações utilizadas em voos teste atingiram ou mesmo superaram as expectativas de performance como combustível de avião”, diz o relatório. “Para todos os voos experimentais, os biocombustíveis não demonstraram qualquer efeito adverso nas aeronaves”, completa o texto.

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INFRAESTRUTURA

22/02/10

Governo promete novo pacote de licitações

Quarta-Feira, 17 de Fevereiro de 2010

Até o fim do semestre, pelo menos cinco áreas em diferentes portos do Brasil devem entrar na lista da Antaq

Renée Pereira

O governo federal promete iniciar até abril um pacote de licitação de terminais portuários com contratos de concessão com a validade vencida. Até o fim do semestre, pelo menos cinco áreas em diferentes portos do Brasil estarão prontas para serem leiloadas, garante o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Fernando Fialho.

No total, o Brasil tem cerca de 100 terminais com contratos vencendo até 2013 que terão de passar por leilão. Fialho conta que a agência aprovou, na semana passada, o processo de licitação de dois terminais que estão com o contrato vencido. O primeiro deles é o terminal de granéis líquidos que hoje é administrado pela Vopak, no Porto de Santos (SP).

De acordo com o diretor geral da Antaq, a empresa que oferecer a maior proposta pela oportunidade de negócio assinará um contrato de concessão de 25 anos, prorrogáveis por mais 25 anos.

O vencedor ainda terá de arcar com investimentos mínimos de R$ 10,8 milhões e desembolsar R$ 33,8 milhões a título de sítio-padrão (referente ao pagamento da estrutura existente).

Além disso, a nova concessionária pagará mensalmente arrendamento de R$ 2,5 por tonelada movimentada e valor patrimonial de R$ 2,5 por metro quadrado usado. “As regras vão determinar novas metas de movimentação e de investimentos nos portos”, comenta Fialho.

Outra área que teve o processo de licitação aprovado na semana passada foi o terminal de fertilizantes e ração animal do Porto de Imbituba, em Santa Catarina. As regras para essa licitação são iguais às do terminal da Vopak, em Santos. Mas, nesse caso, a empresa vencedora terá de fazer um investimento mínimo de R$ 17,8 milhões.

Entre as obrigações mensais, ela precisará desembolsar R$ 2,52 por tonelada movimentada e R$ 0,84 por metro quadrado usado.

Fialho explica que, a partir da aprovação dos processos pela Antaq, as Companhias Docas, que administram os respectivos portos, vão enviar os documentos para análise do Tribunal de Contas da União (TCU). “Em 30 dias esperamos que tudo esteja pronto para lançar o edital de licitação. O leilão poderia ocorrer em abril”, calcula.

O diretor da Antaq comenta que a agência finaliza nos próximos dias os estudos de mais três terminais que poderão ir a leilão até o fim deste semestre. Estão entre eles a revitalização do Porto do Recife (PE), para a expansão do terminal de turismo, um terminal de açúcar no Porto de Suape (PE) e outro no Porto de Santos.

“É possível que a gente consiga aprovar esses processos na última reunião da diretoria em fevereiro (dia 24) ou na primeira de março”, diz Fialho.

Na avaliação de muitos especialistas, o governo demorou para começar a resolver este problema, o que atrapalha a definição de investimentos para melhorar a eficiência dos terminais.

A explicação é que ninguém faz nenhum plano de expansão sem saber se os portos com contratos vencidos serão ou não relicitados. Essa dúvida ocorre exatamente porque o governo já deu sinais de que há casos em que pode haver prorrogação dos prazos.

O primeiro terminal com contrato vencido que foi a leilão foi o da Cargill, no Porto de Santos. O contrato fechado pela americana previa o arrendamento por dez anos, prorrogáveis por outros dez, que acabou em 2005. Na ocasião a multinacional se valeu de uma resolução da Antaq que permite a prorrogação por mais três anos. O leilão apenas ocorreu em novembro do ano passado e o grupo vencedor tinha como sócio a Cargill e a LDC.

Além desse terminal, outros 11 arrendamentos vão expirar até 2011 no Porto de Santos, sem direito à prorrogação. Entre eles estão Cutrale, Vopak, Deicmar, Mesquita e Rodrimar.
NÚMEROS
100 terminais,
aproximadamente, têm contratos vencendo até 2013

R$ 10,8 milhões
terão de ser investidos pelo vencedor do leilão do terminal de granéis líquidos no Porto de Santos, hoje administrado pela Volpak

R$ 17,8 milhões
terão de ser investidos no Porto de Imbituba (SC)

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INFRAESTRUTURA

16/02/10

PAC 2 prevê 11 mil km de ferrovias até 2020

Danilo Fariello, de Brasília
12/02/2010

A segunda versão do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC 2) está em fase final de ajustes no governo e deverá conter investimentos planejados para até 2020. Entre seus principais destaques estarão projetos do setor de transportes, principalmente hidrovias e ferrovias, para apoiar a produção agropecuária e industrial. O Valor teve acesso ao projeto mais avançado de investimentos que deverão ser feitos para expandir a malha ferroviária dos atuais 29 mil quilômetros para 40 mil km até 2020. Desse total, 35 mil km já deverão estar prontos em 2015.

Essas projeções incluem também projetos previstos, e não realizados, no primeiro PAC, que deverão ser acelerados para que as licitações sejam feitas ainda neste ano. O orçamento total de ferrovias no PAC 2 ainda não está delimitado, mas, se considerado o preço médio de US$ 1 milhão por quilômetro de ferrovia, até 2020 seriam US$ 11 bilhões investidos, ou quase R$ 21 bilhões.

O projeto prevê uma interligação entre os principais ramais do país e, destes, com os diferentes portos. Além dos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), onde chegará a Nova Transnordestina até 2012, haverá também ligações para o porto de Barcarena (PA), pela Norte-Sul, e até o porto de Rio Grande (RS), pela Ferrosul. A expansão da Ferrosul é uma das principais novidades do PAC 2.

As novas ferrovias deverão ser feitas em bitola larga. Onde houver ligação com ramais de bitola estreita, serão feitas três linhas sobre os trilhos, de forma que, pela mesma infraestrutura, possam circular tanto locomotivas e vagões de bitola larga, quanto de estreita, para otimizar o uso da malha. Exemplo desse uso deverá ser adotado no corredor Ferrosul, de Panorama (SP) até o porto do Rio Grande, passando por Guarapuava (PR).

Também há previsão para execução da ferrovia de Dionísio Cerqueira (SC) ao porto de Itajaí (SC), passando por Chapecó. O projeto é conhecido como Ferrovia do Frango, por causa da produção granjeira, que se estende de leste a oeste do Estado. Por Itajaí, perpendicularmente à linha do Frango, passará a Ferrovia Litorânea, que contornará a costa de Santa Catarina, entre Araquari e Imbituba. Em Chapecó, haverá a conexão entre a Ferrovia do Frango e a Ferrosul.

Na região Sul, o PAC 2 prevê também uma nova linha que chegará ao porto de Paranaguá partindo de Guarapuava. Seria uma segunda descida para o porto, com o objetivo de desafogar a já existente. Com a maior interconexão entre as ferrovias nacionais, prevê-se fluxo mais intenso nos entroncamentos que chegam aos portos.

O desenho das ferrovias no novo programa traz também uma linha de bitola larga entre Ipatinga (MG) e Uruaçu (GO), passando por Brasília, de onde sai um ramal em direção a Anápolis (GO). Em Ipatinga, a linha conecta-se aos trilhos da Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM) e, em Anápolis e Uruaçu, conecta-se à Norte-Sul. Será um acesso mais rápido para exportar a produção de grãos do Centro-Oeste, principalmente soja, pelo porto de Tubarão (ES). Em Uruaçu chegará também uma nova linha que parte de Vilhena (RO) e passa por Sorriso (MT), outra região de produção agrícola.

O PAC 2, porém, deverá deixar para um segundo momento algumas das grandes obras projetadas para o sistema ferroviário. O corredor Bioceânico, que sairá de Rondonópolis, passando por Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC) até a fronteira da Bolívia, onde chegaria até o Pacífico, não deverá ter prazos específicos na nova edição do programa. Também a linha que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA) e a expansão da Ferroeste até Foz do Iguaçu (PR) ficariam sem previsão.

Até a definição final do PAC 2, ainda discutido na Casa Civil e ministérios, há probabilidade maior de que obras incluídas sejam retiradas do que as desconsideradas sejam inseridas, segundo pessoa próxima às discussões.

O planejamento do PAC 2, de chegar a 40 mil km de linhas férreas em 2020 deverá colocar o sistema logístico brasileiro em nível mais próximo do de outros países de dimensões continentais. Hoje, os EUA têm cerca de 280 mil km de ferrovias e a China tem 86 mil km. A China, porém, tem em curso um plano para expandir a malha para 125 mil km até 2015.

O crescimento da malha ferroviária brasileira poderá vir acompanhado por um novo modelo para o setor, que se assemelharia ao rodoviário. Nesse plano, concebido na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e no Ministério dos Transportes, os concessionários da infraestrutura dos novos trilhos não terão direito à exclusividade sobre os vagões e locomotivas que circularem sobre eles. Pelo modelo considerado, uma empresa poderia trazer seu comboio de determinada região para desembarcar em qualquer porto onde os trilhos possam levá-la, pagando direitos de passagem aos concessionários das linhas. Dessa forma, seria estimulada a concorrência entre os concessionários dos trilhos e também entre os porto, como ocorre na Espanha.

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Domingo, 07 de Fevereiro de 2010

Melhor porto, Suape teve investimento de R$ 7 bilhões

Posição estratégica e gestão também levam porto a se destacar em pesquisa

Monica Bernardes

O desempenho do Complexo Portuário de Suape na pesquisa do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), considerado o melhor do País, é, na avaliação de operadores e gestores, resultado de fatores como localização estratégica em relação às principais rotas de navegação, o que garante conexão com mais de 160 portos em todos os continentes; o investimento contínuo (público e privado) em infraestrutura e gestão, que soma mais de R$ 7 bilhões nos últimos três anos; e a adoção de um plano estratégico rígido, monitorado por especialistas, entre os quais um grupo do Porto de Roterdã, na Holanda.

Suape fica 40 quilômetros ao sul do Recife (PE), em uma área de 13.500 hectares. Atualmente, 96 empreendimentos, entre indústrias, empresas de logística e de operação de serviços, estão instalados ou em processo de instalação. Entre eles estão o grupo italiano Mossi & Ghisolfi (M&G), o Estaleiro Atlântico Sul, a Bunge Alimentos, uma usina termoelétrica de 523 megawatts e a Refinaria Abreu e Lima. Em 2007, o porto tinha 8 mil empregados diretos. Em 2009, superou os 18 mil.

Em 2009 foi movimentado um total de 7,77 milhões de toneladas, ante 8,61 milhões em 2008. A queda, de 9,8%, foi justificada pelo secretário de Desenvolvimento Econômico e presidente do porto, Fernando Bezerra Coelho, como efeito da crise econômica.

“Não podemos esquecer que todos os setores foram atingidos pela crise mundial. Mas isso já era esperado e não causa preocupação em relação às metas para 2010. Muito pelo contrário, os resultados do segundo semestre de 2009, que foram 32% superiores aos dos primeiros seis meses, mostram que nos recuperamos rápido. Se mantivermos esse ritmo, a movimentação de cargas atingirá um aumento de 15% a 20%, alcançando até 9 milhões de tonelada”, disse ele.

Entre os produtos que mais se destacaram na movimentação do porto no último ano estão as chapas de aço, máquinas e peças para empreendimentos que estão se instalando em Suape, a exemplo do Estaleiro Atlântico Sul.

De acordo com Bezerra Coelho, os investimentos previstos para 2010 (entre receita própria, repasse do governo federal e recursos do Tesouro do Estado) são da ordem de R$ 750 milhões. “Em 2007, o investimento, sem contar a iniciativa privada, foi de R$ 105 milhões. Em 2008, esse valor chegou a R$ 158 milhões. No ano passado, atingimos R$ 438 milhões.”

No ano passado, pelo terceiro ano consecutivo, Suape apresentou um recorde no número de navios atracados. Em 2009, foram 1.138 embarcações, ante 1.042 em 2008 e 1.107 em 2007.

PROJETOS

Na lista dos projetos prioritários para 2010 estão: licitação para o segundo terminal de contêineres, um terminal de minério e um terminal de grãos, cujo valor estimado é de R$ 2 bilhões; a construção de novos piers, a duplicação de vias internas, aumento da capacidade de produção de água bruta, com construção de uma nova subestação, e a restauração da ligação ferroviária com Alagoas, prevista para o fim do primeiro semestre.

Entre os operadores, as expectativas também são positivas. O presidente do Terminal de Contêineres de Suape (Tecon Suape), Sérgio Kano, credita a liderança de Suape “à forte parceria entre governo e iniciativa privada”. “Suape é um projeto que tem 40 anos, mas só nos últimos 25 passou a ser viabilizado. Os últimos 10 anos foram de crescimento intenso e consolidação e isso só foi possível graças ao planejamento sério e à confiança de grupos empresariais”, destacou.

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