BIOCOMBUSTÍVEIS

Europeu aluga terra para etanol na África

Assis Moreira, de Genebra
18/02/2010

Empresas da Europa começam a alugar terras na África para produzir etanol, exportar livres de tarifas para o mercado europeu e concorrer no futuro com o biocombustível brasileiro.

A companhia suíça Addax Bioenergy acaba de assinar contrato com o governo de Serra Leoa, um dos países mais pobres do planeta, para aluguel de 10 mil hectares de terras visando produzir 100 milhões de litros de etanol a partir de cana-de-açúcar.

O projeto é estimado em US$ 200 milhões, com cofinanciamento do Banco Europeu de Investimentos e Banco Africano de Desenvolvimento, além de apoio da Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), segundo seus diretores. A produção deve começar em 2012. A empresa está em discussão também com indústrias brasileiras para o fornecimento de equipamentos.

A sueca Sekab, que costuma importar etanol do Brasil, é outra que tem projeto de aluguel de terra na Tanzânia. Além disso, começa a ser desenvolvido gradualmente um projeto tripartite, entre a União Europeia, Brasil e União Africana, para produção do combustível na África visando também o mercado europeu.

A Addax Bioenergy afirma que um argumento pesou forte na sua escolha: o etanol de Serra Leoa será exportado para os 27 países do bloco europeu livre da tarifa de € 192 por mil litros que é aplicada sobre o produto brasileiro.

Isso não inquieta representantes brasileiros. Para cumprir sua meta de adicionar 10% de biocombustível na gasolina vendida no mercado europeu, a UE precisa importar. E há espaço para todos os produtores. Para os brasileiros, o importante no momento é transformar o biocombustível em commodity global. Além disso, os projetos na África estão longe de chegar à dimensão da produção brasileira.

Serra Leoa sofreu uma guerra até dez anos atrás e seus seis milhões de habitantes têm dificuldades para se alimentar. Mas a companhia suíça argumenta que o país está calmo hoje. Afora isso, o clima é favorável, a cultura irrigada da cana-de-açúcar dá rendimentos comparáveis ou superiores aos do Brasil, onde o rendimento energético é duas vezes maior que o etanol americano e a economia de CO2, três vezes superior. Um funcionário afirma que o projeto foi totalmente inspirado na experiência brasileira.

A Addax vai pagar aluguel de US$ 12 por hectare por ano, dos quais 60% serão pagos diretamente aos proprietários das terras. A plantação de cana não deverá atingir nem as zonas úmidas destinadas à produção de arroz, nem as florestas. A empresa promete criar dois mil empregos diretos.

O investimento em Serra Leoa está sendo submetido a estritas normas para reduzir impactos ambientais e sociais. Os bancos financiadores procuraram todas as garantias, para não serem acusados de participar da recolonização da África por meio da compra de terras para produção de algo que a população local ignora. Organizações humanitárias são céticas.

O fenômeno do “land grabbing” cresce. Esse é o termo usado para compra ou aluguel de vastas áreas de terras por investidores privados ou países ricos, como Arábia Saudita e Coreia do Sul, em nações em desenvolvimento, para produzir alimentos destinados à exportação. Desde 2008, 180 contratos teriam sido assinados, segundo um instituto de Oakland, nos EUA. O International Food Policy Research Institute estima que investidores estrangeiros já garantiam entre 15 milhões e quase 20 milhões de hectares de terras em países pobres entre 2006 e meados de 2009.

A Organização das Nações Unidas (ONU) começou a discutir um código de conduta para regular os investimentos estrangeiros em terras agrícolas. Mas serão regras voluntárias, que vão demorar um ano, talvez mais, para ser aprovadas.

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Quinta-Feira, 18 de Fevereiro de 2010

ETH e Brenco se unem para criar maior grupo global de etanol de cana

Acordo será anunciado hoje pelas empresas, depois de mais de cinco meses de negociações

Paula Pacheco

Depois de cinco meses de negociação, ETH Bioenergia e Brenco anunciam hoje a união entre as duas empresas. Com a confirmação do negócio, surgirá a maior empresa produtora de etanol de cana do mundo. Elas terão capacidade de produzirem juntas 3 bilhões de litros do combustível e 2,5 mil gigawatts-hora (GWh) por ano de energia elétrica obtida da biomassa. A Cosan, hoje a maior do setor, produz 2,3 bilhões de litros de etanol (safra 2009/2010).

A associação entre as duas empresas confirma a tendência de consolidação no setor sucroalcooleiro, que se acentuou no ano passado depois que a atividade passou por sérias dificuldades de caixa. A própria Brenco sentiu de perto os efeitos da falta de dinheiro nos bancos. Antes da ETH, tentou uma associação com a Petrobrás, em agosto do ano passado.

As duas empresas saíram do papel em 2007. Presidida por José Carlos Grubisich e controlada pelo Grupo Odebrecht, a ETH tem como sócia a trading japonesa Sojitz, com 33% das ações. A companhia é a que tem a expansão mais avançada. Tem cinco usinas em operação - Alcídia (SP), Conquista do Pontal (SP), Rio Claro (GO), Eldorado (MS) e Santa Luzia (MS). Para a safra 2010/11, a produção é estimada em 11 milhões de toneladas de cana e 720 milhões de litros de etanol. O plano de investimento da companhia previa, antes da união com a Brenco, o desembolso de R$ 900 milhões neste ano.

Já a Brenco, que tem Philippe Reichstul como presidente, possui duas usinas em condições de começar a moagem neste ano. O projeto Água Emendada fica em Goiás e o Costa Rica, em Mato Grosso do Sul. Juntas, as duas plantas da Brenco têm capacidade final de moagem de 3,8 milhões de toneladas de cana. Antes da associação, a empresa previa investir cerca de R$ 5,5 bilhões até 2015, com a implantação de três polos bioenergéticos com 10 unidades industriais. O ativo das duas companhias é estimado em aproximadamente R$ 3,5 bilhões.

Em outubro passado, ETH e Brenco assinaram um memorando de entendimento para analisar a união. Juntas, elas têm condições de chegar a uma capacidade de moagem de 37 milhões de toneladas de cana por ano, o que as colocariam entre as maiores do País.

MERCADO CONCENTRADO

Analista do mercado de energia da consultoria Safras & Mercado, Miguel Biegai acredita que a nova empresa, apesar da grande capacidade de produção, pode sofrer com a dedicação exclusiva ao etanol. “Basta ver o que aconteceu no ano passado com as usinas dedicadas apenas ao etanol. Elas tiveram uma dificuldade tremenda por conta do preço baixo. O valor pago não remunerava nem o custo de produção e só com os ganhos no açúcar foi possível equilibrar as contas”, explica Biegai.

Para o especialista, a aposta dos dois grupos no setor de energia (etanol e biomassa) pode estar correta, se houver dinheiro em caixa para aguentar uma aposta com resultados apenas no longo prazo. “Até lá, ETH e Brenco terão de investir muito nos ganhos de sinergia”, disse.

O negócio entre ETH e Brenco é o segundo do setor em menos de dois meses. O primeiro foi a joint venture entre a Cosan e a Shell. A multinacional Bunge também tem planos agressivos para o setor sucroalcooleiro. No ano passado, já fechou a compra do Grupo Moema.

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British Airways usará biocombustível feito de lixo a partir de 2014

15/02/2010 - 10h25

da BBC Brasil

A companhia de aviação British Airways fechou um acordo para a construção da primeira planta europeia de produção de biocombustível para aviões.

Segundo o repórter da BBC Richard Scott, a unidade deverá ser capaz de produzir 60 milhões de litros de combustível para abastecer os jatos da empresa britânica a partir de 500 mil toneladas de lixo.

A planta começará a ser erguida em 2012 na zona leste de Londres pela empresa americana Solena Group e deverá entrar em operação daqui a quatro anos. Pelo acordo, o grupo americano custeará a construção, enquanto a British Airways se compromete a comprar toda a sua produção.

Segundo a companhia, com esses 60 milhões de litros será possível abastecer apenas 2% dos voos que decolam do Heathrow, o principal aeroporto inglês.

Além de ser menos poluente, esse biocombustível é mais benéfico ao meio ambiente por reaproveitar o lixo comum. Normalmente, esse material permanece em aterros sanitários produzindo gás metano, um dos gases causadores do efeito estufa.

Setor

A iniciativa da British Airways vem na esteira de outras medidas adotadas por empresas do setor.

Em fevereiro de 2008, a Virgin Atlantic Airways realizou um voo pioneiro à base de biocombustível entre Londres e Amsterdã. O Boeing 747 voou sem passageiros a bordo e teve um de seus quatro motores movido por um biocombustível produzido a partir de óleo de coco babaçu.

Desde então, diversos voos a partir de outros biocombustíveis experimentais vêm sendo realizados pelo projeto Combustível Sustentável para Aviação, uma iniciativa que inclui companhias aéreas, como a própria Virgin e a Continental Airlines, além de fabricantes de aeronaves como a Boeing.

Em um relatório divulgado em junho do ano passado, o grupo diz que seus biocombustíveis produzem 65% a 80% menos gás carbônico do que os combustíveis à base de petróleo.

“Todas as combinações utilizadas em voos teste atingiram ou mesmo superaram as expectativas de performance como combustível de avião”, diz o relatório. “Para todos os voos experimentais, os biocombustíveis não demonstraram qualquer efeito adverso nas aeronaves”, completa o texto.

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