Arquivo de fevereiro, 2010

FUNDO AMBIENTAL

16/02/10

Minc e Tarso propõem fundo ambiental de R$ 500 milhões

10/02/2010

RENAN RAMALHO
da Folha de S. Paulo, em Brasília

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o da Justiça, Tarso Genro, assinaram nesta terça-feira (9) um projeto de lei que criaria o Fundo de Proteção Ambiental.

Com recursos de multas e de outros fundos (como o de mudança climática e de segurança pública), ele será usado para apoiar polícias estaduais e órgãos ambientais no combate ao desmatamento na Amazônia, cerrado e caatinga.

Minc estima que, por ano, o fundo disponibilize cerca de R$ 500 milhões.

O objetivo, segundo Minc, é aprovar o projeto no Congresso “o mais breve possível” para “institucionalizar” o financiamento a ações de combate ao desmatamento.

O projeto consolida também a Comissão Interministerial aos Crimes e Infrações Ambientais.

Trata-se de um grupo composto por representantes dos ministérios da Justiça e Meio Ambiente, polícias Federal e Rodoviária Federal, Ibama e Instituto Chico Mendes para traçar políticas e planos para aplicação do fundo.

“Como é que podemos ter uma meta oficial com a ONU se não tivermos recursos firmes e forças policiais [para combater o desmatamento]?”, questionou Minc.

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

16/02/10

 

EUA anunciam nova agência dedicada à mudança climática

Agência, que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso, reuniria informações sobre o tema.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O secretário do Comércio dos Estados Unidos, Gary Locke, e a chefe da agência americana para Oceanos e Atmosfera (Noaa, na sigla em inglês), Jane Lubchenco, anunciaram nesta segunda-feira o plano de criar uma nova agência federal exclusivamente dedicada às mudanças climáticas.

A criação da nova agência, no entanto, ainda precisa ser aprovada no Congresso americano.

O Noaa, um dos centros de estudo da atmosfera mais respeitados do mundo, ficará responsável pela criação do órgão, que trabalharia em conjunto com outras duas agências, o Serviço Nacional de Meteorologia e o Serviço Nacional de Oceanos, ambos ligados à própria Noaa.

Recentemente, a Noaa divulgou estudos afirmando que os dez anos entre 2000 e 2009 foram os mais quentes já registrados, seguidos pela década de 90.

“Cada vez mais gente quer ter mais informações sobre o clima e como ele os afeta”, afirmou Lubchenco. “Por isso, as autoridades decidiram reunir todas as operações do governo sobre o assunto em uma só unidade.”

Novas tecnologias

Escritórios que já trabalham com meteorologia no Noaa e em outras agências governamentais seriam incorporados por esta nova agência climática.

A nova unidade deverá ser administrada por Thomas Karl, atual diretor do Centro Nacional de Dados sobre o Clima, e deve ficar baseada em Washington, além de ter seis diretores regionais em diferentes pontos dos Estados Unidos.

“Ao fornecer informações vitais para planejamento que as nossas empresas e comunidades necessitam, o Serviço Climático do Noaa vai ajudar a enfrentar de frente os desafios de mitigação e adaptação às mudanças climáticas”, afirmou Locke, acrescentando que novas tecnologias e empresas serão criadas neste processo.

De acordo com o Noaa, diversos representantes da sociedade civil também elogiaram a iniciativa do governo americano.

Além da criação do novo serviço, o Noaa também anunciou a criação de um novo portal na internet, o http://www.climate.gov/ para reunir todas as informações relacionadas ao clima atualmente produzidas pela agência.

De acordo com as autoridades, o portal visa a atender cientistas, formadores de opinião, educadores e empresários, além do público em geral. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. 

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Green building: Cresce interesse por hotéis verdes

16/02/10

Estabelecimentos investem na adoção de práticas ecologicamente corretas para preservar o ambiente e o clima

Domingo, 07 de Fevereiro de 2010

Afra Balazina

O luxo e o conforto oferecidos pelos hotéis estão frequentemente relacionados a extravagâncias e desperdícios. Mas a cada dia é mais comum que empreendimentos e hóspedes tentem aliar o bem-estar e o aconchego com o respeito ao ambiente. O movimento é observado no Brasil e no mundo.

Entre as ações adotadas estão o tratamento de esgoto, a separação do lixo, a redução do consumo de água e o aproveitamento de fontes alternativas de energia, como a solar.

Mas um dos pontos que ainda faltam avançar no País é a certificação no momento de construir os prédios – nenhum hotel tem. Segundo a ONG Green Building Council Brasil (GBC), hoje existem só 14 empreendimentos certificados com o Leed – Leadership in Energy and Environmental Design, selo verde para a construção civil. Em processo de certificação são 150 obras, entre as quais alguns hotéis. Um deles será instalado na zona sul de São Paulo e outros, na Região Nordeste.

INTEGRAÇÃO

Além de ações de sustentabilidade, alguns hotéis vêm adotando medidas de integração com a comunidade onde eles estão instalados. Esse é o casos do Paraíso Eco Lodge, em Ribeirão Grande, no Vale do Ribeira. O empreendimento patrocinou um grupo de artesãos da região e promoveu o renascimento de grupos de dança de fandango.

Praticamente todos os funcionários são de Ribeirão Grande, de preferência do bairro mais próximo do hotel. “Não destruir e respeitar a natureza é o mínimo, mas não podemos deixar de lado o elemento humano”, diz o coordenador do Paraíso, Manoel Pereira Lizo Filho.

O hotel também faz tratamento de esgoto produzido nos chalés que foram construídos com sobras da indústria de laminação de madeira. O estabelecimento tem lareiras apenas decorativas. Para não perder o charme, mas evitar a queima de lenha e a emissão de gás carbônico, o hotel usa velas.

E não há piscinas. “Alguns hóspedes pedem, mas para quê gastar com água e manutenção se na área há lagos que permitem a natação e um contato mais próximo com a natureza?”, questiona Lizo Filho.

Em Visconde de Mauá (RJ), o Hotel Bühler criou o projeto Lixo Mínimo. Os resíduos orgânicos vão para uma miniusina e são transformados em adubo, usado posteriormente no jardim e na horta orgânica. De acordo com Norma Bühler, os hóspedes são convidados “de forma simpática” a fazer a separação do lixo reciclável – depois, o material é doado. O hotel também planta eucaliptos para abastecer a sauna e as lareiras.

Na Costa Rica, país procurado por suas belezas naturais, o Paradisus Playa Conchal faz mensalmente uma revisão na frota de carros e motos para verificar as emissões de poluentes e, se necessário, fazer a regulação dos veículos.

Mauricio Ramírez, gerente de qualidade ambiental do hotel, conta que foram recicladas mais de 325 toneladas de resíduos desde 2004. Os hóspedes são convidados a contribuir com US$ 1 por estada para beneficiar uma área de conservação estadual – em cerca de dez anos, arrecadou-se aproximadamente R$ 400 mil. O empreendimento conquistou a certificação ambiental ISO 14001.

CUSTO-BENEFÍCIO

As construções que obedecem às normas de certificação Leed têm um aumento de 5% a 10% no custo de implantação. No entanto, os gastos na operação são reduzidos em 40%. As novas tecnologias ajudam a garantir economia de energia e de água: é possível usar lâmpadas mais eficientes – como as fluorescentes e as de LED – e sensores para iluminação e para torneiras, além de privadas com dois botões de fluxo de água (um mais curto e outro mais longo).

O engenheiro civil Marcos Casado, gerente técnico do GBC Brasil, incentiva o uso de energias alternativas, como a solar e a eólica, e o respeito à biodiversidade. A iluminação do empreendimento à noite, por exemplo, “deve ser somente o mínimo necessário para garantir a segurança e não atrapalhar os pássaros noturnos”.

Paulo Gustavo Moura Gomes, coordenador de marketing do Pestana na América do Sul, diz que a rede possui um comitê de ecossuficiência que atua em questões relacionadas a obras e reformas. “Percebeu-se que o letreiro não precisava ficar aceso a madrugada toda. E que nem todos os elevadores precisavam funcionar durante a noite.”

A rede, com nove hotéis no Brasil, promoveu o plantio de 5 mil mudas de árvores por meio de um projeto da Fundação SOS Mata Atlântica. Nos quartos, são apresentados guias de educação ambiental para os hóspedes e, em abril, realizará um evento para conscientizar também funcionários. Gomes não é contrário à certificação, mas diz que esses mecanismos não são estritamente necessários. “Se o hotel tem regras próprias e projeto claro, isso fica evidente para o cliente. Não é preciso outra propaganda.”

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Biocombustíveis avançam na matriz

9/02/10

Energia: Projeção indica aumento do consumo de etanol no mercado interno e chances de inserção global

Jander Ramon, para o Valor, de São Paulo
06/11/2009

Carol Carquejeiro/Valor

Maurício Tolmasquim, presidente da EPE, prevê a produção anual de 64 bilhões bilhões de litros de etanol até 2017

Poucos setores produtivos no Brasil experimentam uma dinâmica tão expressiva nos negócios como a cadeia dos biocombustíveis, liderada pela produção de etanol. Especialistas ouvidos pelo Valor projetam, informalmente, investimentos de US$ 30 bilhões nas usinas e infraestrutura do setor para o período 2009-12.

Apenas a Petrobras Biocombustível, subsidiária da petrolífera brasileira, deverá aportar US$ 3,4 bilhões, de 2009 a 2013, em produção e infraestrutura de transporte de biocombustíveis, incluindo aí, além da produção de etanol, o biodiesel, elaborado a partir da mistura de óleos vegetais ao diesel.

“O programa é um sucesso e, mesmo com a crise e os investimentos para exploração do pré-sal não reduzimos um centavo do nosso plano de expansão. Pelo contrário, elevamos nossos investimentos”, afirma o presidente da empresa, Miguel Rossetto. “No curto prazo, enxergamos um crescimento muito forte no consumo de etanol no mercado doméstico e oportunidades interessantes de inserção do combustível no mercado global”, afirma Eduardo Leão de Sousa, diretor-executivo da União da Agroindústria Canavieira (Unica), associação que congrega usinas responsáveis por mais de 50% da produção nacional de cana-de-açúcar e 60% da fabricação de etanol.

O estudo “Mapeamento e Quantificação do Setor Sucroenergético”, apoiado pela Unica e desenvolvido pelos pesquisadores Marcos Fava Neves, Vinicius Gustavo Trombin e Matheus Consoli, identifica todos os elos da cadeia energética do setor e conclui que o faturamento da área corresponde a US$ 28,15 bilhões, equivalente a quase 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, enquanto a movimentação financeira da cadeia está em US$ 86,8 bilhões.

Conforme dados preliminares do “Balanço Energético Nacional 2009″, produzido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, produtos da cana-de-açúcar (etanol, bagaço, caldo e melaço para fins energéticos) responderam por 16,4% da matriz energética brasileira em 2008, se tornando a segunda principal fonte de energia nacional, atrás apenas do petróleo e derivados. Sozinho, o etanol respondeu por 4,8% do consumo energético brasileiro, no ano passado.

“Os veículos flex representam 93% das vendas de automóveis novos no país e, entre os consumidores que dispõem dessa tecnologia, 75% optam pelo abastecimento com etanol. Nossa projeção é de que, em 2017, o Brasil fabricará 3 milhões de carros/ano e a produção de etanol atingirá 64 bilhões de litros/ano, 150% superior ao patamar atual, sendo 8 bilhões de litros exportados”, conta o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim.

Estudo recente produzido pelo Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), aponta que, até 2016, mantida a cotação do petróleo no mercado internacional entre US$ 50 e US$ 60 por barril, o etanol será o combustível de 80% da frota brasileira, que praticamente terá expurgado os carros movidos a gasolina. “Isso apenas como resultado da opção econômica do mercado pelo combustível mais competitivo”, aponta o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Energia da USP e ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer.

Embora viva uma dinâmica de novos investimentos, o setor já começa a sentir a necessidade de ajustes. Um deles é a consolidação na cadeia sucroalcooleira, com a formação de conglomerados mais sólidos, com maior poder de mercado e maior capacidade financeira de investimento. “O setor ainda é extremamente pulverizado no Brasil. Existem mais de 410 unidades industriais, controladas por 200 grupos, o que é bastante atípico comparado com outras commodities”, avalia Sousa, da Unica.

O representante setorial defende a criação de uma lei do etanol. A estrutura regulatória atual, na opinião de Sousa, é repleta de indefinições e distorções mercadológicas. Um exemplo é a obrigatoriedade de os produtores comercializarem os combustíveis para os distribuidores, impedindo o fornecimento direto para a rede de venda ao consumidor. “Por esse sistema, o produtor fica com o ônus de carregar os estoques ao longo do ano, fora do período de produção, favorecendo o oligopólio da distribuição”,diz.

Um dos principais investidores no mercado de biocombustíveis do Brasil, a Petrobras Biocombustível prepara seu ingresso na produção do etanol. Miguel Rossetto afirma que a subsidiária avalia tanto promover investimentos em novos projetos (greenfield), como adquirir operações já existentes, ainda em 2009, sempre em parceria, e como sócia minoritária, voltada prioritariamente para o mercado externo.

Na visão dele, o conjunto de iniciativas no campo dos biocombustíveis permitirá ao Brasil realizar uma “ótima transição” para a queda mundial do consumo de petróleo, no futuro. “O Brasil conta com uma posição extraordinária do ponto de vista energético. Saímos bem do século 20, com descobertas de imensas reservas petrolíferas, e entramos reforçados na agenda do século XXI, com forte ênfase em fontes renováveis de energia”, analisa.

Além da exportação potencial do petróleo a ser extraído do pré-sal, os agentes do setor de biocombustíveis esperam que haja um aumento de demanda por parte dos países desenvolvidos, que planejam contar com maior participação de fontes renováveis em suas matrizes. Só o programa americano prevê, até 2022, o consumo de 135 bilhões de litros de etanol por ano. A União Europeia definiu outro programa até 2020, que representa mais 15 bilhões de litros por ano”, diz Sousa, da Unica. “Só aí já reside uma enorme oportunidade para o Brasil exportar o biocombustíveis”, avalia.

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