Arquivo de março, 2010

INFRAESTRUTURA

28/03/10

Odebrecht cria nova empresa de infraestrutura

Com faturamento de R$ 502 milhões em 2010, a Odebrecht TransPort vai atuar nos setores de transporte e logística

25 de março de 2010

Naiana Oscar - O Estadao de S.Paulo
Com os olhos voltados para o “Brasil do futuro” e a necessidade acelerada de investimentos em infraestrutura e logística, a Odebrecht criou uma nova empresa, que pretende se tornar nos próximos anos uma referência nos setores rodoviário, aeroportuário e de transporte urbano no País. Até 2015, o novo braço da holding já comprometeu investimentos de cerca de R$ 5 bilhões só nos projetos que estão em andamento e foram herdados da irmã mais velha, a Odebrecht Investimentos em Infraestrutura.

As estratégias da recém-criada Odebrecht TransPort têm sido traçadas nos últimos cinco anos, desde que o novo presidente, Marcelo Odebrecht, assumiu o cargo. A empresa será apresentada hoje ao mercado, num momento que “coincide” com um ambiente de efervescência nos setores público e privado. “Temos um esforço governamental para atender a essa demanda por infraestrutura, por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), por exemplo, e ao mesmo tempo acompanhamos uma consolidação dos segmentos setoriais privados”, disse Geraldo Villin, presidente da Odebrecht TransPort. O executivo paulista, formado em engenharia civil, tem uma trajetória de três décadas na companhia, onde começou como estagiário e construiu a carreira principalmente na área de infraestrutura.

Com a intenção de concentrar esforços nas áreas de transporte e logística, a companhia levou para a nova empresa os projetos que já estavam em andamento e são voltados para esse segmento. A Odebrecht Infraestrutura continua com outros ativos, como a construção da Arena Fonte Nova, na Bahia, e a Rota do Sol, na Colômbia. Os projetos específicos de transporte e logística no Brasil passaram a integrar o portfólio da empresa recém-criada. A “herança” vai garantir um faturamento já este ano de R$ 502 milhões.

A carteira da TransPort por enquanto está constituída por cinco ativos. Entre eles, o que deve se tornar o maior terminal privado de contêineres do País, com capacidade para operar dois milhões de litros de etanol. Localizado no Guarujá, na margem esquerda do Porto de Santos, o terminal Embraport foi comprado em 2009 em parceria com a Dubai Port World e deve iniciar a operação em 2012. Para a primeira fase de desenvolvimento, estão previstos US$ 500 milhões.

No transporte urbano, a empresa está presente na operação e manutenção da linha 4 Amarela do Metrô de São Paulo, numa concessão de 30 anos firmada por meio de uma parceria público-privada. A TransPort está de olho também nas concessões para sistemas de Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) ? os monotrilhos ? em grandes cidades brasileiras e demonstra grande interesse em participar do desenvolvimento do projeto de trem de alta velocidade que vai ligar o Rio a São Paulo.

Rodovias. Ampliar a participação em projetos rodoviários é outra meta do novo braço da Odebrecht, que deve ser impulsionada com a terceira fase do programa de concessão de rodovias federais. A retomada da Odebrecht nesse segmento ocorreu em 2008, quando conquistou a concessão da Rota das Bandeiras, na região de Campinas, em São Paulo. O único setor de interesse que ainda não está representado no portfólio atual é o de aeroportos. “Existe uma discussão instalada, não é de curto prazo, mas já estudamos essas oportunidades”, disse Villin. Os primeiros investimentos estão diretamente ligados à Copa do Mundo e à Olimpíada, eventos que vão exigir a ampliação dos principais aeroportos. A estratégia de atuação da TransPort prevê investimentos pesados desde a fase de desenvolvimento de projetos. “Também não queremos atuar como investidores passivos. Vamos operar os ativos e fornecê-los aos usuários.”

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RECURSOS HÃDRICOS

28/03/10

Brasil precisa avançar na exploração de recursos hídricos, diz Minc

Para ministro, crescimento da infraestrutura do País tem que garantir o uso sustentável da água

23 de março de 2010
Agência Brasil

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou nesta terça-feira, 23, que o Brasil precisa avançar para garantir o uso sustentável dos recursos hídricos. “Estamos num bom momento, crescendo na infraestrutura, na redução das desigualdades sociais, mas ainda precisamos explorar melhor nossos recursos hídricos”, disse, ao participar de reunião extraordinária do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, que antecedeu a Pré-Conferência Nacional de Ãguas.

Arquivo/AE

Minc deixará o Ministério do Meio Ambiente para disputar novo mandato de deputado estadual no RJ

Durante a reunião, o ministro fez um balanço da sua gestão à frente da pasta. Depois de passar um ano e dez meses no comando do ministério, Minc deixará o cargo para disputar novo mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro.

Dentre as principais ações do ministério citadas por ele está a revisão do Plano Nacional de Recursos Hídricos. Minc também destacou a extensão de programas de preservação ambiental a todos os biomas brasileiros e o Plano Decenal de Saúde Ambiental, que a visa trabalhar políticas de cuidados com o lixo e a prevenção de doenças provenientes da falta de saneamento

“Os recursos hídricos precisam acompanhar algumas políticas públicas no país para evitar a poluição e o desmatamento. O conselho tem repensado no trabalho conjunto a partir de uma forma integrada para discussão dentro dessas novas perspectivas”, destacou o ministro.

De acordo com Minc, entre as conquistas no plano ambiental em 2010 também está a aprovação do projeto de lei sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que propõe o uso de ferramentas da chamada ecologia industrial, uma nova abordagem da relação entre a indústria e o meio ambiente.

Além de estimular a participação social, a Pré-Conferência Nacional de Ãguas, que começa hoje à noite, será uma oportunidade para a construção de novos padrões de relação entre o Estado e a sociedade, a troca de experiências, o fortalecimento do pacto social em torno da gestão sustentável dos recursos hídricos e a definição de prioridades na área.

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Reúso da água ajuda saúde e ambiente

Relatório da ONU. Tratamento de esgoto para reutilização agrícola também pode gerar renda e beneficiar a agricultura. Falta de qualidade da água mata, anualmente, 1,8 milhão de crianças menores de 5 anos, principalmente em países subdesenvolvidos

23 de março de 2010

Fernanda Fava - O Estadao de S.Paulo
ENVIADA ESPECIAL
NAIRÓBI, QUÊNIA

O tratamento de esgoto para a reutilização em processos de irrigação agrícola pode se tornar uma fonte de recursos e, ao mesmo tempo, beneficiar a agricultura, o meio ambiente e a saúde humana. Essa é a aposta dos autores do relatório Ãgua Doente, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), lançado ontem no Rio e em Nairóbi, Quênia, durante a celebração do Dia Mundial da Ãgua.

“Esse estudo é uma compilação de dados de diversos órgãos das Nações Unidas. A novidade é a maneira como cruzamos as informações para formular um projeto de gestão de resíduos”, disse o organizador Christian Nellemann, do Pnuma. Segundo os autores, se fossem destinados ao reúso de água apenas 25% dos recursos investidos em tratamento, o abastecimento das cidades poderia aumentar dez vezes.

A ideia é que os 2 milhões de toneladas de resíduos sólidos produzidos todos os dias passem por tratamento para serem reutilizados na fertilização e irrigação de culturas agrícolas. Esses resíduos, despejados diretamente em rios, lagos e mares, formam uma massa de 2 bilhões de toneladas de água poluída.

Um documento recente da ONU analisa que cada dólar investido em programas desse tipo pode ter retorno financeiro de até US$ 34, dependendo da região e da tecnologia empregada. “A poluição das fontes de água requer que as cidades gastem hoje muito mais dinheiro em etapas adicionais no tratamento para garantir a qualidade”, reforça Anna Tibajuka, diretora executiva do Programa das Nações Unidas para Habitação.
A agricultura representa atualmente de 70% a 90% do consumo total de água. E quase metade da matéria orgânica nas águas residuais vem dessa prática. Esse material, rico em potássio, nitrogênio e fosfato, poderia substituir fertilizantes e pesticidas - um ganho econômico e também ambiental.

Saúde. O estudo ressalta as vantagens para o combate às doenças relacionadas à poluição da água. É o caso da diarreia, que mata 2,2 milhões de pessoas por ano no mundo. Ao menos 1,8 milhão de crianças menores de 5 anos morrem anualmente por doenças relacionadas à falta de qualidade da água, principalmente em países subdesenvolvidos, onde 90% do esgoto não é tratado. O problema também foi abordado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. “Essas mortes são uma afronta para a humanidade e minam os esforços de muitos países”, afirmou.

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SANEAMENTO

28/03/10

PAC 2 terá pelo menos R$ 40 bilhões para saneamento básico

22/03/2010
Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) prevê investimentos de pelo menos R$ 40 bilhões em saneamento básico entre 2011 e 2014, o mesmo volume da primeira etapa, e pode chegar a cifras mais altas. O governo está fechando os números e deve anunciar o pacote no dia 29 de março.

“Estamos otimistas, torcemos para que os números que apresentamos, que estão acima dos valores atuais, sejam confirmados. No mínimo, os números atuais serão mantidos”, adiantou o secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Leodegar Tiscoski.

A manutenção do ritmo de investimentos deve acelerar o acesso à água potável e ao saneamento básico no país, segundo Tiscoski. Os dados mais recentes apontam que 80,9% dos brasileiros são atendidos com água potável, mas apenas 42% têm coleta de esgoto. O índice de tratamento só chega a 32,5%.

A universalização desses direitos custaria pelo menos R$ 200 bilhões em investimentos, de acordo com o secretário. No atual ritmo de aplicação dos recursos, a meta levaria pelo menos 20 anos para ser cumprida.

No entanto, segundo Tiscoski, a continuidade dos investimentos pode acelerar os resultados.

“Antes do PAC, os setores estavam muito desmobilizados. Foram muitos anos sem investimentos, não havia projetos, a indústria não estava preparada, faltava corpo técnico. Com a continuidade do PAC, o setor vai se manter mobilizado.”

O secretário acredita que o Brasil ainda pode atingir a meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para saneamento, proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU), de reduzir pela metade a proporção da população sem acesso à água e ao esgotamento sanitário até 2015.

De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, elaborado em 2009, a probabilidade de o Brasil cumprir a meta para abastecimento de água no ano passado era de 70%. Já a chance real de atingir a meta de esgotamento sanitário era de menos de 30%.

Apesar dos desafios, o secretário acredita que o Brasil tem motivos para comemorar o Dia Mundial da Ãgua, celebrado hoje (22) pela ONU. “Temos muito a comemorar, principalmente pelos investimentos. Mas ainda há muito o que fazer, temos muitos mananciais comprometidos. E, quando se trata de saneamento, as ações são lentas e os reflexos são mais lentos ainda”, ponderou.

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ENERGIA LIMPA

28/03/10

BID priorizará projetos de energia limpa na AL

20 de março de 2010
AFRA BALAZINA, ANDREA VIALLI e JOSÉ MARIA TOMAZELA, com EFE - O Estadao de S.Paulo

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vai priorizar os projetos de energias renováveis na oferta de crédito para países da América Latina. O presidente do BID, Luis Alberto Moreno, afirmou ontem em Cancún, no México, que nos próximos três anos 80% do crédito que o órgão destinar para financiar projetos energéticos do setor privado terá foco em programas que trabalhem com energias limpas, como eólica, geotérmica, biomassa, solar e hidrelétrica.

Segundo Moreno, nos últimos dez anos, a instituição emprestou US$ 3 milhões para programas de energias renováveis na região da América Latina e do Caribe. Além disso, o diretor ressaltou que, do US$ 1,2 bilhão que o BID destinou em 2009 para projetos do setor privado, um terço foi utilizado “para financiar energia renovável e eficiência energética na região”. O BID estima que a demanda por energia na América Latina deverá crescer 50% até 2030 e, para isso, serão necessários investimentos da ordem de US$ 1,5 bilhão.

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