RECURSOS HÍDRICOS
Brasil precisa avançar na exploração de recursos hídricos, diz Minc
Para ministro, crescimento da infraestrutura do País tem que garantir o uso sustentável da água
23 de março de 2010
Agência Brasil
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou nesta terça-feira, 23, que o Brasil precisa avançar para garantir o uso sustentável dos recursos hídricos. “Estamos num bom momento, crescendo na infraestrutura, na redução das desigualdades sociais, mas ainda precisamos explorar melhor nossos recursos hídricos”, disse, ao participar de reunião extraordinária do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, que antecedeu a Pré-Conferência Nacional de Águas.
Arquivo/AE

Minc deixará o Ministério do Meio Ambiente para disputar novo mandato de deputado estadual no RJ
Durante a reunião, o ministro fez um balanço da sua gestão à frente da pasta. Depois de passar um ano e dez meses no comando do ministério, Minc deixará o cargo para disputar novo mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro.
Dentre as principais ações do ministério citadas por ele está a revisão do Plano Nacional de Recursos Hídricos. Minc também destacou a extensão de programas de preservação ambiental a todos os biomas brasileiros e o Plano Decenal de Saúde Ambiental, que a visa trabalhar políticas de cuidados com o lixo e a prevenção de doenças provenientes da falta de saneamento
“Os recursos hídricos precisam acompanhar algumas políticas públicas no país para evitar a poluição e o desmatamento. O conselho tem repensado no trabalho conjunto a partir de uma forma integrada para discussão dentro dessas novas perspectivas”, destacou o ministro.
De acordo com Minc, entre as conquistas no plano ambiental em 2010 também está a aprovação do projeto de lei sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que propõe o uso de ferramentas da chamada ecologia industrial, uma nova abordagem da relação entre a indústria e o meio ambiente.
Além de estimular a participação social, a Pré-Conferência Nacional de Águas, que começa hoje à noite, será uma oportunidade para a construção de novos padrões de relação entre o Estado e a sociedade, a troca de experiências, o fortalecimento do pacto social em torno da gestão sustentável dos recursos hídricos e a definição de prioridades na área.
Reúso da água ajuda saúde e ambiente
Relatório da ONU. Tratamento de esgoto para reutilização agrícola também pode gerar renda e beneficiar a agricultura. Falta de qualidade da água mata, anualmente, 1,8 milhão de crianças menores de 5 anos, principalmente em países subdesenvolvidos
23 de março de 2010
Fernanda Fava – O Estadao de S.Paulo
ENVIADA ESPECIAL
NAIRÓBI, QUÊNIA
O tratamento de esgoto para a reutilização em processos de irrigação agrícola pode se tornar uma fonte de recursos e, ao mesmo tempo, beneficiar a agricultura, o meio ambiente e a saúde humana. Essa é a aposta dos autores do relatório Água Doente, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), lançado ontem no Rio e em Nairóbi, Quênia, durante a celebração do Dia Mundial da Água.
“Esse estudo é uma compilação de dados de diversos órgãos das Nações Unidas. A novidade é a maneira como cruzamos as informações para formular um projeto de gestão de resíduos”, disse o organizador Christian Nellemann, do Pnuma. Segundo os autores, se fossem destinados ao reúso de água apenas 25% dos recursos investidos em tratamento, o abastecimento das cidades poderia aumentar dez vezes.
A ideia é que os 2 milhões de toneladas de resíduos sólidos produzidos todos os dias passem por tratamento para serem reutilizados na fertilização e irrigação de culturas agrícolas. Esses resíduos, despejados diretamente em rios, lagos e mares, formam uma massa de 2 bilhões de toneladas de água poluída.
Um documento recente da ONU analisa que cada dólar investido em programas desse tipo pode ter retorno financeiro de até US$ 34, dependendo da região e da tecnologia empregada. “A poluição das fontes de água requer que as cidades gastem hoje muito mais dinheiro em etapas adicionais no tratamento para garantir a qualidade”, reforça Anna Tibajuka, diretora executiva do Programa das Nações Unidas para Habitação.
A agricultura representa atualmente de 70% a 90% do consumo total de água. E quase metade da matéria orgânica nas águas residuais vem dessa prática. Esse material, rico em potássio, nitrogênio e fosfato, poderia substituir fertilizantes e pesticidas – um ganho econômico e também ambiental.
Saúde. O estudo ressalta as vantagens para o combate às doenças relacionadas à poluição da água. É o caso da diarreia, que mata 2,2 milhões de pessoas por ano no mundo. Ao menos 1,8 milhão de crianças menores de 5 anos morrem anualmente por doenças relacionadas à falta de qualidade da água, principalmente em países subdesenvolvidos, onde 90% do esgoto não é tratado. O problema também foi abordado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. “Essas mortes são uma afronta para a humanidade e minam os esforços de muitos países”, afirmou.
