MINERAÇÃO
21/03/10Leilões de mineração vão considerar bônus de assinatura e conteúdo local
Danilo Fariello, de Brasília
18/03/2010
Antonio Cruz/ABr

Cláudio Scliar, secretário de Geologia e Mineração: substituir importações
O governo adotará parâmetros similares aos definidos nas regras do pré-sal nos futuros leilões de áreas de mineração, conforme o novo marco regulatório do setor, que deverá ser enviado para o Congresso no próximo mês. Segundo a proposta do Ministério de Minas e Energia, vencerão os leilões a serem feitos pela Agência Nacional de Mineração (ANM) as empresas que apresentarem maior bônus de assinatura, que tiverem investimento mínimo mais elevado e maior conteúdo local na sua cadeia de produção.
A meta deste último critério, conforme aconteceu para o petróleo, é substituir importações, estimulando a indústria nacional a fornecer máquinas e equipamentos para o setor, explica o secretário de Geologia e Mineração do ministério, Cláudio Scliar. Exemplos desses equipamentos são sondas, tratores e pequenos vagões, que circulam nas jazidas. Segundo ele, não haverá preocupação com o país de origem da companhia, mas apenas com o percentual de produtos e serviços nacionais na cadeia.
O Brasil exportou, em 2008, US$ 44 bilhões em minérios primários, segundo exposição feita ontem pelo ministro de Minas e Energia Edison Lobão. Nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a exportação de minério de ferro (o maior valor isolado do grupo) somou US$ 16,5 bilhões naquele ano.
Conforme o ministério, a demanda global por minérios primários subirá 4% em média até 2014. Segundo a apresentação do ministro, “os bens minerais são estratégicos para a produção industrial e são fatores de segurança econômica para as nações”.
Lobão e seu o secretário apresentaram ontem na Comissão de Minas e Energia da Câmara o novo código mineral. Segundo Lobão, ficará a cargo do ministério propor ao Conselho Nacional de Política Mineral – que deverá ser criado, à luz do Conselho Nacional de Política Energético, do setor elétrico – as áreas consideradas estratégicas e, portanto, que vão ser leiloadas para mineradores interessados.
O governo ainda não indicou, porém, qual será o critério objetivo para definir se determinada área é estratégica. Mas, segundo a apresentação do ministro, jazidas de lítio e potássio são exemplos de áreas estratégicas. As demais áreas mineradoras, não consideradas estratégicas, permanecerão livres para solicitações de pesquisa e lavra, como ocorre segundo a lei atual.
Também deverão a ir a leilão mais de 150 mil áreas onde não há atividade mineral ativa, disse Lobão. Conforme o novo marco legal, o governo terá mais poder para fazer caducar as licenças dessas áreas. “A norma atual tem uma série de procedimentos burocráticos centralizadores, que protelam essa ação”, segundo Lobão. Questionado na Câmara se não se trataria de “estatização” do setor, o ministro afirmou que “não há intenção de se reestatizar, mas de colocar o mercado sob regras severas que atendam ao interesse nacional.”
Segundo Lobão, as novas leis prevêem acabar com a especulação com licenças de mineração, pois os prazos para as empresas serão mais rígidos. O prazo será de 35 anos para exploração, com possibilidade de renovação. O prazo para pesquisa de lavra, conforme o projeto de lei, será de cinco anos, prorrogável por três.
Lobão afirmou que seu ministério – do qual reafirmou que se desligará até o fim do mês – mantém diálogos com o Ministério da Fazenda para rever a cobrança dos royalties da mineração, que varia de 0,5% a 3% sobre a receita bruta das empresas. “Acredito que em 30 dias teremos uma posição”, disse.
MMX retoma investimento e prevê aumento de produção
Juliana Cardoso e Vanessa Dezem, de São Paulo
16/03/2010
A MMX, braço de mineração do grupo EBX, do empresário Eike Batista, quer passar de uma produção de 5 milhões de toneladas de minério de ferro para 35 milhões de toneladas nos próximos anos no país. Para tanto, a empresa prevê a retomada de investimentos, diante da recuperação da demanda mundial.
Serão R$ 200 milhões investidos este ano no aumento da eficiência das operações. “A MMX volta a investir. O mercado está mais estável e as perspectivas são boas”, afirmou o diretor-presidente da MMX, Roger Downey.
Em 2009, o conselho da companhia havia colocado em espera todos os investimentos. O quarto trimestre, no entanto, representou um retorno ao crescimento das vendas, que somaram 1,796 milhão de toneladas, alta de 133% sobre o mesmo período de 2008.
Com a melhora do cenário global, a produção também avançou. Nos últimos três meses do ano, foram produzidas 1,7 milhão de toneladas de minério de ferro, alta de 81%. No ano, houve avanço de apenas 4% na produção.
“A MMX trabalha hoje próximo da capacidade total”, disse o executivo. Com isso, a meta de produção de minério de ferro para a América do Sul como um todo neste ano é de 45 milhões de toneladas.
Todos os planos da empresa mostram uma mudança de perspectiva frente ao que se observava em 2009. A companhia encerrou o quarto trimestre com prejuízo de R$ 65,2 milhões, menor que a perda de um ano antes (R$ 507,2 milhões). O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) foi um prejuízo de R$ 70,4 milhões, contra perda de R$ 13,7 milhões nos últimos três meses de 2008.
O executivo enfatizou, porém, a melhora do balanço com a entrada de recursos por meio da parceria com a chinesa Wuhan Iron and Steel (Wisco), que comprou 21,5% do capital da mineradora por R$ 738,9 milhões. Além disso, a empresa está renegociando as dívidas. O executivo projeta uma redução de 50% nas despesas operacionais até o fim do ano.

