Arquivo de maio, 2010

INFRAESTRUTURA

31/05/10

ALL vai investir R$ 300 milhões em ferrovias na região

Serão adquiridos 10 mil toneladas de trilhos, 600 vagões e 30 locomotivas, além da construção de pátios e acessos a portos

27 de maio de 2010

Michelly Chaves Teixeira e Ana Conceição, AGÊNCIA ESTADO – O Estado de S.Paulo

A América Latina Logística (ALL) vai investir R$ 300 milhões na Região Sul este ano, segundo o presidente da operadora ferroviária, Bernardo Hees. Serão adquiridos 30 locomotivas, 600 vagões e 10 mil toneladas de trilhos, além de construídos pátios e acessos aos portos de São Francisco (SC), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS). “São investimentos necessários para atender o aumento da demanda por transporte de cargas, tanto industrial quanto agrícola.”.

A ALL espera um crescimento de 10% no volume transportado na região em 2010. As operações no Sul representam 60% da receita da companhia. O valor a ser aplicado no Sul corresponde a 30% do R$ 1 bilhão que será desembolsado em todo o exercício de 2010. Os outros R$ 700 milhões serão usados para atender o crescimento orgânico da empresa de logística e no projeto Rondonópolis (MT), que prevê a construção de 260 quilômetros de ferrovia em Mato Grosso.

A ALL também está trabalhando na reativação de ramais ferroviários. A empresa investiu na melhoria do trecho entre Santo Ângelo e Giruá, no Rio Grande do Sul, reforçando os trilhos para maior circulação de vagões. Em 2011, ramais da área de São Luiz Gonzaga serão reativados, destacou o presidente da ALL.
A safra do Sul no ciclo 2009/10, de 61 milhões de toneladas segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), deve elevar o porcentual de transporte agrícola da ALL para algo entre 55% e 60%. Em 2006, era de 50%. Segundo Hees, cerca de 70% da safra de grãos do Paraná e do Rio Grande do Sul é transportada por ferrovias.

Em que pese a maior participação dos grãos neste ano, a empresa aposta no aumento do transporte industrial. “Hoje não se vê uma indústria no Sul que não preveja o transporte por ferrovia”, afirmou. Além disso, Hees observou que a ALL segue investindo no transporte intermodal de cargas para o setor industrial e também agrícola. Hoje, a participação de mercado da ALL no transporte intermodal é inferior a 20%. O transporte de contêineres também é olhado com atenção pela companhia, que já está articulando parcerias. “Esse esforço será endereçado aos portos de Santos e do Sul do País, como Paranaguá e Rio Grande”, comentou Hees.

O transporte entre praças do mercado interno é outro segmento que também tem tido parte importante na estratégia da empresa, com um incremento entre a integração entre grandes cidades. Segundo Hees, aumentou o transporte de cargas entre Porto Alegre e São Paulo, São Paulo e Buenos Aires, Porto Alegre e interior. “No começo era só porto, hoje o equilíbrio é maior”, salientou. Mas dois terços do transporte ainda são destinados à exportação.

O executivo considerou bem delineados os projetos para o setor ferroviário inclusos nos Planos de Aceleração do Crescimento (PAC) 1 e 2 e disse que, se 60% deles forem realizados, “o Brasil muda de patamar” no que se refere à logística. Mas, em que pese a importância dos grandes projetos de infraestrutura, Hees ressaltou que é a resolução de pequenos gargalos que poderá melhorar a produtividade da logística nacional. “Poderemos dar grandes saltos com os projetos que cuidam de pequenos entraves, como as entradas de grandes cidades e de portos, obras que melhorem a circulação de caminhões, ferrovias, hidrovias. Projetos pequenos e médios podem criar grandes eficiências e deveriam ser prioridade.”

José Roberto Ricken
Diretor da Organização das Cooperativas do Paraná
Considerou que a Região Sul e o País tem potencial equivalente ao americano, mas é preciso vencer os gargalos de infraestrutura. Citou a necessidade de esforços para melhoria da estrutura tributária, regras de cabotagem e estrutura de financiamento.

Bernardo Hees
Presidente da ALL
Disse que o País deve enxergar seus gargalos como oportunidades. No Sul, com obras pequenas e médias é possível ganhar eficiência. Ele acha que o País muda de patamar se forem feitas 60% das obras previstas pelo PAC. “Pode se gostar ou não, mas o fato é que o PAC criou foco”, afirmou.

Marcelo Perrupato
Secretário nacional de
Política dos Transportes
Afirmou que o PNLT prevê investimentos de R$ 20 bilhões por ano até 2025. A maior parte vai se concentrar nas Regiões Sul e Sudeste. Nessas regiões, a preocupação é de resolver gargalos. Noutras regiões, o centro é a expansão de ferrovias, hidrovias e estradas.

Belmiro Valverde
Professor da PUC Paraná
As médias de crescimento da Região Sul, nos últimos 12 anos, são razoáveis, mas elas mascaram a realidade de áreas altamente estagnadas. A região é muito dependente das exportações de commodities. Os principais desafios são, ainda, a infraestrutura e agregar valor à produção.

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SANEAMENTO

31/05/10

Caixa inicia programa para capitalização do setor de saneamento

Caio Junqueira, de Brasília
27/05/2010

Edson Ruiz/Valor

Moreira Franco, vice-presidente da Caixa Econômica: “Precisamos de garantias para que o recurso não seja perdido”

Dezoito meses depois de anunciado, a Caixa Econômica Federal dá início hoje ao seu programa de investimentos do FGTS -do qual é gestora- para capitalização e modernização das companhias estaduais de saneamento básico. Em São Paulo, representantes do banco estatal assinarão com a Companhia de Saneamento do Mato Grosso do Sul (Sanesul) um contrato que permitirá fazer uma auditoria na empresa, capacitando-a a ser tomadora de recursos do fundo. Nos próximos 15 dias, termo semelhante será firmado com a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa). Há negociações ainda em andamento com outras oito companhias estaduais.

O objetivo é fazer um diagnóstico e propor soluções para melhorar a saúde financeira das empresas. Isso possibilitará a elaboração de um plano conjunto de negócios, que permitirá à Caixa, com recursos do FGTS, ser acionista dessas companhias, cuja participação majoritária continuará sendo dos Estados. “É muito pouco provável que os Estados abram mão desse controle”, disse ao Valor o vice-presidente da Caixa, Moreira Franco. Segundo ele, serão procurados parceiros privados para se tornarem sócios do FGTS nesses investimentos.

A ideia é que, até o fim do ano, sejam realizadas auditorias nas dez companhias para que o FGTS comece a desembolsar os recursos já disponíveis, mas que não foram ainda investidos por causa alto risco existente. “O dinheiro do FGTS é oneroso, porque não pertence à Caixa, mas ao trabalhador. Precisamos de garantias para que o recurso não seja perdido”, afirma Moreira Franco.

Entre 2003 e 2009, o FGTS destinou R$ 22,6 bilhões para o saneamento, dos quais 58,7% foram contratados e apenas 25,4% desembolsados. Em março de 2009, foi lançada uma carteira administrada para atender especificamente empresas públicas e privadas com capacidade de tomar recursos. Foram aprovadas operações de R$ 553 milhões e estão em análise outras operações, avaliadas em R$ 1,5 bilhão.

Mesmo assim, as dificuldades para liberar os recursos continuaram, razão pela qual houve a decisão de promover um programa de saneamento financeiro nas empresas do setor. Surgiu, contudo, um novo problema. Para que que isso fosse possível, as companhias de saneamento teriam de abrir seus caixas para avaliação das empresas de auditoria contratadas pela Caixa Econômica Federal, o que, em muitos casos, revelaria o mau uso do dinheiro público e a forte ingerência política que, juntos, acarretavam a má gestão e a impossibilidade de se tornarem tomadoras de recursos do FGTS. As negociações em torno das condições dessas auditorias no decorrer de 2009 acabaram por atrasar o lançamento do programa. Para viabilizá-lo, foi incluído agora um termo de confidencialidade.

“É importante que dirigentes das companhias e os governadores tenham noção da importância desse programa, porque elas não poderão ter o mesmo nível de mobilização político-eleitoral que sempre tiveram. Vão precisar de metas e a principal delas será zerar o déficit de saneamento”, diz Moreira Franco. Segundo o executivo, uma avaliação do Sistema Nacional de Saneamento, feita em 2006, mostrou que, das 26 empresas estaduais, apenas 4 apresentaram boas condições: São Paulo, Distrito Federal, Paraná e Minas Gerais.

Dois anos depois, um novo levantamento revelou que o quadro permanecia semelhante: 69% mantiveram o mesmo nível, 23% melhoraram e 8% pioraram. “O quadro hoje permanece o mesmo daquela época, mas agora foi dado o pontapé inicial para mudar isso”, afirma. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, apontou que 95,6 milhões de brasileiros não têm condições adequadas de coleta de esgoto e 34 milhões tem problemas com o abastecimento de água.

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RESÍDUOS

31/05/10

Acordos setoriais irão definir responsabilidades

De São Paulo
26/05/2010

A lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos determina que a obrigatoriedade da implantação de logística reversa – ou seja, o retorno dos resíduos ao processo produtivo – começará por pneus, embalagens de agrotóxicos, pilhas e baterias, óleos lubrificantes, lâmpadas e produtos eletroeletrônicos e seus componentes. “As responsabilidades no ciclo de vida dos produtos, da concepção e uso de matéria-prima ao descarte final, serão definidas por acordos setoriais”, explica José Valderde, especialista em gestão ambiental pelo Senac em São Paulo.

Os termos de compromisso serão firmados separadamente pelas diferentes cadeias produtivas dos materiais recicláveis, reunindo poder público, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciais. “Serão levados em consideração o grau e a extensão do impacto à saúde pública e ao meio ambiente”, informa Valverde, assessor técnico que participou da elaboração da lei.

A nova legislação dispõe sobre os princípios, objetivos e instrumentos econômicos para a gestão integrada do lixo, incluindo a corresponsabilidade dos geradores, do governo e da coletividade em busca de soluções. Os catadores de materiais recicláveis, organizados em cooperativas, passam a integrar formalmente o sistema de gestão.

A lei proíbe a importação de rejeitos perigosos e exige a apresentação do plano de gerenciamento de resíduos pelos empreendedores no licenciamento ambiental. A obrigação estende-se a Estados e municípios, para acesso a recursos da União. Deve-se reforçar a não geração de lixo para depois, dentro de uma ordem de prioridades, incentivar a redução, reutilização, reciclagem e, por fim, a sua disposição ambientalmente adequada. A incineração para gerar energia é contemplada, embora tenha a oposição dos catadores, temerosos de perder materiais que podem ser vendidos para indústrias. “Pela proposta, o lixo de valor econômico, tanto como matéria-prima industrial quanto como fonte para aproveitamento energético, não deve ser levado para aterros sanitários”, diz Valverde.

Entre os pontos polêmicos, o Executivo retirou do texto medidas objetivas de fomento financeiro, principalmente para cooperativas e indústria da reciclagem, consideradas por Valverde como “indispensáveis para a implementação e êxito da lei”. Mas o projeto prevê a necessidade desses incentivos, a serem criados na regulamentação da lei. (S.A.)

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BIOMASSA

31/05/10

Projetos aumentam em todo o mundo

De São Paulo
26/05/2010

Davilym Dourado/Valor

Marcos Buckeridge, professor da USP: Japão é outro país da Ásia que merece atenção por suas novas pesquisas

O Brasil, ao lado dos Estados Unidos, é um dos poucos países do mundo que já têm uma indústria consolidada de produção de energia a partir de biomassa derivada das usinas de etanol. Mas há várias outras nações investindo para atingir situação semelhança. Nem todas têm, no entanto, clima tropical e disponibilidade de água e terra para a cultura da cana-de-açúcar. Por isso, apostam em outras plantas para a produção de álcool e outros combustíveis. Entre elas estão, por exemplo, o milho, o pinhão manso, o miscanthus (uma gramínea semelhante à cana) e o populus (uma espécie de álamo que produz madeira para papel).

Uma região que vem se destacando nesse cenário é o Sudeste Asiático. Segundo o pesquisador Ramlan Abd Aziz, professor da Universidade Tecnológica da Malásia, que esteve em São Paulo em março para participar da Convenção Latinoamericana do Global Sustainable Bioenergy Project (GSB), boa parte dos países de lá dispõe de projetos para produzir biocombustíveis. O potencial de produção da região é de 14 milhões de barris por dia, mais do que os 11 milhões de barris de petróleo produzidos pela Arábia Saudita. A Tailândia, por exemplo, tem nove usinas para a produção de etanol de cana e nove de biodiesel de dendê. Mianmar também se destaca, com a produção de biocombustível de jatropha, uma planta conhecida no Brasil como pinhão manso – aquele país detém 90% das plantações mundiais desse vegetal.

O botânico e professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Buckeridge cita o Japão como outro país da Ásia que merece atenção. “Um colega de lá conseguiu transformar geneticamente o populus, introduzindo nessa planta genes produtores de enzimas que degradam a parede celular, o que facilita a produção de etanol”, explica. “Ele plantou as árvores transgênicas e agora, em relativamente pouco tempo, os japoneses poderão dispor de uma biomassa muito interessante para a produção de energia.” Bélgica e Canadá estão realizando experiências semelhantes com a mesma espécie.

A Comunidade Europeia anunciou recentemente financiamento de ciência e tecnologia em bioenergia. “No edital, era obrigatório ter grupos brasileiros”, diz Buckeridge. “Nós entramos com um projeto conjunto e aparentemente ganhamos, mas ainda não é oficial do lado brasileiro, só do europeu. São € 4 milhões para cada lado.” O Reino Unido, por sua vez, montou o programa Renewall, com grupos de pesquisadores de elite, para trabalhar no etanol de segunda geração. As plantas de interesse dos britânicos são o miscanthus e o salgueiro (um arbusto de crescimento rápido em regiões temperadas).

Nesse panorama, os Estados Unidos são um caso à parte. Apesar de já produzir etanol a partir do milho, o país vem desenvolvendo vários projetos para a produção de energia a partir de outras plantas. Buckeridge destaca dois programas. “Um é o Energy Biosciences Institute (EBI), com investimento de cerca de US$ 500 milhões da British Petroleum (BP)”, informa. “Eles escolheram as universidade de Illinois, em Indiana, e Berkeley, na Califórnia, para montar laboratórios para realizar as pesquisas.”

Outro programa americano importante é o Joint Bioenergy Institute, que tem verba do Departamento de Energia (DOE). No caso americano, as estratégias são muito parecidas com as do Brasil, ou seja, os grupos de cientistas estão se agrupando em centros de pesquisa. “Uma grande vantagem deles é o investimento privado, que lá é maciço”, diz Buckeridge. “Por exemplo, o Dumforth Institute, em Saint Louis, que se dedica à produção de tecnologia de biodiesel para usar em aviões a jato, é um investimento da Rent a Car.” (E.S.)

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