ÁREAS DEGRADADAS
SP tem 817 áreas poluídas, a maioria por postos
Total de terrenos com problemas avançou 900% desde 2002, conforme os relatórios feitos pela Cetesb
15 de julho de 2010
- O Estado de S.Paulo
Há exatas 2.904 áreas contaminadas em todo Estado, segundo relatório anual da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) – a maior parte de postos de combustível. Na capital, são 817 terrenos, espalhados por todos os distritos. Desde 2002, quando o levantamento começou, com a identificação de 255 áreas, o total de pontos com o solo ou o lençol freático comprometidos cresceu mais de 900%.
Nem todo esse aumento dos passivos ambientais urbanos é por novas contaminação. Grande parte dos casos é antiga e vem de quando não existia fiscalização eficaz e da falta de legislação ambiental adequada. A região da Mooca é uma das mais prejudicadas – pelo passado industrial, há 19 áreas contaminadas e ociosas que ocupam cerca de 300 mil metros quadrados (5% do bairro), espaço suficiente para a construção de 40 prédios de 17 andares, com sobra ainda para um parque de 30 mil m². Para resolver esse passivo, a revisão do Plano Diretor de São Paulo quer propor incentivos a quem se dispuser a recuperar esses espaços.
Até shopping. Na capital, há ainda diversas áreas residenciais e comerciais que estão contaminadas, como a Cohab Nossa Senhora da Penha, a Cohab Heliópolis e o Condomínio SP Market Center, onde há até mesmo um shopping center, na zona sul. A Cetesb disponibiliza a relação dos locais em seu site, em www.cetesb.sp.gov.br/Solo/areas_contaminadas/relacao_areas.asp.
Esse mapa da poluição do solo paulista começou a ser desenhado a partir da Resolução Conama 273 que, em 2000, instituiu o programa de licenciamento dos postos de gasolina, exigindo a investigação da situação ambiental de cada unidade, por meio de estudo do subsolo e do lençol freático. Também contribuiu para o aumento da identificação de terrenos degradados o convênio firmado entre a Prefeitura e a Cetesb, que condiciona a autorização para a construção de novos condomínios residenciais e empreendimentos comerciais à análise das condições dos terrenos onde as obras serão erguidas.
Área do Piritubão está contaminada
Relatório da Cetesb aponta existência de metais pesados e solventes no terreno onde se cogita construir o estádio de abertura da Copa 2014
14 de julho de 2010
Diego Zanchetta – O Estado de S.Paulo
O terreno de Pirituba onde a cúpula da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cogita construir o estádio de abertura da Copa de 2014, na zona norte de São Paulo, está interditado para obras. O motivo é uma contaminação por metais pesados no solo e lençol freático. O local passa por processo de “recuperação ambiental”. É o que informa o último relatório da Companhia de Tecnologia Ambiental (Cetesb), divulgado em novembro, com a relação das áreas contaminadas no Estado.
Qualquer escavação na área – localizada originalmente no número 8.223 da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães e declarada de utilidade pública pela Prefeitura em 2009 – está proibida pelo governo do Estado.
Ambientalistas que tiveram acesso ao relatório acreditam que a descontaminação da área levará ao menos três anos, o que poderia inviabilizar o projeto da nova arena e atrasar a construção do centro de convenções planejado pela Prefeitura. O poder municipal confirma a contaminação, mas diz que atinge apenas uma parte do terreno e poderá ser removida em 12 meses.
A Cetesb prometeu dar mais detalhes hoje sobre o perímetro contaminado na área, que pertence à Anastácio Empreendimentos, uma das empresas da Companhia City de Desenvolvimento. A área tem 4,9 milhões de metros quadrados, o equivalente a três Parques do Ibirapuera, e tinha como vizinhos, até o fim dos anos 1960, sedes de indústrias metalúrgicas e galpões de fabricantes de óleos graxos.
Segundo o relatório da Cetesb, existe a presença de solventes halogenados, como clorofórmio, no solo e em águas subterrâneas. A “fonte” de contaminação foi o descarte irregular de resíduos no espaço. Desde 2004, quando a Cetesb passou a divulgar a lista de áreas contaminadas na internet, o terreno em Pirituba é considerado um passivo ambiental paulistano. A cidade tem hoje 781 áreas contaminadas – 70% são terrenos onde funcionavam postos de gasolina que faziam o armazenamento irregular de combustível.
Ambientalistas. O Movimento em Defesa do Pico do Jaraguá promete elaborar até o fim do mês ação civil pública contra qualquer intervenção no local. “Os estádios na Copa de 2006 e 2010 tiveram forte conotação ambiental. Não podemos ter um justamente em área contaminada. Se o lençol freático já foi atingido, como mostra a Cetesb, o passivo pode se espalhar rapidamente para outras áreas do bairro”, afirmou Edson Domingues, coordenador da entidade. / COLABOROU RODRIGO BRANCATELLI
