Arquivo de julho, 2010

ÁREAS DEGRADADAS

19/07/10

SP tem 817 áreas poluídas, a maioria por postos

Total de terrenos com problemas avançou 900% desde 2002, conforme os relatórios feitos pela Cetesb

15 de julho de 2010
- O Estado de S.Paulo

Há exatas 2.904 áreas contaminadas em todo Estado, segundo relatório anual da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) – a maior parte de postos de combustível. Na capital, são 817 terrenos, espalhados por todos os distritos. Desde 2002, quando o levantamento começou, com a identificação de 255 áreas, o total de pontos com o solo ou o lençol freático comprometidos cresceu mais de 900%.
Nem todo esse aumento dos passivos ambientais urbanos é por novas contaminação. Grande parte dos casos é antiga e vem de quando não existia fiscalização eficaz e da falta de legislação ambiental adequada. A região da Mooca é uma das mais prejudicadas – pelo passado industrial, há 19 áreas contaminadas e ociosas que ocupam cerca de 300 mil metros quadrados (5% do bairro), espaço suficiente para a construção de 40 prédios de 17 andares, com sobra ainda para um parque de 30 mil m². Para resolver esse passivo, a revisão do Plano Diretor de São Paulo quer propor incentivos a quem se dispuser a recuperar esses espaços.
Até shopping. Na capital, há ainda diversas áreas residenciais e comerciais que estão contaminadas, como a Cohab Nossa Senhora da Penha, a Cohab Heliópolis e o Condomínio SP Market Center, onde há até mesmo um shopping center, na zona sul. A Cetesb disponibiliza a relação dos locais em seu site, em www.cetesb.sp.gov.br/Solo/areas_contaminadas/relacao_areas.asp.

Esse mapa da poluição do solo paulista começou a ser desenhado a partir da Resolução Conama 273 que, em 2000, instituiu o programa de licenciamento dos postos de gasolina, exigindo a investigação da situação ambiental de cada unidade, por meio de estudo do subsolo e do lençol freático. Também contribuiu para o aumento da identificação de terrenos degradados o convênio firmado entre a Prefeitura e a Cetesb, que condiciona a autorização para a construção de novos condomínios residenciais e empreendimentos comerciais à análise das condições dos terrenos onde as obras serão erguidas.

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Área do Piritubão está contaminada

Relatório da Cetesb aponta existência de metais pesados e solventes no terreno onde se cogita construir o estádio de abertura da Copa 2014

14 de julho de 2010
Diego Zanchetta – O Estado de S.Paulo

O terreno de Pirituba onde a cúpula da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cogita construir o estádio de abertura da Copa de 2014, na zona norte de São Paulo, está interditado para obras. O motivo é uma contaminação por metais pesados no solo e lençol freático. O local passa por processo de “recuperação ambiental”. É o que informa o último relatório da Companhia de Tecnologia Ambiental (Cetesb), divulgado em novembro, com a relação das áreas contaminadas no Estado.

Qualquer escavação na área – localizada originalmente no número 8.223 da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães e declarada de utilidade pública pela Prefeitura em 2009 – está proibida pelo governo do Estado.
Ambientalistas que tiveram acesso ao relatório acreditam que a descontaminação da área levará ao menos três anos, o que poderia inviabilizar o projeto da nova arena e atrasar a construção do centro de convenções planejado pela Prefeitura. O poder municipal confirma a contaminação, mas diz que atinge apenas uma parte do terreno e poderá ser removida em 12 meses.

A Cetesb prometeu dar mais detalhes hoje sobre o perímetro contaminado na área, que pertence à Anastácio Empreendimentos, uma das empresas da Companhia City de Desenvolvimento. A área tem 4,9 milhões de metros quadrados, o equivalente a três Parques do Ibirapuera, e tinha como vizinhos, até o fim dos anos 1960, sedes de indústrias metalúrgicas e galpões de fabricantes de óleos graxos.

Segundo o relatório da Cetesb, existe a presença de solventes halogenados, como clorofórmio, no solo e em águas subterrâneas. A “fonte” de contaminação foi o descarte irregular de resíduos no espaço. Desde 2004, quando a Cetesb passou a divulgar a lista de áreas contaminadas na internet, o terreno em Pirituba é considerado um passivo ambiental paulistano. A cidade tem hoje 781 áreas contaminadas – 70% são terrenos onde funcionavam postos de gasolina que faziam o armazenamento irregular de combustível.
Ambientalistas. O Movimento em Defesa do Pico do Jaraguá promete elaborar até o fim do mês ação civil pública contra qualquer intervenção no local. “Os estádios na Copa de 2006 e 2010 tiveram forte conotação ambiental. Não podemos ter um justamente em área contaminada. Se o lençol freático já foi atingido, como mostra a Cetesb, o passivo pode se espalhar rapidamente para outras áreas do bairro”, afirmou Edson Domingues, coordenador da entidade. / COLABOROU RODRIGO BRANCATELLI

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INFRAESTRUTURA

19/07/10

BID quer parceria com BNDES para a infraestrutura

Alex Ribeiro, de Washington

12/07/2010

Matthew Staver/Bloomberg

Moreno, reconduzido à presidência do BID, cita como exemplo obras de interligação entre Brasil e países vizinhos

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, estabeleceu como prioridade no seu segundo mandato, para o qual acaba de ser eleito, firmar parcerias com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em duas novas frentes: o financiamento de obras de integracão física da América do Sul e o apoio à construção da infraestrutura da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

A nova orientação foi fechada em conversa de Moreno, há algumas semanas, com o presidente Lula, que pediu prioridade do BID para a construção de estradas, ferrovias e hidrovias ligando o Brasil aos seus vizinhos. Nessa semana, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, estará em Washington para falar com Moreno sobre esses e outros pontos de interesse comum.

Atualmente, a operação conjunta entre o BID e o BNDES, que é o maior cliente individual do organismo multilateral, restringe-se basicamente ao financiamento de micro, pequenas e médias empresas. O BID acaba de receber um reforço de capital de US$ 70 bilhões e tem fôlego para conceder cerca de US$ 12 bilhões anuais de financiamentos, dos quais cerca de 25% devem ser dirigidos ao Brasil

Em entrevista ao Valor, Moreno cita um exemplo bem concreto de possível parceria: a finalização de uma rodovia ligando o Estado de Roraima à Guiana, num projeto estimado em US$ 150 milhoes. A Guiana é um dos países mais pobres do continente e, nessa condição, teria acesso a financiamentos com prazo e juros privilegiados dentro do BID.

Um dos problemas, porém, é que a Guiana tem baixa capacidade para contrair endividamento. Assim, o BNDES entraria financiando as construtoras brasileiras que tocariam a obra. “O Brasil tem algumas das construtoras mais eficientes do mundo”, afirma Moreno.

Há muitos obstáculos a serem vencidos para levar o projeto adiante, reconhece o BID. Um deles é assegurar que a estrada seja economicamente viável e capaz de gerar receita que sirva de garantia ao empréstimo. “O desafio ambiental também é bastante importante, e não dá para ignorar que houve conflitos envolvendo garimpeiros na região”, observa Kurt Focke, chefe da divisão de mercados de capitais do BID.

Se bem sucedida, essa parceria entre o BNDES e o BID poderá ser replicada em outros projetos de infraestrutura ligando o Brasil a outros países. Há alguns anos, o BID elegeu uma carteira de 510 projetos prioritários, num investimento estimado em US$ 74,5 bilhões, na chamada Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA). “Estamos avaliando outros projetos que, potencialmente, podem ser tocados por meio de parcerias com o BNDES”, afirma Jose Luis Lupo, diretor do escritório do BID no Brasil.
Hoje, já há alguns projetos bancados pelos dois bancos, porém sem a coordenação entre as duas partes, informa o BNDES. É o caso, por exemplo, do gasoduto de Camisea, no Peru, obra financiada pelo BID e que conta com uma linha de empréstimo do BNDES para a construtora Odebrecht, que toca as obras.
“O BNDES fez um movimento recente de internacionalização, com a abertura de unidades em Londres e no Uruguai”, afirma Jaime Mano, representante do BID baseado em Brasília. “Isso poderá ajudar muito no financiamento de obras de integração regional.”

Na agenda oficial, Coutinho vem a Washington para tratar de uma linha de financiamento de US$ 3 bilhões do BID ao BNDES, com uma tranche inicial de US$ 1 bilhão, destinada ao financiamento de micro, pequenas e médias empresas. Ao longo dos últimos 12 anos, o BID emprestou US$ 6,5 bilhões ao BNDES, o que faz do banco brasileiro o maior cliente do organismo, excluindo governos soberanos. Parte dos empréstimos já foi amortizada e, hoje, a exposição do BID ao BNDES é de cerca de US$ 4 bilhões.

O Ministério do Planejamento indicou ao BID que umas das prioridade do país são as obras de infraestrutura para a Copa de 2014 no Brasil e as Olimpíadas no Rio em 2016. Ao que tudo indica, o BNDES será o principal financiador desses projetos. O BID espera fechar parcerias com o banco oficial pra financiar obras de transportes, desenvolvimento urbano, saneamento e segurança nas 12 cidades que serão sede na Copa. “Todos queremos estar no Brasil em 2014″, afirma Moreno. “É o retorno da Copa do Mundo à América Latina.”

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ENERGIA EÓLICA

19/07/10

Bahia terá complexo eólico com investimento de R$ 400 milhões

Folha de São Paulo (10/7/2010)

Natália Paiva

Parque da Alstom e da Desenvix terá capacidade para abastecer cidade com 400 mil pessoas. Obra ficará pronta no ano que vem, quando a Alstom irá inaugurar sua primeira fábrica de turbinas no Brasil.
A francesa Alstom, empresa de infraestrutura e geração de energia, e a brasileira Desenvix, do grupo Engevix, anunciaram ontem assinatura de contrato para construir um parque eólico na Bahia, orçado em R$ 400 milhões.

Batizado de Brotas, o complexo terá três usinas que somarão 90 MW (com capacidade para abastecer cidade com 400 mil habitantes). As plantas, que devem entrar em operação em 2011, são o primeiro projeto da Alstom no mercado eólico brasileiro.

Os componentes dos 57 aerogeradores -que transformam a força dos ventos em energia elétrica e respondem por metade do custo da obra- serão produzidos em Espanha e Brasil. No ano que vem, a Alstom também irá inaugurar sua primeira fábrica de montagem de turbinas no país, em Camaçari (BA).

“[O negócio] fortalece o relacionamento entre as duas empresas [já parceiras em projetos de pequenas e grandes hidrelétricas] no setor de energia renovável e confirma a posição da Alstom no mercado de energia eólica do país”, afirmou, em nota, o vice-presidente da Alstom Wind, Alfonso Faubel.

Força do vento

A energia eólica foi foco de 12% dos aportes realizados em energia renovável no Brasil entre 2005 e 2009. Mas, segundo a Bloomberg New Energy Finance, o montante investido na fonte cresceu 140% entre 2008 e 2009 e passou a representar 25% dos investimentos em energias renováveis no país.

O projeto da Desenvix é um dos vencedores do primeiro leilão de energia eólica, realizado em dezembro do ano passado. A energia de Brotas, segundo Paulo Zuch, diretor de implantação da Desenvix, será comercializada ao preço de R$ 139,99.

O parque é uma prova da mudança pela qual a fonte eólica passou, em apenas um ano. Se, até o ano passado, as eólicas inauguradas geravam energia a um custo máximo de R$ 278 (contratos do Proinfa, programa do governo federal para estimular fontes renováveis), agora o preço máximo nos novos projetos já é de R$ 153,07.

Nesse tempo, mais fabricantes se instalaram no Brasil -são sete já instaladas ou em processo- e o governo sinalizou a contratação regular de fontes limpas alternativas à hidroeletricidade. O próximo leilão ocorrerá em agosto.

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Inovar com sustentabilidade

15/07/10

13 de maio de 2010
- O Estado de S.Paulo

A crise financeira internacional de 2008 fez (res)surgir no empresariado de várias partes do mundo o sentimento de que é preciso buscar um modelo de desenvolvimento mais sustentável, de modo a corrigir o descompasso gritante entre o desenvolvimento econômico e a situação socioambiental das últimas décadas.
Em poucos meses, para conter a crise deflagrada em setembro de 2008, os governos dos países ricos desembolsaram US$ 11 trilhões. Impressionante em si, essa cifra ganha outra dimensão quando comparada com os míseros US$ 250 bilhões da ajuda humanitária dos países ricos aos países pobres nos últimos 50 anos. Ou seja, US$ 5 bilhões por ano!
Nos próximos anos, o tripé da sustentabilidade – econômica, social e ambiental – estará muito vinculado à inovação. As empresas precisarão inovar cada vez mais na construção de processos sustentáveis, induzidos pelo Estado.
Quanto a isso, nada melhor do que ouvir nosso vice-presidente, José Alencar, um dos empresários mais respeitados do Brasil. Em recente manifestação, ele condenou o paternalismo e apontou o lucro como a principal fonte do progresso. Disse ele: “Desperdícios custam para toda a sociedade, enquanto a produção eficiente e sustentável gera riqueza e oportunidades de ascensão coletiva.”
Para Alencar, o papel econômico dos governos é desobstruir o caminho para o progresso. No Brasil, segundo ele, as prioridades são remover a ignorância, a falta de saúde e saneamento, a precariedade da infraestrutura e as políticas antagônicas ao crescimento, como juros altos demais e impostos irracionais.
Especialmente quanto à infraestrutura, temos de agir de forma factível. Tentar, por exemplo, reutilizar os milhares de quilômetros de ferrovias abandonadas e dar força ao transporte fluvial. Quanto à produção de energia, é preciso fixar a ideia de que é importante implantar uma ampla rede de usinas térmicas movidas a combustíveis renováveis, além de construir usinas hidrelétricas.
Ainda que pesem os avanços alcançados pelo nosso país nos últimos anos, pois já somos quase a oitava economia do mundo, ocupamos o insignificante 56.º lugar no ranking da competitividade e o número de patentes brasileiras significa 0,2% das patentes do planeta. É preciso, portanto, inovar com sustentabilidade.
Já estamos fazendo isso no caso da agroindústria, cujas atividades afetam diretamente o meio ambiente. Todo mundo reconhece o impacto positivo dos biocombustíveis na renovação da nossa matriz energética. Oxigenador da gasolina, o etanol não rompe com a cadeia dos negócios do petróleo, mas é parte da solução para a necessária descarbonização do planeta.
Sem dúvida, temos capacidade para fazer muito mais, sem reduzir nosso potencial de produção de alimentos para consumo interno e exportação. Está na hora de fazermos da preservação dos recursos naturais a chave mestra do nosso modelo de desenvolvimento.
Sabemos que não há obra pública ou atividade econômica sem impacto sobre o meio ambiente, mas é preciso reconhecer que a partir do Código Florestal de 1965 foi montado no País um arcabouço legal que vem servindo como parâmetro ambiental para desenvolvimentistas e conservacionistas. Falta (talvez) um acordo cujos termos podem estar no novo Código Ambiental em discussão no Congresso.
A mudança na legislação pode ser uma primeira resposta à comunidade internacional, que cobra do Brasil a manutenção de algo que os países do Hemisfério Norte já não têm mais: o verde. O segundo passo seria bloquear efetivamente o desmatamento da Amazônia e o corte da vegetação nativa que cobre mais de 50% do território nacional. Se reduzirmos as queimadas, não só riscaremos o nome do Brasil da lista dos maiores emissores de gases do efeito estufa, mas estaremos fazendo da sustentabilidade um grande negócio para o País.
EMPRESÁRIO, É MEMBRO DO CONSELHO DE ESTRATÉGIA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INFRAESTRUTURA E INDÚSTRIA DE BASE (ABDIB) E DO CONSELHO DA UNIÃO DA INDÚSTRIA DA CANA-DE-AÇÚCAR (UNICA)

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