Sustentabilidade

08/02/2012 – 21h14

Brasil considera insuficiente primeira versão de guia para Rio+20

CLAUDIO ANGELO

DE BRASÍLIA

O Brasil considerou “insuficiente” a primeira versão do documento que guiará a Rio+20, conferência mundial sobre desenvolvimento sustentável que acontece em junho no Brasil.

Numa reunião de quatro horas e que contou com 21 ministros e com representantes da sociedade civil, ficou definido que o país tentará levar à ONU um texto com mais “ambição” para ser negociado pelos chefes de Estado na cúpula.

Segundo o ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota, todos os membros da comissão nacional que discute a Rio+20 pediram o maior detalhamento dos objetivos de desenvolvimento sustentável no texto. Também falta no rascunho do documento a menção a padrões insustentáveis de produção e consumo, algo que o Brasil quer ver sobre a mesa.

O chamado “rascunho zero”, um texto de 19 páginas divulgado no mês passado pela ONU, contém uma síntese dos “desejos” de 193 países para o resultado final da conferência. Ele foi editado a partir de 6.000 páginas de documentos. Como precisa refletir o consenso entre todos, acabou saindo com uma linguagem mais aguada.

“A maioria das preocupações do Brasil está contemplada ali, mas não com o mesmo nível de ambição”, disse à Folha Fernando Lyrio, assessor extraordinário para a Rio+20 do Ministério do Meio Ambiente. “A maior parte dos países acha que nós temos de avançar, mas o entendimento de cada país do que seja avançar difere.”

Alguns países em desenvolvimento, por exemplo, se opõem à chamada “economia verde”. Eles veem na produção sustentável –na certificação ambiental de produtos agrícolas, por exemplo –uma brecha para a imposição, pelos países desenvolvidos, de barreiras não tarifárias às suas commodities.

Os países ricos, por sua vez, torcem o nariz para cobranças em relação a padrões de consumo. “O Brasil pode ser um país ponte, tem condição de unir [as posições de] vários países”, disse a ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira a jornalistas.

O anfitrião continua com expectativa alta em relação à presença de chefes de Estado na conferência. Os convites aos presidentes e premiês para comparecerem à cúpula do Rio foram enviados oficialmente apenas em janeiro. Trinta líderes já confirmaram presença, entre eles o chinês Hu Jintao, o indiano Manmohan Singh e a alemã Angela Merkel.

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07/02/2012 – 09h29

Grupo de soja do país vira referência ambiental

DE SÃO PAULO

Um grupo formado por alguns dos maiores fundos de investimento do mundo reconheceu o trabalho socioambiental do Grupo André Maggi, maior produtor individual de soja do planeta e antigo alvo do Greenpeace, informa reportagem de Julio Wiziack publicada na edição desta terça-feira da Folha.

O reconhecimento ocorre em um contexto de pressão dos fundos de investimento sobre empresas globais para que reduzam ao máximo sua “pegada florestal”, sob pena de perda de investimentos.

Antes de decidirem onde aplicar, esses fundos agora querem saber o grau de exposição das grandes companhias a cinco tipos de commodities: soja, óleo de palma, madeira, artigos derivados da pecuária e biocombustíveis –tanto na produção como na cadeia de suprimentos.

Alex Argozino/Editoira de Arte/Folhapress

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