Arquivo da categoria 'Sustentabilidade'

Libra projeta bater este ano o recorde de cargas de 2008

16/11/10

Fernanda Pires | De Santos, para o Valor

08/11/2010

O grupo Libra, especializado na operação de terminais e serviços logísticos, projeta encerrar o ano com receita líquida recorde de R$ 900 milhões, aumento de 14% sobre o resultado de 2009 e de 6% em relação ao exercício anterior. A estimativa é do presidente da holding, Marcelo Araújo, e foi feita na sexta-feira em Santos, durante a comemoração dos 15 anos da concessão do Terminal 37, instalação que movimenta contêineres no porto paulista. A operação de terminais responde por aproximadamente 80% do faturamento da companhia, sendo Santos o porto com maior fatia, cerca de 60%. A empresa também tem atuação no Rio de Janeiro e planeja expansão para Santa Catarina.

A estimativa é que o braço de operação portuária da Libra feche o atual exercício com quase 1 milhão de Teus (contêineres de 20 pés) movimentados, acima do melhor ano da história, 2008, quando foram escoados 905 mil Teus. Em 2009, em razão da crise, o desempenho ficou em 730 mil Teus. “O Brasil está crescendo a 7% ao ano. Há cinco, seis anos, não se estimava essa demanda de cargas”, disse Araújo, sobre a perspectiva de resultados. “Mas é preciso que todos os vetores (de acesso ao porto) cresçam também”, disse o executivo, referindo-se a ampliação de rodovias, ferrovias e utilização do sistema hidroviário para movimentação de contêineres.

Desde que iniciou as atividades em Santos, a Libra investiu R$ 640 milhões na operação portuária – tem a concessão ainda do T-33, T-34 e do T-35 – e movimentou 7,6 milhões de Teus. Mas para fazer frente ao volume projetado, quer mais. Pretende unificar os terminais, hoje separados por muros e pequenas áreas, e continuar investindo em equipamentos de última geração para ganhar escala na operação.

Conforme o Valor já havia adiantado, o projeto é denominado Libra-Santos e está orçado em R$ 550 milhões, sendo R$ 250 milhões somente em equipamentos que poderão operar as novas classes de navios previstas para aportar no Brasil, com mais de 7 mil Teus de capacidade. Dois dos novos portêineres (equipamentos que fazem a movimentação entre o cais e a embarcação) já chegaram. Segundo Araújo, para o investimento no Libra-Santos já há funding estruturado e provavelmente a companhia também contará com recursos do BNDES.

O desenho do terminal unificado já foi aprovado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e será encaminhado agora à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), responsável por dar o aval. Com o aporte, a capacidade de movimentação da companhia em Santos dobrará, passando para 2 milhões de Teus por ano. A configuração futura da instalação terá área total de 240 mil metros quadrados (ante 170 mil metros quadrados atuais), cais contínuo de 1.400 metros de extensão (contra 1.140 metros de hoje) e berços de atracação com profundidade de 17 metros. Atualmente, o máximo são 13,30 metros. “Estamos batendo no teto. A expansão é muito importante”, diz o diretor presidente da Libra Terminais, Gustavo Pecly.

Mas a aprovação do plano depende da equação de um passivo financeiro entre a Codesp e a Libra. Alegando que não recebeu o T-35 conforme as condições previstas no edital de licitação, a Libra passou a recolher as tarifas correspondentes em juízo. O presidente da autoridade portuária, José Roberto Serra, afirmou ao Valor que houve erros de parte a parte, e sabe que o montante a receber será menor do que se chegou a estimar, de R$ 1 bilhão em valores atualizados. O caso está agora na Advocacia Geral da União (AGU), que definirá o valor a ser pago aos cofres da autoridade portuária. Mas ainda não há previsão para tanto.

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Tratamento de resíduos industriais gera receitas

4/11/10

Angela Ferreira | Para o Valor, de São Paulo

24/09/2010

O tratamento de resíduos é um dos grandes gargalos para avançar na manutenção da sustentabilidade do planeta. Afinal, os resíduos industriais representam um grande problema para a indústria, porque na sua maioria vai parar em aterros. O desafio é levar à indústria a consciência de que resíduos podem virar receita tanto em seu reaproveitamento como matéria-prima para novos produtos como para combustível.

No Brasil, as novidades tecnológicas no tratamento de resíduos ainda demoram a chegar ao mercado. “Muitos destes processos envolvem um trabalho multidisciplinar, que é mais fácil encontrar nas universidades do que compor uma equipe dentro do ambiente de uma indústria. Além disso, é preciso escolher entre publicar o estudo ou patentear o processo, cujo procedimento é muito burocrático no país”, diz a professora Geórgia Christina Labuto Araújo, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Geórgia desenvolve um projeto de absorção de metais e compostos orgânicos por levedura para biorremediação de resíduos industriais. A professora realiza ensaios com organismos vivos, incluindo leveduras (que também são resíduos da indústria sucroalcooleira e alimentícia) para degradação de metais pesados como chumbo, cromo e cádmio. No momento, ela está lidando com corantes têxteis, que provocam turbidez na água e impedem a fotossíntese de microalgas e a redução da toxicidade dos corantes. O Rio Grande do Sul é o único Estado que tem uma legislação sobre tratamento desse tipo de resíduo.

Segundo ela, no Canadá existe algo parecido. “Um grupo de cientistas canadenses construiu biorreatores para o tratamento do resíduo de metais pesados, que está sendo usado em uma indústria. No Brasil, é possível criar algo semelhante, mas comercialmente isto levaria de cinco a dez anos, porque é preciso o mercado aceitar, porque não existem normas para trabalhar com micro-organismos no tratamento de resíduos.”

Rogers Ribeiro, professor da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, concorda com Geórgia quando afirma que o grande gargalo na melhoria de tratamento de resíduos é a dificuldade em transferir a tecnologia da universidade para as empresas. Ribeiro desenvolve uma pesquisa sobre tratamento biológico de efluentes agroindustriais/saneamento ambiental resultantes da indústria de laticínios.

“Neste ambiente, observa-se que a grande descarga de nutrientes, notadamente nitrogênio e fósforo, provocava graves danos ambientais, porque essas substâncias nos cursos d’água aumentava o nível trófico dos mesmos, causando a proliferação de algas”. Ele utiliza reatores biológicos em escala piloto visando a remoção de matéria orgânica e nitrogênio total. A partir dos dados de monitoramento do reator, a equipe pretende desenvolver um chip, estabelecendo-se as estratégias de acionamento dos dispositivos de aeração, que fará artificialmente o controle do processo de tratamento, o que deverá gerar, além da redução do tempo gasto no tratamento dos resíduos, economia de energia.

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ENERGIA EÓLICA

8/09/10

EPE prevê crescimento de uso de energia eólica no país

Juliana Ennes, do Rio
02/09/2010

A energia eólica está se tornando uma possibilidade real de manter o alto nível de participação de energias renováveis na matriz energética brasileira, acredita o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. O potencial desse tipo de energia no país pode chegar ao equivalente a 20 usinas de Itaipu.

Tolmasquim disse que nos leilões de fontes alternativas da semana passada, a energia gerada a partir dos ventos se mostrou bastante competitiva em termos de preço. Até então, tinha-se a visão de que a energia eólica era interessante ambientalmente, mas sua participação seria limitada devido ao elevado custo de produção quando comparadas às usinas hidrelétricas ou mesmo térmicas.
“O programa de incentivo às fontes alternativas de energia elétrica teve o mérito de trazer a fonte eólica para a nossa realidade”, disse o presidente da EPE, que participou ontem do Brasil Windpower, no Rio.
O potencial de energia eólica estimado para o Brasil é de geração de 143 mil megawatt (MW). No entanto, esse estudo foi feito para torres geradoras de energia de até 50 metros de altura. Mas a tecnologia atual já permite torres de mais de 100 metros, aumento do potencial estimado em quase duas vezes.

De acordo com o Plano Decenal de Energia, o Brasil precisará expandir a capacidade instalada de energia elétrica em mais 63 mil MW. Do total, 71% já foram contratados, incluindo-se a energia dos leilões da semana passada. A expectativa é que haja uma redução da participação da energia hidrelétrica, de 78% da matriz nacional para 70%. Mas o patamar de energias renováveis deve ser mantido, acredita Tolmasquim, ampliando a participação de fontes alternativas de 7% para 14%.

O barateamento dos equipamentos de energia eólica e as melhores condições de financiamento, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), quebraram o paradigma do setor e permitiram a ampliação de sua participação nos leilões.

Com isso, o presidente da EPE acredita que a energia eólica pode deixar de ser considerada uma fonte de reserva – contratada apenas como excedente para dar garantia ao sistema – e pode passar a disputar com a biomassa nas fontes alternativas, contratadas para atender às necessidades reais das distribuidoras de energia.

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28 de agosto de 2010

Energia eólica já é uma das mais competitivas do Brasil

Com preço médio de R$ 130,86 o MWh, fonte de energia bate até mesmo as térmicas movidas a gás natural

Renée Pereira – O Estado de S.Paulo

A forte disputa verificada nos leilões promovidos pelo governo federal esta semana pôs a energia eólica na lista das mais competitivas do Brasil, abaixo até do custo das térmicas movidas a gás natural, de cerca de R$ 140 o megawatt/hora (MWh). Na média, o preço da energia produzida com o vento foi negociada por R$ 130,86. No leilão do ano passado, cada MWh custou em média R$ 148,39.
“O resultado realmente surpreendeu a todos”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Ricardo de Maya Simões. Ele acredita que há várias fatores para explicar a forte disputa verificada no leilão, que contratou 2.892 MW de capacidade, sendo 70% desse montante de energia eólica.
Um dos fatores é a desaceleração da economia europeia, onde a construção de parques eólicos é tradicional.

Com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo menos, o consumo de energia cai e os projetos de geração são adiados. Isso reduz a demanda por novos geradores eólicos e derruba os preços dos equipamentos.
Nesse cenário, destaca Simões, o Brasil se tornou uma nova fronteira eólica no mundo, já que por aqui a demanda de energia elétrica continua em alta. A matriz, que até o ano passado era de 600 MW, deve pular para 4.454 MW de capacidade nos próximos três anos. “Além das multinacionais que já instalaram fábricas no País (Impsa, Alston e GE), outras empresas estão interessadas em construir novas unidades por aqui”, afirma o presidente da Abeeólica. Entre elas, estão a espanhola Gamesa, a dinamarquesa Vestas, a indiana Suzlon e investidores coreanos e chineses.

A argentina Impsa não só inaugurou uma unidade em Pernambuco, como tem apostado em novas usinas. Em parceria com o Fundo de Investimento com recursos do FGTS (FI-FGTS), vendeu 211 MW no leilão de dezembro do ano passado e 270 MW, no desta semana. O diretor-geral da empresa, Luis Pescarmona, explica que, além da crise europeia, as condições de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) melhoraram a competitividade dos projetos. O prazo dos empréstimos subiu de 14 anos para 16 anos.

Outro grupo que teve presença importante no leilão desta semana foi a joint venture entre Neoenergia e a espanhola Iberdrola. No total, eles venderam 258 MW, o que deve contribuir para a Neoenergia atingir 3 mil MW de potência instalada no País (já considerando a parcela de Belo Monte), afirma o presidente da empresa, Marcelo Corrêa. Em dois anos, diz ele, essa capacidade deverá subir para 5 mil MW.
Ricardo Simões, da Abeeólica, acredita que o Brasil tem grandes oportunidades para aumentar a participação dessa fonte renovável na matriz elétrica. “O potencial do País em energia eólica é de 300 mil MW”, diz ele, que também vendeu 90 MW de energia no leilão da empresa Brennand Energia. O executivo comenta que no Brasil o fator de capacidade de geração está na casa de 40%, ante 22% da Europa. Ou seja, aqui as unidades geram mais energia por MW instalado.

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Energia eficiente e competitiva

15/06/10

Folha de S. Paulo
22/04/2010

A INDÚSTRIA vê com otimismo a perspectiva de o Ministério de Minas e Energia apresentar, nos próximos meses, o Plano Nacional de Eficiência Energética. Isso porque o aumento da eficiência energética é benéfico para toda a sociedade.

Afinal, ao garantir um melhor aproveitamento da energia disponível, esses projetos permitem que os investimentos na ampliação da infraestrutura sejam postergados, reduzindo custos e preservando o ambiente.

Além disso, favorecem o aumento da competitividade da indústria. O Brasil está entre os recordistas mundiais em termos de custos de energia e a redução do componente energético sobre os valores finais da produção contribuiria para contornar, pelo menos em parte, esse problema.

Hoje, a indústria enfrenta uma série de dificuldades para realizar investimentos em eficiência energética. A principal questão é que esses gastos competem com outros investimentos no “core-business” das empresas, como projetos de aumento de produção e preservação da segurança operacional.

Uma boa forma de reverter isso seria a garantia de um tratamento diferenciado aos projetos que proporcionem redução no consumo de energia, por meio da diminuição ou da eliminação de tributos e encargos setoriais para os “autorredutores” (empresas que promovam o desenvolvimento de projetos para reduzir o consumo de energia).

Essa isenção reduziria os custos das indústrias e diminuiria de maneira consistente a competição pelos recursos no fluxo de investimentos das empresas.

Cabe ressaltar que hoje os autoprodutores de energia já possuem isenção dos encargos Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) sobre a parcela de energia consumida.

Por que não estender o mesmo benefício aos “autorredutores”?
Também é necessário aumentar as fontes de recursos para as indústrias poderem implantar projetos.

Estudo realizado pela Eletrobras e pela Confederação Nacional da Indústria, que considerou o período de 1999 a 2006, constatou que, de todos os recursos arrecadados pelos consumidores, na forma de encargo setorial, para serem investidos em projetos de eficiência energética, apenas 9% deles foram destinados a projetos voltados para a indústria, o que é muito pouco considerando que o setor industrial é responsável por cerca de 40% do consumo de energia elétrica do país.

Por fim, entendemos que o governo deveria focar estímulos nos projetos industriais de aumento de eficiência nos sistemas térmicos. Até agora, das poucas ações aplicadas à indústria, a maioria esteve focada na redução do consumo de eletricidade em sistemas motrizes.

Mas o trabalho da Eletrobras e da Confederação Nacional da Indústria identificou que o grande potencial de redução no consumo de energia, cerca de 80%, está em processos térmicos, como fornos e caldeiras.

O plano do Ministério de Minas e Energia consiste num importante passo para fortalecer as ações de eficiência energética no Brasil. Todavia, para darmos um “salto quântico” nessa direção é necessário dar mais atenção ao setor industrial.

Temos de ter em mente que a redução no consumo de energia por unidade de produção pode contribuir para a expansão da nossa economia, reduzindo os custos e aumentando a competitividade. As consequências são positivas para toda a sociedade.

MANOEL CARNAÚBA é membro do Conselho Diretor da Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres) e vice-presidente-executivo da Braskem.

 

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