Venda de energia eólica surpreende em leilão
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Aneel negocia 2.982,2 MW em fontes renováveis a R$ 26,9 bilhões, sendo 70% de energia produzida com ventos, que teve o preço reduzido
Renée Pereira, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Após dois dias de leilão, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) negociou 2.892,2 megawatts (MW) de energia elétrica em fontes renováveis, sendo 70% desse montante referente a usinas eólicas. No total, foram comercializados R$ 26,9 bilhões em contratos de 20 e 30 anos, válidos a partir de 2011, 2012 e 2013. O preço médio da energia negociada ficou na casa de R$ 133,56 o Mwh.
“O resultado deste leilão quebra uma série de paradigmas. Um deles foi a queda no preço da energia eólica, que ficou bem abaixo da PCH (pequenas centrais hidrelétricas) e da biomassa”, disse o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. O preço médio da eletricidade produzida com ventos ficou em R$ 130,86 ante R$ 144,20, da biomassa, e R$ 141,93, das PCHs.
O apetite dos empreendedores pela fonte eólica provocou uma das maiores disputas do leilão e contrariou a expectativa da maioria do mercado, que previa preço na casa de R$ 155.
No ano passado, a energia eólica já havia surpreendido ao ser vendida por R$ 148,39 o MWh, no primeiro leilão da fonte alternativa.
Nordeste
Na disputa de ontem, 70 usinas eólicas negociaram energia. Boa parte delas está no Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará e Rio Grande do Sul. Entre os vencedores, a espanhola Iberdrola foi uma das que mais venderam energia.
Mas o leilão teve outras participações de peso, como a estatal Chesf, Dreen (empresa da Galvão Engenharia, que está no consórcio de Belo Monte) e CPFL, além de outros grupos formados especialmente para construir usinas eólicas, como a Brenand e Renova.
Com o resultado de ontem, o parque eólico brasileiro, que já havia triplicado no leilão do ano passado, atingirá 4.647 MW de capacidade instalada - mais que uma usina do Rio Madeira. “Só temos razões para comemorar”, festejou Tolmasquim, destacando que o volume contratado esta semana responde à demanda que faltava para atender às distribuidoras em 2013 e 2014.
Além da eólica, o leilão também negociou 712,9 MW de energia de usinas de biomassa e 131,5 MW de PCHs, que representou 25% e 5%, respectivamente, do total negociado. São 12 usinas de biomassa e 7 PCHS. Todas as usinas que venderam energia no certame representarão investimentos de R$ 2,8 bilhões.
O leilão realizado pela Aneel foi dividido em dois: um de energia de reserva (para garantir a segurança do sistema) e outro de energia alternativa. No primeiro dia, as negociações foram interrompidas às 13h. Ontem, o leilão começou às 10h e terminou às 22h19.
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Fontes limpas já representam 62% da oferta nova na Europa
Sérgio Adeodato, para o Valor, de São Paulo
25/08/2010
O continente europeu, um dos principais blocos econômicos emissores de carbono no planeta, alcança recordes no investimento em energia renovável. De acordo com estudo do Joint Research Centre, da Comissão Europeia, quase dois terços da nova capacidade energética instalada na região em 2009 provém de fontes limpas. Delas derivam 20% do consumo total de energia, com destaque para a geração eólica, que no ano passado superou a meta estabelecida para 2010. Atingiu 74 gigawatts-hora (GWh), contra 40 GWh anteriormente planejados. Diante dos avanços, a European Wind Association tem agora o objetivo de triplicar essa capacidade até 2020.
Segundo o relatório “2010 Renewable Energy Snapshots”, a força dos ventos respondeu pela maior parcela (38%) da energia instalada nos países da Comunidade Europeia no ano passado, à frente das termelétricas a gás (24%), fotovoltaica (21%), biomassa (2,1%), incineração de lixo (1,6%) e hidrelétrica (1,4%). A meta europeia é consumir 20% de toda energia a partir de fontes renováveis até 2020, mas se o cenário dos investimentos permanecer como o atual, o compromisso poderá chegar a 40%, diz o estudo.
A Europa é o terceiro continente que mais gera energia eólica, atrás da Ásia e América do Norte. Alemanha, Espanha, Itália, França, Reino Unido e Dinamarca estão entre os dez maiores mercados globais dessa fonte energética. Em 2009, o mundo instalou 38 GW de potência eólica ao custo de US$ 64 bilhões, atingindo um total de 160 GW, capaz de suprir 2% da demanda global de eletricidade. A instalação de novos parques eólicos offshore em pleno oceano, no total de 454 MW de potência, ampliou em 1,2% a capacidade global.
Nos últimos sete anos, o mercado mundial cresceu sete vezes, tendo a dinamarquesa Vestas como maior fabricante, seguida da americana GE Wind. Correndo por fora, três das dez maiores indústrias do setor estão na China, onde existem mais de 70 empresas ligadas à fabricação de equipamentos para energia eólica.
Entre os países, os EUA estão na liderança, com capacidade instalada de 35,2 GW, à frente da China (26 GW), que dobrou a potência em dois anos. No ano passado, 82 países de todo o mundo exploraram comercialmente essa fonte alternativa, dos quais 49 expandiram suas instalações, de acordo com o estudo. O mercado europeu representou 27% da capacidade adicionada globalmente em 2009, enquanto em 2004 essa fatia foi de 75%, o que demonstra maior movimento dos demais continentes pela alternativa dos ventos. Dados da Organização Mundial de Energia Eólica mostram que o setor gera 550 mil empregos, com previsão de chegar a 1 milhão em 2012.
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