Arquivo da categoria 'Sustentabilidade'

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

8/09/10

Países tentam definir fundo de US$ 100 bi para mudanças climáticas

Reunião em Genebra com 45 governos começa a definir criação; ministra Izabella Teixeira lidera delegação brasileira

02 de setembro de 2010
O Estado de S. Paulo

Os países industrializados usam a crise financeira para tentar transferir para Brasil, Índia, China e ao setor privado parte da responsabilidade por financiar o fundo de US$ 100 bilhões para lidar com mudanças climáticas.

Hoje, 45 governos se reúnem em Genebra para começar a definir como será criado o fundo.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, irá liderar a delegação brasileira no encontro. A delegação dá sinais de que poderá flexibilizar sua posição de colocar todo o peso de uma solução sobre os países ricos.
Obrigados a reduzir seus gastos em razão da crise, os países ricos usam esse argumento para fortalecer uma posição já existente: a de que não aceitam que sua responsabilidade pelas emissões tenha de ser traduzida em maiores recursos para a iniciativa ambiental, estipulada durante a cúpula de Copenhague no final de 2009.
Um dos poucos acordos da cúpula foi o estabelecimento de um fundo para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptar. Foi decidido que, entre 2010 e 2012, US$ 30 bilhões seriam coletados e, até 2020, os países ricos teriam de financiar o mecanismo com até US$ 100 bilhões por ano.

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ENERGIA EÓLICA

8/09/10

EPE prevê crescimento de uso de energia eólica no país

Juliana Ennes, do Rio
02/09/2010

A energia eólica está se tornando uma possibilidade real de manter o alto nível de participação de energias renováveis na matriz energética brasileira, acredita o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. O potencial desse tipo de energia no país pode chegar ao equivalente a 20 usinas de Itaipu.

Tolmasquim disse que nos leilões de fontes alternativas da semana passada, a energia gerada a partir dos ventos se mostrou bastante competitiva em termos de preço. Até então, tinha-se a visão de que a energia eólica era interessante ambientalmente, mas sua participação seria limitada devido ao elevado custo de produção quando comparadas às usinas hidrelétricas ou mesmo térmicas.
“O programa de incentivo às fontes alternativas de energia elétrica teve o mérito de trazer a fonte eólica para a nossa realidade”, disse o presidente da EPE, que participou ontem do Brasil Windpower, no Rio.
O potencial de energia eólica estimado para o Brasil é de geração de 143 mil megawatt (MW). No entanto, esse estudo foi feito para torres geradoras de energia de até 50 metros de altura. Mas a tecnologia atual já permite torres de mais de 100 metros, aumento do potencial estimado em quase duas vezes.

De acordo com o Plano Decenal de Energia, o Brasil precisará expandir a capacidade instalada de energia elétrica em mais 63 mil MW. Do total, 71% já foram contratados, incluindo-se a energia dos leilões da semana passada. A expectativa é que haja uma redução da participação da energia hidrelétrica, de 78% da matriz nacional para 70%. Mas o patamar de energias renováveis deve ser mantido, acredita Tolmasquim, ampliando a participação de fontes alternativas de 7% para 14%.

O barateamento dos equipamentos de energia eólica e as melhores condições de financiamento, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), quebraram o paradigma do setor e permitiram a ampliação de sua participação nos leilões.

Com isso, o presidente da EPE acredita que a energia eólica pode deixar de ser considerada uma fonte de reserva - contratada apenas como excedente para dar garantia ao sistema - e pode passar a disputar com a biomassa nas fontes alternativas, contratadas para atender às necessidades reais das distribuidoras de energia.

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28 de agosto de 2010

Energia eólica já é uma das mais competitivas do Brasil

Com preço médio de R$ 130,86 o MWh, fonte de energia bate até mesmo as térmicas movidas a gás natural

Renée Pereira - O Estado de S.Paulo

A forte disputa verificada nos leilões promovidos pelo governo federal esta semana pôs a energia eólica na lista das mais competitivas do Brasil, abaixo até do custo das térmicas movidas a gás natural, de cerca de R$ 140 o megawatt/hora (MWh). Na média, o preço da energia produzida com o vento foi negociada por R$ 130,86. No leilão do ano passado, cada MWh custou em média R$ 148,39.
“O resultado realmente surpreendeu a todos”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Ricardo de Maya Simões. Ele acredita que há várias fatores para explicar a forte disputa verificada no leilão, que contratou 2.892 MW de capacidade, sendo 70% desse montante de energia eólica.
Um dos fatores é a desaceleração da economia europeia, onde a construção de parques eólicos é tradicional.

Com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo menos, o consumo de energia cai e os projetos de geração são adiados. Isso reduz a demanda por novos geradores eólicos e derruba os preços dos equipamentos.
Nesse cenário, destaca Simões, o Brasil se tornou uma nova fronteira eólica no mundo, já que por aqui a demanda de energia elétrica continua em alta. A matriz, que até o ano passado era de 600 MW, deve pular para 4.454 MW de capacidade nos próximos três anos. “Além das multinacionais que já instalaram fábricas no País (Impsa, Alston e GE), outras empresas estão interessadas em construir novas unidades por aqui”, afirma o presidente da Abeeólica. Entre elas, estão a espanhola Gamesa, a dinamarquesa Vestas, a indiana Suzlon e investidores coreanos e chineses.

A argentina Impsa não só inaugurou uma unidade em Pernambuco, como tem apostado em novas usinas. Em parceria com o Fundo de Investimento com recursos do FGTS (FI-FGTS), vendeu 211 MW no leilão de dezembro do ano passado e 270 MW, no desta semana. O diretor-geral da empresa, Luis Pescarmona, explica que, além da crise europeia, as condições de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) melhoraram a competitividade dos projetos. O prazo dos empréstimos subiu de 14 anos para 16 anos.

Outro grupo que teve presença importante no leilão desta semana foi a joint venture entre Neoenergia e a espanhola Iberdrola. No total, eles venderam 258 MW, o que deve contribuir para a Neoenergia atingir 3 mil MW de potência instalada no País (já considerando a parcela de Belo Monte), afirma o presidente da empresa, Marcelo Corrêa. Em dois anos, diz ele, essa capacidade deverá subir para 5 mil MW.
Ricardo Simões, da Abeeólica, acredita que o Brasil tem grandes oportunidades para aumentar a participação dessa fonte renovável na matriz elétrica. “O potencial do País em energia eólica é de 300 mil MW”, diz ele, que também vendeu 90 MW de energia no leilão da empresa Brennand Energia. O executivo comenta que no Brasil o fator de capacidade de geração está na casa de 40%, ante 22% da Europa. Ou seja, aqui as unidades geram mais energia por MW instalado.

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ENERGIAS RENOVÁVEIS

30/08/10

Venda de energia eólica surpreende em leilão

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Aneel negocia 2.982,2 MW em fontes renováveis a R$ 26,9 bilhões, sendo 70% de energia produzida com ventos, que teve o preço reduzido

Renée Pereira, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Após dois dias de leilão, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) negociou 2.892,2 megawatts (MW) de energia elétrica em fontes renováveis, sendo 70% desse montante referente a usinas eólicas. No total, foram comercializados R$ 26,9 bilhões em contratos de 20 e 30 anos, válidos a partir de 2011, 2012 e 2013. O preço médio da energia negociada ficou na casa de R$ 133,56 o Mwh.

“O resultado deste leilão quebra uma série de paradigmas. Um deles foi a queda no preço da energia eólica, que ficou bem abaixo da PCH (pequenas centrais hidrelétricas) e da biomassa”, disse o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. O preço médio da eletricidade produzida com ventos ficou em R$ 130,86 ante R$ 144,20, da biomassa, e R$ 141,93, das PCHs.

O apetite dos empreendedores pela fonte eólica provocou uma das maiores disputas do leilão e contrariou a expectativa da maioria do mercado, que previa preço na casa de R$ 155.

No ano passado, a energia eólica já havia surpreendido ao ser vendida por R$ 148,39 o MWh, no primeiro leilão da fonte alternativa.

Nordeste

Na disputa de ontem, 70 usinas eólicas negociaram energia. Boa parte delas está no Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará e Rio Grande do Sul. Entre os vencedores, a espanhola Iberdrola foi uma das que mais venderam energia.

Mas o leilão teve outras participações de peso, como a estatal Chesf, Dreen (empresa da Galvão Engenharia, que está no consórcio de Belo Monte) e CPFL, além de outros grupos formados especialmente para construir usinas eólicas, como a Brenand e Renova.
Com o resultado de ontem, o parque eólico brasileiro, que já havia triplicado no leilão do ano passado, atingirá 4.647 MW de capacidade instalada - mais que uma usina do Rio Madeira. “Só temos razões para comemorar”, festejou Tolmasquim, destacando que o volume contratado esta semana responde à demanda que faltava para atender às distribuidoras em 2013 e 2014.

Além da eólica, o leilão também negociou 712,9 MW de energia de usinas de biomassa e 131,5 MW de PCHs, que representou 25% e 5%, respectivamente, do total negociado. São 12 usinas de biomassa e 7 PCHS. Todas as usinas que venderam energia no certame representarão investimentos de R$ 2,8 bilhões.
O leilão realizado pela Aneel foi dividido em dois: um de energia de reserva (para garantir a segurança do sistema) e outro de energia alternativa. No primeiro dia, as negociações foram interrompidas às 13h. Ontem, o leilão começou às 10h e terminou às 22h19.

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Fontes limpas já representam 62% da oferta nova na Europa

Sérgio Adeodato, para o Valor, de São Paulo
25/08/2010

O continente europeu, um dos principais blocos econômicos emissores de carbono no planeta, alcança recordes no investimento em energia renovável. De acordo com estudo do Joint Research Centre, da Comissão Europeia, quase dois terços da nova capacidade energética instalada na região em 2009 provém de fontes limpas. Delas derivam 20% do consumo total de energia, com destaque para a geração eólica, que no ano passado superou a meta estabelecida para 2010. Atingiu 74 gigawatts-hora (GWh), contra 40 GWh anteriormente planejados. Diante dos avanços, a European Wind Association tem agora o objetivo de triplicar essa capacidade até 2020.

Segundo o relatório “2010 Renewable Energy Snapshots”, a força dos ventos respondeu pela maior parcela (38%) da energia instalada nos países da Comunidade Europeia no ano passado, à frente das termelétricas a gás (24%), fotovoltaica (21%), biomassa (2,1%), incineração de lixo (1,6%) e hidrelétrica (1,4%). A meta europeia é consumir 20% de toda energia a partir de fontes renováveis até 2020, mas se o cenário dos investimentos permanecer como o atual, o compromisso poderá chegar a 40%, diz o estudo.

A Europa é o terceiro continente que mais gera energia eólica, atrás da Ásia e América do Norte. Alemanha, Espanha, Itália, França, Reino Unido e Dinamarca estão entre os dez maiores mercados globais dessa fonte energética. Em 2009, o mundo instalou 38 GW de potência eólica ao custo de US$ 64 bilhões, atingindo um total de 160 GW, capaz de suprir 2% da demanda global de eletricidade. A instalação de novos parques eólicos offshore em pleno oceano, no total de 454 MW de potência, ampliou em 1,2% a capacidade global.
Nos últimos sete anos, o mercado mundial cresceu sete vezes, tendo a dinamarquesa Vestas como maior fabricante, seguida da americana GE Wind. Correndo por fora, três das dez maiores indústrias do setor estão na China, onde existem mais de 70 empresas ligadas à fabricação de equipamentos para energia eólica.

Entre os países, os EUA estão na liderança, com capacidade instalada de 35,2 GW, à frente da China (26 GW), que dobrou a potência em dois anos. No ano passado, 82 países de todo o mundo exploraram comercialmente essa fonte alternativa, dos quais 49 expandiram suas instalações, de acordo com o estudo. O mercado europeu representou 27% da capacidade adicionada globalmente em 2009, enquanto em 2004 essa fatia foi de 75%, o que demonstra maior movimento dos demais continentes pela alternativa dos ventos. Dados da Organização Mundial de Energia Eólica mostram que o setor gera 550 mil empregos, com previsão de chegar a 1 milhão em 2012.

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Sustentabilidade: IFC revisa critérios socioambientais para empréstimos a emergentes

30/08/10

Bettina Barros, de São Paulo
24/08/2010

Gustavo Lourenção/Valor

Andrew Gunther, do IFC: “Caso Bertin não tirou importância do setor agropecuário no Brasil. Estamos analisando novos projetos para este ano em soja, suínos e trading”

O IFC está revisando seus critérios socioambientais para empréstimos ao setor privado em países emergentes. As novas exigências serão apresentadas no primeiro semestre de 2011, e deverão incluir aspectos desconsiderados hoje na análise para concessão de crédito, como emissões de gases-estufa e o impacto das atividades da empresa na cadeia produtiva.

Essa é a primeira revisão feita pelo IFC desde 2006, quando o braço para investimentos do Banco Mundial criou seus padrões de performance social e ambiental. Recentemente, um balanço sobre os três primeiros anos da instituição já havia detectado brechas.
“O mundo mudou desde 2006 e precisamos nos adaptar às mudanças”, afirmou Aaron Rosenberg, diretor de assuntos corporativos do IFC, em entrevista ao Valor. Também foram apontadas ambiguidade de linguagem e pouca clareza nas informações prestadas aos clientes sobre os padrões de performance socioambiental.

 No último ano, o IFC foi alvo de fortes críticas de organizações ambientais por problemas na Ásia com o setor de óleo de palma (dendê), acusado de promover o desmatamento. E teve o primeiro caso, no Brasil, de uma empresa a devolver o empréstimo - o então frigorífico Bertin, adquirido pelo Grupo JBS, que obteve US$ 90 milhões para implantar um projeto de produção sustentável de carne em sua unidade de Marabá, Pará.
O contrato foi rompido após o Greenpeace e o Ministério Público Federal denunciarem o Bertin por contribuição para o desmatamento da Amazônia. Segundo fontes, financiar o projeto deixou o IFC em posição desconfortável. A instituição afirmou que os US$ 60 milhões que haviam sido liberados ao frigorífico já foram quitados.

Embora não tenham provocado a revisão dos padrões de performance socioambiental do IFC, que já era prevista, os escândalos influenciaram o debate e levaram à determinação de interromper os empréstimos ao setor de palma na Ásia. No Brasil, novos investimentos no setor agropecuário foram nulos no ano fiscal americano de 2010, encerrado em 30 de junho.

“Isso não está associado ao caso Bertin nem quer dizer que o setor agropecuário perdeu importância no Brasil. Estamos analisando novos projetos para este ano em soja, suínos e trading”, afirmou Andrew Gunther, gerente-geral do IFC para o Brasil. Na opinião do executivo, o episódio foi positivo porque criou grupos de trabalho para discutir a sustentabilidade na Amazônia e levou a instituição de fomento a aprender mais sobre o setor. “Se quisermos fazer a diferença, teremos às vezes que trabalhar em projetos controversos”, disse.

A revisão global dos padrões de performance socioambiental envolve uma miríade de grupos, de bancos multilaterais, instituições financeiras e agências da ONU a povos indígenas, ONGs ambientalistas, sindicatos e empresas. Também participam consultores do Brasil, Índia, Reino Unido, África do Sul, Malásia e Washington.

O período de consultas entrou na segunda fase e são esperadas mudanças importantes como a inclusão das mudanças climáticas. Entre as sugestões feitas, está a remoção da possibilidade de os clientes do IFC compensarem suas emissões de gases de efeito estufa. Em vez disso, defendem a determinação de que sejam apresentadas opções para adoção de tecnologias de baixo carbono.

Além disso, tomadores de empréstimos deveriam quantificar emissões diretas e indiretas de projetos que provoquem mudança no uso da terra - responsabilidade que seria estendida também aos financiadores intermediários. A revisão contempla ainda aspectos como contaminação de solo e água e os desdobramentos legais desses tópicos. Consultores pediram também uma definição mais clara sobre a cadeia produtiva e suas responsabilidades.

Para Rosenberg, a introdução de novos padrões não deve tornar a análise dos empréstimos mais morosa. “Os novos padrões terão de ser incorporados ao longo do tempo e teremos de aumentar a assistência técnica a empresas e governos para que [as exigências] sejam atendidas”, disse. O IFC aprovou US$ 18 bilhões no ano fiscal de 2010, sendo US$ 1,5 bilhão ao Brasil. A maior parte desse dinheiro - US$ 787 milhões - foi direcionada para o financiamento à exportação.

A revisão dos performance standards está disponível no site www.ifc.org

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