Arquivo da categoria 'Emissões Atmosféricas'

Emissões

30/05/11

21/05/2011

Palha no solo de canavial reduz emissões de CO2, diz pesquisa

JULIANA COISSI

DE RIBEIRÃO PRETO

Em tempos em que até show de rock tenta reduzir as emissões de gás carbônico, um estudo da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Jaboticabal diz que deixar a palha no solo dos canaviais minimiza as emissões de CO2.

A pesquisa fez medições em um canavial no interior de São Paulo, com a ajuda de um aparelho que detecta as variações de CO2.

No experimento, a plantação foi dividida em três áreas”"uma coberta com 100% de palha, outra com metade e a terceira com o chão nu.

A conclusão é que as áreas cobertas com palha emitiram 400 quilos menos carbono, o que corresponde a quase 1.500 kg de CO2. Isso significa uma redução de cerca de 20% nas emissões, comparadas à área sem palha.

O cálculo considera as emissões do diesel usado pelas máquinas no campo, dos fertilizantes sintéticos e do calcário aplicado na terra.

Edson Silva/Folhapress

Colheitadeira trabalha em lavoura de cana forrada com a palha da planta em fazenda de Pontal, no interior de SP

A tese de Newton La Scala Júnior, coordenador do trabalho, é que, mantendo a palha no chão, o produtor pode compensar as emissões.

“O que não sabíamos é que a simples retirada da palha causa emissões tão altas de CO2″, diz o cientista.

Na prática, a palha tem sido cada vez mais usada para a cogeração de energia.

Em geral, as usinas que fazem cogeração usam cerca de 70% da palha do chão para transformá-la energia, de acordo com o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira).

Além disso, lavouras que não geram energia, mas ficam em lugares que têm muita umidade, normalmente retiram toda a palha do solo.

No experimento, o chão forrado com 100% de palha e com metade desse material deixaram de emitir quantidade semelhante de CO2.

Mas, na opinião de La Scala, o ideal é deixar toda a palha, pois com o tempo o solo pode ficar descoberto.

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Redução de emissões

23/05/11

Londres adota meta ambiciosa de emissões

Pilita Clark e Jim Pickard | Financial Times

18/05/2011

O Reino Unido se comprometeu a adotar um conjunto ambicioso de metas para reduzir as emissões de gases associados ao aquecimento global, mas disse que irá rever suas promessas se medidas deixarem os britânicos fora de sintonia com outros países da União Europeia.

Chris Huhne, secretário de Energia, disse que até 2027 o objetivo é reduzir à metade as emissões de gases de efeito estufa em relação ao que era registrado em 1990. As emissões já caíram 27% desde 1990, em parte devido à recessão.

O compromisso, que tem força de lei, coloca o Reino Unido à frente de muitos países desenvolvidos, inclusive da UE, que até agora comprometeu-se, até 2020, a um corte de 20% nas emissões a partir dos níveis de 1990.

Cedendo a entidades representativas de setores da economia para os quais as metas criam o risco de as empresas britânicas tornarem-se menos competitivas, Huhne esboçou o que alguns chamaram de “botão de emergência”: um compromisso no sentido de reavaliar as metas no início de 2014 para verificar como elas se comparam com as metas de emissões da UE.

“Se nesse momento nossas metas nacionais nos colocarem em trajetória de emissões distinta da trajetória do sistema de comercialização de emissões acordadas pela UE, então, conforme apropriado, reveremos o nosso orçamento para alinhá-lo com a trajetória real da UE”, disse ele.

Além disso, Huhne prometeu que antes do fim do ano o governo anunciará medidas para ajudar os setores que usam energia de maneira intensa a ajustarem-se à “adoção de práticas industriais de baixo carbono”.

Mas alguns analistas dizem que mudanças muito maiores podem ser necessárias.

“Para cumprir uma meta dessa escala, o governo britânico precisaria adotar políticas de redução de emissões mais radicais do que as praticadas atualmente”, disse Stig Schjølset, analista sênior da consultoria Point Carbon.

Isto terá “consequências enormes para os custos energéticos”, disse ele. Entre os custos estão “captura e armazenamento de carbono obrigatório para todas as principais geradoras de eletricidade, uma grande migração para energias renováveis e de origem nuclear, associadas a uma mudança em âmbito nacional para biocombustíveis e suo de veículos elétricos no setor de transportes”.

O Grupo Aldersgate, que reúne empresas e grupos ambientalistas, entre os quais o Bank of America, o Merrill Lynch e a Cable & Wireless, saudou o anúncio de Huhne, dizendo que ele “dará maior segurança às empresas para que invistam em tecnologias verdes e criem empregos”.

O anúncio das metas foi feito depois de uma reunião dos ministros do primeiro-ministro, David Cameron, para avaliar se as metas prejudicariam o desempenho da economia.

Mas empresas pertencentes à EEF – entidade que representa o setor industrial britânico – disseram que as metas no orçamento de carbono foram “uma decisão ruim” e pediram que o governo a reverta automaticamente das novas metas se não houver um acordo europeu de adoção de metas mais ambiciosas até 2014. ”

Essa é uma decisão ruim para a indústria”, criticou Terry Scuoler, executivo-chefe da entidade. Para ele, o governo tem de agir rápido para criar políticas que evitem que as metas minem a competitividade das empresas do país.

Entre grupos ambientalistas, a maioria recebeu a iniciativa de modo positivo.

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Energia renovável

16/05/11

10/05/2011

Em 2050, 80% da energia será renovável, diz IPCC

Agência Estado

Um documento divulgado nesta segunda-feira pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), o órgão da ONU para as mudanças climáticas, indica que as tecnologias renováveis podem prover 80% das necessidades de energia do planeta até a metade do século XXI. ??No texto, um sumário do Relatório Especial sobre Fontes de Energia Renováveis e Mitigação da Mudança Climática (SRREN, sigla em inglês), o IPCC afirma que quase a metade dos investimentos atuais em geração de eletricidade já é voltada para as fontes renováveis. ??No entanto, o Painel afirma que o crescimento disto depende da aplicação das políticas corretas. ??”Com o apoio consistente de políticas climáticas e energéticas, as fontes renováveis de energia podem contribuir substancialmente para o bem-estar humano ao prover energia sustentavelmente e estabilizar o clima”, disse Ottmar Edenhofer, copresidente do grupo de trabalho do IPCC que produziu o estudo. ??”No entanto, o aumento substancial das (fontes) renováveis é tecnicamente e potencialmente muito desafiador”, acrescentou. ??Cenários ??O IPCC analisou no relatório 164 cenários futuros de desenvolvimento energético. Aqueles nos quais se recorreu com mais força às fontes renováveis resultaram em um corte nas emissões de gases do efeito estufa de cerca de um terço até 2050, em comparação com as projeções ligadas a tecnologias convencionais. ??Atualmente, as tecnologias renováveis suprem 12,9% da demanda global de energia. No entanto, a maior fonte, responsável por cerca de metade do total global, ainda é a queima de madeira para aquecimento e preparo de alimentos nos países em desenvolvimento. ??Isto não é sempre verdadeiramente renovável, já que nem sempre são plantadas novas árvores para compensar as que são derrubadas. ??A tecnologia que cresce mais rapidamente é a energia gerada por painéis solares conectados, que teve um aumento de 53% na capacidade instalada de 2009. No entanto, o IPCC indica que esta tecnologia continuará sendo uma das mais caras pelos próximos anos. ??Das várias tecnologias disponíveis, a bioenergia é considerada a de maior potencial de crescimento em longo prazo, seguida pela energia solar e pela energia eólica. ??No entanto, o IPCC afirma que os governos terão de acelerar suas políticas para estimular o investimento em fontes renováveis se quiser que esta indústria cresça substancialmente. ??Saber se os governos farão isto ou não será um fator determinante para que as metas climáticas globais sejam atingidas, diz o relatório. ??Energia de sobra ??O estudo também conclui que há mais que o necessário para atingir as necessidades de energia atuais e futuras do planeta. ??”O relatório claramente demonstra que as tecnologias renováveis podem suprir o mundo com mais energia do que ele pode vir a necessitar e a um custo altamente competitivo”, disse Steve Sawyer, secretário-geral do Conselho Global de Energia Eólica. ??”O relatório do IPCC será uma referência-chave tanto para autores de políticas públicas quanto para a indústria, pois representa a mais abrangente revisão de alto nível da energia renovável até agora”, afirmou. ??O IPCC é responsável por fornecer análises sobre assuntos climáticos para a comunidade internacional, e suas conclusões tem sido endossadas pelos governos.

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Emissões

16/04/11

Países tentam manter Kyoto vivo

Protocolo que criou metas de redução de emissões de gases-estufa acaba em 2012

09 de abril de 2011
Afra Balazina – O Estado de S.Paulo
ENVIADA ESPECIAL / BANGCOC

Denis Sinyakov/Reuters
Fora de Kyoto. Poluição na cidade de Baikalsk, na Sibéria: Rússia é um dos países que ameaçam abandonar o tratado
Começou nesta semana em Bangcoc, na Tailândia, uma tentativa dos países em desenvolvimento de manter o Protocolo de Kyoto vivo, mesmo que nações como Japão, Rússia, Austrália e Canadá se neguem a participar do segundo período do acordo.
A primeira fase de Kyoto, que instituiu metas para os países industrializados cortarem as emissões de gases-estufa, termina no fim de 2012 e ainda não está definido se haverá uma continuação. As nações em desenvolvimento, entre elas o Brasil, acreditam que é melhor ter o protocolo com um número menor de participantes do que ficar sem ele.
A União Europeia e os países da Escandinávia permaneceriam dentro do tratado. Eles avaliam que Kyoto tem exigências mais altas e é mais confiável do que qualquer alternativa apresentada hoje.
Mas países como Japão, Rússia, Canadá e Austrália vêm demonstrando não querer continuar em Kyoto. O motivo é que os Estados Unidos não ratificaram o tratado e, dessa forma, até hoje não possuem uma meta para reduzir as emissões.
Outro problema visto por eles é que grandes economias, como a China, a Índia e o Brasil, também não têm obrigação pelo tratado de reduzir as emissões dos gases que provocam o aquecimento global.
A secretária executiva da Convenção do Clima da ONU, Christiana Figueres, deu a entender que é possível trabalhar com a hipótese defendida pelos países em desenvolvimento. Ela afirmou que “não há países que se opõem ao Protocolo de Kyoto” – mesmo que não queiram fazer parte dele. Uma comparação ouvida em Bangcoc foi a seguinte: é como uma pessoa que para de fumar, mas permite que outras continuem fumando.
As organizações não governamentais também consideram que, mesmo incluindo uma parte menor dos países e, portanto, das emissões de CO2, é melhor manter Kyoto. “Seria um desastre muito maior ficar sem o protocolo”, afirmou Wendel Trio, em nome da organização Climate Action Network (Rede de Ação pelo Clima).
Artur Runge-Metzger, chefe da delegação da União Europeia, afirmou que o grupo mantém a posição de entrar no segundo período de compromisso de Kyoto. Mas que não quer fazer todo o trabalho sozinho. O que se avalia é que, se decidir ficar em Kyoto, a União Europeia voltará a ser vista como líder do processo.
Já o chefe da delegação americana, Jonathan Pershing, afirmou que não está disposto a integrar um acordo sem a participação das maiores economias – sua maior preocupação é a China, a maior poluidora do mundo.
Decima Willians, que representa 43 pequenos Estados-ilha ameaçados pelas mudanças climáticas, afirmou que o fato de alguns países não terem interesse em continuar no Protocolo de Kyoto “não é encorajador”.
Resposta. Christiana Figueres lamentou que os progressos sejam lentos nas negociações climáticas da ONU.
“Preciso confessar que gostaria que o processo fosse mais rápido. As negociações são complicadas.” Entretanto, ela ressaltou que hoje não há outro espaço em que todos os países, até mesmo os pequenos e vulneráveis, têm realmente voz – as decisões ocorrem por consenso.
A afirmação pareceu uma resposta ao enviado especial para clima dos Estados Unidos, Todd Stern, que nesta semana fez declarações que minaram o processo da ONU. Ele disse que um acordo internacional era inviável neste momento e a solução seria cada país adotar leis nacionais para cortar as emissões.
As ONGs argumentam que os países que defendem metas nacionais em vez de um acordo internacional são os que não se comprometem ou apresentam metas fracas. Por isso, não é possível confiar que eles agirão sem haver um tratado que os obrigue a fazer isso.
Perfil
2 mil
pessoas participaram da reunião
194 nações
fazem parte da Conferência do Clima das Nações Unidas
PARA ENTENDER
Depois de uma semana reunidos em Bangcoc, os países finalmente chegaram ontem a um consenso e definiram como será o trabalho na área de clima durante este ano.
O chefe da delegação brasileira em Bangcoc, o diplomata André Corrêa do Lago, explicou por que foi tão difícil adotar essa agenda. “Se fizer uma análise muito superficial se dá conta que a agenda era na verdade a ratificação do processo da Conferência do Clima de Cancún (COP-16).”
Em Cancún houve consenso, por exemplo, em se criar um fundo para permitir que os países em desenvolvimento recebam recursos das nações industrializadas para reduzir suas emissões de CO2. Também foi estabelecido o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd), relevante para o Brasil.

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