Arquivo da categoria 'Emissões Atmosféricas'

Emissões

16/04/11

Países tentam manter Kyoto vivo

Protocolo que criou metas de redução de emissões de gases-estufa acaba em 2012

09 de abril de 2011
Afra Balazina – O Estado de S.Paulo
ENVIADA ESPECIAL / BANGCOC

Denis Sinyakov/Reuters
Fora de Kyoto. Poluição na cidade de Baikalsk, na Sibéria: Rússia é um dos países que ameaçam abandonar o tratado
Começou nesta semana em Bangcoc, na Tailândia, uma tentativa dos países em desenvolvimento de manter o Protocolo de Kyoto vivo, mesmo que nações como Japão, Rússia, Austrália e Canadá se neguem a participar do segundo período do acordo.
A primeira fase de Kyoto, que instituiu metas para os países industrializados cortarem as emissões de gases-estufa, termina no fim de 2012 e ainda não está definido se haverá uma continuação. As nações em desenvolvimento, entre elas o Brasil, acreditam que é melhor ter o protocolo com um número menor de participantes do que ficar sem ele.
A União Europeia e os países da Escandinávia permaneceriam dentro do tratado. Eles avaliam que Kyoto tem exigências mais altas e é mais confiável do que qualquer alternativa apresentada hoje.
Mas países como Japão, Rússia, Canadá e Austrália vêm demonstrando não querer continuar em Kyoto. O motivo é que os Estados Unidos não ratificaram o tratado e, dessa forma, até hoje não possuem uma meta para reduzir as emissões.
Outro problema visto por eles é que grandes economias, como a China, a Índia e o Brasil, também não têm obrigação pelo tratado de reduzir as emissões dos gases que provocam o aquecimento global.
A secretária executiva da Convenção do Clima da ONU, Christiana Figueres, deu a entender que é possível trabalhar com a hipótese defendida pelos países em desenvolvimento. Ela afirmou que “não há países que se opõem ao Protocolo de Kyoto” – mesmo que não queiram fazer parte dele. Uma comparação ouvida em Bangcoc foi a seguinte: é como uma pessoa que para de fumar, mas permite que outras continuem fumando.
As organizações não governamentais também consideram que, mesmo incluindo uma parte menor dos países e, portanto, das emissões de CO2, é melhor manter Kyoto. “Seria um desastre muito maior ficar sem o protocolo”, afirmou Wendel Trio, em nome da organização Climate Action Network (Rede de Ação pelo Clima).
Artur Runge-Metzger, chefe da delegação da União Europeia, afirmou que o grupo mantém a posição de entrar no segundo período de compromisso de Kyoto. Mas que não quer fazer todo o trabalho sozinho. O que se avalia é que, se decidir ficar em Kyoto, a União Europeia voltará a ser vista como líder do processo.
Já o chefe da delegação americana, Jonathan Pershing, afirmou que não está disposto a integrar um acordo sem a participação das maiores economias – sua maior preocupação é a China, a maior poluidora do mundo.
Decima Willians, que representa 43 pequenos Estados-ilha ameaçados pelas mudanças climáticas, afirmou que o fato de alguns países não terem interesse em continuar no Protocolo de Kyoto “não é encorajador”.
Resposta. Christiana Figueres lamentou que os progressos sejam lentos nas negociações climáticas da ONU.
“Preciso confessar que gostaria que o processo fosse mais rápido. As negociações são complicadas.” Entretanto, ela ressaltou que hoje não há outro espaço em que todos os países, até mesmo os pequenos e vulneráveis, têm realmente voz – as decisões ocorrem por consenso.
A afirmação pareceu uma resposta ao enviado especial para clima dos Estados Unidos, Todd Stern, que nesta semana fez declarações que minaram o processo da ONU. Ele disse que um acordo internacional era inviável neste momento e a solução seria cada país adotar leis nacionais para cortar as emissões.
As ONGs argumentam que os países que defendem metas nacionais em vez de um acordo internacional são os que não se comprometem ou apresentam metas fracas. Por isso, não é possível confiar que eles agirão sem haver um tratado que os obrigue a fazer isso.
Perfil
2 mil
pessoas participaram da reunião
194 nações
fazem parte da Conferência do Clima das Nações Unidas
PARA ENTENDER
Depois de uma semana reunidos em Bangcoc, os países finalmente chegaram ontem a um consenso e definiram como será o trabalho na área de clima durante este ano.
O chefe da delegação brasileira em Bangcoc, o diplomata André Corrêa do Lago, explicou por que foi tão difícil adotar essa agenda. “Se fizer uma análise muito superficial se dá conta que a agenda era na verdade a ratificação do processo da Conferência do Clima de Cancún (COP-16).”
Em Cancún houve consenso, por exemplo, em se criar um fundo para permitir que os países em desenvolvimento recebam recursos das nações industrializadas para reduzir suas emissões de CO2. Também foi estabelecido o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd), relevante para o Brasil.

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RESÍDUOS

31/01/11

Uso de resíduos ajuda a economizar energia

De São Paulo

26/01/2011

Reduzir o consumo de água, energia e emissões de carbono por meio de insumos provenientes de reciclagem são diferenciais competitivos para setores industriais que utilizam embalagens descartáveis. Estudo da Aluminum Association dos Estados Unidos indica que a produção de latas com material reciclado economiza 95% de energia em comparação aos que só utilizam matéria-prima de origem mineral (bauxita). A organização calcula em 44% a redução na pegada de carbono, a partir de critérios que consideram o consumo energético e o índice de reciclagem.

“Comparativamente com outros países, é grande o potencial para o corte de carbono em países como o Brasil, que usa fontes renováveis de energia”, diz Scott Kaufman, pesquisador da empresa Carbon Trust, com base nos resultados de um estudo encomendado pela Coca Cola britânica. No Brasil, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas) divulgou dados mostrando que a reciclagem de embalagens de alumínio consome quase metade da energia em relação ao registrado no reprocessamento de garrafas PET, para uma capacidade de envase de 1.000 litros.

Levantamento da PET Resin Association, tomando como base o uso de matéria-prima convencional, indica que o consumo de energia nesse tipo de plástico para acondicionar 2,8 litros de bebida é a metade do verificado para o alumínio. No caso das embalagens de vidro, para cada 10% de material reciclado nos fornos há uma redução de 4% no uso de energia.

O reaproveitamento de latas de aço promove uma economia de energia de 18%, na média nacional. No Nordeste, onde há campanhas mais incisivas para coleta do material, o consumo energético diminui 34%. Os dados foram calculados pelo Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea), em Campinas, incorporando a energia necessária para a produção dos combustíveis e sua utilização em fornos, caldeiras e outros processos industriais, assim como o consumo no transporte e a eletricidade utilizada pelo sistema. (S.A.)

Reciclagem nos negócios: Empresas brasileiras e canadenses investem no desenvolvimento de soluções para o uso sustentável de recursos

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BNDES aprova crédito de R$ 6,1 bi para usina Angra 3

3/01/11

ENERGIA NUCLEAR

29/12/2010

O financiamento foi concedido corresponderá a 58,6% do investimento total das obras, que foram iniciadas; usina deve ficar pronta em 2016

Obras de Angra 3: financiamento do BNDES corresponderá a 58,6% do investimento total

Brasília – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou hoje que sua diretoria aprovou financiamento de R$ 6,1 bilhões para o projeto de construção da usina nuclear Angra 3, no litoral sul fluminense.

O financiamento foi concedido à Eletronuclear e corresponderá a 58,6% do investimento total das obras, que foram iniciadas. A usina deve ficar pronta em 2016.

A usina, que faz parte das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), terá potência instalada de 1.405 megawatts (MW), será conectada ao Sistema Interligado Nacional por meio da linha de transmissão que já atende às usinas Angra 1 e 2, informou o banco. No projeto, a subestação do complexo nuclear de Angra será ampliada para permitir o aumento de carga.

O BNDES justificou o seu apoio financeiro ao projeto por conta do aumento da disponibilidade de energia elétrica com a possibilidade de geração de 10,9 milhões de MWh/ano. O banco também ressaltou o impacto econômico para a região com os investimentos previstos para os próximos cinco anos e o fato de a energia nuclear não gerar gases causadores do efeito estufa.

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Mudanças climáticas: Países fecham acordo e cúpula do clima surpreende

19/12/10

Reunião termina com a criação de Fundo Verde e de mecanismo de compensação financeira para quem preservar suas florestas

12 de dezembro de 2010

Afra Balazina – O Estado de S.Paulo

Com protestos da Bolívia, os quase 200 países reunidos na Conferência do Clima da ONU (COP-16), em Cancún, no México, aprovaram no encerramento da reunião, na madrugada de ontem, um pacote para combater o aquecimento global no mundo.

Henry Romero/Reuters

Marco. Euforia da ministra mexicana Patricia Espinosa (à esq.) e Christiana Figueres, da ONU

Entre as decisões está a criação de um Fundo Verde para permitir que os países em desenvolvimento recebam recursos das nações industrializadas para poderem reduzir suas emissões de CO2. Também foi estabelecido o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd), relevante para países com florestas, como o Brasil. Por meio dele, pode haver a compensação financeira para quem mantiver suas matas.

As medidas não têm a ambição considerada necessária para resolver o problema. O resultado, porém, foi visto como importante para a manutenção das negociações multilaterais e como um passo fundamental em direção ao fechamento de um acordo com valor jurídico no futuro.

Para a Bolívia, porém, as decisões do chamado Acordo de Cancún representam um recuo em vez de um avanço. O embaixador Pablo Solón, representante boliviano, declarou que as medidas permitirão um aumento da temperatura de até 4º C – os cientistas avaliam que para evitar os perigos das mudanças climáticas é necessário limitar a elevação a 2ºC. Solón tentou bloquear a adoção do acordo ao alegar falta de consenso.

“Consenso não significa unanimidade”, respondeu Patrícia Espinosa, presidente da COP-16 e ministra das Relações Exteriores do México. E bateu o martelo, anunciando a decisão de adotar o acordo.

Fantasma. As expectativas para a reunião no México estavam baixas depois do fracasso em 2009, em Copenhague. Há tempos que se falava em obter um pacote de decisões e não se esperava que houvesse um acordo legalmente vinculante em Cancún – o que deveria ter ocorrido na COP-15. Ainda não se sabe se será possível alcançar o tratado com valor jurídico na COP-17, em Durban, África do Sul.

A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, deu 7,5 de nota para a conclusão alcançada e classificou o documento como “equilibrado, embora não seja perfeito”. Ela gostaria que tivesse sido definido o segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, o que não ocorreu. O primeiro período se encerra em 2012. “Mas temos de entender que tudo tem um momento”, disse.

Os países concordaram, porém, em evitar uma interrupção das metas de corte de emissões de gases-estufa. Ou seja, as nações precisam definir antes de 2012 a adoção de novas metas.

O ambiente no hotel Moon Palace, sede da COP-16, era muito menos tenso que o do Bella Center, em Copenhague, em 2009. Houve poucos protestos e a presidente da COP-16 foi ovacionada algumas vezes na última madrugada de negociações.

Além de ter sido aplaudida de pé pelos representantes dos países, foi elogiada insistentemente pela forma como conduziu o processo. Ela tomou extremo cuidado para que a negociação acontecesse da forma mais transparente possível, para evitar a falta de confiança entre os países observada no ano passado, quando vários textos secretos circulavam e reuniões fechadas entre poucas nações irritavam as que não haviam sido convidadas.

“Graças à boa vontade de vocês, a confiança voltou, a esperança voltou”, afirmou o presidente do México, Felipe Calderón, que chegou à reunião às 3h30 e fez um discurso.

Estados Unidos. Geralmente o vilão das negociações climáticas – por não ter ratificado o Protocolo de Kyoto e ser o maior emissor histórico de gases-estufa do mundo -, os Estados Unidos foram aplaudidos ontem quando Todd Stern, enviado especial do país para a mudança climática, afirmou na plenária: “Vamos fazer esse acordo”. A China, que é a maior emissora atual de CO2, também apoiou o documento e disse que continuará o esforço para o desenvolvimento limpo.

Connie Hedegaard, comissária da União Europeia para clima, contou que tinha medo de que nada fosse feito. “Podemos ter orgulho do que conseguimos, mas temos muitos desafios no caminho para a África do Sul”, disse Connie.

NEGOCIADORES

Pessoas que se destacaram durante a conferência:

Patricia Espinosa

Presidente da COP-16, é ministra das Relações Exteriores do México. Ovacionada pelos representantes dos países três vezes na sexta, foi chamada “transparente”. A forma como conduziu a reunião foi muito elogiada.

Christiana Figueres

A costa-riquenha é a secretária executiva da convenção. Teve participação discreta, se comparada ao antecessor, Yvo de Boer. Chamou menos a atenção e falou pouco com a imprensa.

Pablo Solón

Embaixador da Bolívia, é figura polêmica. Foi vaiado em uma plenária, bloqueou as negociações. É adepto do tudo ou nada.

Jairam Ramesh

O ministro indiano do Meio Ambiente parecia um astro pop, sempre cercado de jornalistas. Ganhou a simpatia dos EUA, Japão e Europa por sua liderança entre os países emergentes.

PARA ENTENDER

1. Limite de temperatura

O documento assinado na COP-16 reconhece a necessidade de cortar as emissões para limitar a elevação da temperatura a 2° C. Também diz que deve ser feita uma revisão desse objetivo para que o limite seja reduzido a 1,5° C. A análise deve começar em 2013 e ser concluída em 2015.

2. Fundo Verde

O texto cria o Fundo Verde, que será administrado pela Organização das Nações Unidas. O tesoureiro interino será o Banco Mundial, por um período de pelo menos três anos.

3. Financiamento de curto prazo

No chamado Fast Start Finance, os países desenvolvidos deverão desembolsar US$ 30 bilhões até 2012. Os recursos serão divididos em mitigação (corte de emissões) e adaptação (para os países se prepararem para as alterações climáticas). A prioridade dos recursos será para países mais vulneráveis, como as nações-ilhas e a África.

4. Financiamento de longo prazo

O documento reconhece que os países industrializados têm de mobilizar US$ 100 bilhões ao ano até 2020 para atender as necessidades dos países em desenvolvimento.

5. Desmatamento

Estabelece o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd), que visa compensar os países emergentes que preservam suas florestas.

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