Arquivo da categoria 'Energia Renovável'

ENERGIA EÓLICA

8/09/10

EPE prevê crescimento de uso de energia eólica no país

Juliana Ennes, do Rio
02/09/2010

A energia eólica está se tornando uma possibilidade real de manter o alto nível de participação de energias renováveis na matriz energética brasileira, acredita o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. O potencial desse tipo de energia no país pode chegar ao equivalente a 20 usinas de Itaipu.

Tolmasquim disse que nos leilões de fontes alternativas da semana passada, a energia gerada a partir dos ventos se mostrou bastante competitiva em termos de preço. Até então, tinha-se a visão de que a energia eólica era interessante ambientalmente, mas sua participação seria limitada devido ao elevado custo de produção quando comparadas às usinas hidrelétricas ou mesmo térmicas.
“O programa de incentivo às fontes alternativas de energia elétrica teve o mérito de trazer a fonte eólica para a nossa realidade”, disse o presidente da EPE, que participou ontem do Brasil Windpower, no Rio.
O potencial de energia eólica estimado para o Brasil é de geração de 143 mil megawatt (MW). No entanto, esse estudo foi feito para torres geradoras de energia de até 50 metros de altura. Mas a tecnologia atual já permite torres de mais de 100 metros, aumento do potencial estimado em quase duas vezes.

De acordo com o Plano Decenal de Energia, o Brasil precisará expandir a capacidade instalada de energia elétrica em mais 63 mil MW. Do total, 71% já foram contratados, incluindo-se a energia dos leilões da semana passada. A expectativa é que haja uma redução da participação da energia hidrelétrica, de 78% da matriz nacional para 70%. Mas o patamar de energias renováveis deve ser mantido, acredita Tolmasquim, ampliando a participação de fontes alternativas de 7% para 14%.

O barateamento dos equipamentos de energia eólica e as melhores condições de financiamento, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), quebraram o paradigma do setor e permitiram a ampliação de sua participação nos leilões.

Com isso, o presidente da EPE acredita que a energia eólica pode deixar de ser considerada uma fonte de reserva - contratada apenas como excedente para dar garantia ao sistema - e pode passar a disputar com a biomassa nas fontes alternativas, contratadas para atender às necessidades reais das distribuidoras de energia.

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28 de agosto de 2010

Energia eólica já é uma das mais competitivas do Brasil

Com preço médio de R$ 130,86 o MWh, fonte de energia bate até mesmo as térmicas movidas a gás natural

Renée Pereira - O Estado de S.Paulo

A forte disputa verificada nos leilões promovidos pelo governo federal esta semana pôs a energia eólica na lista das mais competitivas do Brasil, abaixo até do custo das térmicas movidas a gás natural, de cerca de R$ 140 o megawatt/hora (MWh). Na média, o preço da energia produzida com o vento foi negociada por R$ 130,86. No leilão do ano passado, cada MWh custou em média R$ 148,39.
“O resultado realmente surpreendeu a todos”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Ricardo de Maya Simões. Ele acredita que há várias fatores para explicar a forte disputa verificada no leilão, que contratou 2.892 MW de capacidade, sendo 70% desse montante de energia eólica.
Um dos fatores é a desaceleração da economia europeia, onde a construção de parques eólicos é tradicional.

Com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo menos, o consumo de energia cai e os projetos de geração são adiados. Isso reduz a demanda por novos geradores eólicos e derruba os preços dos equipamentos.
Nesse cenário, destaca Simões, o Brasil se tornou uma nova fronteira eólica no mundo, já que por aqui a demanda de energia elétrica continua em alta. A matriz, que até o ano passado era de 600 MW, deve pular para 4.454 MW de capacidade nos próximos três anos. “Além das multinacionais que já instalaram fábricas no País (Impsa, Alston e GE), outras empresas estão interessadas em construir novas unidades por aqui”, afirma o presidente da Abeeólica. Entre elas, estão a espanhola Gamesa, a dinamarquesa Vestas, a indiana Suzlon e investidores coreanos e chineses.

A argentina Impsa não só inaugurou uma unidade em Pernambuco, como tem apostado em novas usinas. Em parceria com o Fundo de Investimento com recursos do FGTS (FI-FGTS), vendeu 211 MW no leilão de dezembro do ano passado e 270 MW, no desta semana. O diretor-geral da empresa, Luis Pescarmona, explica que, além da crise europeia, as condições de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) melhoraram a competitividade dos projetos. O prazo dos empréstimos subiu de 14 anos para 16 anos.

Outro grupo que teve presença importante no leilão desta semana foi a joint venture entre Neoenergia e a espanhola Iberdrola. No total, eles venderam 258 MW, o que deve contribuir para a Neoenergia atingir 3 mil MW de potência instalada no País (já considerando a parcela de Belo Monte), afirma o presidente da empresa, Marcelo Corrêa. Em dois anos, diz ele, essa capacidade deverá subir para 5 mil MW.
Ricardo Simões, da Abeeólica, acredita que o Brasil tem grandes oportunidades para aumentar a participação dessa fonte renovável na matriz elétrica. “O potencial do País em energia eólica é de 300 mil MW”, diz ele, que também vendeu 90 MW de energia no leilão da empresa Brennand Energia. O executivo comenta que no Brasil o fator de capacidade de geração está na casa de 40%, ante 22% da Europa. Ou seja, aqui as unidades geram mais energia por MW instalado.

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ENERGIAS RENOVÁVEIS

30/08/10

Venda de energia eólica surpreende em leilão

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Aneel negocia 2.982,2 MW em fontes renováveis a R$ 26,9 bilhões, sendo 70% de energia produzida com ventos, que teve o preço reduzido

Renée Pereira, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Após dois dias de leilão, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) negociou 2.892,2 megawatts (MW) de energia elétrica em fontes renováveis, sendo 70% desse montante referente a usinas eólicas. No total, foram comercializados R$ 26,9 bilhões em contratos de 20 e 30 anos, válidos a partir de 2011, 2012 e 2013. O preço médio da energia negociada ficou na casa de R$ 133,56 o Mwh.

“O resultado deste leilão quebra uma série de paradigmas. Um deles foi a queda no preço da energia eólica, que ficou bem abaixo da PCH (pequenas centrais hidrelétricas) e da biomassa”, disse o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. O preço médio da eletricidade produzida com ventos ficou em R$ 130,86 ante R$ 144,20, da biomassa, e R$ 141,93, das PCHs.

O apetite dos empreendedores pela fonte eólica provocou uma das maiores disputas do leilão e contrariou a expectativa da maioria do mercado, que previa preço na casa de R$ 155.

No ano passado, a energia eólica já havia surpreendido ao ser vendida por R$ 148,39 o MWh, no primeiro leilão da fonte alternativa.

Nordeste

Na disputa de ontem, 70 usinas eólicas negociaram energia. Boa parte delas está no Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará e Rio Grande do Sul. Entre os vencedores, a espanhola Iberdrola foi uma das que mais venderam energia.

Mas o leilão teve outras participações de peso, como a estatal Chesf, Dreen (empresa da Galvão Engenharia, que está no consórcio de Belo Monte) e CPFL, além de outros grupos formados especialmente para construir usinas eólicas, como a Brenand e Renova.
Com o resultado de ontem, o parque eólico brasileiro, que já havia triplicado no leilão do ano passado, atingirá 4.647 MW de capacidade instalada - mais que uma usina do Rio Madeira. “Só temos razões para comemorar”, festejou Tolmasquim, destacando que o volume contratado esta semana responde à demanda que faltava para atender às distribuidoras em 2013 e 2014.

Além da eólica, o leilão também negociou 712,9 MW de energia de usinas de biomassa e 131,5 MW de PCHs, que representou 25% e 5%, respectivamente, do total negociado. São 12 usinas de biomassa e 7 PCHS. Todas as usinas que venderam energia no certame representarão investimentos de R$ 2,8 bilhões.
O leilão realizado pela Aneel foi dividido em dois: um de energia de reserva (para garantir a segurança do sistema) e outro de energia alternativa. No primeiro dia, as negociações foram interrompidas às 13h. Ontem, o leilão começou às 10h e terminou às 22h19.

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Fontes limpas já representam 62% da oferta nova na Europa

Sérgio Adeodato, para o Valor, de São Paulo
25/08/2010

O continente europeu, um dos principais blocos econômicos emissores de carbono no planeta, alcança recordes no investimento em energia renovável. De acordo com estudo do Joint Research Centre, da Comissão Europeia, quase dois terços da nova capacidade energética instalada na região em 2009 provém de fontes limpas. Delas derivam 20% do consumo total de energia, com destaque para a geração eólica, que no ano passado superou a meta estabelecida para 2010. Atingiu 74 gigawatts-hora (GWh), contra 40 GWh anteriormente planejados. Diante dos avanços, a European Wind Association tem agora o objetivo de triplicar essa capacidade até 2020.

Segundo o relatório “2010 Renewable Energy Snapshots”, a força dos ventos respondeu pela maior parcela (38%) da energia instalada nos países da Comunidade Europeia no ano passado, à frente das termelétricas a gás (24%), fotovoltaica (21%), biomassa (2,1%), incineração de lixo (1,6%) e hidrelétrica (1,4%). A meta europeia é consumir 20% de toda energia a partir de fontes renováveis até 2020, mas se o cenário dos investimentos permanecer como o atual, o compromisso poderá chegar a 40%, diz o estudo.

A Europa é o terceiro continente que mais gera energia eólica, atrás da Ásia e América do Norte. Alemanha, Espanha, Itália, França, Reino Unido e Dinamarca estão entre os dez maiores mercados globais dessa fonte energética. Em 2009, o mundo instalou 38 GW de potência eólica ao custo de US$ 64 bilhões, atingindo um total de 160 GW, capaz de suprir 2% da demanda global de eletricidade. A instalação de novos parques eólicos offshore em pleno oceano, no total de 454 MW de potência, ampliou em 1,2% a capacidade global.
Nos últimos sete anos, o mercado mundial cresceu sete vezes, tendo a dinamarquesa Vestas como maior fabricante, seguida da americana GE Wind. Correndo por fora, três das dez maiores indústrias do setor estão na China, onde existem mais de 70 empresas ligadas à fabricação de equipamentos para energia eólica.

Entre os países, os EUA estão na liderança, com capacidade instalada de 35,2 GW, à frente da China (26 GW), que dobrou a potência em dois anos. No ano passado, 82 países de todo o mundo exploraram comercialmente essa fonte alternativa, dos quais 49 expandiram suas instalações, de acordo com o estudo. O mercado europeu representou 27% da capacidade adicionada globalmente em 2009, enquanto em 2004 essa fatia foi de 75%, o que demonstra maior movimento dos demais continentes pela alternativa dos ventos. Dados da Organização Mundial de Energia Eólica mostram que o setor gera 550 mil empregos, com previsão de chegar a 1 milhão em 2012.

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Brasil e China devem fabricar biocombustíveis na África

30/08/10

23/08/2010

CIRILO JUNIOR
DO RIO

O Brasil prepara parceria com a China para fabricar biocombustíveis na África, a exemplo do que já faz com Estados Unidos e Europa, e a produção deve ser totalmente voltada para o mercado chinês, afirma o diretor do departamento de energia do Ministério de Relações Exteriores, André Lago.

“As conversas já foram iniciadas. O Brasil sabe das responsabilidades em relação à África, e tem procurado chamar outros países para desenvolver o continente”, afirmou à Folha, após participar do seminário “Mudanças Climáticas e Tecnologias Inovadoras para Energia”, promovido pela Coope/UFRJ.

A China pretende dobrar, nos próximos anos, a geração das chamadas novas energias, como biocombustíveis, a solar e a eólica. Com o projeto da África, o país asiático pretende emitir créditos de carbono para compensar a emissão de gases, cada vez maior diante do forte crescimento do país.
Lago disse que ainda não há definição sobre o país e qual projeto será instalado na África.

O ministro Samuel Pinheiro Guimarães (Secretaria de Assuntos Estratégicos) disse considerar a China um dos principais parceiros do país, pelo fato de ser um dos maiores produtores de ciência e tecnologia do mundo. Ressaltou que o Brasil vem desenvolvendo parcerias no setor energético com diversos países.
“Eles têm preocupação grande, têm emissões importantes de gases, por causa da utilização do carvão. Temos possibilidade de cooperação muito grande com outros países, inclusive com a China”, observou.

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Bioeletricidade vai reforçar a matriz energética no Brasil

18/08/10

Folha de S.Paulo
Sex, 09 de Julho de 2010

O consumo de energia elétrica no Brasil deve subir 9,4% em 2010, segundo a Empresa de Pesquisa Energética, acompanhando o avanço econômico do país. As projeções para o período de 2010 a 2018 indicam crescimento médio da demanda de 5,2% ao ano.

Nesse contexto, preparar a infraestrutura e diversificar o perfil da matriz energética nacional para torná-la mais robusta e sustentável é tarefa de todos.

A termogeração a partir do gás natural e carvão são fontes viáveis, mas provocam debate a respeito de sua sustentabilidade. As usinas eólicas participam mais efetivamente na matriz energética e constituem uma nova fonte de energia renovável, mas apresentam incerteza em relação à garantia de produção, pois dependem unicamente do regime de ventos, variável ainda pouco dominada pelos investidores.

Já a geração de energia a partir da biomassa de cana, um recurso de utilização imediata, é fonte renovável e complementar à hídrica. A produção ocorre principalmente no período de seca, quando as usinas apresentam limitações no volume de seus reservatórios de água.

O Brasil tem cerca de 450 usinas de etanol, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar, grande parte na região centro-sul, maior consumidora de energia.

Mas apenas 22% exportam energia para o sistema elétrico, contribuindo com 2% do consumo anual. Essa capacidade deve ser otimizada. É preciso investir para elevar a produção e a eficiência dessas usinas, tornando-as aptas a gerar energia não só para consumo próprio, mas para fornecimento ao sistema nacional.

Segundo estimativa do setor, até a safra de 2017/18, se toda a biomassa de cana disponível for aproveitada, a bioeletricidade gerada será equivalente a um volume de energia próximo ao da usina hidrelétrica de Itaipu.

A geração de energia a partir de biomassa apresenta importantes vantagens: ambientais, com baixos níveis de emissão de gases de efeito estufa; geração descentralizada, elevando a segurança do sistema de fornecimento; e a proximidade dos centros de consumo, reduzindo custos para a população.

Assim, a geração a partir da biomassa se apresenta como a alternativa mais sustentável para assegurar a diversificação das fontes no Sistema Elétrico Nacional. Para que investidores e toda a cadeia produtiva acompanhem o crescimento da demanda, é necessário criar uma política nacional que integre a energia de biomassa na matriz energética.

Também é preciso estruturar uma agenda de médio e longo prazos de leilões para fontes renováveis e estimular condições de financiamento e incentivos fiscais para que a bioenergia se torne, além de limpa, mais competitiva.

JOSÉ CARLOS GRUBISICH é presidente da ETH Bioenergia.

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