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Mineração

27/11/11

Potencial geológico dobra interesse de mineradoras

Por De São Paulo

“Como centro de poder geológico e mineral o continente africano deveria passar a ser visto com interesse redobrado pelas mineradoras brasileiras”, defende o consultor José Mendo de Souza, presidente da J. Mendo Consultoria. “Mas o despertar da África, para nós brasileiros, depende em primeiro lugar de se compreender que esse continente é muito mais complexo do que parece à primeira vista e onde a maioria dos países é composta por uma elite altamente sofisticada no vértice e por tribos beligerantes na base.”

Mendo de Souza conta que em suas andanças profissionais pela África captou que há uma grande vantagem para os investidores que falam inglês ou francês, pelo fato de muitos países africanos terem sido colonizados tanto por Inglaterra e França, como por outras potências da Europa. “Os países de língua portuguesa não são os mais desenvolvidos da África e nem mesmo os que têm maior potencial geológico – com algumas pequenas exceções, como Angola, rica em diamantes.”

Ele cita o modelo colonial dos ingleses, que sempre tiveram a competência de transformar seus inimigos internos – nas regiões que dominaram mundo afora – em membros da British Commonwealth. Com isso, ao acabar o período colonial, foi possível conservar o figurino inglês nas instituições locais. “Toda vez que uma empresa vai investir num país que não seja o seu próprio, o maior obstáculo a ser transposto é o arcabouço jurídico legal e, como os ingleses deixaram preservado o seu modelo depois da partida, os investidores de centros mais adiantados tiveram mais facilidade de atuar em tempos pós-coloniais.” Segundo o consultor, o caso dos portugueses foi oposto: eles deixaram suas colônias africanas institucionalmente despedaçadas.

Além da Vale, que se internacionalizou a partir da privatização, e já atua com sucesso em vários países da África, Souza destaca que foi a experiência da Odebrecht em gestão territorial internacional e gestão de diversidade cultural, o que a levou a ser bem-sucedida em projetos angolanos, como o de Catoca, de mineração de diamantes. Nesse projeto, relata o consulor, o grande acionista é uma estatal angolana, a Empresa Nacional de Diamantes de Angola (Endiama), com participação de uma estatal russa, a Alrosa, na parte de tecnologia da produção, de um grupo israelense, a Daumonty Financing Company em comercialização, e da Odebrecht na área administrativa – aliança que combinou bem as especialidades de cada um.

Sobre os minerais mais indicados para o Brasil explorar na África, Souza afirma que, como há uma certa semelhança entre o ambiente geológico brasileiro e o africano, é interessante focar negócios em itens que os brasileiros produzem de forma abundante – casos do minério de ferro e da bauxita. Já em relação à cromita (utilizada na fabricação de material refratário e na obtenção de cromo metálico) e do cobalto, seria desejável que os brasileiros se tornassem mais ativos na exploração das jazidas africanas. “No Brasil não temos áreas de cromita como aquelas que os africanos já descobriram e exploram a plena carga”, diz. O mesmo ocorre com o carvão coqueificado de Moçambique, que todos os estudos apontam como investimento promissor. Em relação ao diamante, o consultor lembra que o Brasil ainda não encontrou jazidas tão férteis como as que existem em Angola. (J.G.)

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Mineração

20/06/11

Bahia vira novo polo de mineração do País

Os investimentos em novas minas já anunciados no Estado chegam a R$ 10 bilhões nos próximos três anos, mas podem alcançar o dobro

13 de junho de 2011 | 0h 00

Tiago Décimo – O Estado de S.Paulo

Ferro, níquel, ouro, bauxita, até o raríssimo tálio, hoje explorado comercialmente em apenas dois pontos do mundo (China e Casaquistão), entre outros 30 minerais, fazem da Bahia o local mais procurado do País pelas mineradoras. Os investimentos já assegurados em novas minas para os próximos três anos chegam a R$ 10 bilhões, mas podem alcançar o dobro, com a conclusão de estudos de viabilidade que estão sendo realizados.

Nos últimos quatro anos (2007-2010), o número de requerimentos de área para pesquisa mineral no Estado, feitos ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), chegaram a 14,5 mil, desbancando Minas Gerais, com 13,2 mil. No mesmo período, a produção mineral comercializada pela Bahia dobrou, passando de R$ 850 milhões para R$ 1,7 bilhão por ano.

“É o melhor momento da história da mineração do Estado”, diz o diretor técnico da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Rafael Avena Neto, há 36 anos na estatal. “Temos o maior potencial em termos de novas minas no País.”

Uma conjunção favorável de fatores levou a Bahia ao forte desenvolvimento da atividade de mineração. A alta dos preços das commodities, impulsionada pela demanda da China, fizeram com que reservas conhecidas, mas antes desprezadas por conter concentrações menores de minérios, voltassem a ser comercialmente atrativas.

O esforço do Estado para mapear geologicamente seu solo também contribui. “Temos praticamente toda a Bahia já mapeada, por meio de estudos aerogeofísicos”, afirma o secretário estadual de Indústria, Comércio e Mineração, James Correia. A CBPM gasta R$ 6 milhões por ano para estudar potenciais reservas minerais.

Os investimentos previstos fazem a Bahia, que ocupa a quinta colocação no ranking da produção mineral do País, almejar o terceiro lugar, atrás de Minas Gerais e do Pará. “Temos a ideia de chegar a essa posição em, no máximo, dez anos”, diz Correia. “No cenário nacional, a grande novidade na mineração é a Bahia.”

Investimentos. A Bahia Mineração (Bamin), responsável pelo maior investimento individual já confirmado no Estado (US$ 2,3 bilhões nos próximos três anos), prepara-se para extrair minério de ferro da região conhecida como Pedra de Ferro, do município de Caetité, a 757 quilômetros de Salvador.

O potencial da área já é conhecido há anos, mas o reduzido teor de minério não justificava o investimento. A região ficou esquecida até que o geólogo baiano João Carlos Cavalcanti fez novos estudos na área em 2004. Com uma cotação do minério mais atrativa, suas análises chamaram a atenção das empresas.

Em 2008, a mina foi assumida pela Eurasian Natural Resources Corporation (ENRC), empresa com sede em Londres e origem no Cazaquistão, controladora da Bamin. As primeiras análises apontaram um potencial produtivo de 398 milhões de toneladas de minério de ferro, mas já há indícios de que pode ser 50% maior. A estimativa inicial do Projeto Pedra de Ferro é produzir 19,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

As obras civis da mina, porém, ainda não começaram. Segundo o vice-presidente executivo da Bamin, Clóvis Torres, só serão iniciadas depois que começar a construção do controverso Porto Sul, nos arredores de Ilhéus. “A garantia de escoamento da produção é fundamental”, diz. A previsão é que o início das operações ocorra em 2014.

Se o maior investimento em mineração no Estado ainda está na fase de projeto, o segundo maior, de US$ 800 milhões, feito pela Mirabela Mineração do Brasil, subsidiária do grupo australiano Mirabela Nickel, já está em funcionamento.

A empresa opera, desde 2009, em Itagibá, a 370 quilômetros da capital, a Mina Santa Rita, a segunda maior de níquel a céu aberto do mundo. A Mirabela anunciou recentemente que as reservas são maiores do que as estimadas, devendo chegar a 159 milhões de toneladas (570 mil toneladas de níquel contido).

A descoberta aumentou a vida útil da mina em quatro anos, de 19 para 23. Toda a produção até 2014 já está vendida, metade para o mercado nacional (Votorantim Metais), metade para a finlandesa Norislk Nickel.

Por processo semelhante de arrendamento, a canadense Yamana Gold vai explorar sua primeira mina de ouro a céu aberto no Estado, no município de Santa Luz, no centro-norte baiano. A empresa já opera duas minas em Jacobina e Barrocas, na mesma região.

A construção da mina, que tem previsão de produção de 100 mil onças anuais de ouro, começou em 2009 e a exploração deve ser iniciada no ano que vem. O investimento é estimado em US$ 70 milhões.

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Mineração

9/05/11

Lucro da Vale salta 292% no 1º trimestre e soma R$ 11,3 bilhões

Companhia continuou a se beneficiar do novo sistema trimestral de preços do minério de ferro

05 de maio de 2011 | 18h 30

Chiara Quintão e Luana Pavani, da Agência Estado

SÃO PAULO – A Vale registrou lucro líquido de R$ 11,291 bilhões no primeiro trimestre deste ano, um crescimento de 292,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foi de R$ 2,879 bilhões, no padrão contábil IFRS. A receita líquida cresceu 82,67% para R$ 22,985 bilhões, ante R$ 12,583 bilhões no primeiro trimestre de 2010.

A geração de caixa medida pelo Ebitda subiu 188,2%, para R$ 15,517 bilhões, ante R$ 5,385 bilhões no primeiro trimestre do ano passado. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 268 milhões, contra despesa de R$ 1,337 bilhão no primeiro trimestre de 2010.

No padrão contábil norte-americano (US GAAP), o lucro líquido obtido pela Vale no primeiro trimestre deste ano, de US$ 6,826 bilhões, foi recorde. O valor superou em 13,1% o recorde anterior, de US$ 6,038 bilhões. Ante o mesmo período do ano passado, o resultado representa um crescimento de 325,6%. A receita líquida dobrou, para US$ 13,213 bilhões, de US$ 6,604 bilhões no primeiro trimestre de 2010.

Já a geração de caixa medida pelo Ebitda subiu 221,4% no critério ajustado (excluindo variações monetárias e equivalência patrimonial de coligadas, entre outros) para US$ 9,176 bilhões, ante US$ 2,855 bilhões no mesmo intervalo do ano passado. O valor também foi recorde, ficando 3,5% acima da marca anterior, obtida no quarto trimestre de 2010. Se desconsiderados os ganhos não recorrentes, o Ebitda ajustado passa a ser de US$ 7,663 bilhões e é também o mais elevado para um primeiro trimestre, ainda de acordo com o relatório da companhia.

As vendas de minerais ferrosos – minério de ferro, pelotas, manganês e ferro ligas -, no valor de US$ 9,365 bilhões de janeiro a março, foram as maiores para um primeiro trimestre, também informou a companhia.

Sistema trimestral

No primeiro trimestre deste ano, a Vale continuou a se beneficiar do novo sistema trimestral de preços do minério de ferro. Foi o quarto trimestre em que os preços contratuais do minério foram reajustados no novo modelo, que entrou em vigor em 1º de abril do ano passado. No fim de fevereiro, o diretor de Marketing, Vendas e Estratégia da Vale, José Carlos Martins, informou que os preços contratuais do minério no primeiro trimestre ficaram 15% acima dos registrados no quarto trimestre de 2010.

O cenário de aperto entre oferta e demanda da matéria-prima vem se refletindo nos preços à vista (spot) no mercado chinês. O cálculo do reajuste que vigorou no período de janeiro a março de 2011 foi feito a partir da média das cotações do mercado spot da China de setembro a novembro de 2010, levando-se em conta fatores como qualidade do minério e frete. Desde a adoção do novo sistema, o único reajuste negativo foi o fechado para o quarto trimestre de 2010.

No primeiro trimestre, as atenções do mercado se voltaram não só ao preço do minério e de outras commodities em que a Vale atua e ao desempenho operacional da companhia, mas também aos rumores e especulações a respeito da substituição de Roger Agnelli no cargo de diretor-presidente da companhia. O desfecho da história ocorreu no dia 4 de abril, quando os acionistas controladores da Valepar – Litel, Bradespar, BNDESPar, Mitsui e Elétron – indicaram Murilo Pinto de Oliveira Ferreira para o cargo de diretor-presidente da companhia, a partir de 22 de maio, quando termina o mandato de Agnelli.

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Mineração

2/05/11

Gigante do ouro compra mineradora

25/04/2011

Folha de S. Paulo

Barrick Gold, maior produtora de ouro do mundo, adquire empresa canadense-australiana Equinox por US$ 7,7 bi

Proposta supera oferta de empresa chinesa; com a diversificação, Barrick quer posto entre as maiores do setor

BERNARD SIMON

DO “FINANCIAL TIMES”, EM TORONTO

A Barrick Gold, maior produtora mundial de ouro, anunciou ontem um acordo para comprar a Equinox Minerals, mineradora de cobre canadense-australiana, por 7,3 bilhões de dólares canadenses (US$ 7,66 bilhões, cerca de R$ 12 bilhões).

A Equinox havia sido alvo de uma oferta hostil pela chinesa Minmetals Resources no início do mês. A Barrick ofereceu 8,15 dólares canadenses por ação, ante sete dólares canadenses por ação propostos pela Minmetals.

De acordo com uma fonte próxima à Barrick, a companhia adotou a posição de que precisa se diversificar para conquistar uma posição de destaque entre as maiores mineradoras mundiais, como BHP Billiton e Rio Tinto.

A aquisição ocorre em meio a uma forte alta de preço das commodities, influenciada pelo aumento da demanda e pelo enfraquecimento do dólar. O ouro acumula alta de 30% neste ano em Nova York; o cobre subiu 22% no mesmo período.

Aaron Regent, presidente da Barrick, informou em comunicado que a aquisição “acrescentaria um ativo de alta qualidade e vida longa à nossa carteira e é compatível com nossa estratégia de elevação de nossas reservas de ouro e cobre por meio de exploração e aquisições”.

PRODUÇÃO NO CHILE

A Barrick já produz quantidades significativas de cobre em sua mina Zaldivar, no Chile, e o projeto Cerro Casale, também no Chile, deve aumentar os volumes.

Craig Williams, presidente da Equinox, disse que a oferta da Barrick é “superior à proposta pública apresentada pela Minmetals, em termos de certeza e de valor”.

A Minmetals está entre as maiores companhias chinesas de comércio de metais e vem sendo uma das mais audaciosas do país em transações internacionais.

No entanto, a Barrick espera que a Minmetals relute em se envolver em uma prolongada disputa internacional pelo controle acionário da Equinox, disse uma fonte próxima à empresa.

Além disso, a Barrick considera que sua oferta tem mais chance de obter aprovação do governo canadense.

O acordo com a Equinox seria a maior transação arrematada em dinheiro entre as 17 aquisições conduzidas pela Barrick desde que surgiu como uma pequena companhia de exploração de petróleo e gás natural, em Ontário, no começo dos anos 80.

A Barrick anunciou que dispunha de caixa e linhas de crédito suficientes para bancar a aquisição, o que incluía um empréstimo-ponte e linha de crédito rotativo no valor de US$ 5 bilhões.

A Equinox aceitou uma cláusula de indenização de 250 milhões de dólares canadenses, que ela pagaria à Barrick caso aceite proposta de outro interessado.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

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