Arquivo da categoria 'Sustentabilidade e Negócios'

SUSTENTABILIDADE

26/07/10

Indústria investe para descobrir quem é mais ‘verde’

Christina Binkley, The Wall Street Journal
22/07/2010

Os seus Nikes são mais verdes que os seus Adidas? Em breve vai ser possível responder a essa pergunta, se os fabricantes conseguirem o que querem.

Um grupo de cerca de cem marcas e varejistas de roupas conhecidas desenvolveu uma ferramenta de software para ajudá-las a medir o impacto ambiental de suas roupas e calçados, do material bruto à lata do lixo. Basicamente, as empresas esperam apresentar uma espécie de “valor ecológico” nas etiquetas ou embalagens, algo como uma etiqueta do Inmetro para sustentabilidade.

O Índice Eco vai ser lançado no mês que vem na Outdoor Retailer, uma feira de negócios de roupas para esportes de aventura em Salt Lake City, nos Estados Unidos. A ideia é dar aos fabricantes uma forma comum de olhar o impacto ambiental e de direitos humanos quando desenham seus produtos.

Os consumidores não poderão ver imediatamente como as marcas se classificam. As empresas não informam exatamente quando estarão prontas para apresentar ao público o Índice Eco, no qual estão trabalhando há três anos. Mas, em algum momento, ele poderá ajudar os consumidores a saber quão verdes são as roupas.

A sustentabilidade já provou ser um poderoso motor do consumo de todos os tipos de produto - de carros Prius a diamantes produzidos sem conflitos. Também é uma maneira eficaz de atrair clientes para novos produtos.

É claro que nenhum índice ecológico vai convencer as pessoas a usar roupas que não sejam atraentes, não importa quão verdes elas sejam. Mas uma classificação positiva pode facilitar a decisão entre um par de calças Levi’s ou Wranglers - ou atrair o crescente número de consumidores preocupados com o meio ambiente para novas marcas.

Ainda estamos bem longe de saber qual o Índice Eco de um par de Jimmy Choo: nenhuma marca de luxo está envolvida, de acordo com o grupo. As empresas mais sofisticadas têm demorado para se envolver com novas tendências de varejo (das vendas on-line à mídia social) considerando que o apelo delas é outro: o luxo.

Mas a coalizão que participa do índice inclui uma vasta área da indústria de roupas. Entre as marcas estão Levi Strauss & Co., Nike Inc., Adidas AG. e Timberland Co., além de varejistas de massa como a Target Corp.,segundo informam as empresas e comitês de grupos da indústria.

A produção da indústria da roupa tem enormes consequências globais. A fabricação do couro normalmente envolve químicos tóxicos. A produção de tecidos sintéticos, como o poliéster, usa grandes quantidades de petróleo e outros materiais que liberam compostos voláteis. Algumas roupas circundam o globo duas vezes antes de chegar às redes varejistas.

Cada vez mais, os ambientalistas acham que deveríamos contar também os custos na ponta final das roupas: a lata de lixo. Os americanos jogaram fora 12,4 milhões de toneladas de têxteis em 2008 - um número que está crescendo mais rapidamente que outras fontes de lixo, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental do governo americano. Os hábitos de consumo nos EUA eram bem mais sustentáveis em 1960, quando jogavam fora apenas 1,8 milhão de toneladas de têxteis.

O Índice Eco, que é basicamente uma ferramenta de software que qualquer fabricante de roupas pode usar, apresenta uma série de questões sobre as práticas ambientais e trabalhistas das empresas - algumas das quais dependem de respostas dos fornecedores.

As questões cobrem todos os passos da vida de um produto - produção da matéria-prima, fabricação, distribuição e até mesmo descartes. Por exemplo, a Levi’s ganha pontos por ter um programa de reciclagem de seus jeans e a Timberland ganha pontos por usar curtumes com sistemas de purificação da água.
Segundo as companhias, pontos são perdidos pelo uso de materiais volumosos de empacotamento ou pelo transporte dos produtos por longas distâncias.

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INFRAESTRUTURA

26/07/10

Brasil deve investir R$ 55,7 bi em ferrovias

22/07/2010

Estudo inclui o trem-bala e prevê que quase metade dos investimentos previstos para o período de 2010 a 2013 será financiada pelo BNDES

Alexandre Rodrigues / RIO - O Estado de S.Paulo

Incrementado pela definição do edital de licitação do Trem de Alta Velocidade (TAV) Campinas - São Paulo-Rio, o volume de investimentos no setor ferroviário deverá alcançar R$ 55,7 bilhões entre 2010 e 2013. A estimativa é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que projeta financiar quase a metade desse montante: R$ 25,7 bilhões.
Segundo Dalmo Marchetti, gerente do Departamento de Transporte e Logística do BNDES, os investimentos do setor estacionados na casa dos R$ 4 bilhões por ano deverão subir para R$ 6 bilhões anuais a partir deste ano. Tirando os R$ 33 bilhões estimados para o TAV, o setor ferroviário de cargas deverá investir R$ 24,7 bilhões até 2013. Pelo levantamento de projetos do BNDES, cerca de 36% desses recursos irão para a expansão da malha atual de 29 mil quilômetros.
Nova fase. Para o técnico do BNDES, após as concessões privadas, no fim da década de 90, e o ciclo de investimentos em ganhos de produtividade, o setor ferroviário de cargas entra numa terceira fase de desenvolvimento a partir de agora.
Embora a velocidade média ainda seja considerada baixa, as tarifas e o volume transportado por quilômetro têm subido, capitalizando as empresas para investir em expansão.
Segundo a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), o volume transportado por trilhos entre 1997 e 2009 aumentou 77,4%. A projeção para este ano é de 280 bilhões de toneladas por quilômetro útil. Os investimentos nas malhas concedidas devem somar este ano R$ 2,86 bilhões.
“A produção do setor tem aumentado 7% ao ano ao longo da última década e o investimento cresce mais rápido, 15% ao ano. Com os projetos de expansão, essa taxa vai acelerar ainda mais”, diz Marchetti.
O levantamento do BNDES estima que a as concessionárias participarão com 37% dos investimentos previstos. Já o governo, que quer expandir a malha para 40 mil quilômetros até 2020, deve contribuir com 20%. Quatro projetos da estatal Valec lideram a expansão da malha ferroviária: a Ferrovia Centro-Oeste, a Oeste-Leste, a ampliação da Norte-Sul, e a ligação Panorama-Porto Murtinho. Juntos, eles somam quase 10 mil quilômetros.
Os investimentos da Valec não terão financiamento do BNDES, mas o banco já apoia obras da iniciativa privada, como a Transnordestina e a expansão da Ferronorte. Deverá também financiar outros projetos em planejamento, como o Ferroanel de São Paulo, que contorna a região metropolitana. Até 2013, o BNDES projeta um crescimento de pelo menos 24% da malha atual.
“É uma expansão bastante significativa, se analisarmos que até 2007 não havia crescimento. A distância média do transporte em ferrovia é de 550 quilômetros. O transporte rodoviário é muito competitivo em distâncias maiores. A expansão do sistema é importante para aumentar a inserção da ferrovia no transporte de longa distância”, observa Marchetti.
Para o BNDES, o novo ciclo de investimentos em ferrovias colocará os desembolsos do banco para o setor em outro patamar. Entre 2004 e 2008, o banco liberou R$ 4,2 bilhões para ferrovias, participando de 29% do conjunto de investimentos. Agora, prevê R$ 7 bilhões até 2013 apenas para o setor ferroviário de carga.
Segundo Marchetti, a missão de financiar 60% do valor estimado para o TAV não ameaçará a perspectiva de desembolsos do banco para o setor de carga.
O vencedor da licitação deverá tomar R$ 19,9 bilhões no BNDES para tirar o trem-bala do papel, mas o banco espera contar com ajuda da União para fazer frente ao projeto.
Com os investimentos esperados pelo BNDES e o TAV, o setor ferroviário deverá responder por 52% dos investimentos do País em logística até 2013, estimados em R$ 106,6 bilhões.
O BNDES deve financiar R$ 46 bilhões do total mapeado para transportes. O restante irá para portos (14%) e rodovias (34%).

PRESTE ATENÇÃO
1. Avanço. Segundo a ANTF, a produção do setor aumentou 77,4% entre 1997 e 2009, quando atingiu 243,3 bilhões de toneladas por quilômetro útil.
2. Investimento. Entre 1997 e 2009, as concessionárias do setor investiram R$ 20,96 bilhões nas malhas sob operação privada.
3. Custo. Estimado em R$ 33,1 bilhões, o trem-bala que ligará Campinas, São Paulo e Rio consumirá 29% do investimento em logística do País mapeado pelo BNDES até 2013.
4. Modernização. Do investimento total de R$ 24,7 bilhões previstos pelo BNDES para o setor ferroviário de carga, 64% serão destinados à modernização da malha existente e renovação da frota.

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MINERAÇÃO

26/07/10

Vale investe R$ 13,8 bi em logística de exportação de minério de ferro

Qui, 22 de Julho de 2010

(Fonte: Folha de São Paulo/PEDRO SOARES/DA SUCURSAL DO RIO)

Cifra será destinada a ampliar e melhorar a estrutura de escoamento da produção da empresa

Valor é quase o triplo do destinado pelo PAC 2 aos portos; obras serão na ferrovia de Carajás e em porto no Maranhão

A Vale vai investir em um projeto de infraestrutura US$ 7,8 bilhões (R$ 13,8 bilhões) até 2015, quase o triplo do que o governo reservou no PAC 2 para melhorias nos portos -R$ 5,2 bilhões.
Os recursos são destinados à extensão e à duplicação da ferrovia de Carajás e à construção de um novo píer no terminal marítimo de Ponta da Madeira (MA), porto pelo qual a mineradora escoa a maior parte de sua produção de minério de ferro.
Os investimentos integram a parte de logística do projeto da nova mina de Carajás Serra Sul, que inicialmente prevê a extração de 90 mil toneladas de minério de ferro ao ano até 2015 -hoje, a capacidade total da companhia está pouco acima de 300 mil toneladas/ano.
Ao todo, o empreendimento está orçado em US$ 11,297 bilhões -o maior da história da Vale.
Os investimentos na ferrovia e no porto já preveem uma expansão futura da nova mina -que fica próxima da atual jazida de Carajás- e antecipam um crescimento da demanda pelo produto.
“Investimos fortemente em logística para gerarmos capacidade suficiente de atendimento às novas demandas que virão”, disse Mauro Neves, diretor de Planejamento e Desenvolvimento da Vale.
Pelo projeto, a Vale vai ampliar em 100 km a ferrovia de Carajás para conectá-la à nova mina. Também vai duplicar 605 km de trilhos, com o objetivo de aumentar a capacidade de transporte de minério de ferro -produto que corresponde a 35% do volume movimentado nos portos brasileiros.
Só o novo píer consumirá US$ 1 bilhão e permitirá o atracamento dos supernavios de carga da China. Terá 25 metros de profundidade e capacidade de carregamento simultâneo de dois navios. A obra estará pronta em 2014.
Ao todo, o terminal portuário receberá investimentos de US$ 2,6 bilhões até 2015 para aumentar a capacidade de embarque para 230 mil toneladas de minério de ferro até 2015 -em 2009, foram movimentados 87,3 milhões de toneladas.

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FUNDOS AMBIENTAIS

26/07/10

Aplicação de R$ 389 milhões irá para três fundos; energia renovável é uma das áreas

17 de julho de 2010

Folha de S.Paulo

JANAINA LAGE
DO RIO

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) faz planos para fomentar o mercado de fundos ambientais.

O banco está investindo R$ 389 milhões em três fundos voltados para empresas de energia renovável, reflorestamento e projetos que possam gerar créditos de carbono (certificados que indicam a redução na emissão de gases do efeito estufa e que podem ser negociados no mercado internacional).

Segundo Otávio Lobão, chefe do departamento de Operações de Meio Ambiente do BNDES, o banco já tinha empréstimos nos moldes tradicionais para esses segmentos, mas identificou a necessidade de aportar capital por meio da compra de participações em empresas com potencial de crescimento.
“Faltava investimento acionário. Queremos ter uma carteira de seis a sete fundos na área ambiental”, disse.

FUNDOS DE PENSÃO
Na prática, além do BNDES, os principais investidores são os fundos de pensão (previdência complementar privada ligada a empresas) e grandes companhias, como a Vale.
Segundo Lobão, o prazo desses fundos é, em geral, de oito a dez anos, e não é possível retirar o dinheiro antes desse período. O perfil de longo prazo acaba inibindo a entrada de mais empresas privadas como investidores, embora não existam restrições à sua participação.

A gestão dos fundos é feita por empresas selecionadas em chamada pública. Cabe a elas o papel de selecionar e acompanhar projetos ou empresas que estão de acordo com o perfil do fundo.
A primeira a receber recursos do FIP Caixa Ambiental, um dos fundos nos quais o BNDES investe, é a Renova Energia, que atua no setor de energia renovável com PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) e usinas eólicas.
A empresa foi a grande vencedora do primeiro leilão de energia eólica, realizado em dezembro.
A empresa fez uma oferta pública inicial de ações nesta semana que movimentou R$ 172,5 milhões. Os papéis saíram por R$ 15, valor do piso da oferta.

No caso do FIP Vale Florestar, em que o BNDES investe com a mineradora, o Petros e o Funcef, o foco é a recuperação de floresta degradada.
A área de ambiente do BNDES ainda é recente -foi criada no início de 2009.
No ano passado, o banco foi alvo de críticas por ter apoiado frigoríficos suspeitos de comercializar gado criado em áreas desmatadas.
Logo em seguida, anunciou aumento das exigências socioambientais para empréstimos e participação em empresas do setor.

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