Arquivo da categoria 'Recursos Hídricos'

Sustentabilidade

26/09/11

Ações sustentáveis reduzem custos das companhias

Por Luciana Seabra, Vanessa Dezem e Daniela Chiaretti | De São Paulo

Ricardo Rolim, da Ambev, aguarda sinal verde da Anvisa para levar uma garrafa PET 100% reciclada aos mercados

Veja também: Uma boa Gestão dos Recursos Hídricos pode gerar grande economia para empresas

A Ambev, quarta maior cervejaria do mundo, mapeou seu gasto de água desde a plantação de cevada até o instante em que a lata de cerveja chega à geladeira do consumidor – e conseguiu reduzir em 27,2% o volume gasto para produzir cada litro de cerveja. A fabricante alemã de softwares corporativos SAP economizou US$ 170 milhões em três anos, com ações de sustentabilidade. Os ganhos fizeram eco em sua cadeia de clientes: a Nike reduziu em 10% o consumo de energia, a Goodyear, em 47% e a economia do Walmart foi de 20%. (mais…)

Economia de água vira moda em casa e nas companhias

29/08/11

25/08/2011 – Fonte: Valor Online

Por Salete Silva – Especial

Krakoff, presidente da Toto Brasil: há seis meses no país, empresa dobrou a previsão de vendas para o mercado nacional

As empresas trabalham num ritmo acelerado para atender ao aumento de encomendas e oferecer tecnologias inovadoras para reduzir gastos com água. As vendas crescem acima da média do Produto Interno Bruto (PIB), mas o mercado está mais exigente com a chegada ao Brasil dos maiores players mundiais do setor. Eles trazem na bagagem novas tecnologias e preços competitivos.

As vendas de aparelhos sanitários verdes produzidos pela Deca, empresa com 60 anos e líder nacional no setor de metais e louças sanitários, crescem de 24% a 26% ao ano, o dobro da evolução do faturamento dos equipamentos convencionais. O aumento reflete o maior número de pedidos e os investimentos em tecnologia para atender às novas demandas do mercado, segundo Flávio Soares, diretor de marketing.

“O desafio é criar um produto econômico sem diminuir o conforto”, analisa. Seguindo essa tendência, a companhia prioriza o desenvolvimento de tecnologias para elevar o bem-estar do consumidor, apesar do menor fluxo de água dos equipamentos. Esse é o conceito, por exemplo, das torneiras com vazão automática que transferem para o usuário a decisão sobre o volume de água a ser usado.

A concorrência também amplia o portfólio de produtos verdes para empreendimentos comerciais e empresariais. A Docol, pioneira no país nesse segmento, mantém uma linha exclusiva para obras públicas, comerciais e empresariais, a DocolMatic. “Os equipamentos podem reduzir em até 70% o consumo da água”, diz Guilherme Bertani, diretor comercial da empresa.

As válvulas de descarga Salvágua, por exemplo, com acionamento total e parcial, economizam, segundo ele, até 30% de água em relação às convencionais. Além das vedetes do portfólio, como as torneiras Pressmatic e as válvulas de descarga e de mictório, e dos restritores de fluxo de água – verdadeiros campeões de venda -, a companhia oferece produtos para regulagem de torneiras, chuveiros e válvulas de descarga.

Os fabricantes nacionais começam a sofrer a concorrência mais acirrada dos estrangeiros, atraídos pelo aquecimento dos negócios no Brasil e em busca de novos clientes para compensar a redução dos negócios na Europa e nos Estados Unidos. Indústrias, como a japonesa Toto, a alemã Gansgrhoe e a norte-americana Delta Faucet são algumas das multinacionais que disputam a preferência dos consumidores brasileiros.

Há menos de seis meses no país, a Toto, considerada a maior fornecedora de aparelhos para banheiros, com produção de 7 milhões de bacias sanitárias por ano, dobrou a projeção de vendas iniciais para o Brasil, segundo o presidente David Krakoff. Uma das principais novidades apresentadas pela companhia japonesa são as bacias sanitárias que gastam 4,5 litros de água para enviar dejetos sólidos à rede de esgoto – as mais econômicas comercializadas no mercado interno utilizam 6 litros de água para a mesma função.

Os dois principais eventos mundiais esportivos, a Copa do Mundo e a Olimpíada, vão contribuir para aquecer mais o mercado de equipamentos verdes, na avaliação de Krakoff. “O Brasil vai receber visitantes de todas as partes do mundo, com expectativas de encontrar empreendimentos como hotéis e estádios modernos”, afirma. Segundo ele, a tendência é que multinacionais dos mais variados segmentos lancem equipamentos inovadores no mercado.

É o caso da alemã Techem, líder europeia na prestação de serviços de medição individualizada de consumo de água. Há cinco anos no país, a empresa, especializada em oferecer informação sobre o gasto de água aos clientes, inovou ao utilizar hidrômetros com rádio frequência, a tecnologia mais avançada nesse serviço. O equipamento permite detectar problemas, como vazamentos, o que possibilita acompanhar as características de consumo de cada apartamento.

“O mercado passou por grande transformação desde 2006 quando a Techem iniciou as atividades no Brasil”, avalia o gerente-geral da empresa, Eduardo Lacerda. “Naquela época, nem se falava em medição individualizada e muito menos em hidrômetro com rádio frequência”, acrescenta. Há hoje, segundo ele, cerca de 30 mil edifícios comerciais e residenciais com conta individualizada em São Paulo.

Esse movimento explica o crescimento contínuo dos negócios. “A expectativa é elevar o faturamento este ano em 50%”, prevê o gerente. Parte desse crescimento deverá ser decorrente da introdução de novos equipamentos, entre os quais um medidor que calcula a variação de temperatura da água do ar condicionado, mensura o volume de água utilizada e indica o gasto total do equipamento. “Trata-se de um aparelho que também ajuda a reduzir o consumo de energia elétrica, responsável por 30% dos custos de manutenção de um condomínio”, explica.

Essa onda verde no setor imobiliário alcançou projetos e produtos utilizados na estrutura dos edifícios. Empresas especializadas nesse setor investem em tecnologia e faturam com as novidades. A Cebrace, joint-venture entre NSG/Pilkington (Japão) e Saint-Gobain (França), dois grandes grupos produtores de vidros planos do mundo, trouxe para o Brasil, o Bioclean, vidro autolipante para ser utilizado em fachadas, coberturas, portas, janelas e sacadas dos edifícios.

A tecnologia, utilizada para aproveitar a força dos raios ultravioleta e da água da chuva para combater a sujeira e os resíduos, elimina a necessidade de limpeza constante do vidro e o uso de detergente. As vendas do produto crescem 15% ao ano, segundo o gerente de desenvolvimento de mercado da Cebrace, Carlos Henrique Mattar. Há espaço para crescer ainda mais, à medida que as empresas percebam o valor agregado do produto como já ocorre, segundo ele, nos Estados Unidos, Europa e até mesmo na Argentina e Chile.

A percepção das vantagens ambientais e econômicas também ocorreu em relação aos projetos de captação e reuso de água. A AcquaBrasilis, uma das empresas pioneiras no segmento, dobrou a carteira de pedidos nos últimos dois anos tanto no setor residencial quanto no corporativo.

A tendência é manter esse crescimento, informa a diretora Sybelle Muller, em especial em projetos de construção, como o do Eldorado Business Tower, para o qual a empresa projetou e forneceu um sistema de aproveitamento de águas subterrâneas e de chuva, além de soluções para a condensação de ar condicionado para uso em descargas, entre outras soluções. A demanda para esses negócios é crescente, informa Muller, em todas as partes do país, em especial em São Paulo, Goiânia, Rio de Janeiro e Brasília, estados nos quais a empresa tem maior atuação.

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A qualidade da água

6/08/11

04 de agosto de 2011 – O Estado de S.Paulo

Muita água, mas de qualidade cada vez pior, sobretudo nas proximidades dos grandes centros urbanos, o que coloca em risco o abastecimento futuro das maiores cidades do País. Essa ameaça, embora real, nem sempre é percebida pela população e por autoridades, por causa dos números auspiciosos sobre a extensão dos sistemas públicos de abastecimento de água, que atendem mais de 90% dos domicílios. Os investimentos em saneamento básico aumentaram nos últimos anos, mas, para afastar o risco de desabastecimento, será necessário ampliá-los ainda mais.

Estas são algumas conclusões do Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil – Informe 2011, elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA) com o objetivo de apresentar a situação da água no Brasil sob vários aspectos, como disponibilidade, qualidade e gestão de recursos hídricos. Trata-se da segunda edição desse trabalho, com dados de 2009 (a primeira edição foi lançada no ano passado, com dados de 2008), coletados em 1.747 pontos.

Quando combinados com outro estudo realizado pela ANA – o Atlas Brasil – Abastecimento Urbano de Água, lançado em março último -, os números do Informe 2011 compõem um quadro preocupante da disponibilidade e do uso dos recursos hídricos no País. Cruzando essa disponibilidade com as condições de produção e distribuição de água, o Atlas conclui que, se grandes investimentos não forem feitos nos sistemas em operação e no desenvolvimento de novos, 55% dos municípios poderão enfrentar o problema de escassez de água. A lista inclui as maiores cidades do País, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. Nelas vivem 125 milhões de pessoas, o que corresponde a mais de 70% da população urbana do País.

De sua parte, o Informe 2011 deixa claro que a qualidade das águas é muito pior nas regiões de grande concentração populacional, justamente as que mais necessidades terão no futuro, o que torna o problema ainda mais dramático.

O Brasil dispõe de 12% da oferta de água do planeta, mas apenas 4% dos recursos hídricos do País são considerados de qualidade ótima, um índice bem inferior aos 10% constatados no informe de conjuntura anterior da ANA. De acordo com o Informe 2011, 71% dos recursos são considerados de boa qualidade, número que parece indicar uma situação confortável para o País. Mas grande parte desses recursos está em regiões pouco ocupadas, sobretudo a Amazônia.

Quanto à água que a população mais utiliza, a qualidade é baixa e vem piorando. Um quarto da água dos rios, lagoas e mananciais do País é de qualidade péssima, ruim ou regular. No estudo anterior da ANA, 20% dos recursos hídricos tiveram essas classificações. Os pontos que apresentam qualidade de água péssima e ruim se encontravam, na maioria, nas proximidades das regiões metropolitanas, e o grande responsável pela degradação dos recursos hídricos nesses pontos é o lançamento de esgoto sem tratamento.

O Rio Tietê é um dos que têm pior classificação no estudo da ANA, o que era previsível. O que surpreende é a inclusão, entre os rios com qualidade de água ruim e péssima, do Iguaçu, que corta o Parque Nacional do Iguaçu, e do Guandu Mirim, no Rio de Janeiro, também situado numa área de conservação, a Área de Proteção Ambiental do Rio Guandu.

A universalização do abastecimento de água por rede pública e, em particular, o atendimento da demanda futura nas grandes cidades estão exigindo a ampliação das unidades de captação e tratamento e, em muitas regiões – inclusive a Grande São Paulo -, a busca de novas fontes de captação que, como mostra a ANA, estão cada vez mais contaminadas.

Por isso, é duplo o desafio do poder público na gestão dos recursos hídricos do País: ampliar os sistemas de coleta e, sobretudo, de tratamento adequado do esgoto urbano, ao mesmo tempo que investe em sistemas de captação, tratamento e distribuição de água.

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Tratamento e reúso de efluentes

1/08/11

Petrobras vai ampliar reúso de água

Bettina Barros | De São Paulo

27/07/2011

Leo Pinheiro/Valor

Viviana, gerente-geral de Pesquisa da Petrobras, diz que mais de 50 pesquisadores estão envolvidos no assunto: “O reaproveitamento de água é uma tecnologia estratégica”

A Petrobras prepara para colocar em operação a primeira estação móvel de reúso de água para as suas refinarias. A unidade, que consumiu R$ 10 milhões em pesquisa e desenvolvimento nos últimos três anos, tem um avanço em relação ao que está disponível hoje no mercado: reúne 15 tecnologias que, combinadas, poderão levar a até 100 soluções para tratamento e reúso de água.

Composta de duas carretas com equipamentos em escala piloto, a unidade móvel fará o papel do médico que passa de casa em casa para prescrever o melhor remédio ao paciente. “A ideia é que ela circule pelas refinarias do Brasil e identifique qual a melhor solução para cada caso”, afirma Viviana Canhão, gerente-geral de Pesquisa e Desenvolvimento de Gás, Energia e Desenvolvimento Sustentável da Petrobras. “É uma forma inovadora de acelerar o processo de tratamento e reúso de água. Não conhecemos nada parecido com isso no mundo”.

A estação começa a percorrer este mês as 12 refinarias da Petrobras. A primeira a recebê-la será a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, com ensaios na torre de resfriamento, onde há o maior consumo de água na refinaria. Em seguida, a unidade móvel seguirá para a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), em São Francisco do Conde, na Bahia.

O projeto faz parte de uma área do Cenpes (Centro de Pesquisa da Petrobras) que estuda tecnologias relacionadas a água. Entre as que podem ser utilizadas no novo equipamento estão as chamadas primárias – como filtragem, floculação e separador por densidade (no caso de óleos pesados e leves) – às avançadas, que vão de osmose inversa e eletrodiálise à remoção de sais.

O tratamento da água utilizada pela indústria é uma obrigação imposta pela legislação. Sem o tratamento, as refinarias não obtêm a licença para operar, lembra a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo).

Em 2010, a Petrobras captou nada menos que 187,3 milhões de metros cúbicos de água superficial, subterrânea e do abastecimento de municípios e terceiros. A água é utilizada nas refinarias para aquecimento e resfriamento. Segundo Viviana, quase 60% do volume captado evapora durante o processo industrial, sendo o restante devolvido aos rios.

O objetivo da Petrobras, porém, é reutilizar cada vez mais essa água. Em 2010, 17,6 milhões de metros cúbicos foram reaproveitados, 9,4% do consumo da empresa. Hoje, esse reaproveitamento ocorre, em diferentes níveis, na Refinaria Henrique Lage (Revap), em Gabriel Passos (Regap), Presidente Getúlio Vargas (Repar) e Capuava (Recap). As novas refinarias já são projetadas para a reutilização.

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