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RECURSOS HÍDRICOS

14/03/11

PAC vai destinar R$ 2 bilhões para a redução de perdas de água

Dinheiro, que ainda é considerado pouco, deve ser disponibilizado para as empresas no segundo semestre

08 de março de 2011 | 0h 00

Edna Simão – O Estado de S.Paulo

O governo federal pretende criar na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) uma linha de crédito de R$ 2 bilhões para ajudar Estados e municípios a reduzirem o índice de perda de água em suas empresas que prestam serviços de saneamento básico.

O montante, que deverá estar disponível apenas no segundo semestre, ainda é considerado baixo para suprir as necessidades do País, porém, é o primeiro passo do governo para melhorar a situação de algumas cidades brasileiras.

Segundo o secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Leodegar Tiscoski, dos R$ 2 bilhões que serão destinados à redução de perdas, R$ 1 bilhão virá do Orçamento da União e o restante do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

“Nossa preocupação não é só com a execução das obras. É preciso pensar na manutenção dos sistemas atuais, no dia a dia, na sustentabilidade. Senão, um aterro sanitário, por exemplo, acaba se transformando em um lixão”, explicou o secretário.

Criação de regras. Por enquanto, técnicos do Ministério das Cidades ainda estão elaborando as regras para liberação do dinheiro. “Estamos estabelecendo os critérios. Uma das variáveis para seleção pode ser o alto índice de perda”, afirmou Tiscoski. Existem cidades, conforme o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento referentes a 2008, em que o índice de perdas de faturamento ultrapassa a marca dos 70%, frisou o secretário.

O temor, no entanto, é de emprestar dinheiro para essas empresas municipais e estaduais e não ter um resultado expressivo. A avaliação de alguns técnicos é de que priorizar uma cidade com uma situação intermediária, ou seja, que já apresenta algum tipo de preocupação com perdas, pode trazer resultados positivos com mais rapidez.

Sucateamento. Um dos Estados onde o índice de perdas de faturamento se aproxima da casa dos 70% é o Amapá. De acordo com o presidente da Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa), Ruy Smith, esse elevado índice de perda está vinculado ao sucateamento da empresa, que precisa de dinheiro para investir.

Smith, que assumiu o cargo no início deste mês, afirmou ter iniciado uma campanha no Estado para cadastrar todos os usuários do sistema. Essa é uma das medidas que estão sendo tomadas para diminuir perda de água no Estado.

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TRATAMENTO E REÚSO DE EFLUENTES

31/01/11

Indústrias investem para captar água das chuvas

Sérgio Adeodato, para o Valor | De São Paulo

27/01/2011

Sérgio Hortélio, da Braskem: 900 mil litros de água das chuvas até 2013

No Polo Petroquímico de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, uma espécie de “piscinão” chama atenção por entre dutos, torres e chaminés. Além de reter efluentes industriais, o lugar está sendo preparado para acumular um produto estratégico: água da chuva. A “sopa” formada pela mistura dos líquidos será bombeada para uma estação de tratamento e reutilizada para diversos fins, como resfriamento de máquinas. “O objetivo é garantir a provisão de água e desonerar o abastecimento da população”, explica o engenheiro Sérgio Hortélio, da Braskem, coordenador do projeto.

Com investimento total de R$ 40,5 milhões em obras, equipamentos e tubulações, que se estenderão por 2 Km, a meta na primeira fase é fornecer ininterruptamente a partir do próximo ano 500 mil litros de água por hora para o polo – volume igual ao consumo de 100 mil habitantes. “Em 2013, atingiremos 900 mil litros, o suficiente para abastecer a cidade de Camaçari, onde estamos instalados”, diz Hortélio.

A água usada pela petroquímica para produzir etileno, propileno e outros insumos básicos é captada nos rios Joanes e Jacuípe, já castigados pelo estresse hídrico. De lá são bombeados 4,4 milhões de litros por hora, também destinados às demais indústrias do polo. “Não queremos depender dessa fonte cada vez mais utilizada pela população, inclusive da capital”, afirma o engenheiro. Ele completa: “passamos apertos na operação, durante os períodos de estiagem, quando as comportas da barragem que represa o rio precisavam ser abertas para abastecer Salvador”. Atualmente, a questão hídrica pesa na decisão de novos investimentos. O custo está cada vez mais alto e há poucas alternativas. “Explorar o lençol subterrâneo dentro de padrões sustentáveis é economicamente inviável na região.”

No Brasil, o consumo pelo setor industrial é de 69 mil litros por habitante ao ano, inferior ao índice chinês, de 71 mil litros. Os Estados Unidos chegam a 806 mil litros, segundo dados da Water Footprint Network, organização internacional que monitora a pegada hídrica das diferentes atividades econômicas.

“Para cada R$ 1 real investido em produção limpa, o retorno médio flutua entre R$ 7 e R$ 10″, reforça Umberto Cinque, gerente de meio ambiente industrial da Fibria, empresa de celulose que em dez anos reduziu em 70% o consumo de água na sua fábrica de Jacareí (SP). A maior parte do volume captado do Rio Paraíba do Sul é reutilizada na indústria, que está investindo R$ 17,4 milhões na melhoria do tratamento dos efluentes. Além de evitar a poluição, a iniciativa aumenta o reaproveitamento nos processos produtivos. “A meta é fechar o ciclo completo da água na fábrica.”

No município de Alumínio (SP), a Votorantim Metais-CBA atingiu esse objetivo, com a construção de uma malha de drenagem em toda a fábrica, estações de tratamento, canais para captar chuva e uma lagoa com 75 milhões de litros. Como resultado, nos últimos cinco anos, mais de 80% da água utilizada na produção deixou de ser captada nos rios. “O consumo por tonelada de alumínio é de 5,6 mil litros enquanto a média mundial atinge 13 mil litros”, diz o diretor industrial, Renato Moura.

Para combater o desperdício, a Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp, decidiu seguir os mesmos passos e investir no ciclo fechado. Em sua fábrica de Rio Claro (SP), onde a linha de montagem de máquinas de lavar roupa reaproveitam água ininterruptamente. Nos testes de performance das lavadoras, são economizados 64 milhões de litros por ano, o que corresponde a um terço de todo o consumo da fábrica, onde também são produzidos fogões.

“Substituímos processos de uso intensivo”, afirma Vanderlei Niehues, gerente de sustentabilidade. Ele cita como exemplo a extração de óleos e limpeza das máquinas, hoje realizadas à frio, mediante produtos orgânicos e biodegradáveis, capazes de economizar até 92% de água e 20% de energia. Na unidade de Joinville (SC), produtora de geladeiras e aparelhos de ar condicionado, novas tecnologias reduzem o consumo hídrico em 30%. “Eletrodomésticos já são projetados no sentido de diminuir custos para o consumidor”, acrescenta Niehues, lembrando que esse fator pesa na escolha de compra. Entre 2001 e 2010, foi obtida uma economia de 60% no uso de água pelos produtos.

Saiba mais: Fator Ambiental ajuda empresa economizar com o reaproveitamento de águas de chuva e ainda lucrar com sua venda.

Balanço Hídrico: Uma boa Gestão dos Recursos Hídricos pode gerar grande economia para empresas

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RESÍDUOS

31/01/11

Uso de resíduos ajuda a economizar energia

De São Paulo

26/01/2011

Reduzir o consumo de água, energia e emissões de carbono por meio de insumos provenientes de reciclagem são diferenciais competitivos para setores industriais que utilizam embalagens descartáveis. Estudo da Aluminum Association dos Estados Unidos indica que a produção de latas com material reciclado economiza 95% de energia em comparação aos que só utilizam matéria-prima de origem mineral (bauxita). A organização calcula em 44% a redução na pegada de carbono, a partir de critérios que consideram o consumo energético e o índice de reciclagem.

“Comparativamente com outros países, é grande o potencial para o corte de carbono em países como o Brasil, que usa fontes renováveis de energia”, diz Scott Kaufman, pesquisador da empresa Carbon Trust, com base nos resultados de um estudo encomendado pela Coca Cola britânica. No Brasil, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas) divulgou dados mostrando que a reciclagem de embalagens de alumínio consome quase metade da energia em relação ao registrado no reprocessamento de garrafas PET, para uma capacidade de envase de 1.000 litros.

Levantamento da PET Resin Association, tomando como base o uso de matéria-prima convencional, indica que o consumo de energia nesse tipo de plástico para acondicionar 2,8 litros de bebida é a metade do verificado para o alumínio. No caso das embalagens de vidro, para cada 10% de material reciclado nos fornos há uma redução de 4% no uso de energia.

O reaproveitamento de latas de aço promove uma economia de energia de 18%, na média nacional. No Nordeste, onde há campanhas mais incisivas para coleta do material, o consumo energético diminui 34%. Os dados foram calculados pelo Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea), em Campinas, incorporando a energia necessária para a produção dos combustíveis e sua utilização em fornos, caldeiras e outros processos industriais, assim como o consumo no transporte e a eletricidade utilizada pelo sistema. (S.A.)

Reciclagem nos negócios: Empresas brasileiras e canadenses investem no desenvolvimento de soluções para o uso sustentável de recursos

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LEILÃO FECHA 2010 COMO O ANO DA ENERGIA RENOVÁVEL

19/12/10

ENERGIA RENOVÁVEL

(Folha de S.Paulo, 17/12/10)

Governo derrubou ontem à noite liminar que excluía a hidrelétrica de Teles Pires (MT) na disputa de hoje. Usina a ser construída entre MT e PA é o principal projeto do leilão, com capacidade instalada de 1.820 MW.

O governo federal pretende encerrar o ano de 2010 com mais um leilão de energia de fontes renováveis.

Depois de ter conseguido conceder o polêmico projeto da usina de Belo Monte, no rio Xingu (PA), e contratar energia de biomassa, eólica e de pequenas centrais hidrelétrica neste ano, o governo realiza hoje o leilão da usina Teles Pires.

O projeto da hidrelétrica tem capacidade total de 1.820 MW e fica na divisa entre os Estados do Pará e de Mato Grosso. A AGU (Advocacia-Geral da União) conseguiu derrubar ontem, no início da noite, no TRF (Tribunal Regional Federal) de Brasília, uma liminar da Justiça Federal do Pará que impedia a inclusão da usina no leilão de hoje.

A liminar tinha cassado a LP (licença prévia) de Teles Pires -sem a LP, um projeto não pode ir a leilão.

A banca de advogados do governo montou uma operação de guerrilha, como a que criou no leilão de Belo Monte, realizado em abril deste ano. A AGU montou grupos para acompanhar qualquer ação que tente inviabilizar o leilão de hoje.

Além de Teles Pires, o leilão de hoje inclui as usinas de Estreito e Cachoeira, no rio Parnaíba (PI), e Santo Antônio do Jari, no rio Jari (AP).

Outras cinco PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) foram habilitadas e podem participar do leilão. Juntas, essas usinas somam 87 MW de potência instalada.

O plano inicial do governo era licitar um conjunto de usinas cuja capacidade total era de 3.923 MW. Isso não será possível.

Entre todos os projetos habilitados, o governo conseguiu incluir nessa disputa hidrelétricas que possuem potência total de 2.380 MW. A questão é que esse volume só será concedido se Teles Pires, a principal do leilão de hoje, for incluída.

CONSÓRCIOS

A principal usina desse leilão terá preço-teto da energia de R$ 87 por MWh (megawatt-hora).

Ganha o direito de construir e operar a hidrelétrica o consórcio que oferecer o maior deságio.

Há expectativa de que pelo menos quatro consórcios disputem Teles Pires.

Os demais preços-teto são: R$ 110 por MWh para Cachoeira; R$ 131 para Estreito; R$ 104 para Santo Antônio do Jari e R$ 142 para as PCHs

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