Arquivo da categoria 'Tratamento Efluentes'

Sustentabilidade

26/09/11

Ações sustentáveis reduzem custos das companhias

Por Luciana Seabra, Vanessa Dezem e Daniela Chiaretti | De São Paulo

Ricardo Rolim, da Ambev, aguarda sinal verde da Anvisa para levar uma garrafa PET 100% reciclada aos mercados

Veja também: Uma boa Gestão dos Recursos Hídricos pode gerar grande economia para empresas

A Ambev, quarta maior cervejaria do mundo, mapeou seu gasto de água desde a plantação de cevada até o instante em que a lata de cerveja chega à geladeira do consumidor – e conseguiu reduzir em 27,2% o volume gasto para produzir cada litro de cerveja. A fabricante alemã de softwares corporativos SAP economizou US$ 170 milhões em três anos, com ações de sustentabilidade. Os ganhos fizeram eco em sua cadeia de clientes: a Nike reduziu em 10% o consumo de energia, a Goodyear, em 47% e a economia do Walmart foi de 20%. (mais…)

Reúso de efluentes

12/09/11

Estação de reciclagem utiliza água de reúso

Com tecnologia inovadora, Israel dribla falta de espaço para armazenar lixo

07 de setembro de 2011

Simone Iwasso – O Estado de S.Paulo

ENVIADA ESPECIAL

Divulgação

Simplicidade. Estação de Hiriya, que foi construída em 2004, nos arredores de Tel-Aviv, e beneficia 2 milhões de pessoas

TEL-AVIV (ISRAEL)

A falta de espaço para armazenar o lixo e o pouco envolvimento da população no sistema de coleta seletiva levaram uma empresa israelense a desenvolver uma estação alternativa de reciclagem, que usa água de reúso para separar os materiais. O projeto, bem-sucedido, se transformou hoje na maior estação de tratamento de lixo de Israel.

A tecnologia foi desenvolvida com base em um conceito simples: cada tipo de objeto tem uma densidade e, portanto, se comporta de maneira diferente quando imerso na água. Com a ajuda da gravidade, papel, plástico, tecido, madeira, restos orgânicos e metais se separam, deixam de ser um bolo misto de lixo e boiam em camadas.

Cada material é, então, coletado em esteiras mecanizadas, tratado separadamente e enviado em caminhões para empresas especializadas em reciclagem – algumas compram plástico prensado, outras trabalham com vidro, madeira, ferro e alumínio, entre outros.

O material orgânico, que flutua na superfície da piscina, é depositado em tanques de fermentação. Os resíduos são transformados em adubo para agricultura. E o gás metano que resulta desse acúmulo de material gera eletricidade – parte é usada para manter a estação em funcionamento e o restante acaba sendo vendido para a companhia de energia elétrica local.

Entulho. Além do lixo doméstico, o parque de reciclagem é capaz de receber e tratar também resíduos de construção. Em uma planta, são depositados concreto, pedras e ferro. Nas piscinas de água, ferro e madeira são separados dos outros elementos – o que sobra é esmagado em grandes contêineres e vira areia e cascalho. “Todo o processo da estação de lixo e reciclagem é mecanizado e 90% dos resíduos sólidos são enviados para reciclagem sem separação manual”, afirma Yair Zadik, CEO da Arrowecology, empresa responsável pela tecnologia.

Ele explica que o modelo é sustentável e pode ser reproduzido em espaços variados. Até mesmo a água, bastante escassa e valiosa no país, é constantemente reutilizada. “Tratamos a água usada nas piscinas e, por isso, nossa demanda é pequena. Usamos sempre a mesma água”, diz.

A estação de Hiriya foi construída em 2004, nos arredores de Tel-Aviv, e recebe diariamente 800 caminhões de lixo com 3 mil toneladas de resíduos sólidos e 1,5 mil toneladas de entulhos de construção e demolição. O parque atende a região de Dan, que inclui Tel-Aviv e outros 18 municípios, num total de 2 milhões de habitantes.

Volume

3 mil toneladas de resíduos sólidos chegam diariamente à estação

1,5 mil toneladas de entulho de construção e demolição também são enviadas diariamente

19 cidades se beneficiam do local

A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DO INSTITUTO DE ISRAEL DE EXPORTAÇÃO E COOPERAÇÃO INTERNACIONAL E DO MINISTÉRIO DA INDÚSTRIA DE ISRAEL

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Geração de energia com resíduos sólidos

29/08/11

24 de agosto de 2011

Adriano Pires e Abel Holtz – O Estado de S.Paulo

Nos últimos meses, quase diariamente a imprensa publica opiniões e análises sobre a preparação dos estádios, aeroportos, estradas e hotéis necessários para a realização da Copa em 2014. As opiniões divergem, mas registram a falta de planejamento para programas dessa envergadura. Também em 2014 entrarão em vigor normas e regulamentos sobre o destino final dos resíduos sólidos provenientes de domicílios, indústrias, hospitais, etc. Pelas disposições que se conhecem, os “lixões” deixarão de existir e aterros sanitários deverão conter em larga medida os rejeitos da sociedade. Apesar da medida ser entendida por todos, cabe perguntar o que tem sido feito para a conscientização da população sobre a separação dos resíduos que são produzidos. Ao que se sabe, nada.

Resíduos sólidos são resultantes das diversas atividades humanas e podem ter diversas origens: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de limpeza de vias públicas, etc. O crescimento demográfico, a mudança ou a criação de hábitos, a melhoria do nível de vida, o desenvolvimento industrial e uma série de outros fatores são responsáveis por alterações nas características dos resíduos, contribuindo para agravar o problema de sua destinação final.

O gerenciamento inadequado desses resíduos pode resultar em riscos para a qualidade de vida das comunidades, criando, ao mesmo tempo, problemas de saúde pública e se transformando em fator de degradação do meio ambiente. Além dos problemas ambientais e dos altos custos para operação dos processos, há uma grande rejeição da sociedade à deposição de qualquer resíduo próximo à sua residência, tanto pelos odores desagradáveis como pela desvalorização econômica que produz ao patrimônio imobiliário.

Por sua vez, a solução dos aterros sanitários seria um avanço ponderável, sem dúvida, mas, mesmo protegendo o contato do lixo nele armazenado com o terreno pelo uso de devida proteção, os aterros nada mais são do que verdadeiras cloacas onde o lixo será decomposto, produzindo metano e o chamado chorume, líquido bastante tóxico e sem uso. Enquanto o metano poderia ser utilizado quando devidamente coletado – já há exemplos do seu uso para a produção de energia elétrica em alguns aterros sanitários em várias regiões -, o chorume continua nos aterros, podendo vazar e contaminar o terreno, os lençóis freáticos e nossos rios.

Os lixões e aterros existentes no País já estão, em sua grande maioria, saturados. Uma solução mais racional e moderna já está sendo usada em muitos países da Europa e nos EUA. A solução é a produção de energia elétrica pela queima dos resíduos domiciliares (lixo) em usinas próprias que produzem vapor. Esse vapor alimenta as caldeiras e as turbinas que vão produzir energia elétrica. Na Europa já se processam 130 milhões de toneladas de lixo, gerando energia térmica em mais de 700 instalações e produzindo mais de 8.800 megawatts de energia elétrica.

Os dados estatísticos quanto à limpeza urbana no Brasil são muito deficientes, pois as prefeituras têm dificuldade de normatizá-los de forma uniforme, já que existem diversos padrões de aferição dos vários serviços em cada uma delas. Considerando que nossa população beira os 200 milhões de habitantes, há uma produção média de 200 toneladas de lixo diárias que possibilitariam a produção de energia tendo o lixo como combustível da ordem de 2 mil MW médios dessa fonte, a mesma produção de uma central nuclear como Angra 1.

Em larga medida, os resíduos sólidos poderiam passar a ser equivalentes à biomassa, que já é utilizada na produção de energia elétrica. Ainda poderíamos gerar energia elétrica utilizando os resíduos sólidos em conjunto com a biomassa ou o gás natural. A construção de geradoras de energia elétrica bicombustível maximiza o uso dos dois combustíveis, aumentando a produção da energia assegurada. Talvez, em futuro próximo, nossos edifícios e residências poderão contar em condomínio com a produção da energia elétrica que consomem.

SÃO, RESPECTIVAMENTE, DIRETOR DO CENTRO BRASILEIRO DE INFRAESTRUTURA (CBIE) E ENGENHEIRO, CONSULTOR NA ÁREA DE ENERGIA E NEGÓCIOS

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A qualidade da água

6/08/11

04 de agosto de 2011 – O Estado de S.Paulo

Muita água, mas de qualidade cada vez pior, sobretudo nas proximidades dos grandes centros urbanos, o que coloca em risco o abastecimento futuro das maiores cidades do País. Essa ameaça, embora real, nem sempre é percebida pela população e por autoridades, por causa dos números auspiciosos sobre a extensão dos sistemas públicos de abastecimento de água, que atendem mais de 90% dos domicílios. Os investimentos em saneamento básico aumentaram nos últimos anos, mas, para afastar o risco de desabastecimento, será necessário ampliá-los ainda mais.

Estas são algumas conclusões do Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil – Informe 2011, elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA) com o objetivo de apresentar a situação da água no Brasil sob vários aspectos, como disponibilidade, qualidade e gestão de recursos hídricos. Trata-se da segunda edição desse trabalho, com dados de 2009 (a primeira edição foi lançada no ano passado, com dados de 2008), coletados em 1.747 pontos.

Quando combinados com outro estudo realizado pela ANA – o Atlas Brasil – Abastecimento Urbano de Água, lançado em março último -, os números do Informe 2011 compõem um quadro preocupante da disponibilidade e do uso dos recursos hídricos no País. Cruzando essa disponibilidade com as condições de produção e distribuição de água, o Atlas conclui que, se grandes investimentos não forem feitos nos sistemas em operação e no desenvolvimento de novos, 55% dos municípios poderão enfrentar o problema de escassez de água. A lista inclui as maiores cidades do País, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. Nelas vivem 125 milhões de pessoas, o que corresponde a mais de 70% da população urbana do País.

De sua parte, o Informe 2011 deixa claro que a qualidade das águas é muito pior nas regiões de grande concentração populacional, justamente as que mais necessidades terão no futuro, o que torna o problema ainda mais dramático.

O Brasil dispõe de 12% da oferta de água do planeta, mas apenas 4% dos recursos hídricos do País são considerados de qualidade ótima, um índice bem inferior aos 10% constatados no informe de conjuntura anterior da ANA. De acordo com o Informe 2011, 71% dos recursos são considerados de boa qualidade, número que parece indicar uma situação confortável para o País. Mas grande parte desses recursos está em regiões pouco ocupadas, sobretudo a Amazônia.

Quanto à água que a população mais utiliza, a qualidade é baixa e vem piorando. Um quarto da água dos rios, lagoas e mananciais do País é de qualidade péssima, ruim ou regular. No estudo anterior da ANA, 20% dos recursos hídricos tiveram essas classificações. Os pontos que apresentam qualidade de água péssima e ruim se encontravam, na maioria, nas proximidades das regiões metropolitanas, e o grande responsável pela degradação dos recursos hídricos nesses pontos é o lançamento de esgoto sem tratamento.

O Rio Tietê é um dos que têm pior classificação no estudo da ANA, o que era previsível. O que surpreende é a inclusão, entre os rios com qualidade de água ruim e péssima, do Iguaçu, que corta o Parque Nacional do Iguaçu, e do Guandu Mirim, no Rio de Janeiro, também situado numa área de conservação, a Área de Proteção Ambiental do Rio Guandu.

A universalização do abastecimento de água por rede pública e, em particular, o atendimento da demanda futura nas grandes cidades estão exigindo a ampliação das unidades de captação e tratamento e, em muitas regiões – inclusive a Grande São Paulo -, a busca de novas fontes de captação que, como mostra a ANA, estão cada vez mais contaminadas.

Por isso, é duplo o desafio do poder público na gestão dos recursos hídricos do País: ampliar os sistemas de coleta e, sobretudo, de tratamento adequado do esgoto urbano, ao mesmo tempo que investe em sistemas de captação, tratamento e distribuição de água.

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