Arquivo da categoria 'Tratamento Efluentes'

Tratamento e reúso de efluentes

1/08/11

Petrobras vai ampliar reúso de água

Bettina Barros | De São Paulo

27/07/2011

Leo Pinheiro/Valor

Viviana, gerente-geral de Pesquisa da Petrobras, diz que mais de 50 pesquisadores estão envolvidos no assunto: “O reaproveitamento de água é uma tecnologia estratégica”

A Petrobras prepara para colocar em operação a primeira estação móvel de reúso de água para as suas refinarias. A unidade, que consumiu R$ 10 milhões em pesquisa e desenvolvimento nos últimos três anos, tem um avanço em relação ao que está disponível hoje no mercado: reúne 15 tecnologias que, combinadas, poderão levar a até 100 soluções para tratamento e reúso de água.

Composta de duas carretas com equipamentos em escala piloto, a unidade móvel fará o papel do médico que passa de casa em casa para prescrever o melhor remédio ao paciente. “A ideia é que ela circule pelas refinarias do Brasil e identifique qual a melhor solução para cada caso”, afirma Viviana Canhão, gerente-geral de Pesquisa e Desenvolvimento de Gás, Energia e Desenvolvimento Sustentável da Petrobras. “É uma forma inovadora de acelerar o processo de tratamento e reúso de água. Não conhecemos nada parecido com isso no mundo”.

A estação começa a percorrer este mês as 12 refinarias da Petrobras. A primeira a recebê-la será a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, com ensaios na torre de resfriamento, onde há o maior consumo de água na refinaria. Em seguida, a unidade móvel seguirá para a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), em São Francisco do Conde, na Bahia.

O projeto faz parte de uma área do Cenpes (Centro de Pesquisa da Petrobras) que estuda tecnologias relacionadas a água. Entre as que podem ser utilizadas no novo equipamento estão as chamadas primárias – como filtragem, floculação e separador por densidade (no caso de óleos pesados e leves) – às avançadas, que vão de osmose inversa e eletrodiálise à remoção de sais.

O tratamento da água utilizada pela indústria é uma obrigação imposta pela legislação. Sem o tratamento, as refinarias não obtêm a licença para operar, lembra a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo).

Em 2010, a Petrobras captou nada menos que 187,3 milhões de metros cúbicos de água superficial, subterrânea e do abastecimento de municípios e terceiros. A água é utilizada nas refinarias para aquecimento e resfriamento. Segundo Viviana, quase 60% do volume captado evapora durante o processo industrial, sendo o restante devolvido aos rios.

O objetivo da Petrobras, porém, é reutilizar cada vez mais essa água. Em 2010, 17,6 milhões de metros cúbicos foram reaproveitados, 9,4% do consumo da empresa. Hoje, esse reaproveitamento ocorre, em diferentes níveis, na Refinaria Henrique Lage (Revap), em Gabriel Passos (Regap), Presidente Getúlio Vargas (Repar) e Capuava (Recap). As novas refinarias já são projetadas para a reutilização.

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Resíduos sólidos

25/07/11

O desafio é conciliar diversos interesses e tirar a lei do papel

Autor(es): Carmen Munari

Valor Econômico – 21/07/2011

Depois de aprovado o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, a batalha é por sua implementação

Foram necessários 20 anos para a aprovação da Lei 12.305, que estabelece o Plano Nacional de Resíduos Sólidos. No entanto, o plano representa apenas uma etapa para a regulamentação do tratamento do lixo no país. Agora, só com muita pressão e entendimento entre as partes envolvidas a lei chegará a prática do dia a dia das cidades. Depende, portanto, da chamada decisão política, principalmente pelas prefeituras.

A principal regra do marco obrigada os 5.565 municípios brasileiros a acabar com os lixões, construir aterros sanitários e instituir a coleta seletiva. Terão prazo até 2012 para apresentar seus planos e até 2014 para iniciar o novo procedimento. O governo federal criou comitês e grupos de trabalho para analisar e discutir a implantação do plano. As prefeituras resistem, alegando principalmente a falta de recursos. O acordo entre as duas partes, que envolve o setor industrial, vai disciplinar a destinação de 180 mil toneladas de lixo urbano produzidas no país por dia.

A previsão de investimento do Ministério do Meio Ambiente, que coordena o assunto no governo Dilma Rousseff, e de R$ 8,5 bilhões em gastos para União, Estados e municípios. Já a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) estima que a despesa para as prefeituras chegará a R$ 53 bi1hões.

“É a nossa constituição do lixo. Tem que cumprir”, defende Valdir Schalch, professor da Unidade de São Carlos (SP) da Universidade de São Paulo, especialista em resíduos sólidos. Para ele, “agora é a vez das prefeituras”. Irônico, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, diz que “é a vez de as prefeituras se encalacrarem mais ainda. Uma coisa é a lei. Outra, a execução”. Ele acusa Brasília de criar regras sem consulta.

Ziulkoski, que liderou nos últimos anos a Marcha dos Prefeitos a Brasília, com cerca de 4 mil integrantes, alega que os municípios não têm condições de cumprir a legislação, nem os prazos previstos. “Não há recursos, não há fonte de arrecadação adicional. Dizem que governo federal vai ajudar, mas é um sonho”, acusa.

O arquiteto Nabil Bonduki, secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, reforça a responsabilidade das prefeituras. Segundo ele, os seis grupos de trabalho criados para tratar do assunto – em que participam governo federal, Estados, municípios, indústria e catadores – tem por objetivo chegar a um consenso “e não a uma imposição”. Das discussões sairá um plano a ser levado para consulta pública.

Responsável por um diagnóstico para embasar os debates, o Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea) procura se distanciar da polêmica. “A regra que estabelece o ano de 2014 sem lixões está fadada a não atingir a totalidade, mas ter metas avançadas é muito positivo”, acredita Albino Rodriguez Alvarez, técnico em planejamento. “Se deixar solto não sai”, reforça Estanislau Maria, coordenador do Instituto Akatu, ONG voltada ao consumo consciente.

A possibilidade de combate à latente corrupção entre prefeituras e empresas de coleta de lixo é apontada por Rômulo Sampaio, coordenador do Programa de Direito e Meio Ambiente da Fundação Getúlio Vargas (FGV- RJ). Nos lixões, explica, não há controle da quantidade de resíduos despejados, o que pode propiciar o superfaturamento. “No aterro sanitário é tudo controlado, a quantidade é pesada. Diminui a margem de corrupção e a possibilidade de manipulação dos contratos”, diz.

O novo marco prevê ainda a logística reversa (instrumento que responsabiliza as empresas pela destinação de seus produtos depois de usados ) em cadeias produtivas como as de eletroeletrônicos, lâmpadas fluorescentes, óleo lubrificante, entre outros. A questão financeira também preocupa as indústrias, porque a obrigação deve gerar novos custos para as empresas. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo defende a concessão de incentivos fiscais para cumprir a legislação. “Está na lei, mas é vago, temos que discutir com o governo”, afirma Nelson Pereira dos Reis, diretor de Meio Ambiente da Fiesp.

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Aterros sanitários

25/07/11

Terça, 19 de julho de 2011

Cetesb faz nova vistoria em aterro

Técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) estiveram ontem no aterro da Pajoan, em Itaquaquecetuba, para uma nova vistoria, depois de diversas reclamações da comunidade. Mas foi constatado que não existiam novos deslizamentos do maciço de resíduos do aterro. Os moradores da região também estavam preocupados com a emissão de gases. Entretanto, segundo a Cetesb, a emissão era resultado da abertura de linhas trincheiras – para reforçar o sistema de drenagem de chorume – e foi exigência feita pela própria companhia. Ainda de acordo com a Cetesb, com o tempo mais frio, a impressão era de que havia uma maior emissão de gases.

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Resíduos

18/07/11

11/07/2011

Dinamarqueses vão importar lixo para geração de energia

SABINE RIGHETTI

ENVIADA ESPECIAL A COPENHAGUE

A produção de biogás e outros produtos a partir de lixo está dando tão certo na Dinamarca que o país deve importar resíduos a partir de 2016.

Nesse ano ficará pronta uma nova usina de processamento de lixo da cooperativa Amagerforbrænding, hoje a segunda maior do país.

A ideia é comprar resíduos de países do norte e do leste da Europa, como Alemanha e Polônia, para dar conta da capacidade total da usina.

Hoje, a Dinamarca processa 100% do lixo que produz em empresas privadas e em cooperativas sem fins lucrativos (esse é o caso da Amagerforbrænding).

A população separa o lixo em casa e também leva os recicláveis até postos de troca.

“Os dinamarqueses estão bastante acostumados a trocar garrafas de plástico e latas de alumínio por moedas”, disse à Folha a ministra do Clima e Energia da Dinamarca, Lykke Friis.

A Amagerforbrænding processou no ano passado cerca de 400 mil toneladas de lixo, ou 400 caminhões carregados todos os dias.

Editoria de Arte/Folhapress

ADEUS AOS FÓSSEIS

O tratamento de lixo reduz a emissão de CO2, principal gás do aquecimento global.

Além disso, no caso da Dinamarca, o biogás produzido a partir do lixo substitui os combustíveis fósseis que seriam usados para aquecimento das casas.

De acordo com Vivi Nør Jacobsen, da cooperativa, 4 kg de lixo processados na usina equivalem a 1 l de óleo para aquecimento das casas.

“A atividade da usina está dentro da proposta do governo de acabar com o uso de combustíveis fósseis no país até 2050″, explica Jacobsen.

A Amagerforbrænding também tem uma proposta de aproximar o processamento do lixo da sociedade.

A nova fábrica será em Copenhague, assim como a atual, que é de 1970 e se destaca por ser limpa e colorida.

A diferença é que a usina que será inaugurada ficará ainda mais perto do palácio real dinamarquês e funcionará como um espaço público, tendo até pista de esqui.

“Queremos mostrar que uma usina de processamento de lixo não precisa ser feia e fedida”, explica Jacobsen.

No Brasil, algumas iniciativas de reciclagem funcionam bem. Por exemplo, quase todas as latinhas de alumínio são recicladas no país.

Os lixões a céu aberto continuam predominando no Brasil pelo menos até 2014.

Esse é o prazo final estipulado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada no ano passado, para que todos os lixões sejam completamente fechados.

O objetivo é ter aterros sanitários para os resíduos que não possam ser tratadas – e reaproveitar o restante.

A jornalista SABINE RIGHETTI viajou a convite do Consórcio do Clima da Dinamarca

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