Lições da Europa para políticas de energia e clima

3/08/09

Ed Crooks, Financial Times
04/06/2009

Bloomberg

Fontes de energia renováveis, como a eólica, terão papel a desempenhar, junto com a conservação e a solução nuclear

“Energy and Climate Change: Europe at the Crossroads” - David Buchan. Oxford University Press, 214 páginas

Faz muito tempo desde que a “Velha Europa” esteve na fronteira avançada de alguma coisa. Mas em política energética e ambiental o Continente desbravou uma trilha que várias outras economias estão agora seguindo, especialmente a americana sob a presidência de Barack Obama.

David Buchan, ex-editor de Energia do “Financial Times” e hoje pesquisador no Instituto Oxford para Estudos sobre Energia, produziu um dos primeiros livros visando mapear esse território desconhecido. Em admiravelmente concisas, mas abrangentes 214 páginas, ele aborda todos os aspectos relevantes do novo cenário energético europeu. Seu livro será indispensável para quem deseje compreender o progresso obtido no setor na década passada, e para onde provavelmente se avançará.

O fio da narrativa é a história de como os políticos e funcionários governamentais da União Europeia (UE) tentaram estabelecer abordagens coletivas para enfrentar três desafios frequentemente conflitantes: competitividade, segurança energética e mudanças climáticas. Fracassaram em várias tentativas. E pouco se avançou na instituição de políticas por acordo, para segurança energética ou para estabelecer padrões comuns para energia nuclear.

Em seu empenho visando atacar a ameaça do aquecimento global, porém, o avanço obtido pela UE tem sido notável. Políticas europeias, como o esquema de comercialização de direitos de emissão de dióxido de carbono e metas para o uso de energia renovável, estão sendo adotados em todo o mundo. Se algum dia houver um marco regulatório mundial balizando a redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa, um sistema semelhante ao europeu provavelmente constituirá sua base.

Sob diversos aspectos, a UE estava idealmente posicionada para enfrentar o desafio do aquecimento global. Diferentemente dos Estados Unidos, seus governos de modo geral compartilhavam uma visão de que o problema merece séria atenção, e vários países europeus têm uma tradição de ação preventiva para lidar com preocupações ambientais.
Apesar disso, só recentemente as mudanças climáticas tornaram-se a questão central de política energética europeia. O relato de Buchan começa com o movimento pela liberalização energética iniciado em 2005, após ineficazes tentativas anteriores.

Essa campanha está agora praticamente terminada, ao menos no campo legislativo. A tentativa de desmembrar os grandes fornecedores de energia - que também são proprietários de suas redes de transmissão de eletricidade e gás -defrontou-se com implacável oposição da Alemanha e da França, determinados a defender suas empresas energética nacionais. Essa oposição indicou que a tentativa de obrigar ao desmembramento através de legislação provavelmente sempre esteve fadada ao fracasso.

Tentativas de ação coletiva em segurança energética, quando muito, foram ainda menos eficazes. Os países da UE têm se mostrado determinados a preservar poderes nacionais sobre suprimentos de energia. Como observa Buchan, “fornecedores externos sabem disso, e apressam-se em explorar o fato”.
Bruxelas foi reduzida a exortações geralmente infrutíferas em suas tentativas de forjar uma resposta articulada em face de desafios como a disputa russa sobre gás com a Ucrânia, um país de trânsito crucial para as importações destinadas à UE.

A Rússia ganhou um capítulo exclusivo, que merece, por ser “o mais importante, mas o mais difícil parceiro energético da UE”. Buchan não cede à visão fatalista de que tudo o que a UE pode fazer é receber suas importações de gás e petróleo sob termos russos, e confiar no compromisso do Kremlin de que preservará boas relações com seus clientes.
Ele argumenta: “A UE, em conjunto, pode fazer mais para assegurar sua segurança energética. E precisa empenhar-se mais”. No longo prazo, diz, a melhor política para assegurar suprimentos de energia é a mesma adotada para evitar as mudanças climáticas: a “revolução de baixas emissões de carbono”, para por fim à dependência europeia de petróleo, gás e carvão.

Economia de energia, fontes renováveis e energia nuclear, tudo isso terá um papel a desempenhar. O esquema de comercialização de emissões, que beneficia as fontes energéticas que geram baixos teores de carbono, está no coração da estratégia, e Buchan conclui que, “a despeito de todas as tentativas e erros iniciais”, o sistema europeu funciona.

A UE adotou uma atitude de “cautela redobrada”, determinando metas para redução de emissões, eficiência energética e o uso de fontes renováveis que correm o risco de ser conflitantes. Mas Buchan conclui que diferentes metas e subsídios são necessários para assegurar êxito. “Em tempos de paz normais, insucessos de políticas governamentais não são catastróficos”, escreve ele. “Mas as mudanças climáticas lembram mais períodos de guerra: não há tempo para voltar à prancheta.”

 

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

6/07/09

03/07/2009

ONU pede que Japão aumente ajuda contra mudança climática

da Efe, em Tóquio

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ao Japão que aumente sua ajuda aos países em desenvolvimento para lutar contra a mudança climática, informou a agência local de notícias “Kyodo” nesta semana.

Mark Garten -03.jul.09/AP

Secretário-geral da ONU Ban Ki-moon pede ao Japão que colabore contra aquecimento

Ban, que desembarcou ontem em a Tóquio antes de viajar para Mianmar (antiga Birmânia), disse que o Japão deverá reduzir as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa no mundo por meio da ajuda financeira e tecnológica aos países mais pobres.

O pedido do secretário-geral da ONU aconteceu durante um encontro com o presidente da Associação de Executivos Corporativos, Masamitsu Sakurai, e outros empresários japoneses.

Ban reconheceu os esforços do governo japonês na luta contra a mudança climática, em referência ao objetivo de reduzir em 15% suas emissões de gases que causam o efeito estufa para 2020, com relação ao nível de 2005.

O sul-coreano pediu ainda ao Japão que demonstre sua liderança na luta contra o aquecimento global e assuma um papel importante na luta contra a mudança climática que se estabeleça quando expire o Protocolo de Kyoto, em 2012.

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AQUECIMENTO GLOBAL

6/07/09

01/07/2009

Conferência da ONU sobre clima discutirá adaptações ao aquecimento global

da Efe, em Genebra

A 3ª Conferência Mundial Sobre o Clima das Nações Unidas terá como objetivo identificar e definir os mecanismos de adaptação ao fenômeno do aquecimento global, anunciou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) na terça-feira (31).

Em entrevista coletiva o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, explicou que não se deve somente tentar mitigar as mudanças climáticas, mas também aplicar as medidas necessárias para atenuá-la.

Tim Wimborne -22.jun.09/Reuters

Chaminé emite fumaça em Sydney, Austrália; objetivo de encontro é identificar os mecanismos de adaptação ao aquecimento global

“Temos que desenvolver ferramentas de adaptação que nos permitam prever as mudanças e prevenir processos climáticos que nos afetam negativamente”, afirmou Jarraud.

A conferência será realizada em Genebra, do dia 31 de agosto ao dia 4 de setembro. Também será a terceira de sua categoria, depois das de 1979 e 1990.

A primeira conferência estabeleceu o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) –premiado em 2007 com Nobel da Paz por sua constatação sobre o aquecimento global– e a segunda resultou na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, a Rio-92.

Os organizadores da conferência querem criar um “marco global de serviços climáticos”, uma ampla rede de troca de informação que sirva a todo o mundo e seja aplicável em todas as regiões do planeta.
“Precisamos não só obter a informação, mas também poder e saber transmiti-la ao povo que a necessita, aos políticos que deverão tomar decisões e às sociedades que deverão se adaptar”, indicou Jarraud.

Dividida

A conferência será dividirá em duas partes: uma reunião dedicada ao debates de analistas, centradas no potencial que os serviços climáticos podem oferecer e nas necessidades das comunidades de usuários, e um encontro de alto nível, durante o qual se prevê que os políticos tomem medidas em relação à adaptação ao clima.

A segunda reunião será inaugurada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e posteriormente dois de seus enviados especiais o representarão: o ex-presidente chileno Ricardo Lagos e a antiga primeira-ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland.

A 3ª Conferência Mundial sobre o Clima será “um passo e uma ajuda determinante” para a Cúpula de Copenhague de dezembro, segundo Jarraud.

O prazo do Protocolo de Kyoto termina em 2012. A comunidade internacional deve renová-lo anteriormente e, por isso, os membros da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC) se reunirão em Copenhague para negociar.
“A Conferência de Genebra servirá para esclarecer os temas que devem ser tratados em Copenhague. Os políticos já terão em suas mãos todas as informações necessárias, relativas à adaptação, porque elas serão discutidas e estipuladas com antecipação”, disse o secretário-geral da OMM.

Por enquanto, a lista de altos líderes que confirmaram presença na conferência é muito pequena, mas os organizadores esperam que ela aumente com a aproximação da data de realização.

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Sábado, 27 de Junho de 2009

Brown propõe US$ 100 bi/ano para combater aquecimento

Jamil Chade

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, propôs a criação de um fundo alimentado pelos países ricos de US$ 100 bilhões por ano para financiar as nações em desenvolvimento na luta contra as mudanças climáticas. O pacote faria parte do acordo que se negocia até o final do ano para determinar novos limites às emissões de CO2. Brown ainda quer reduzir em 50% o ritmo de desmatamento das florestas tropicais até 2020 e parar por completo a perda de cobertura florestal até 2030.

Em dezembro, 190 governos precisarão chegar a um entendimento sobre como lidar com as mudanças climáticas com o fim do Protocolo de Kyoto a partir de 2012. Um dos pontos mais polêmicos tem sido a contribuição dos países ricos à redução das emissões pelos emergentes.

A Europa havia feito uma proposta de acordo climático no início do ano. Mas deixou os emergentes irritados ao retirar da proposta o valor da ajuda que os ricos dariam aos países pobres. Pressionada diante de sua pior recessão em 60 anos, os europeus só queriam falar em valores quando soubessem o que os emergentes fariam para cortar suas emissões.

A proposta é feita a duas semana de uma reunião entre as 17 maiores economias do mundo. “É só uma gota. Mas pelo menos alguém falou algo sobre números, finalmente”, disse o especialista Pradipto Ghosh, membro do comitê criado pelo governo indiano para tratar de mudanças climáticas.

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REDUÇÃO DE EMISSÕES

6/07/09

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Chefe da ONU diz que novo pacto de emissão deve ser assinado

Ban Ki-moon afirmou que Protocolo de Kyoto deve ser substituído na convenção de dezembro em Copenhagen

Associated Press

TÓQUIO - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta quarta-feira, 1º, que o mundo precisa entrar em acordo sobre um novo tratado para diminuir a poluição na convenção de dezembro em Copenhagen e pediu aos líderes empresariais que unam esforços contra o aquecimento global.

Ban, que colocou as mudanças climáticas do planeta no topo de suas prioridades desde que assumiu o cargo na ONU, disse que mobilizaria “cada esforço” para chegar a um acordo na convenção da ONU para adotar medidas que substituiriam o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

“Precisamos selar um acordo em Copenhagen, em dezembro deste ano”, disse o chefe da ONU a líderes empresariais japoneses. “Será o momento da verdade em Copenhagen, quando decidiremos se vamos continuar no caminho do desastre tomando a mesma atitude lucrativa de sempre ou se vamos encontrar o caminho do crescimento sustentável”, disse. “Sabemos a resposta. Temos que tomar o caminho do crescimento sustentável”, completou.

O secretário realiza uma viagem de três dias ao Japão antes de ir para Mianmar, na sexta-feira, 3. Ban se encontrará com o primeiro-ministro japonês, Taro Aso, nesta quarta-feira para discutir a situação de Mianmar, país governado pelos militares, que mantiveram o líder da oposição, Aung San Suu Kyi preso por mais de 13 dos últimos 19 anos, a maioria deles em prisão domiciliar. As ameaças nucleares da Coreia do Norte também estão na pauta de debates entre os dois líderes.

Sobre as mudanças climáticas, Ban pediu aos líderes japoneses que ajudem o mundo na redução da emissão de gases poluentes. “Seu papel é extremamente, crucialmente importante. Conto com sua liderança”, disse o secretário.

O Japão, o quinto maior país emissor de gases poluentes do mundo, anunciou em junho uma nova meta de cortar em 15% suas emissões até 2020 considerando os índices de 2005. O premiê japonês disse que o objetivo está de acordo com os índices estipulados pela União Europeia e pelos EUA.

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terça-feira, 30 de junho de 2009

Califórnia tem autorização para limitar emissões de CO2

Aprovação coloca em vigor lei contra a poluição de 2004 do Estado que limita emissões de veículos automotores

AP e Reuters

Reuters

Barack Obama (de costas) cumprimenta o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegge

WASHINGTON - A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos deu sinal verde para o Estado da Califórnia impor rigorosas limitações para as emissões de gases estufa de veículos automotores.

A Califórnia, o Estado mais populoso dos Estados Unidos, brigou com a agência pela questão durante anos. A aprovação anunciada nesta terça-feira, 30, é necessária para que a lei contra a poluição de 2004 possa ter efeito. A lei exige que a eficiência energética dos veículos aumente 40% até 2016, para uma média de 15 quilômetros por litro.

A decisão já era esperada. O presidente Barack Obama anunciou, em maio, uma exigência nacional similar à da Califórnia, propondo que a emissão de poluentes dos automóveis do país seja regulada, em uma tentativa de reduzir os gases causadores do efeito estufa e diminuir a dependência na importação de petróleo.

A iniciativa faz parte de um plano mais completo para aumentar a regulação dos combustíveis para veículos de passeio, aumentando a pressão sobre as montadoras para que produzam carros e caminhões mais eficientes.

Obama disse na Casa Branca que o plano dará às montadoras novas diretrizes sobre a política regulatória do governo e permitirá que elas planejem melhor o futuro. “O status quo não é mais aceitável”, disse Obama. “Temos feito pouco para aumentar a eficiência energética dos carros e caminhões dos EUA há décadas”.

A proposta do governo federal exigirá que os veículos de passeio dos EUA tenham desempenho médio de 6,6 litros de gasolina a cada 100 quilômetros até 2016, economizando 1,8 bilhão de barris de petróleo.

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