Energia renovável será motor da economia global

19/10/09

12/9/2009
Fonte: O Estado de S. Paulo

Busca de soluções para o aquecimento global é apontada pelo Fórum Econômico Mundial como fator que vai motivar revolução tecnológica.

O poderoso motor do consumo americano entrou em pane e a pergunta que o mundo se faz é quem será responsável por sustentar o crescimento global a partir de agora. Tudo indica que a tarefa será dividida por vários atores, entre os quais estão a China, a classe média dos países emergentes e o aquecimento global.

Mais do que uma limitação, a mudança climática foi apontada ontem na reunião do Fórum Econômico Mundial em Dalian, na China, como um dos fatores que promoverão uma nova revolução tecnológica, de onde a economia global poderá retirar forças para crescer de maneira sustentável.

O desenvolvimento de fontes de energia renováveis está no topo da agenda dos EUA e da China, os dois países que definirão o futuro próximo do planeta. “A mudança climática é a oportunidade para uma nova revolução tecnológica que poderá ser uma nova fonte de crescimento global, com soluções que aumentem a eficiência energética”, declarou o vice-presidente do Deutsche Bank, Caio Koch-Weser, em painel sobre o futuro da economia mundial.

O novo embaixador dos EUA na China, Jon Huntsman, concordou que a “revolução energética” será um dos pilares do relacionamento entre os dois países e uma das fontes de expansão global.

A possibilidade de a China substituir os EUA no papel de locomotiva do mundo não aparece nos cenários de médio prazo dos economistas. Com nível de US$ 3.300, a renda per capita dos chineses equivale a menos de um décimo da dos americanos. De acordo com Sthephen Roach, chairman do Morgan Stanley na Ásia, no ano passado, o consumo nos EUA alcançou a cifra de US$ 10 trilhões. Na China, ele ficou em US$ 1,25 trilhão.

“Talvez demore 100 anos para a China alcançar os EUA”, observou Cho Tak Wong, presidente da Fuyai Glass Industry Group, que produz vidros para a indústria automobilística mundial. Ele lembrou que o porcentual da população chinesa que vive na zona rural atualmente – 55% – não é muito distante do índice de 60% que os EUA tinham há um século.

David Li, professor da Universidade Tsinghua, ressaltou que o único caminho para os chineses elevarem o consumo doméstico é o aumento da renda. “Nos últimos anos, a parcela da renda na composição do PIB diminuiu em vez de subir, porque a produtividade cresceu mais rapidamente que a renda.” A redução do consumo nos EUA trouxe um problema adicional para a China: o excesso de capacidade produtiva decorrente da retração do principal comprador de suas exportações.
(Cláudia Trevisan)

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REDUÇÃO DE EMISSÕES

10/08/09

Brasil e EUA debatem acordo climático

05/08/2009
O Globo
Catarina Alencastro

Minc negocia com representante americano formas de reduzir emissões

Catarina Alencastro

BRASÍLIA. Os Estados Unidos e o Brasil começaram ontem a costurar um acordo bilateral para combater o aquecimento global. Quem revelou a conversa foi o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, depois de receber o enviado especial para mudanças climáticas dos EUA, Todd Stern.

A combinação já tem seus principais pontos definidos: alternativas para preservar a Amazônia, fundos de financiamento para projetos no Brasil e parcerias em tecnologias de baixas emissões de gás carbônico.

O acordo seguirá os mesmos moldes do que foi fechado na última semana entre americanos e chineses, os dois maiores emissores de gases causadores do efeito estufa do planeta. Embora não estabeleça metas numéricas, o memorando assinado pelos dois países lista dez áreas de cooperação para que a China inicie sua transição para uma economia menos poluente.

- Eu perguntei ao Stern se ele tinha problema de aprovar, assim como aprovou com a China, um acordo bilateral importante.

E ele manifestou que tem vontade de fazer com o Brasil um muito mais avançado – disse Minc.

Representante britânico também é recebido O encontro para acertar os termos dessa parceria deverá ocorrer em setembro, no Brasil.

O enviado especial americano se disse otimista.

- Eu tenho grandes expectativas para uma cooperação entre o Brasil e os EUA – resumiu Todd Stern, ao sair do gabinete de Minc.

Stern foi o segundo negociador internacional sobre mudanças climáticas que o ministro do Meio Ambiente brasileiro recebeu ontem. Pela manhã, Minc esteve com o ministro de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido, Ed Miliband. Os dois estrangeiros teriam cobrado do Brasil o comprometimento com metas de redução a serem apresentadas na XV Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em dezembro, em Copenhague.

O Brasil não está disposto a se responsabilizar com metas de redução, argumentando que já tem um plano nacional com metas internas de diminuição do desmatamento e que cabe aos países desenvolvidos arcarem com um ônus maior.

- Eles nem cumpriram as metas deles. No caso dos EUA, nem assinaram o Protocolo de Kioto e estão exigindo da gente uma coisa mais avançada – afirmou Minc, completando que “a bola está com eles”.

O governo brasileiro foi cobrado por uma posição de líder dos emergentes. Para o ministro inglês, o Brasil “tem um papel crucial a desempenhar”.

O Reino Unido está comprometido com reduções de 34% de suas emissões até 2020 e promete investir US$ 100 bilhões num fundo para financiar projetos verdes em países em desenvolvimento.

- O que é feito na floresta tropical tem um impacto em Brighton (na Inglaterra). As responsabilidades são as mesmas.

Os países em desenvolvimento terão que dizer o que eles estão preparados a fazer até 2020 – defendeu Ed Miliband.

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terça-feira, 4 de agosto de 2009

México prepara plano para conferência sobre clima

ROBERT CAM – REUTERS
BELL – O México pretende apresentar uma oferta detalhada de corte de suas emissões de gás do efeito estufa durante as negociações na conferência mundial sobre mudanças climáticas, no fim do ano, em Copenhague, disse uma autoridade do país em meio ambiente.

“Se o México pode apresentar nas negociações um plano de cortes até 2020, com uma descrição do que será reduzido, vai estabelecer um precedente positivo para outras grandes economias emergentes”, disse Adrián Fernández, presidente do Instituto Nacional de Ecologia, em entrevista na segunda-feira.

O plano provavelmente vai propor cortes significativos nas crescentes emissões do México, que atualmente representam 1,5 por cento do total mundial, por meio de projetos como o de aperfeiçoamento da eficiência das usinas de energia ou redução de desmatamento.

O México terá condições de implementar algumas das iniciativas por conta própria, mas também buscará recursos externos para financiar outras ações.

As conversações sobre o clima mundial caminham lentamente já que países em desenvolvimento, como a China, exigem que as nações ricas respondam pela maior parte das reduções de emissões que, segundo os especialistas, são necessárias para diminuir o aquecimento do planeta.

As conversações terão seu ponto culminante no fim do ano, em uma grande conferência da ONU na capital da Dinamarca, Copenhague, onde os países devem assinar um novo tratado sobre mudanças climáticas para substituir o Protocolo de Kyoto.

O México compartilha da posição de que os países ricos, liderados pelos Estados Unidos, terão de conceder uma substancial ajuda financeira para ajudar os governos das nações mais pobres. O país espera conseguir recursos externos para algumas de suas iniciativas mais onerosas.

O México também tem apoiado os EUA, que dizem não poder efetuar cortes substanciais até 2020, mas que estão preparados para o comprometimento com a redução de emissões até 2050.

O presidente mexicano, Felipe Calderón, incluiu as mudanças climáticas na agenda do país. Em junho ele anunciou que o México iria cortar voluntariamente 50 milhões de toneladas de emissões anuais verificáveis até o fim de seu mandato, em 2012, por meio da melhora da eficiência nas estatais de eletricidade e petróleo e do uso das terras agrícolas.

O México terá de fazer grandes mudanças na legislação para cumprir as metas de emissões do plano que será apresentado em Copenhague, especialmente nos setores de petróleo e eletricidade, que são quase completamente vedados ao investimento privado.

(Reportagem de Robert Campbell)

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Lições da Europa para políticas de energia e clima

3/08/09

Ed Crooks, Financial Times
04/06/2009

Bloomberg

Fontes de energia renováveis, como a eólica, terão papel a desempenhar, junto com a conservação e a solução nuclear

“Energy and Climate Change: Europe at the Crossroads” – David Buchan. Oxford University Press, 214 páginas

Faz muito tempo desde que a “Velha Europa” esteve na fronteira avançada de alguma coisa. Mas em política energética e ambiental o Continente desbravou uma trilha que várias outras economias estão agora seguindo, especialmente a americana sob a presidência de Barack Obama.

David Buchan, ex-editor de Energia do “Financial Times” e hoje pesquisador no Instituto Oxford para Estudos sobre Energia, produziu um dos primeiros livros visando mapear esse território desconhecido. Em admiravelmente concisas, mas abrangentes 214 páginas, ele aborda todos os aspectos relevantes do novo cenário energético europeu. Seu livro será indispensável para quem deseje compreender o progresso obtido no setor na década passada, e para onde provavelmente se avançará.

O fio da narrativa é a história de como os políticos e funcionários governamentais da União Europeia (UE) tentaram estabelecer abordagens coletivas para enfrentar três desafios frequentemente conflitantes: competitividade, segurança energética e mudanças climáticas. Fracassaram em várias tentativas. E pouco se avançou na instituição de políticas por acordo, para segurança energética ou para estabelecer padrões comuns para energia nuclear.

Em seu empenho visando atacar a ameaça do aquecimento global, porém, o avanço obtido pela UE tem sido notável. Políticas europeias, como o esquema de comercialização de direitos de emissão de dióxido de carbono e metas para o uso de energia renovável, estão sendo adotados em todo o mundo. Se algum dia houver um marco regulatório mundial balizando a redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa, um sistema semelhante ao europeu provavelmente constituirá sua base.

Sob diversos aspectos, a UE estava idealmente posicionada para enfrentar o desafio do aquecimento global. Diferentemente dos Estados Unidos, seus governos de modo geral compartilhavam uma visão de que o problema merece séria atenção, e vários países europeus têm uma tradição de ação preventiva para lidar com preocupações ambientais.
Apesar disso, só recentemente as mudanças climáticas tornaram-se a questão central de política energética europeia. O relato de Buchan começa com o movimento pela liberalização energética iniciado em 2005, após ineficazes tentativas anteriores.

Essa campanha está agora praticamente terminada, ao menos no campo legislativo. A tentativa de desmembrar os grandes fornecedores de energia – que também são proprietários de suas redes de transmissão de eletricidade e gás -defrontou-se com implacável oposição da Alemanha e da França, determinados a defender suas empresas energética nacionais. Essa oposição indicou que a tentativa de obrigar ao desmembramento através de legislação provavelmente sempre esteve fadada ao fracasso.

Tentativas de ação coletiva em segurança energética, quando muito, foram ainda menos eficazes. Os países da UE têm se mostrado determinados a preservar poderes nacionais sobre suprimentos de energia. Como observa Buchan, “fornecedores externos sabem disso, e apressam-se em explorar o fato”.
Bruxelas foi reduzida a exortações geralmente infrutíferas em suas tentativas de forjar uma resposta articulada em face de desafios como a disputa russa sobre gás com a Ucrânia, um país de trânsito crucial para as importações destinadas à UE.

A Rússia ganhou um capítulo exclusivo, que merece, por ser “o mais importante, mas o mais difícil parceiro energético da UE”. Buchan não cede à visão fatalista de que tudo o que a UE pode fazer é receber suas importações de gás e petróleo sob termos russos, e confiar no compromisso do Kremlin de que preservará boas relações com seus clientes.
Ele argumenta: “A UE, em conjunto, pode fazer mais para assegurar sua segurança energética. E precisa empenhar-se mais”. No longo prazo, diz, a melhor política para assegurar suprimentos de energia é a mesma adotada para evitar as mudanças climáticas: a “revolução de baixas emissões de carbono”, para por fim à dependência europeia de petróleo, gás e carvão.

Economia de energia, fontes renováveis e energia nuclear, tudo isso terá um papel a desempenhar. O esquema de comercialização de emissões, que beneficia as fontes energéticas que geram baixos teores de carbono, está no coração da estratégia, e Buchan conclui que, “a despeito de todas as tentativas e erros iniciais”, o sistema europeu funciona.

A UE adotou uma atitude de “cautela redobrada”, determinando metas para redução de emissões, eficiência energética e o uso de fontes renováveis que correm o risco de ser conflitantes. Mas Buchan conclui que diferentes metas e subsídios são necessários para assegurar êxito. “Em tempos de paz normais, insucessos de políticas governamentais não são catastróficos”, escreve ele. “Mas as mudanças climáticas lembram mais períodos de guerra: não há tempo para voltar à prancheta.”

 

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

6/07/09

03/07/2009

ONU pede que Japão aumente ajuda contra mudança climática

da Efe, em Tóquio

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ao Japão que aumente sua ajuda aos países em desenvolvimento para lutar contra a mudança climática, informou a agência local de notícias “Kyodo” nesta semana.

Mark Garten -03.jul.09/AP

Secretário-geral da ONU Ban Ki-moon pede ao Japão que colabore contra aquecimento

Ban, que desembarcou ontem em a Tóquio antes de viajar para Mianmar (antiga Birmânia), disse que o Japão deverá reduzir as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa no mundo por meio da ajuda financeira e tecnológica aos países mais pobres.

O pedido do secretário-geral da ONU aconteceu durante um encontro com o presidente da Associação de Executivos Corporativos, Masamitsu Sakurai, e outros empresários japoneses.

Ban reconheceu os esforços do governo japonês na luta contra a mudança climática, em referência ao objetivo de reduzir em 15% suas emissões de gases que causam o efeito estufa para 2020, com relação ao nível de 2005.

O sul-coreano pediu ainda ao Japão que demonstre sua liderança na luta contra o aquecimento global e assuma um papel importante na luta contra a mudança climática que se estabeleça quando expire o Protocolo de Kyoto, em 2012.

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